Romance de Rafael Setestrelo tem lançamento amanhã (20) pela Cepe e resgata realismo mágico nordestino
Realismo mágico nordestino marca novo romance de Rafael Setestrelo lançado pela Cepe

Inspirado em um eclipse solar que marcou o imaginário popular do Nordeste na década de 1940, o escritor pernambucano Rafael Setestrelo lança, nesta quinta-feira (20), o romance A Estrada dos Homens Doidos. Publicada pela Cepe Editora, a obra será apresentada ao público às 19h30, no Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão, em evento que contará com um bate-papo entre o autor e o professor e crítico literário Marcos de Andrade Filho.

O livro parte de um episódio real ocorrido em 1º de outubro de 1940, quando um eclipse total do sol mergulhou cidades de Pernambuco, Paraíba e Ceará em uma escuridão repentina, provocando medo e interpretações místicas entre moradores do Sertão e da Zona da Mata. O fenômeno, associado por muitos ao “fim do mundo”, atravessou gerações por meio da oralidade, elemento central na construção narrativa de Setestrelo.

A obra dialoga diretamente com memórias familiares do autor, especialmente a história de seu avô, Urbano de Souza Costa, conhecido como Pirrito, que testemunhou o eclipse durante uma caminhada entre Glória do Goitá e Limoeiro. O relato, ouvido durante a infância, ganha contornos ficcionais no romance, funcionando como ponto de ruptura entre realidade e imaginação. “O eclipse surge como um divisor de águas, capaz de revelar o que estava oculto nos personagens”, explica o escritor.

Com 60 páginas divididas em dez capítulos, A Estrada dos Homens Doidos acompanha a trajetória dos irmãos Rubem, José e Judá, que se reencontram na vida adulta e seguem juntos rumo a Limoeiro para um velório. Ao longo da jornada, atravessam uma estrada marcada por elementos sobrenaturais e confrontam memórias de um passado familiar atravessado por violência, silêncios e ressentimentos. A narrativa mergulha em temas como as marcas da criação, conflitos familiares e as cicatrizes emocionais que atravessam gerações.

Reconhecido por transitar entre diferentes gêneros, como cordel, poesia, teatro e romance, Rafael Setestrelo integra uma nova geração de autores pernambucanos que exploram o realismo mágico a partir de referências culturais nordestinas. A obra se insere no chamado “Ciclo dos Estranhos”, conjunto de produções recentes do autor que também inclui Dom Pirrito (2023) e A Fabulação de Luzia (2025). Segundo o escritor, esse ciclo se caracteriza pela valorização da oralidade e pela abordagem de dimensões psicológicas e históricas da Zona da Mata.

A estrutura do romance também chama atenção pelo experimentalismo formal. Ao mesclar tempos narrativos e vozes distintas, muitas vezes sem marcações convencionais de diálogo, Setestrelo propõe uma leitura que exige atenção do público. Para o escritor e membro do Conselho Editorial da Cepe, Roberto Azoubel, a obra revela “arrojo narrativo” e domínio técnico, especialmente na alternância entre narradores e na construção de uma trama densa e multifacetada.

Natural de Vitória de Santo Antão, Rafael Setestrelo é professor de Língua Portuguesa no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) desde 2005 e desenvolve projetos que aproximam literatura e cultura popular, como o LiterAtos. Com uma trajetória consolidada, já recebeu prêmios como o Hermilo Borba Filho de Literatura, em 2020, e o Mar que Arrebenta, em 2023, reafirmando seu lugar de destaque na cena literária contemporânea do Estado.

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