Pesquisa da TGI e Amcham-Recife revela desafios dos pequenos e médios empresários

Em tempos turbulentos causados não apenas pelas incertezas da economia, como também em razão do cenário político nacional, é importante que os pequenos e médios empresários não se rendam ao desânimo e tampouco ao desespero. A recomendação é do consultor e sócio da TGI Fábio Menezes. “Mesmo com toda a instabilidade, o consumidor continua a adquirir produtos e serviços. Os namorados, por exemplo, não vão deixar de presentear no dia 12 de junho”, justifica o consultor que apresentou durante o Encontro de Pequenas e Médias Empresas da Amcham, realizado em maio, os resultados da pesquisa produzida pela TGI e pela Câmara Americana de Comércio Recife (Amcham-Recife) sobre o setor.

Entre outros temas, a sondagem revelou os principais desafios dos pequenos e médios empresários pernambucanos para superar o atual período de crise. Em relação ao mercado, o setor enfrenta a necessidade de ampliar os negócios e retomar o crescimento com rentabilidade, garantir a receita mantendo os clientes atuais e administrando a inadimplência, além de investir em inovação e em comunicação.

“A pesquisa trouxe também conteúdos importantes relacionados aos desafios da gestão, como ampliação da eficiência e da produtividade”, acrescenta Fábio. Quanto à equipe, os entrevistados salientaram a necessidade de capacitar os funcionários para estarem bem preparados para a retomada da economia. “Esse é um ponto relevante, porque o movimento inicial dos empresários é reduzir equipe quando a crise se instala. Porém, se o corte não for realizado de forma criteriosa, pode-se prejudicar muito as condições de competitividade não só no momento atual mas, quando o mercado começar a se recuperar, a empresa não terá condições de atender a demanda”, adverte Fábio.

Em síntese, segundo o consultor, a pesquisa mostrou que os esforços estão concentrados na readequação para superar a crise. É natural, sobretudo em períodos de dificuldades econômicas, haver um achatamento das margens de lucros, os preços caem, em razão da queda da demanda (o consumidor fica mais receoso de comprar), a concorrência torna-se mais acirrada, tornando mais difícil elevar a rentabilidade com aumento das vendas. Uma ferramenta valiosa para enfrentar essa situação, revela o consultor, é a Matriz Produto x Mercado, também conhecida como Matriz de Ansoff (nome do estudioso que a concebeu).
Uma das alternativas recomendadas pela ferramenta é desenvolver um novo produto ou serviço para os clientes atuais. Outra solução seria investir na ampliação de mercado: vender os produtos e serviços já produzidos para novos clientes com perfil diferenciado do atual público-alvo. Melhor ainda, recomenda o consultor, seria a completa diversificação, isto é, o desenvolvimento de um novo produto ou serviço para um novo cliente.

“Não é fácil conceber e implementar essas inovações, afinal sempre há uma resistência natural, quando se está acostumado a trabalhar com determinado produto e um segmento de clientela. Mas recomendo que haja um esforço nesse sentido”, aconselha o sócio da TGI. A sondagem entrevistou 168 pessoas, a maioria dos entrevistados (79%) eram sócios das empresas. A pesquisa foi realizada entre os meses de março e abril deste ano. Os resultados coletados mostraram ainda que 81% das empresas ouvidas são do segmento de serviços; seguido de comércio (10%); indústria (7%); e 2% de agronegócio.

ENCONTROS
Lançado em maio, o Encontro de PMEs da Amcham passará a ter reuniões bimestrais e abordará temáticas estratégicas para o mercado local. É uma parceria da câmara de comércio e a TGI, com patrocínio da Queiroz Cavalcanti. “Noventa por cento da nossa base de associados é composta de pequenas e médias empresas. Elaboramos esse encontro porque queríamos muito um programa que falasse diretamente para os gestores desse setor”, explica Alessandra Andrade, gerente regional da Amcham-Recife.

O grande percentual de pequenas e médias empresas associadas à Amcham é um reflexo da realidade de Pernambuco e do Brasil. Manuela Moura, sócia-diretora da Queiroz Cavalcanti, ressalta que o setor representa 27% do PIB brasileiro (de acordo com dados do Sebrae) e 52% dos empregos formais do País (IBGE/2015). “Pesquisa da Deloitte revelou que o número dessas empresas abertas no Nordeste registrou um aumento de 34% no período de 2013 a 2015”, salienta Manuela, acrescentando que a região foi a que apresentou o maior crescimento no País.

Ela lembra que esse segmento teve um importante incentivo em 2016 com a mudança na legislação do Simples Nacional que permitiu que empresas que faturassem até R$ 4,8 milhões por ano pudessem entrar nesse regime tributário. Entretanto, ela ressalta que no Brasil ainda há dificuldade para atrair investimentos para as pequenas e médias empresas.

Uma possibilidade que começa a ser construída é a obtenção de recursos por meio do mercado de capitais. “A B3 (antiga Bovespa) está procurando criar um mercado de small caps (como é conhecida a negociação de ações de PME)”, informa Manuela. Um outra empresa, a ATS, acrescenta a advogada, está em processo de autorização do Cade para criar uma bolsa de valores específica para esse segmento que funcionaria no Rio de Janeiro e seria afiliada à Bolsa de Nova Iorque. “Se a economia melhorar e se o Cade aprovar, há grandes chances que ela venha a se instalar no País” estima Manuela.

*Por Cláudia Santos

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