A revolução silenciosa do microcrédito no campo em Pernambuco

*Por Rafael Dantas

Produtora rural no Sítio Brabo, distrito de Custódia, no Sertão do Pajeú, Josefa Barros, 50 anos, cria cabras leiteiras, juntamente com a família, e transforma a produção em queijo, requeijão, iogurte e doce de leite. Apesar de viver do campo há muitos anos, a dificuldade de pagar a conta de luz para mover toda a atividade estava desanimando a todos. Ela pensava até em “voltar para a vida do candeeiro”. Um pequeno aporte de crédito, no entanto, transformou a vida da família. A tecnologia da energia solar chegou à propriedade, aliviou as despesas e abriu um novo horizonte.

“Foi uma transformação para nossas vidas”, celebra Josefa. “Depois disso deu para a gente se organizar e comer melhor. Antes não estava dando.” Com as placas solares instaladas e a conta de energia praticamente reduzida às taxas do sistema, o financiamento da implantação da energia solar passou a caber no orçamento da família. A economia, que chega perto de R$ 1 mil por mês, trouxe alívio imediato e abriu espaço para novos planos de investimento na criação de animais e na produção de derivados do leite.

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Criadora de cabras em Custódia, Josefa Barros, pensava em “voltar para a vida do candeeiro” devido ao valor da energia. Com um pequeno aporte de crédito, instalou placas fotovoltaicas que garantiram uma economia de R$ 1 mil/mês e planos para novos investimentos.

A história de Josefa não está isolada. Apenas no ano passado, foram mais de 87 mil contratos de microcrédito rural firmados apenas pelo BNB (Banco do Nordeste do Brasil). A instituição federal é responsável atualmente por 94% dos financiamentos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) na região, segundo dados do Banco Central.

Longe dos holofotes dos grandes anúncios empresariais ou de megaempreendimentos públicos, o avanço do microcrédito rural representa uma revolução silenciosa que está acontecendo no campo. Em Pernambuco, os desembolsos desse tipo de financiamento realizados apenas pelo BNB para pequenos produtores já ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão. Nos últimos cinco anos, o volume de recursos contratados cresceu 222%.

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Esses financiamentos, operados com baixos valores (até R$ 12 mil para homens e R$ 15 mil para mulheres) e juros reduzidos, têm viabilizado mudanças concretas na vida das famílias agricultoras. O dinheiro é usado em diferentes frentes, como a compra de equipamentos para beneficiar a produção, para a instalação de estruturas de captação de água, incentivo à práticas agroecológicas, entre outras melhorias na propriedade. 

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No Sítio Brabo, os efeitos da chegada da energia solar ultrapassaram rapidamente os limites da propriedade de Josefa. A eletricidade passou a alimentar equipamentos como pasteurizador, iogurteira e tachos usados na produção de derivados de leite e transformou a pequena agroindústria familiar em um ponto de beneficiamento para outras produtoras da Associação de Mulheres da comunidade. Com mais estrutura, o leite de várias criadoras passou a ser processado ali, ampliando a produção coletiva e abrindo novas oportunidades de renda para as famílias da região, como a venda para o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos).

O novo cenário também incentivou outros investimentos. Animada com os resultados, a família contratou um segundo microcrédito para ampliar o rebanho caprino e reforçar a infraestrutura da propriedade, incluindo melhorias no acesso à água e na irrigação para garantir alimento aos animais, mesmo nos períodos mais secos. Os planos não param por aí. Quando quitarem os financiamentos atuais, Josefa pretende investir em novos equipamentos, como uma desnatadeira e uma prensa adequada para a produção de queijos de cabra. A ideia é diversificar ainda mais os produtos e ganhar escala. 

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"A gente nunca teve um volume de recursos tão grande. Essa política pública é a principal responsável por avanços na produção de alimentos dos agricultores familiares do Nordeste e por segurar o preço desses produtos."(Caetano De Carli)

EFEITOS NO CAMPO

Quando uma política pública impacta a vida de um agricultor, toda a família é beneficiada e os efeitos transbordam para os seus vizinhos. Quando são milhares de pequenas histórias florescendo na terra conhecida pelas restrições hídricas, muitas sementes são lançadas nesse solo fértil de resiliência da Caatinga.

