Com 16 quadrilhas da cidade, evento no Dia de São José retoma tradição e reforça a força cultural das festas juninas no Recife
O Recife abre simbolicamente o ciclo junino de 2026 com a realização do Quadrilhão, cortejo que reúne 16 quadrilhas juninas da cidade no próximo dia 19 de março. A concentração acontece a partir das 18h no Pátio de São Pedro, de onde os grupos seguem em desfile pelas ruas do Centro até o Marco Zero. A iniciativa antecipa o clima das festas de São João e marca a abertura simbólica dos festejos juninos em Pernambuco.
A escolha da data está associada à tradição popular nordestina. Celebrado em 19 de março, o Dia de São José é considerado o marco inicial do ciclo junino porque, historicamente, representa o período em que agricultores aguardam as chuvas para iniciar o plantio do milho, alimento central das festividades juninas e base de diversos pratos típicos consumidos durante o São João.
O Quadrilhão surgiu na década de 1980 e ganhou novo impulso no início dos anos 2000, com edições realizadas também em 2011 e 2013. O evento foi retomado no ano passado pela Liga Independente de Quadrilhas Juninas do Recife, com a proposta de reunir os grupos da cidade em uma grande prévia junina. A celebração funciona como um arrasta-pé coletivo que antecipa a temporada de apresentações e concursos de quadrilhas.
Nesta edição, participam nove quadrilhas adultas e sete infanto-juvenis filiadas à entidade organizadora, provenientes de sete bairros do Recife. Além dos grupos afiliados, três quadrilhas participam como convidadas: Mirim Couro Quente, do Recife; Mirim Tradição Nordestina, também da capital; e Junina Sanfonar, do município de Afogados da Ingazeira. Durante o percurso, os quadrilheiros caminham pelas ruas realizando evoluções coreográficas e passos tradicionais, conduzidos pelos marcadores que comandam a dinâmica das apresentações.
Considerado o maior cortejo junino do Recife, o Quadrilhão ocorre cerca de um mês antes do início das principais programações de São João e reforça a presença das quadrilhas como uma das expressões mais representativas da cultura popular nordestina. Para Roberto Carlos, presidente da liga organizadora, a retomada do evento no Dia de São José também recupera um significado simbólico ligado às origens da festa.
“Esse ano resgatamos a tradição da abertura do ciclo junino no dia de São José, quando os sertanejos esperavam a chuva, faziam a oração e plantavam o milho para comer no São João. Então, vamos receber o ciclo junino com um cortejo e uma grande festa para abrir as portas do São João e pedir uma festa de sucesso, paz e manutenção da tradição”, afirma.

