Contador destaca a importância da organização tributária e da gestão financeira para evitar riscos durante o período de maior movimentação econômica do ano
Com a proximidade do Carnaval, o país entra em uma das fases de maior circulação de recursos na economia, impulsionada principalmente pelos setores de bares, restaurantes, turismo, serviços e comércio. De acordo com estimativas do setor de eventos e da economia popular, a festa movimenta bilhões de reais em consumo. Diante do aumento expressivo nas vendas, especialistas em contabilidade alertam que o momento exige atenção redobrada à organização fiscal e ao controle financeiro, para que o crescimento do faturamento não gere impactos negativos no caixa nem comprometa as obrigações tributárias ao longo de 2026.
“O Carnaval é um divisor de águas no orçamento de muitas empresas. Há aumentos de receita, fluxo de caixa elevado em poucos dias e, ao mesmo tempo, maior risco de falta de controle financeiro se não houver uma gestão preparada”, afirma Paulo de Tarso, contador da CSMalta Contabilidade. Segundo ele, o período pode se tornar uma oportunidade estratégica, desde que os negócios mantenham controles fiscais ajustados e regularidade nas obrigações legais.
Levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que, historicamente, os gastos com serviços, alimentação e turismo aumentam entre 15% e 25% na semana que antecede o Carnaval, em comparação com períodos regulares. Embora esse acréscimo possa fortalecer os resultados financeiros, também amplia a necessidade de rigor contábil. Empresas que não acompanham corretamente suas movimentações correm o risco de transformar o ganho temporário em problema fiscal no fechamento do exercício.
“O que muitos empresários esquecem é que o aumento de vendas também traz maior obrigação de recolhimentos e declarações”, explica Paulo de Tarso. Ele destaca que, no Simples Nacional — regime adotado por mais de 99% das micro e pequenas empresas —, a elevação da receita precisa ser registrada com precisão para evitar distorções no cálculo dos tributos e no enquadramento fiscal. “Um pico de faturamento sem o devido lançamento contábil pode distorcer projeções, comprometer projeções anuais e até resultar em desenquadramento técnico do regime tributário”, alerta.
Para o contador, o período pré-carnavalesco também é propício para revisar obrigações acessórias, como o PGDAS-D, os registros de notas fiscais eletrônicas e a situação cadastral do CNPJ no Portal do Simples Nacional. “Organizar a contabilidade agora significa evitar multas, autuações ou problemas com declarações futuras — especialmente em um ano de transição tributária como 2026”, ressalta. Além disso, o acompanhamento de indicadores como margens de contribuição, lucratividade e fluxo de caixa permite decisões mais estratégicas no pós-Carnaval, quando o consumo tende a se estabilizar. “O empresário que aproveita o momento para organizar, projetar receitas e ajustar gastos tem mais segurança para crescer. E isso é especialmente importante no pós-Carnaval, quando o consumo tende a estabilizar”, conclui Paulo de Tarso, da CSMalta Contabilidade.