Na avaliação de Caetano De Carli, superintendente federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Pernambuco e professor da Ufape (Universidade Federal do Agreste de Pernambuco), a explosão de microcrédito rural nos últimos anos tem sido fundamental para fortalecer a agricultura familiar. Entre os frutos dessa política pública, ele destaca o aumento da produção de alimentos, a contribuição no controle da inflação e mesmo a estruturação dessas atividades.

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“A gente nunca teve um volume de recursos tão grande sendo aplicado na agricultura familiar, especialmente no Nordeste”, exaltou Caetano. “Essa política pública tem sido certamente a principal responsável pelos avanços que a gente teve na produção de alimentos dos agricultores familiares aqui em Pernambuco e em todo o Nordeste. Com certeza está sendo responsável por segurar o preço dos alimentos.”

O impacto do crédito também aparece quando se observa a economia das pequenas cidades do interior. Na avaliação do economista Paulo Guimarães, da consultoria econômica Ceplan, a agricultura familiar já deixou de ser apenas uma atividade de combate à pobreza e passou a desempenhar papel relevante no desenvolvimento local. Em municípios com até 20 mil habitantes, a maioria no Sertão, Agreste e Zona da Mata, a produção familiar pode responder por entre 30% e 40% da renda total.

“A agricultura familiar já há algum tempo deixou de ser apenas uma atividade de subsistência e se tornou um importante segmento econômico”, afirmou. Esse dinheiro, explica o economista, tende a permanecer dentro do próprio município. “Grande parte dessa renda circula localmente porque os próprios produtores e suas famílias consomem produtos e serviços da região, mercados, farmácias, oficinas, prestadores de serviço.” Esse movimento cria um efeito multiplicador que vai além da propriedade rural. Contribui para desenvolver as cidades e fixar a população no campo.

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"A agricultura familiar deixou de ser apenas uma atividade de subsistência e se tornou um importante segmento econômico." (Paulo Guimarães)

NOVAS GERAÇÕES NA PRODUÇÃO FAMILIAR

No Sítio Conceição, na zona rural de Cachoeirinha, no Agreste pernambucano, a rotina da família de Miguel Pereira da Silva, 57 anos, sempre girou em torno do gado e do milho. Por muitos anos, a produção se manteve pequena, suficiente para tocar a propriedade, mas sem grandes sobras para investir. Ao lado do filho, José Miguel da Silva, 30 anos, e com acesso ao microcrédito, muita coisa começou a mudar. Com o financiamento, eles conseguiram ampliar o rebanho, reforçar as cercas, construir um curral e ajudar a pagar parte das parcelas de um trator. “O que abriu as portas para a gente foi o microcrédito”, diz José Miguel.

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Com acesso ao microcrédito, Miguel da Silva e o filho José Miguel ampliaram o rebanho, começaram a pagar um trator, com o qual passaram a oferecer serviços para os vizinhos. Hoje possuem cerca de 100 cabeças. A família planeja obter outra linha de crédito para comprar mais terra, outro trator e um sistema de ordenha mecânica.

Com mais estrutura no sítio, vieram novas oportunidades. A produção chegou a ser ampliada com o arrendamento de outra área. O trator também passou a render serviço para vizinhos da região, abrindo uma nova fonte de renda. A mudança de cenário alimenta novos planos para o negócio da família.

Hoje o rebanho soma cerca de 100 cabeças e a produção diária gira em torno de 100 litros de leite. Parte dele é transformada em queijo coalho, vendido nas feiras da região. Para os próximos anos, o objetivo é ampliar o que foi construído até agora. A principal meta é conseguir uma linha de crédito que permita comprar mais terra. Miguel também planeja adquirir um segundo trator para aumentar a produção de silagem e continuar prestando serviços a outros produtores. Outro investimento desejado é um sistema de ordenha mecânica. Hoje, a retirada do leite ainda é feita manualmente.

