Especialistas alertam que variações hormonais ao longo da vida impactam diretamente o metabolismo e o acúmulo de gordura no organismo feminino
No Mês da Mulher, uma dúvida frequente nos consultórios médicos é por que algumas mulheres mantêm dieta equilibrada e praticam atividade física regularmente, mas ainda encontram dificuldade para emagrecer. Segundo especialistas, a resposta muitas vezes está relacionada ao equilíbrio hormonal. Hormônios como estrogênio, progesterona, insulina e cortisol exercem influência direta sobre o metabolismo feminino, o que pode explicar por que o processo de perda de peso não ocorre da mesma forma para todas.
De acordo com a endocrinologista Leila Gonzaga, fatores hormonais têm papel importante na composição corporal das mulheres. “A mulher tem, fisiologicamente, maior percentual de gordura corporal. Além disso, variações hormonais ao longo do ciclo menstrual, da gestação, do pós-parto e da menopausa impactam diretamente o metabolismo e o armazenamento de gordura”, explica.
Entre os hormônios envolvidos nesse processo, o estrogênio está relacionado à distribuição da gordura corporal, enquanto a progesterona pode favorecer a retenção de líquidos, principalmente no período pré-menstrual. Já a resistência à insulina, condição cada vez mais comum, pode dificultar o emagrecimento e contribuir para o acúmulo de gordura abdominal. “Não é apenas uma questão de disciplina. Muitas vezes, o organismo está respondendo a um desequilíbrio hormonal que precisa ser investigado”, destaca a médica.
As mudanças hormonais tornam-se ainda mais perceptíveis a partir dos 35 ou 40 anos. Nesse período, a redução gradual dos níveis de estrogênio pode levar à diminuição da massa muscular e, consequentemente, à queda do gasto energético basal. “Quando há perda de massa magra, o metabolismo desacelera. Se a estratégia alimentar não for ajustada, o ganho de peso se torna mais fácil”, afirma Leila Gonzaga.
Outro fator que influencia o metabolismo feminino é o estresse crônico, que aumenta a produção de cortisol. O excesso desse hormônio está associado ao aumento do apetite, maior consumo de alimentos calóricos e acúmulo de gordura na região abdominal. “A mulher moderna vive em múltiplas jornadas, e isso impacta diretamente a saúde hormonal”, reforça.
Dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) indicam que mais da metade da população adulta brasileira apresenta excesso de peso. Entre as mulheres, o desafio se torna ainda mais complexo devido às variações hormonais que ocorrem ao longo da vida.
Para a endocrinologista, o acompanhamento médico é essencial para definir estratégias adequadas. “Cada mulher tem um perfil metabólico diferente. O tratamento deve considerar exames hormonais, composição corporal, histórico clínico e rotina. Não existe fórmula universal”, conclui.

