Megamurais no Recife impulsionam economia criativa e transformam paisagem urbana

O Recife vem consolidando a arte urbana como vetor de valorização cultural e estímulo à economia criativa por meio do programa Megamurais, iniciativa do Gabinete de Inovação Urbana da Prefeitura. A mais recente intervenção é o mural “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada”, da artista pernambucana Ranne Skull, instalado na empena do Edifício Sion, na Avenida Conde da Boa Vista. A obra integra a temática “Recife Cidade da Música”, título concedido pela UNESCO em 2021, e amplia o circuito artístico que vem transformando fachadas em grandes telas a céu aberto.

Com 304,20 m², o mural presta homenagem à Mestra Joana (Iyakekerê Mãe Joana da Oxum), do Maracatu Encanto do Pina e criadora do Movimento Baque Mulher. Inspirada no refrão da música homônima, a obra associa a força do maracatu à luta por emancipação da população negra. A imagem retrata uma mulher negra cercada por alfaias e correntes sendo rompidas, em referência ao combate ao racismo e à conquista de espaço na cultura popular. A intervenção contou com apoio da Tintas Iquine.

Além da dimensão simbólica, o projeto também aposta em inovação. Ranne Skull se torna a primeira artista do Nordeste a utilizar óculos de realidade virtual na pintura de uma empena, e o mural ainda incorpora projeções compatíveis com óculos 3D, ampliando a experiência do público. Segundo Alice Nóbrega, Gerente de Projetos Especiais e Artes Visuais do GIURB, “o edital de megamurais busca reavivar a paisagem urbana do Recife, promovendo o amplo acesso à arte e transformando a cidade em uma galeria a céu aberto. Por isso, é de suma importância que as obras tragam representatividade, como essa de Ranne, com a questão feminina e negra na cultura local”.

A iniciativa se soma a outros megamurais que vêm redesenhando o centro da cidade, como “Nossa Rainha já se Coroou”, de Nathê Ferreira e Fany Lima, “Recife Meu Amor”, de Marquinhos ATG, “O Som Nasce na Semente”, de Yony Seres e Priscila Avelin, e “Nanã de Naná”, de Manoel Quitério, em homenagem ao percussionista Naná Vasconcelos. Juntas, as obras reforçam a diversidade cultural e musical do Recife, consolidando o espaço urbano como plataforma de expressão artística e identidade coletiva.

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