Estudo mostra que 65% das mulheres evitam andar sozinhas à noite, o que afeta consumo, convivência e uso da cidade
A insegurança urbana tem imposto limites concretos à circulação das mulheres no Brasil. Dados do estudo O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026 indicam que 65% das brasileiras não se sentem seguras para caminhar sozinhas à noite. Entre os homens, o índice também chama atenção, chegando a 40%, o que reforça que o problema ultrapassa a questão de gênero e atinge a dinâmica das cidades como um todo.
No conjunto da população, 53% relatam restrições no cotidiano por causa da insegurança. Mais do que percepção de risco, o dado revela mudanças práticas de comportamento: escolha de trajetos, redução de atividades noturnas e dependência de companhia para circular. Na prática, isso impacta diretamente setores como comércio, lazer e serviços, ao restringir a presença de parte significativa da população em determinados horários.
O estudo também aponta que a sensação de insegurança está associada a um ambiente mais amplo de desconfiança institucional. Segundo a pesquisa, 81% dos brasileiros percebem a corrupção como generalizada no governo e 66% nas empresas. “Bem-estar não depende apenas de fatores individuais. Ele exige condições externas como segurança, confiança, previsibilidade, que permitem às pessoas viver com mais liberdade”, afirma a pesquisadora Renata Rivetti.
Apesar desse cenário, o levantamento identifica um alto nível de otimismo entre os brasileiros: 93% afirmam ter esperança em dias melhores, sendo 67% de forma plena. Para Rivetti, essa postura não elimina os desafios estruturais. “O brasileiro desconfia das instituições, mas continua acreditando no futuro. Essa resiliência é real, mas não pode ser confundida com ausência de problemas estruturais que precisam ser enfrentados”, diz.
Metodologia
O estudo ouviu 1.500 pessoas em todas as regiões do país, entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, com 95% de nível de confiança e margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

