Estudo sobre tendências em gestão de pessoas revela desafios em liderança, contratação e formatos de trabalho no Brasil e na América Latina
Incerteza cresce entre empresas e líderes
O mundo do trabalho entra em 2026 marcado por maior instabilidade, segundo a 8ª edição do Relatório de Tendências em Gestão de Pessoas do Great Place To Work (GPTW). O estudo mostra que a incerteza em relação às perspectivas de negócios alcançou 35,4% em 2026, o maior índice da série histórica, frente aos 16% registrados em 2019. Embora o otimismo ainda seja predominante, o avanço desse sentimento reflete um cenário de transformações rápidas e pressões sobre as organizações.
Desenvolvimento da liderança lidera prioridades
Entre os principais desafios da gestão de pessoas, o desenvolvimento e a capacitação da liderança ocupam o primeiro lugar, com 57,4% das respostas, o maior percentual dos últimos cinco anos. Na sequência aparecem a transformação da cultura organizacional e o engajamento das equipes. A pesquisa também indica mudança no perfil de liderança valorizado pelas empresas, com maior foco na entrega de resultados. “Essa alteração diz muito sobre o cenário de mudanças rápidas e tomadas de decisão eficiente que vivemos e acende um alerta”, afirma Daniela Diniz, diretora de comunicação e relações institucionais do GPTW e coordenadora do estudo.
Contratação e inteligência artificial ganham relevância
A dificuldade para contratar profissionais qualificados também cresce entre as prioridades das empresas, passando de 12% para 21,9%. O levantamento mostra ainda aumento da atenção à inteligência artificial, que subiu de 9% para 18,7%. Apesar disso, competências como resolução de problemas complexos, resiliência e pensamento crítico seguem no topo das exigências para os profissionais. O relatório aponta que muitas organizações ainda concentram os investimentos em tecnologia, sem avançar na capacitação das pessoas para o uso estratégico dessas ferramentas.
Saúde mental e formatos de trabalho em nova fase
O estudo identifica uma mudança na forma como as empresas tratam a saúde mental, que deixou de figurar entre os principais desafios, indicando maior maturidade na abordagem do tema. “Esse movimento indica uma maior maturidade na abordagem do assunto, com avanços em orçamento, práticas mais estruturadas e crescimento das empresas que realizam mapeamento de riscos psicossociais, possivelmente impulsionados por exigências regulatórias no país e pelo aprendizado acumulado ao longo dos últimos anos”. Em relação aos formatos de trabalho, o modelo 100% presencial lidera, mas empresas que adotam regimes híbridos ou remotos relatam menos dificuldades para preencher vagas, evidenciando o impacto do formato na atração de talentos.
