Ana Paula Vescovi destaca vantagem estratégica do País em palestra no Amcham Plano de Voo e aponta desafios para transformar recursos em desenvolvimento (Fotos: Lucas Emanuel/Divulgação)
O Brasil desponta como ator central na reorganização da economia global ao concentrar a maior reserva individual de minerais de terras raras do mundo, insumos estratégicos para as cadeias tecnológicas, energéticas e industriais. A análise é de Ana Paula Vescovi, diretora de macroeconomia do Santander Brasil, durante palestra no Amcham Plano de Voo – Edição Pernambuco. Segundo a economista, a nova dinâmica internacional é marcada por uma reconfiguração geopolítica. “O mundo está se refazendo em termos de acordos econômicos e criando novos polos de poder.”
Vantagem competitiva brasileira
De acordo com Vescovi, além das terras raras, o Brasil reúne diferenciais em produção de alimentos, energia renovável e geração de crédito de carbono a baixo custo, o que amplia sua relevância em um cenário de disputa por recursos estratégicos. Esses ativos colocam o País em posição privilegiada para atrair investimentos e integrar cadeias globais de valor. “Não tem país mais bem posicionado que o Brasil nesse novo ciclo baseado em recursos estratégicos”, afirmou.

Desafios institucionais e econômicos
Apesar do cenário favorável, a economista ressaltou que a abundância de recursos naturais não garante crescimento automático. Para ela, o avanço depende de eficiência institucional, gestão e coordenação entre políticas públicas. “Essa posição favorável não garante desenvolvimento automático — precisamos fazer a nossa parte institucional.” Vescovi também destacou que o ambiente macroeconômico para 2026 será marcado por expectativas de queda gradual dos juros e pela necessidade de equilibrar políticas fiscal e monetária.
A diretora do Santander chamou atenção ainda para os impactos do mercado de trabalho aquecido e dos juros elevados sobre a atividade empresarial. “Uma taxa de juros de dois dígitos tira energia das empresas e reduz a capacidade de investimento.” Segundo ela, ganhos de produtividade e adoção de novas tecnologias serão essenciais para que o Brasil aproveite a janela de oportunidades aberta pela nova economia global.
