Acompanhamento odontológico e atuação multidisciplinar são fundamentais para qualidade de vida e inclusão
A saúde bucal é um dos pilares do bem-estar de crianças com Síndrome de Down e requer cuidados específicos desde os primeiros anos de vida. No contexto do Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, especialistas reforçam a importância da prevenção e do acompanhamento regular como estratégias essenciais para garantir qualidade de vida e inclusão social.
Maior predisposição a problemas bucais
Pessoas com Síndrome de Down apresentam maior risco de desenvolver cáries e doenças gengivais. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão limitações físicas ou cognitivas, dificuldades na escovação adequada e hábitos alimentares com maior consumo de pães, massas e doces. Esses elementos podem agravar quadros que, sem acompanhamento, evoluem para problemas mais complexos.
Importância do cuidado contínuo
Segundo a cirurgiã-dentista Nely Cristina, mestre e doutora em Endodontia e especialista em Saúde Pública da Wyden, a atenção à saúde bucal deve integrar o cuidado global desses pacientes. “A saúde bucal é parte fundamental da qualidade de vida das pessoas com Síndrome de Down. O acompanhamento odontológico regular, aliado à orientação da família e a práticas adequadas de higiene bucal, contribui para prevenir doenças e promover mais autonomia, bem-estar e inclusão social”, explica a especialista.
Atendimento multidisciplinar e inclusão
Além do tratamento odontológico, o cuidado com pessoas com Síndrome de Down envolve uma abordagem multidisciplinar, com a participação de médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Nesse contexto, a Odontologia também contribui para melhorias na mastigação, na fala e na respiração, ampliando os impactos positivos na saúde geral. A especialidade de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (OPNE) é voltada justamente para atender esse público com abordagens adaptadas e humanizadas.
Rede pública e acesso ao atendimento
No Sistema Único de Saúde (SUS), o atendimento odontológico a pessoas com deficiência é realizado nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), que contam com profissionais capacitados para oferecer um cuidado integral. Em Pernambuco, essas unidades estão estruturadas para oferecer atendimento humanizado, com participação ativa das famílias e foco na promoção da qualidade de vida. O acompanhamento periódico com o cirurgião-dentista é essencial para estimular hábitos de higiene e fortalecer a autonomia dos pacientes.

