Quando a tecnologia entra na gestão: avanço digital impulsiona serviços públicos

Revista Algomais

*Por Rafael Dantas

Mesmo com muitos indicadores críticos na área de gestão pública, tanto Pernambuco, como o Recife, registram bons resultados em indicadores como a oferta de serviços digitais e transparência, que tem forte relação também com a adoção de novas tecnologias na máquina pública.

Diferente do ranking geral de competitividade, Pernambuco é o 8º Estado do País no índice da ABEP-TIC (Associação Brasileira de Entidades Estaduais e Públicas de Tecnologia da Informação e Comunicaçã), quando se trata de oferta de serviços públicos digitais. No ranking da CLP – Liderança Pública, o Estado aparece também com a 8ª colocação no indicador de Informação e Comunicação. Em 2025, o Governo do Estado alcançou o Selo Diamante em transparência pública, promovido pela Atricon (Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil), com 95,69% de conformidade, firmando-se entre os mais transparentes do País.

O avanço recente da tecnologia na gestão pública reflete uma mudança de percepção sobre o papel da área nos governos. Se antes os investimentos em tecnologia eram vistos como acessórios e frequentemente os primeiros a sofrer cortes, hoje passaram a ocupar posição central nas estratégias de melhoria dos serviços públicos e na relação com a população.

Para o presidente da ATI-PE (Agência Estadual de Tecnologia da Informação), Fred Vasconcelos, a tecnologia deixou de ser um suporte e passou a atuar como elemento estruturante da ação governamental. “A tecnologia tem um papel preponderante no setor público, pois ela é habilitadora, permitindo que as pessoas tenham ao seu alcance os mais diversos e complexos serviços que o governo pode ofertar”, afirmou.

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Fred Vasconcelos

O gestor afirmou que a ATI tem avançado na infraestrutura digital do Estado, com a implantação de uma nova rede de conectividade mais robusta, além de ampliar o uso de soluções tecnológicas em áreas estratégicas como saúde e gestão pública. Também ganham destaque nesse movimento os projetos como a expansão da telemedicina, o monitoramento digital de serviços e a criação da plataforma integrada PE.GOV, que reúne, em um único ambiente, os serviços estaduais ao cidadão. 

O Recife se destaca também em rankings de transparência, como no ITGP 2025, da Transparência Internacional, no qual ocupa a segunda posição no Brasil. Também foi eleito o melhor do País no uso de tecnologia para atendimento à população no Anciti Awards 2023, além de ganhar projeção nacional ao conquistar o primeiro e o terceiro lugares no Concurso de Inovação da ENAP 2025.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Recife, Rafael Cunha, considera que a principal expressão da nossa transformação digital é o Conecta Recife. A plataforma oferece mais de 800 serviços disponíveis. “O Conecta Recife representa uma mudança estrutural na forma como o poder público se organiza e se relaciona com o cidadão. Internamente, ele promove integração de sistemas, padronização de processos e redução significativa da burocracia, facilitando o trabalho do servidor e aumentando a produtividade da administração”. Ele destacou ainda as inovações do ClarIA (IA da rede de saúde para identificar, de forma preventiva, mulheres em situação de risco de violência) e o Super Visão (plataforma que utiliza processamento de imagens e sensores urbanos para fortalecer a fiscalização inteligente da cidade).

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Rafael Cunha

Para o cidadão, o gestor avalia que o impacto é ainda mais perceptível. “O Conecta não apenas centraliza serviços, mas começa a evoluir para um modelo proativo, em que o próprio sistema consegue antecipar demandas e entregar valor antes mesmo da solicitação formal. Isso significa menos filas, menos deslocamentos e uma experiência muito mais simples, acessível e eficiente”.

O poder municipal vem estruturando sua agenda de transformação digital a partir da Política Municipal de Inteligência Artificial, que deve orientar os próximos avanços na gestão. No curto prazo, a estratégia está centrada na ampliação da digitalização e integração de serviços, no uso intensivo de dados para a tomada de decisão e na incorporação da inteligência artificial tanto nos processos internos quanto na relação com o cidadão. Olhando para o futuro, Rafael aponta que a tendência à hiperpersonalização dos serviços. Nesse modelo, o Estado deixaria de ser apenas reativo e passaria a atuar de forma proativa, antecipando demandas da sociedade.

*Rafael Dantas é repórter da Revista Algomais e assina as colunas Pernambuco Antigamente e Gente & Negócios (rafael@algomais.com | rafaeldantas.jornalista@gmail.com)

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