Após a repercussão do primeiro post sobre os antigos cinemas do Recife, na semana passada, leitores enviaram sugestões e lembraram salas que também marcaram a história cultural da cidade
*Por Rafael Dantas
No embalo da repercussão de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, indicado ao Oscar 2026, a memória dos antigos cinemas do Recife voltou a ocupar as telas — desta vez, as digitais. Após a publicação do primeiro post sobre as salas de rua da cidade, na semana passada, leitores enviaram sugestões e lembraram cinemas que também marcaram a história cultural do Recife. Muitos destacaram a ausência de salas importantes em seus bairros e sugeriram novas imagens para ampliar esse retrato afetivo da cidade que aprendeu a ver filmes coletivamente, em grandes telas e em espaços espalhados por diferentes regiões.
Esse retorno do público reforça como os cinemas de rua não foram apenas locais de exibição, mas pontos de encontro, referências urbanas e parte do cotidiano de gerações de recifenses. Cada fachada, cada letreiro e cada sessão guardam histórias pessoais que se misturam à própria transformação da cidade ao longo do século XX. Reunimos agora uma nova seleção de imagens que inclui salas lembradas pelos leitores e outros registros históricos que ajudam a compor esse mosaico da memória cinematográfica do Recife. No entanto, é um álbum que está longe de estar completo, a cidade chegou no auge a abrigar cerca de 100 salas.
De acordo com o artigo A modernidade das salas de cinema do Recife (escrito por Isabella Leite Trindade, Andréa Dornelas Câmara, Paulo Raposo Andrade e Andréa Lins Storch), “Desde a abertura das primeiras salas de exibição do Recife, ir ao cinema tornou-se um hábito muito apreciado. Vestia-se a melhor roupa, o ambiente exigia, pois algumas salas contavam com orquestras até na sala de espera. Era importante exibir a elegância, ser moderno, manter o reconhecimento social e estar em dia com as novidades que circulavam.”
Porém, o artigo revelou que “Na cidade conhecida como a ‘Hollywood do Brasil’, com larga tradição cultural e intelectual, com a produção de filmes locais e cineclubes, as várias salas de cinema fazem parte da memória coletiva da sociedade. Hoje constatamos que parte deste patrimônio desapareceu devido à especulação imobiliária e os poucos edifícios que resistiram estão bastante descaracterizados ou em desuso.” Um problema que aparece nas obras de Kleber Mendonça Filho, especialmente em Retratos Fantasmas.
Cinema Moderno, com exibição do filme Tubarão

Do Diário de Pernambuco
Cine Glória, em 1976

Da PCR
Cine Pahté, o primeiro da cidade do Recife, na primeira década do século passado

Da Fundaj
Cinema Eldorado, em Afogados

Fonte desconhecida
Cine Ideal, no Pátio do Terço

Da Fundaj
Cine Império, de Água Fria

Cine Olympia, Bairro do Arruda, 1950

Foto: Acervo Josias Monteiro
Cine Olinda

Foto: Olinda de Antigamente
King Kong nas telas do São Luiz em 1977

Via página Recife de Antigamente - Kudelsky L.A.
Assim como no filme, que revisita espaços e memórias da cidade, o debate despertado pelo post revelou como essas salas seguem vivas no imaginário urbano, mesmo após décadas de fechamento. Um sentimento que se revela ainda mais forte nessas semanas que antecedem à premiação do Oscar 2026, em que o cinema pernambucano e as múltiplas histórias e referências da sua capital, disputa 4 estatuetas.
*Por Rafael Dantas, repórter da Revista Algomais (rafael@algomais.com)