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A mudança de perspectiva no Sítio Conceição e no Sítio Brabo contribuiu para manter os filhos na atividade rural. Na casa de Josefa, por exemplo, duas filhas já são agrônomas e o mais novo está em formação no curso técnico agrícola. O economista Paulo Guimarães explica que essa transição do negócio familiar, que se torna mais rentável e menos manual, contribui diretamente para a aumentar a qualidade de vida das famílias no meio rural.

“Isso diminui a pressão nas regiões metropolitanas, nas cidades de grande porte, porque acontece a retenção da juventude no campo, no meio rural e, inclusive, nas cidades de menor porte do interior”, declarou Guimarães. O município de Custódia, por exemplo, tem 37 mil habitantes e Cachoeirinha apenas 20,6 mil pessoas.

A aposta em mecanização, já experimentada pelas duas famílias, é um dos principais objetivos do Banco do Nordeste, de acordo com Evandro Sousa, gerente do Programa Agroamigo. “A gente quer dar uma ênfase maior com relação a máquinas, equipamentos, no sentido de diminuir a penosidade do produtor.”

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"O Banco do Nordeste quer dar uma ênfase maior à [aquisição de] máquinas e equipamentos, no sentido de diminuir a penosidade do produtor." (Evandro Sousa)

O suporte à aquisição de equipamentos como tratorito (minitrator ou motocultivador) para substituir trabalho de enxada e a ordenhadeira mecânica para tirar leite são alguns exemplos. São tecnologias de custo reduzido, que transformam a vida do produtor rural e aumentam a produtividade, mas desconhecidas por muitas famílias. Para os técnicos do banco, esse tipo de investimento também ajuda a tornar a atividade rural mais atraente para as novas gerações que permanecem no campo.

Além desses equipamentos, outra linha de incentivo para inovação no campo é a conectividade rural. A instalação de infraestrutura de conexão à internet e mesmo a compra de notebooks ou tablets, que impactem positivamente a atividade do negócio familiar, também são alvos dos financiamentos.

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RECURSOS TAMBÉM PARA CONVIVER COM A SECA

Em Pernambuco, o acesso ao microcrédito para infraestrutura hídrica tem ampliado as condições de produção de milhares de agricultores familiares. Apenas em 2025, o Banco do Nordeste desembolsou cerca de R$ 100 milhões em financiamentos pelo programa Agroamigo Água, beneficiando mais de 26,5 mil famílias. Os investimentos foram destinados à captação, ao armazenamento e à distribuição de água nas propriedades rurais.

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Maria Aparecida Santos instalou uma cisterna e perfurou um poço com recursos obtidos pelo microcrédito. Antes, dependia da água da chuva. Hoje, ela e a família cultivam hortaliças que são vendidas em feiras e nas redes sociais, o que garantem a renda da casa.

Moradora de Taquaritinga do Norte, Maria Aparecida Santos, 44 anos, conseguiu investir em segurança hídrica para garantir a produção de hortaliças e verduras, além da criação de animais. Com o suporte dos microcréditos rurais, ela instalou uma cisterna e perfurou um poço artesiano. O acesso à água ampliou a produção e abriu novos horizontes para a família.

No Sítio Juá de Baixo, ela trabalha com o marido, de 48 anos, e o filho de 15, que divide o tempo entre a escola e o aprendizado da rotina do campo. Nos canteiros cultivam coentro, cebola, alface e salsinha, entre outras verduras que garantem a renda da casa. A produção é vendida principalmente nas feiras de Santa Cruz do Capibaribe, aos domingos e segundas-feiras, além de algumas encomendas feitas pelas redes sociais.

Segundo Maria Aparecida, os investimentos feitos com o crédito foram essenciais para melhorar as condições de trabalho no sítio. Antes, a família dependia da água da chuva e do que conseguia armazenar na cisterna para manter a plantação. “Depois que conseguimos fazer o poço, melhorou muito. Tendo água, a gente consegue aguar a plantação e ir crescendo aos poucos”, conta. Com mais segurança para produzir, a família agora planeja ampliar a criação de galinhas e fortalecer as atividades da propriedade.

