Paixão de Cristo do Pina celebra 40 anos entre palco e comunidade

Quatro décadas depois de sua criação, a Paixão de Cristo do Pina reafirma, em 2026, seu lugar como uma das mais duradouras expressões do teatro comunitário pernambucano. Com um elenco de mais de 80 integrantes e duas apresentações programadas — no dia 30 de março, no Teatro RioMar, e no dia 3 de abril, em frente à Paróquia Nossa Senhora do Rosário do Pina —, o espetáculo articula fé, memória e formação cultural em uma montagem que atravessa gerações no bairro do Pina, no Recife.

Realizada pelo Grupo Teatral Achylles Coqueijo (GTAC), a encenação mobiliza crianças, jovens e adultos da comunidade, que desde dezembro se dedicam a ensaios intensivos. Dividido em dois atos e composto por mais de 20 cenas, o espetáculo combina teatro, dança e música para narrar episódios centrais da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, investindo em uma linguagem acessível e, ao mesmo tempo, esteticamente elaborada.

Paixão de Cristo do Pina

O retorno ao palco do Teatro RioMar, após quase uma década , marca um movimento simbólico de reconexão com estruturas formais da cena teatral. Reconhecido pela Fundação de Cultura do Recife, o GTAC mantém um diferencial raro: é o único grupo comunitário do estado a encenar a Paixão de Cristo em formato de palco italiano, recurso que amplia a dimensão cênica da montagem e evidencia sua capacidade técnica.

A edição comemorativa dos 40 anos também incorpora um gesto de celebração da própria trajetória. Em um momento especial da apresentação, cinco atores que interpretaram Jesus ao longo das décadas retornam ao palco, sintetizando a continuidade do projeto e reforçando a ideia de memória viva que sustenta o grupo. A iniciativa evidencia o caráter formativo do GTAC, onde o tempo não apenas acumula experiências, mas constrói vínculos duradouros entre arte e comunidade.

Fundado por Frei Achylles e por Dom Magnus Lopes, atual bispo da Diocese do Crato (CE), o grupo nasceu com a proposta de evangelizar por meio da linguagem artística. Ao longo dos anos, consolidou-se também como um espaço de formação social e cultural para jovens da periferia recifense. Além da Paixão de Cristo, o coletivo assina montagens como o Auto de Natal e a História de São Francisco, ampliando sua atuação no calendário cultural local.

Durante o período da pandemia, a adaptação do espetáculo para as ruas em frente à paróquia fortaleceu o vínculo com os moradores e garantiu a continuidade da tradição mesmo em um cenário adverso. A escolha de manter, em 2026, uma apresentação gratuita no espaço público reafirma esse compromisso com o acesso democrático à cultura, estabelecendo um diálogo direto com o território onde o grupo se originou.

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