Engenheiro e candidato à presidência do CREA-PE propõe modernização dos serviços, fortalecimento da fiscalização, ampliação da presença do Conselho no interior e maior participação da instituição nos debates sobre o desenvolvimento de Pernambuco.
A Algomais entrevistou os candidatos à presidência do CREA-PE para apresentar aos leitores as propostas e prioridades de cada concorrente para o futuro da entidade e para os desafios da engenharia, da agronomia e das geociências em Pernambuco. Todos os candidatos (Inaldo Marques, Hilda Gomes, Stênio Cuentro e Nielsen Christianni) receberam exatamente o mesmo conjunto de perguntas, garantindo igualdade de condições para a apresentação de suas ideias.
Nesta entrevista, o engenheiro Nielsen Christianni apresenta suas propostas para a presidência do CREA -PE. Com trajetória no Sistema Confea Crea, onde atuou como conselheiro federal, diretor de Planejamento Estratégico, diretor Financeiro e vice-presidente do Confea, além de superintendente do CREA-PE, ele defende um Conselho mais inovador, ágil e próximo dos profissionais, com foco na desburocratização dos serviços, na valorização da categoria e no fortalecimento da contribuição técnica da instituição para o desenvolvimento
Qual deve ser o papel do CREA nos debates sobre desenvolvimento econômico de Pernambuco?
O Crea tem um papel estratégico no desenvolvimento econômico de Pernambuco ao reunir profissionais cujas atividades impactam diretamente a infraestrutura, a inovação, a sustentabilidade, a produção de alimentos, a geração de energia e o planejamento territorial. Como instituição técnica, pode oferecer suporte qualificado aos debates públicos, contribuindo para a formulação de políticas e programas baseados em conhecimento técnico e alinhados às necessidades da sociedade. Além de promover a aproximação entre profissionais, universidades, setor produtivo e poder público, o Conselho deve fortalecer a fiscalização do exercício profissional e valorizar a Engenharia, a Agronomia e as Geociências. Dessa forma, contribui para que obras, projetos e investimentos sejam executados com qualidade, segurança, eficiência e responsabilidade, impulsionando o desenvolvimento sustentável de Pernambuco.
Pernambuco enfrenta problemas históricos de mobilidade, drenagem urbana e ocupação desordenada. Como o CREA pode contribuir para soluções concretas?
O Crea pode contribuir de forma decisiva ao reunir o conhecimento técnico dos profissionais da engenharia, agronomia e geociências para subsidiar a formulação de políticas e projetos estruturantes. Os desafios da mobilidade, da drenagem urbana e da ocupação desordenada exigem planejamento de longo prazo, baseado em diagnósticos precisos, mapeamento das áreas críticas e soluções de engenharia adequadas à realidade de cada município. O Conselho deve promover debates qualificados, elaborar notas técnicas, incentivar o planejamento urbano integrado e fortalecer parcerias com universidades, instituições de pesquisa, entidades de classe, órgãos de controle e gestores públicos das três esferas. Também é fundamental ampliar a fiscalização técnica para garantir que obras e serviços sejam executados com qualidade, segurança e respeito às normas. O CREA deve ser uma referência permanente nesse processo, contribuindo para soluções sustentáveis que melhorem a qualidade de vida dos pernambucanos.
As mudanças climáticas têm provocado enchentes, deslizamentos e eventos extremos em Pernambuco. Qual deve ser a contribuição do CREA nesse debate?
Mudanças climáticas exigem planejamento e prevenção baseados em critérios técnicos. O Crea tem o papel de reunir e valorizar o conhecimento dos profissionais para contribuir com soluções voltadas à mitigação dos impactos ambientais, à adaptação e à resiliência das cidades. Pernambuco convive com desafios cada vez maiores e a capital, Recife, figura entre as cidades mais vulneráveis do mundo aos efeitos das mudanças climáticas, o que reforça a urgência desse debate. O Crea pode fomentar discussões técnicas, apoiar a elaboração de estudos e notas técnicas, incentivar boas práticas em infraestrutura, drenagem, contenção de encostas, saneamento e planejamento territorial, além de fortalecer o diálogo com gestores públicos, universidades e entidades da sociedade civil. Mais do que reagir aos eventos extremos, é preciso atuar na prevenção, promovendo projetos sustentáveis e seguros que reduzam riscos, protejam vidas e preparem Pernambuco para os desafios climáticos do presente e do futuro.
