Aos 92 anos, ator revisita a própria trajetória artística e pessoal em espetáculo que já ultrapassou 90 mil espectadores no país
A CAIXA Cultural Recife recebe, entre os dias 25 de março e 4 de abril, o premiado monólogo “Não me entrego, não!”, protagonizado por Othon Bastos. A curta temporada terá oito apresentações, de quarta a sábado, sempre às 19h30, com ingressos a preços populares. O espetáculo, patrocinado pela Caixa Econômica Federal e pelo Governo do Brasil, marca o retorno da montagem ao público recifense após o sucesso de público em diversas cidades do país.
No palco, Othon Bastos conduz sozinho uma narrativa que mistura memória, humor e reflexão. O monólogo revisita momentos marcantes de sua trajetória pessoal e profissional, revelando bastidores e histórias de uma carreira que atravessa diferentes fases da cultura brasileira. Ao compartilhar episódios divertidos e dramáticos de sua vida, o ator convida o público a acompanhar um percurso artístico que dialoga diretamente com a história do teatro e do cinema no Brasil.
Entre os trabalhos que ajudam a compor essa narrativa estão participações emblemáticas no cinema e no teatro, como o clássico Deus e o Diabo na Terra do Sol, dirigido por Glauber Rocha, e a peça Um Grito Parado no Ar, escrita por Gianfrancesco Guarnieri. Ao revisitar esses marcos, o espetáculo propõe uma reflexão sobre os desafios, as conquistas e a persistência necessárias para atravessar décadas de dedicação às artes cênicas.
Com texto e direção de Flávio Marinho, a montagem já ultrapassou a marca de 90 mil espectadores desde a estreia. Para o diretor, o sucesso do espetáculo está diretamente ligado à potência da presença cênica de Othon Bastos e ao diálogo que a peça estabelece com o público. “É com o maior orgulho e alegria que vejo o sucesso nacional da peça. Há mais de um ano e meio em cartaz, ela conta a história de um ator cuja trajetória se confunde com a própria história do Brasil. Ver Othon fazendo o público rir — e rindo de si mesmo — é um privilégio único”, afirma.
A vitalidade do ator também chama atenção. Aos 92 anos, Bastos mantém uma rotina intensa de trabalho e demonstra entusiasmo permanente em relação ao palco. Segundo a equipe do espetáculo, ele costuma ser o primeiro a questionar quando o intervalo entre apresentações se torna longo demais. Para o artista, a cena funciona como uma verdadeira fonte de energia e motivação.
Essa disposição se traduz em um espetáculo que celebra não apenas a carreira de um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira, mas também a capacidade de reinventar a própria história. “É um momento único, mesmo: meu primeiro monólogo e sobre a minha própria vida”, afirma Othon. “É uma experiência muito forte ter que ser o meu próprio centro em cena. Mas não trazemos lembranças amargas, apenas as alegres e divertidas, para compartilhar com o público curiosidades que vivi ao longo desses anos.”
Mais do que um exercício de memória, “Não me entrego, não!” assume o tom de uma declaração de amor à arte de atuar. Ao revisitar episódios de sua trajetória com leveza e bom humor, Othon Bastos constrói uma narrativa que ultrapassa o relato autobiográfico e se transforma em uma reflexão sobre o ofício do ator e o papel da arte na vida cotidiana.
“Quando se recebe um dom como esse, você tem a capacidade de doar o que recebeu”, resume o ator. “É isso que eu quero: me doar e que as pessoas me leiam. Quero que elas vejam quem eu sou e como sou.”
Com a temporada no Recife, o espetáculo reafirma a força de um artista que, mesmo após mais de seis décadas de carreira, segue encontrando no palco um espaço de encontro, memória e celebração da vida.

