RXA discutiu o futuro da Ilha de Antônio Vaz

O seminário RXH 2019 – Uma visão de Desenvolvimento Sustentável para o Século 21 na Ilha de Antônio Vaz (Ilha de Todos os Tempos) aconteceu entre os dias 2 e 6 de setembro, no Museu da Cidade do Recife. O evento, coordenado pela UFPE, recebeu pesquisadores da Holanda e da França com o objetivo de discutir alternativas para o desenvolvimento sustentável dessa região central e histórica da capital pernambucana. Nos debates realizados com arquitetos, urbanistas e universitários chegou-se à conclusão de ser necessária  uma visão que inclua a integração da ilha nos seus aspectos ambiental, econômico, histórico e social. Também integraram o corpo técnico do evento representantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

“É nas águas da origem que essa ilha se formou e o futuro dela depende dessa integração entre pessoas e o seu patrimônio material e imaterial. Ela resume a alma do Recife”, relatou Roberto Montezuma.
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Os universitários Mila Montezuma e Célio Moura apresentaram uma síntese dos debates que aconteceram durante o seminário. “Hoje a única certeza que temos é que paisagem não é o futuro. Essa paisagem está mudando desde a origem. Desde o seu momento inicial essa cidade cresce, se reinventa e se adapta para chegar no hoje. Frente a isso, a cidade se adapta articulada com sua alma anfíbia”, afirmou a universitária Mila Montezuma.

Sobre o aspecto ambiental, Mila Montezuma ressaltou a vasta presença da fauna do ecossistema presente na Ilha de Antônio Vaz. “Um dos cenários que é extremamente curioso dessa ilha, como ponto de estuário, é que em relação a flora e a sua diversidade, ela é muito baixa em relação ao restante da cidade, quando comparada em relação ao restante do Rio Capibaribe. Mas nesse estuário tem uma diversidade enorme de espécies nativas e exóticas”, declarou.

“Levantamos questões que foram feitas nesses cinco dias, mas que foram muito ricas na nossa visão. Foi uma grande mesa redonda em que mas que do que respostas, foram feitas perguntas que possam iluminar o futuro”, afirmou o professor Roberto Montezuma, um dos coordenadores do evento.

Em 2012 houve a primeira experiência de troca entre o Recife e a Holanda (RxA, o Recife Exchange Amsterdã). “Nessa ocasião eles trabalharam um conceito mais amplo do que estamos trabalhando agora, que é específico da Ilha de Antônio Vaz, buscando entendimento de toda a cidade do Recife a partir do ponto de vista das suas águas. Eles chegaram a um conceito de que a hidrografia do Recife em imagem se assemelha a uma árvore d’água”, explicou Célio Moura, ao expor os caminhos das águas que cortam toda a cidade.

Estiveram presentes na conclusão do seminário o conselheiro de paisagem do Ministério de Educação, Cultura e Ciência da Holanda (MECCH), Jeroen Bootsma; o consultor oficial de política de planejamento espacial do MECCH, Frank Altenburg; e o professor Juan Carlos Rojas Arias, da École Nationale Supérieure d’architecture de Toulouse.

“Recife é uma cidade muito rica. Fizemos esse intercâmbio entre a Holanda e o Recife a fim de cooperar na construção de uma visão para a cidade, que contemple a relação com a água e com a sua cultura. Nessas oficinas trabalhamos num plano para o futuro, que acreditamos que beneficiará muito a sua população”, afirmou Bootsma.

Segundo Frank Altenburg, o workshop contribuiu para ressaltar a importância da Ilha de Antônio Vaz para o futuro do Recife, que tem o desafio de planejar esse espaço para ser desfrutado por todos os recifenses.

Juan Carlos Rojas Arias afirmou que o seminário traçou diretrizes para o futuro do Recife. “As pistas com as quais estamos trabalhando têm a ver com a geração de sistemas de mobilidade e infraestrutura cultural para que, através de uma jornada de integração, a ilha de todos os tempos também possa ser a ilha de todas as pessoas, de todas as cidades e de todos os elementos. E, especificamente, há uma reflexão focada em dar uma nova dimensão às condições ecológicas da ilha, que pode ser valiosa, dar força à cultura e às pessoas que a ocupam para reconhecer esse valor. E também poder valorizar a dimensão patrimonial. Existe uma riqueza natural e construída que precisa ser valorizada”, afirmou.

O RXA foi selecionado como programa oficial das nações unidas ONU/HABITAT. No dia 29 de outubro haverá um encontro para discutir perspectivas para o futuro da Ilha de Antônio Vaz, para refletir sobre as conclusões do seminário.

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