Recife aposta em serviços digitais e inteligência artificial para transformar a gestão pública

Rafael Dantas

A transformação digital tem reposicionado a gestão pública do Recife como referência em eficiência e inovação, com iniciativas que integram tecnologia, dados e foco no cidadão. À frente da Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, Rafael Cunha destaca o avanço de plataformas como o Conecta Recife — que já reúne mais de 800 serviços — e o uso crescente de soluções baseadas em inteligência artificial, como o Super Visão e o ClarIA. O movimento, segundo ele, não apenas reduz burocracia e custos operacionais, mas inaugura um novo modelo de gestão mais proativo, capaz de antecipar demandas e oferecer serviços personalizados à população.

No caso do Recife, quais as principais iniciativas ou projetos da sua secretaria que são exemplos concretos de melhoria na eficiência administrativa e na entrega de serviços à população?

No Recife, a principal expressão da nossa transformação digital é o Conecta Recife, que hoje se consolida como a maior política pública digital da cidade. Com mais de 800 serviços disponíveis, ele vai muito além de uma simples carta de serviços digital.

O Conecta Recife representa uma mudança estrutural na forma como o poder público se organiza e se relaciona com o cidadão. Internamente, ele promove integração de sistemas, padronização de processos e redução significativa da burocracia, facilitando o trabalho do servidor e aumentando a produtividade da administração. Ao digitalizar fluxos, eliminar redundâncias e organizar dados de forma estruturada, conseguimos reduzir tempo de atendimento, retrabalho e custos operacionais.

Para o cidadão, o impacto é ainda mais perceptível. O Conecta não apenas centraliza serviços, mas começa a evoluir para um modelo proativo, em que o próprio sistema consegue antecipar demandas e entregar valor antes mesmo da solicitação formal. Isso significa menos filas, menos deslocamentos e uma experiência muito mais simples, acessível e eficiente.

Complementando esse ecossistema, temos iniciativas como o Super Visão, que utiliza processamento de imagens e sensores urbanos para fortalecer a fiscalização inteligente da cidade, ampliando a capacidade de monitoramento e tornando as ações mais rápidas e baseadas em dados.

E também a ClarIA, que aplica inteligência artificial na rede de saúde para identificar, de forma preventiva, mulheres em situação de risco de violência. A ferramenta analisa padrões nos dados clínicos e pode apontar sinais com até 90 dias de antecedência em relação a uma possível agressão grave, permitindo uma atuação antecipada da rede de proteção. Isso representa uma verdadeira virada de chave no uso da tecnologia para políticas públicas sensíveis.

Essas iniciativas, juntas, mostram que a tecnologia no Recife não é apenas um vetor de eficiência administrativa, mas um instrumento real de transformação da relação entre Estado e sociedade, com mais inteligência, mais cuidado e mais capacidade de entrega.

O que está pensado ou planejado aqui na PCR sobre transformação tecnológica na gestão para os próximos anos?

Estamos vivendo um momento muito importante com a estruturação da Política Municipal de Inteligência Artificial do Recife, que está prestes a ser formalizada pelo Executivo.

Essa política consolida uma visão clara: a tecnologia deixa de ser apenas um instrumento de apoio e passa a ser um pilar estratégico da gestão pública e do desenvolvimento da cidade.

No curto prazo, isso significa avançar em três frentes principais:

  • A digitalização e integração de serviços;
  • O uso intensivo de dados para tomada de decisão;
  • E a incorporação de inteligência artificial nos processos da gestão e no relacionamento com o cidadão.

Mais do que uma agenda interna, essa política posiciona o Recife como um ecossistema de inovação, envolvendo governo, academia, setor produtivo e sociedade. É uma diretriz que olha não só para a administração pública, mas para o futuro da cidade como um todo.

Olhando para o futuro, sobre as tendências, como a gestão pública deve ser qualificada ou transformada pela inovação e pelo uso de novas tecnologias?

A grande tendência é a hiperpersonalização dos serviços públicos, baseada no entendimento profundo da jornada do cidadão.

Estamos caminhando para um modelo em que o poder público deixa de ser apenas reativo e passa a ser proativo, capaz de antecipar necessidades, ofertar serviços de forma personalizada e reduzir barreiras de acesso, principalmente para quem mais precisa.

Nesse contexto, a tecnologia tem um papel fundamental. Não como fim, e sim bem utilizada como meio. As cidades que vão se destacar são aquelas que conseguirem usar a tecnologia para humanizar a gestão pública.

Isso significa aproximar o Estado das pessoas, antecipar direitos, simplificar processos e gerar comodidade real no dia a dia. A inovação deixa de ser apenas eficiência e passa a ser também cuidado.

No futuro, excelência na gestão pública será sinônimo de conhecer profundamente o cidadão e entregar valor antes mesmo que ele precise pedir.

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