Esse tipo de microcrédito, voltado ao abastecimento de água, busca fortalecer a convivência com a seca, um dos fatores históricos associados ao êxodo rural no Nordeste. “A grande questão no semiárido não é combater a seca, é conviver com ela”, afirma Evandro Sousa, gerente do Agroamigo do BNB. Com acesso a sistemas de segurança hídrica, produtores conseguem manter as atividades mesmo durante períodos de estiagem e ampliar a renda no campo.

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MAIS QUE APENAS RECURSOS

A captação de crédito é fundamental para a aquisição de estrutura e para a compra de animais, mas esse não é o único benefício da experiência do microcrédito. No modelo adotado pelo Banco do Nordeste, os agentes visitam as propriedades, orientam as famílias e acompanham a aplicação do recurso: o chamado crédito assistido e orientado. Esse acompanhamento ajuda os pequenos negócios rurais a manter os investimentos dentro do planejamento.

No caso de José Miguel, o apoio não se limitou ao financiamento. Ao longo do processo, os agentes realizaram reuniões, visitas técnicas e orientaram a família sobre como aplicar os recursos na propriedade. “O agente faz orientação sobre tudo. Tem reunião para explicar como aplicar o dinheiro e como gastar. O agente faz visita técnica, tem todo acompanhamento”, conta. “Eles sabem onde a gente está aplicando. Não é só soltar o dinheiro.”

Essas orientações contribuem para as famílias, que veem o financiamento levar seus negócios para outro patamar, e também para o banco. O índice de inadimplência registrado pelo BNB é baixíssimo comparado com a média nacional. Com menos atrasos, o programa se torna sustentável e a família não fica endividada.

De acordo com dados do BNB, a inadimplência do seu programa de microcrédito é de 2,6%. A média nacional foi de 5,6% em fevereiro deste ano, segundo dados do Banco Central. Quando considerados apenas os dados de pessoa física, a taxa chega a 6,9%.

Evandro Sousa explica que o resultado está diretamente ligado à metodologia adotada pelo programa. O modelo prevê a presença constante de agentes de crédito nas comunidades, que acompanham de perto os produtores, ajudam a estruturar os projetos e avaliam a viabilidade das atividades antes da liberação do financiamento.

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PREPARAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES

Diferentemente de outros modelos de crédito, o acompanhamento não se limita a uma visita inicial. Os agentes circulam regularmente pelas localidades e conhecem a realidade econômica das famílias atendidas. “Nosso agente não vai lá na casa dessa pessoa uma vez. Ele está ‘toda vida’ na comunidade, toda semana passando por ali. Ele realmente conhece a comunidade e entende como funciona o seu dia a dia”, afirma Evandro. Essa proximidade ajuda a identificar projetos com maior chance de sucesso e evita financiamentos para atividades sem retorno econômico.

Nessa linha de preparação para o crédito e de fortalecimento da gestão dos pequenos negócios rurais, o Sebrae também atua em Pernambuco. Segundo o analista da instituição Raphael D’Emery, que é especialista em serviços financeiros, ainda há resistência de parte dos produtores em recorrer ao financiamento bancário ou mesmo dificuldade em avaliar qual é o valor adequado para investir na propriedade. É nesse momento que a orientação técnica se torna decisiva.

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"Muitos produtores dizem que o crédito não é para eles. Existe esse receio de acessar um financiamento. Por isso o ajudamos a organizar a gestão e entender quanto eles precisam. Depois acompanhamos a aplicação do recurso." (Raphael D'Emery)

“A gente encontra resistência no setor rural. Muitos produtores dizem que o crédito não é para eles. Existe esse receio de acessar um financiamento”, afirma Raphael. “Por isso trabalhamos no que chamamos de trilha de acesso ao crédito. Primeiro ajudamos o produtor a organizar a gestão e entender quanto realmente precisa. Depois, acompanhamos a aplicação do recurso”, explica.

