Espetáculo “Como é que eu vim parar aqui?”, estrelado por Thai de Melo, mistura autobiografia, humor e crítica à cultura digital em montagem que chega ao Recife durante turnê nacional em 2026
Após conquistar público e crítica em uma temporada bem-sucedida em São Paulo, o espetáculo “Como é que eu vim parar aqui?”, protagonizado por Thai de Melo, inicia em 2026 uma turnê nacional que inclui apresentações em cinco capitais brasileiras. Entre elas está o Teatro Luiz Mendonça, onde a peça será encenada nos dias 21 e 22 de março. A montagem, apresentada pelo Nubank por meio do programa Nubank Ultravioleta, marca a consolidação da artista no teatro após trajetória reconhecida no ambiente digital.
A obra representa a estreia solo de Thai nos palcos e tem chamado atenção pela capacidade de traduzir para a cena teatral reflexões que nasceram no universo da internet. Natural de Boa Vista, em Roraima, a artista formou-se em jornalismo antes de construir uma carreira como criadora de conteúdo digital, inicialmente ligada ao universo da moda. Seu trabalho nas redes sociais chamou a atenção de grandes grifes internacionais, como Gucci, Dior e Prada, ampliando sua visibilidade e consolidando uma presença expressiva nas plataformas digitais.
No palco, no entanto, Thai aposta em outro tipo de linguagem. O espetáculo é definido pela própria artista como uma autoficção, gênero que mistura experiências pessoais com elaboração dramatúrgica. Durante cerca de 55 minutos de apresentação, a atriz conduz o público por memórias, questionamentos e episódios que atravessam temas universais como maternidade, casamento, carreira, expectativas sociais e os impactos da internet na construção da identidade contemporânea.
“O desejo foi transpor o mundo da internet para o teatro sem ser didática sobre isso. Testar essa persona em um ambiente completamente diferente. Nada é mais oposto à internet do que o teatro”, afirma Thai sobre o processo criativo. A proposta busca justamente explorar esse contraste entre dois territórios narrativos: a instantaneidade das redes sociais e o tempo expandido da experiência teatral.
A direção é assinada por Bruno Guida, que define a montagem como resultado do encontro entre linguagens e trajetórias artísticas distintas. Segundo ele, o espetáculo nasce da colaboração entre criadores que não necessariamente têm origem no teatro tradicional, mas que se aproximam da cena a partir de diferentes campos culturais. “São artistas que criam uma linguagem conjunta, com estética apurada e um leve flerte com a bufonaria”, observa o diretor.
Com formação em escolas como o Teatro Escola Célia Helena, em São Paulo, a École Philippe Gaulier, em Paris, e a Escola de Teatro de Moscou (GITIS), Guida possui uma carreira consolidada como ator e diretor. Ao longo dos anos, participou de mais de vinte montagens teatrais e dirigiu espetáculos como Bárbara, A Última Entrevista de Marília Gabriela e The Pillowman.
A dramaturgia é assinada por Thai em parceria com Juliana Rosenthal, enquanto a produção geral é conduzida por Dani Angelotti, diretora da Cubo Produções e profissional com mais de duas décadas de atuação nas artes cênicas. Para Angelotti, a peça dialoga com um movimento contemporâneo do teatro brasileiro de buscar novos públicos e integrar linguagens. “Pensar novos caminhos e cruzar formatos é fundamental. Thai possui uma potência rara e se revela uma grande presença nos palcos”, avalia.
A montagem também chama atenção pela equipe criativa responsável pela concepção estética. O figurino leva a assinatura do estilista Alexandre Herchcovitch em parceria com Flávia Laffer, enquanto a direção de arte é de Ana Ariette. A trilha sonora original foi composta por Dan Maia, e a direção de movimento é de Gabriel Malo. A iluminação é assinada por Cesar Pivetti.
A recepção crítica da temporada paulista destacou a liberdade criativa da obra e a presença cênica da artista, que consegue transformar vivências pessoais em narrativa teatral com humor, estranhamento e momentos de emoção. O resultado tem sido sessões frequentemente esgotadas desde as primeiras apresentações, realizadas entre 2024 e 2025.
No Recife, a peça chega ao Parque Dona Lindu como parte de uma agenda cultural que tem ampliado a presença de produções nacionais contemporâneas na cidade. A expectativa da produção é repetir o sucesso de público registrado em outras capitais, especialmente entre espectadores que acompanham a trajetória da artista no ambiente digital e agora passam a vê-la em um contexto performático mais tradicional.
Além da capital pernambucana, a turnê passará pelo Teatro Copacabana Palace, pelo Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas, pelo Teatro Santos Augusta e pelo Teatro Guairinha.
As apresentações contam ainda com recursos de acessibilidade comunicacional, incluindo intérprete de Libras e audiodescrição prévia, ampliando o acesso ao espetáculo.

