Os cuidados com a visão na primeira fase da vida – Revista Algomais – a revista de Pernambuco

Os cuidados com a visão na primeira fase da vida

O diretor do Oftalmax Hospital de Olhos Paulo Suassuna orienta que é importante o acompanhamento semestral nos primeiros 2 anos das crianças de mães que tiveram problemas na gravidez. “Esses bebês podem apresentar baixa severa e irreversível da acuidade visual devido a alterações que ocorreram durante o desenvolvimento dos olhos na gestação”, informa.

Doenças como toxoplasmose – oriunda das fezes de gato, pombo e cachorro, a Zika (transmitida pelo mosquito Aedes aegypt), a rubéola, e a sífilis, podem ser transmitidas para o feto durante a gestação acarretando consequências nas crianças como aparecimento de cataratas congênitas, lesões na retina e no vítreo (substância gelatinosa que preenche internamente o globo ocular), com grave comprometimento para visão.

Suassuna ressalta ainda que, recém-nascidos identificados com microcefalia, podem apresentar problemas congênitos na visão, anormalidades graves na retina e no nervo óptico que podem causar baixa acuidade visual ou até mesmo a cegueira.

Portanto, até o pequeno completar 2 anos é necessário manter um acompanhamento intensivo. “Esse é o período crítico de desenvolvimento da visão, porque a criança pode não estar enxergando bem, mas ela não consegue expressar ou perceber que está com problema ocular”, justificou Casanova. “É nessa faixa etária que começa a formar 90% da visão e há a possibilidade de se ter um melhor resultado no tratamento de doenças, pois a vista ainda não está 100% formada, por isso é necessário ter essa atenção redobrada”, completou.

Passada essa idade crítica, deve-se levar a criança ao oftalmologista, pelo menos, uma vez ao ano. Nessa fase, o paciente dilata a pupila para uma avaliação do grau, exame realizado com auxílio de um retinoscópio e da régua de esquiascopia, instrumento este composto de inúmeras pequenas lentes. Entre os diagnósticos, pode ser constatada uma suspeita de ambliopia, termo conhecido como olho preguiçoso, causado quando por uma disfunção do olho, que tem como característica a diminuição da acuidade visual uni ou bilateralmente, ou seja, a dificuldade em enxergar formas e contornos dos objetos.

A oftalmopediatra do Instituto de Olhos do Recife (IOR) Ana Carolina Valença Collier explica que isso pode ocorrer devido ao mau alinhamento dos olhos (estrabismos), graus elevados ou cataratas. “Caso não seja tratado, com o passar do tempo pode ocorrer uma baixa severa no desenvolvimento da visão comprometendo a compreensão das imagens”, alerta.

A médica ainda ressalta a importância de levar a criança ao oftalmo anualmente, pois caso ela seja amblíope, só pode ser tratada até os 6 anos. “Se não for corrigida antes da formação completa da visão, poderá ter uma perda significativa”, afirmou. Normalmente o tratamento para casos com ambliopia é realizado com uso de óculos e em determinadas situações cirurgia. Porém quando tratada mais cedo, pode ser utilizado um oclusor infantil, que funciona como um tampão sobre o olho que enxerga bem. Essa técnica forçará o olho “mais fraco” a estimular a visão.

Os pais têm um papel fundamental em perceber se os filhos estão com problemas de visão. Ruth Eleutério, médica do trabalho, por exemplo, descobriu há três anos que seu filho Renato apresentava hipermetropia. “Ele sempre que queria ver alguma coisa apertava o olhinho”, contou. Ao perceber a dificuldade dele para enxergar, ela antecipou a consulta na qual descobriu que Renato era hipermétrope e passou a utilizar óculos. “Hoje ele usa a metade do grau para estimular a visão. Depois que passou a utilizar óculos, teve outro comportamento. Houve uma melhora muito perceptível. Ele num instante se adaptou”, observa Ruth.

Para oftalmologista Patrícia Rego, do Hospital Santa Luzia, quando a criança está na faixa dos 6 anos, período de alfabetização, a escola torna-se uma sinalizadora importante de possíveis problemas oculares. “Quando ela senta muito perto da lousa, aperta muitos os olhos para enxergar, lacrimeja ou até mesmo possui baixo rendimento escolar, pode ser um alerta para levar seu filho ao oftalmologista”, aconselha.

A médica explica que se o problema for só num olho, a probabilidade da criança reclamar é muito pequena. “É importante os pais prestarem atenção nesses sintomas, além disso, procurar saber com professores, como está o aprendizado do seu filho na sala de aula”, ressaltou.

Assim como Patrícia, Suassuna adverte que esses cuidados e acompanhamentos são indispensáveis. “Dessa forma, as patologias são identificadas e tratadas o mais precoce possível impedindo que no futuro apareçam problemas mais graves e irreversíveis provenientes do descuido quando criança.”

Por Paulo Ricardo

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