Projeto da artista pernambucana Micaela Almeida une arte urbana, saúde e saberes populares em murais interativos espalhados pela cidade
O Recife e a Região Metropolitana ganharam uma nova forma de difundir conhecimento sobre saúde e cultura popular. O projeto Herbário Urbano, idealizado pela artista visual Micaela Almeida, espalhou sete murais em diferentes territórios, transformando espaços públicos em uma galeria a céu aberto dedicada às plantas medicinais. As intervenções incorporam QR Codes que direcionam o público para conteúdos educativos, conectando arte urbana, ciência e práticas tradicionais.
Concluído no dia 6 de abril, o projeto ocupa áreas de grande circulação com obras de até 30 m² que retratam espécies amplamente utilizadas na medicina natural, como mastruz, carqueja, cannabis, chambá, goiabeira, amora e erva-baleeira. Por meio do acesso digital, os visitantes podem consultar o e-book gratuito com informações científicas, receitas tradicionais e um mapa com a localização dos murais, ampliando o alcance da iniciativa.
Inspirado no conceito tradicional de herbário — espaços de preservação e catalogação de espécies —, o projeto propõe uma releitura urbana ao transformar muros em pontos de conhecimento acessível. “O projeto nasce do desejo de reconectar as pessoas com saberes ancestrais presentes nas plantas medicinais. A medicina natural é um conhecimento vivo, acessível e fundamental nas práticas de cuidado coletivo”, afirma Micaela Almeida.
Além da dimensão artística, o Herbário Urbano dialoga com hortas comunitárias e equipamentos públicos de saúde, educação e cultura, como o Serviço Integrado de Saúde (SIS), o Compaz Governador Eduardo Campos e o Terminal Integrado de Passageiros (TIP). A proposta também inclui ações formativas, como a Oficina Arte-Educativa de Desenho Botânico, que promoveu troca de saberes e produção coletiva a partir da observação de plantas medicinais.
Resultado de uma pesquisa desenvolvida em parceria com a agroecóloga Flávia Moraes, o projeto foi construído a partir de escuta ativa em territórios e práticas populares de cuidado. “Antes de pintar, quisemos aprender e vivenciar esses saberes em diálogo com quem cultiva e cuida das plantas no dia a dia. Essa escuta foi fundamental para que cada mural nascesse com respeito e coerência, refletindo práticas reais de saúde popular e agroecologia”, destaca a artista.

