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Jademilson Silva

Nutrição genética: DNA orienta alimentação personalizada e amplia estratégias de prevenção

Rebeca Pessoa, nutricionista da NutriGen Clinic, orienta leitores – Foto: Divulgação.

A ciência tem avançado na compreensão de como fatores genéticos influenciam o metabolismo e a resposta do organismo à alimentação. Nesse cenário, a nutrição genética, também conhecida como nutrigenética, ganha espaço ao utilizar informações do DNA para orientar escolhas alimentares mais alinhadas às características de cada indivíduo.

Diferentemente de dietas padronizadas, essa abordagem considera variações genéticas que podem influenciar o metabolismo de nutrientes, o controle do peso e determinadas predisposições a doenças. O objetivo é transformar essas informações em estratégias nutricionais individualizadas, respeitando também o histórico clínico, os hábitos e o estilo de vida de cada paciente.

Por meio de testes genéticos, realizados geralmente com amostras de saliva ou células da mucosa bucal, é possível identificar variantes associadas à forma como o organismo processa determinados nutrientes. Os resultados podem auxiliar na definição de estratégias alimentares e na avaliação de necessidades específicas, sempre com interpretação profissional.

Segundo a nutricionista Rebeca Pessoa, da NutriGen Clinic, o diferencial está em utilizar essas informações para tornar o planejamento nutricional mais individualizado. “A análise genética ajuda a compreender características que podem influenciar a resposta do organismo à alimentação. Com esses dados, conseguimos direcionar melhor as orientações nutricionais, considerando as necessidades e os objetivos de cada paciente”, explica.

A nutrição genética pode contribuir para estratégias de prevenção e acompanhamento de condições como obesidade, diabetes tipo 2, alterações do colesterol e doenças cardiovasculares. Ao identificar variantes associadas a determinadas respostas metabólicas, o profissional pode avaliar quais aspectos da alimentação merecem maior atenção e estabelecer metas compatíveis com o perfil de cada paciente.

A abordagem também pode complementar o cuidado nutricional em casos de resistência à insulina, síndrome metabólica e algumas condições gastrointestinais. A interpretação dos resultados, porém, deve considerar outros fatores clínicos, ambientais e comportamentais. A predisposição genética não determina, isoladamente, o desenvolvimento de uma doença, e os testes não substituem exames convencionais nem o acompanhamento médico quando necessário.

A relação entre genética e alimentação ocorre em duas direções: os genes podem influenciar a maneira como o corpo responde aos nutrientes, enquanto componentes da dieta podem afetar a expressão gênica, processo relacionado à epigenética.

“Vitaminas, minerais, fibras, gorduras saudáveis e compostos bioativos participam de diferentes processos metabólicos. A avaliação individualizada pode ajudar a orientar escolhas alimentares e, quando houver indicação, a suplementação. A necessidade de cada nutriente deve ser definida com base no conjunto de informações clínicas, evitando excessos e intervenções sem fundamento”, informa a nutricionista Rebeca Pessoa. 

Embora a personalização nutricional seja uma área promissora, seus benefícios variam conforme a característica genética avaliada e a condição clínica. Por isso, os resultados dos testes devem ser interpretados à luz das evidências científicas disponíveis, sem promessas de prevenção ou tratamento garantidos.

Para a nutricionista Rebeca Pessoa, a nutrição genética amplia as possibilidades de um cuidado nutricional mais direcionado. “Não se trata de substituir os princípios de uma alimentação equilibrada, mas de compreender melhor as particularidades de cada pessoa para orientar condutas mais adequadas. A genética é uma ferramenta complementar na construção de estratégias de saúde individualizadas”, afirma.

Ao integrar informações genéticas, avaliação clínica e hábitos de vida, a nutrigenética contribui para uma abordagem nutricional mais personalizada. Seu potencial está em apoiar decisões fundamentadas e fortalecer o cuidado preventivo, sem perder de vista que a saúde depende da interação entre genética, ambiente e comportamento.

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