Segundo Gilberto Freyre Neto, presidente do IPERID, o acordo redesenha relações políticas, científicas e tecnológicas entre os blocos
Para além do comércio tradicional, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia abre um conjunto de oportunidades menos evidentes, mas estratégicas, especialmente para estados como Pernambuco. Segundo Gilberto Freyre Neto, presidente do Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais e Diplomacia (IPERID), trata-se de um novo desenho de relacionamento que “vai nos obrigar a ajustar a máquina para poder participar desse novo desenho de relacionamento econômico e político, acima de tudo, entre o Mercosul e a União Europeia”.
NOVOS HORIZONTES PARA PESQUISA
Uma dessas oportunidades está na criação de um espaço comum de pesquisa, voltado ao desenvolvimento de ciência e tecnologia aplicada. Como destaca Freyre Neto, esse ambiente integrado pode favorecer regiões que já possuem vocação científica consolidada. “O espaço comum de pesquisa, o ambiente integrado para se desenvolver ciência e tecnologia aplicada no Nordeste e em Pernambuco, a partir daquilo que a gente é bom”, afirma, ao lembrar que o Estado já se destaca como polo médico e tecnológico com relevância internacional.
NOVAS CADEIAS DE VALOR
Outra frente menos óbvia é a formação de novas cadeias de valor em setores intensivos em conhecimento, como saúde, alimentos, indústria de defesa e tecnologia. O presidente do IPERID ressalta que há empresas europeias com capacidade de olhar estrategicamente para o Brasil e identificar territórios “importantes, maduros para receber investimentos dessas grandes empresas”. Nesse contexto, Pernambuco pode se posicionar como elo qualificado nessas cadeias, articulando ciência aplicada, inovação e diplomacia econômica.
O acordo também impõe desafios e oportunidades na integração educacional e no reconhecimento de modelos de formação. Para Gilberto Freyre Neto, será necessário avançar no reconhecimento mútuo da qualidade dos sistemas educacionais, tanto da Europa para o Brasil quanto do Brasil para a Europa, criando uma base harmoniosa de cooperação voltada ao futuro e ao fortalecimento do capital humano.
LICITAÇÕES PÚBLICAS
Por fim, ele chama atenção para uma agenda ainda pouco debatida: o acesso às compras públicas europeias. Embora reconheça que não se trata de um caminho simples, Freyre Neto avalia que já existem empresas brasileiras com grau de maturidade e competências para disputar esse mercado. “Imagine empresas brasileiras sendo contratadas como fornecedoras de produtos e serviços para governos europeus”, projeta, apontando que, com ajustes e novas capacidades, Pernambuco pode transformar essa oportunidade menos visível em uma via concreta de internacionalização.