Outro instrumento que busca ampliar o acesso ao financiamento é o Fampe (Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas), operado pelo Sebrae. O mecanismo funciona como uma garantia complementar para operações de crédito, cobrindo parte do valor financiado quando o produtor não possui bens suficientes para oferecer ao banco. Com isso, diminui o risco da operação para as instituições financeiras e aumenta as chances de aprovação do crédito para pequenos empreendedores rurais.

POR QUE O MICROCRÉDITO AVANÇOU TANTO? 

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Embora o financiamento da atividade agrícola seja uma política consolidada no Brasil há décadas, a chegada mais robusta desse crédito à agricultura familiar do Nordeste é relativamente recente. Caetano De Carli explicou que, historicamente, essas políticas de crédito rural foram estruturadas a partir da lógica produtiva do Sul do País, voltadas sobretudo para cadeias de commodities como soja e milho. Isso faz com que a maior parte dos recursos se concentrasse naquela região. 

No Nordeste, onde predominam propriedades menores e sistemas produtivos diferentes, o acesso era limitado e o microcrédito rural ficou por muito tempo com valores muito baixos. Até 2021 era de no máximo R$ 6 mil. Segundo ele, esse cenário começou a mudar nos últimos anos com a ampliação das políticas públicas voltadas à agricultura familiar e o fortalecimento de programas como o Pronaf, operado no Nordeste pela metodologia do Agroamigo. Hoje, com a composição de créditos dentro da mesma família, é possível captar até R$ 35 mil.

Além da decisão política de priorizar os agricultores familiares, há também uma estratégia de busca ativa por produtores que muitas vezes não conseguem superar as barreiras burocráticas do sistema. No Banco do Nordeste, mais de 170 agentes de crédito percorrem comunidades rurais, realizam reuniões e ajudam a estruturar as propostas de financiamento. “O assessor vai até a comunidade, conversa com o produtor e traduz o que ele quer fazer para o formato que o banco exige. Como o crédito rural precisa de um projeto com várias informações técnicas, muitos agricultores não teriam acesso a esse financiamento sem esse apoio”, explica Evandro.

Mesmo com a expansão recente, a oferta de microcrédito rural na região ainda permanece fortemente concentrada em instituições públicas. Em outras partes do País, especialmente no Sul, cooperativas de crédito têm uma presença mais expressiva nesse tipo de financiamento, ampliando as alternativas para pequenos produtores. 

AGROECOLOGIA E QUINTAIS PRODUTIVOS NO RADAR

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Também vêm ganhando espaço as linhas de crédito voltadas à agroecologia e aos chamados quintais produtivos. Nesses casos, o financiamento estimula atividades diversificadas e de pequena escala, muitas vezes desenvolvidas no entorno da própria casa das famílias rurais. Hortas, criação de pequenos animais, produção de artesanato e outras iniciativas podem ser combinadas em um mesmo projeto, fortalecendo a segurança alimentar e gerando renda complementar para os domicílios. Já as propostas de base agroecológica priorizam práticas que dispensam o uso de agrotóxicos e valorizam formas de cultivo mais sustentáveis.

Como essas modalidades são tratadas como prioridade nas políticas públicas para a agricultura familiar, elas contam com condições mais favoráveis de financiamento. Os limites de crédito são ampliados (até R$ 20 mil por produtor) e os clientes podem obter descontos que variam entre 25% e 40% sobre o valor financiado, a depender da atividade. Para o economista Paulo Guimarães, iniciativas desse tipo reforçam uma tendência observada na agricultura familiar brasileira: a maior adoção de práticas sustentáveis e uma relação mais equilibrada com os biomas locais. Um fenômeno que pode ampliar o papel dessas famílias na adoção de estratégias de adaptação climática e de regeneração ambiental no campo.

Apesar de serem investimentos modestos para cada família, de sítio em sítio essa política pública tem redesenhado o solo nordestino com inovação e esperança. Espalhados por milhares de pequenas propriedades e sem muito alarde, o microcrédito produz transformações que se refletem em uma economia mais produtiva, conectada e cheia de oportunidades.

*Rafael Dantas é repórter da Revista Algomais e assina as colunas Pernambuco Antigamente e Gente & Negócios (rafael@algomais.com | rafaeldantas.jornalista@gmail.com)

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