Que legado o senhor(a) gostaria de deixar para o estado caso seja eleito(a) presidente do CREA-PE? Que ações iniciativas estão nos seus planos de ação?
O legado deste Projeto de Gestão para o Crea-PE consiste em avançar na desburocratização dos seus serviços e produtos por meio de inovação e tecnologia, assegurando agilidade, qualidade e segurança, bem como ampliação da valorização dos profissionais, ao que inclui melhores condições de trabalho e remuneração dignas. Consolidação de uma fiscalização responsiva aliada aos profissionais, à sociedade, às empresas e ao desenvolvimento de nosso estado, alcançada com capacitações sistemáticas e ampliação tecnológica em cada um dos municípios do estado. É ainda um objetivo e legado estabelecer de forma efetiva ações para incidir sobre políticas de desenvolvimento de Pernambuco, integrando de forma efetiva os profissionais neste processo de desenvolvimento e gerar os benefícios para a nossa população, indistintamente do campo e da cidade.
Qual é hoje o maior problema enfrentado pelos profissionais registrados no CREA-PE? Como valorizar engenheiros, agrônomos e geocientistas em um mercado cada vez mais competitivo?
Um dos principais desafios dos profissionais é a necessidade de maior valorização técnica em um mercado cada vez mais competitivo, marcado pela informalidade, pela concorrência desleal, pela remuneração incompatível com a responsabilidade da profissão e pelo desconhecimento da importância da atuação de profissionais habilitados. Apesar da crescente demanda por infraestrutura, inovação e desenvolvimento sustentável, o Brasil ainda enfrenta o chamado “apagão da engenharia”, evidenciando a necessidade de ampliar oportunidades e qualificação. O Crea deve fortalecer a fiscalização do exercício profissional e dos editais de contratação, defender o cumprimento do piso salarial e a legalidade das contratações. É fundamental promover capacitação continuada, incentivar a inovação e aproximar o setor produtivo das instituições de ensino e de pesquisa. Valorizar engenheiros, agrônomos e geocientistas é investir no desenvolvimento econômico, na sustentabilidade e na qualidade de vida da população.
Como fortalecer a presença do CREA no interior do estado?
Fortalecer a presença do CREA no interior significa aproximar cada vez mais o Conselho dos profissionais e das diferentes realidades de cada região de Pernambuco. Para isso, é fundamental ampliar e fortalecer as inspetorias, descentralizar os serviços, expandir programas e ações itinerantes, além de promover eventos técnicos, capacitações e encontros regionais. Também queremos intensificar a escuta ativa junto aos profissionais, entidades de classe, universidades, empresas e gestores públicos, garantindo que as demandas locais sejam incorporadas às decisões do Conselho. Outro compromisso é ampliar uma fiscalização mais presente, educativa e responsiva, que incentive a regularização dos empreendimentos e combata o exercício ilegal da profissão, sempre valorizando a atuação dos profissionais habilitados. O Crea deve estar presente em todas as regiões, oferecendo um atendimento mais ágil, acessível e conectado às necessidades de quem atua no interior.
Mini Biografia: Nielsen Christianni construiu trajetória de destaque na valorização profissional e no fortalecimento do Sistema Confea/Crea. No Confea, como Conselheiro Federal, Diretor de Planejamento Estratégico, Diretor Financeiro e Vice-Presidente, contribuiu para a carteira digital, simplificação de registros, isenção de anuidades e políticas públicas. Como Superintendente do Crea-PE, modernizou serviços, ampliou inspetorias, fiscalização educativa, qualificação profissional e reduziu prazos de serviços.


