Especialistas apontam influência das redes sociais e da pressão estética no aumento dos casos entre adolescentes e adultos jovens
Os transtornos alimentares têm se tornado uma preocupação crescente entre profissionais de saúde, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. No Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, que será celebrado amanhã, 2 de junho, especialistas chamam atenção para os impactos da pressão estética, da exposição às redes sociais e da busca por padrões corporais considerados ideais.
Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 70 milhões de pessoas convivem com transtornos alimentares em todo o mundo. Entre os quadros mais frequentes estão anorexia, bulimia, compulsão alimentar e transtorno alimentar restritivo evitativo. No Brasil, profissionais relatam aumento na procura por atendimento nos últimos anos.
De acordo com a nutricionista Ana Franciane, da PAD Saúde, a identificação precoce dos sinais é um dos principais desafios. “Muitas pessoas associam transtornos alimentares apenas à perda de peso extrema, mas eles podem estar presentes em comportamentos mais sutis, como culpa constante após comer, medo excessivo de determinados alimentos, compulsões recorrentes ou restrições sem orientação profissional”, explica.
A especialista ressalta que essas condições envolvem fatores emocionais, psicológicos e comportamentais, exigindo acompanhamento multidisciplinar. Entre os sinais de alerta estão mudanças bruscas de peso, isolamento durante as refeições, preocupação excessiva com calorias, episódios de compulsão alimentar, prática exagerada de atividade física e alterações de humor. “Vivemos um cenário de comparação constante. Dietas extremas, modismos alimentares e a busca por corpos considerados perfeitos podem funcionar como gatilhos, principalmente entre os mais jovens”, alerta Ana Franciane.
Para a nutricionista, ampliar o debate sobre o tema é fundamental para reduzir estigmas e estimular a busca por ajuda especializada. “Comer não deve estar associado à culpa. Alimentação saudável é equilíbrio, não restrição extrema. Quando a comida passa a gerar sofrimento, ansiedade ou medo, é hora de buscar ajuda”, afirma.



