Baile Brasileiro 2 coroa pesquisa histórica com músicas autorais e clássicas filtradas pelas vivências do artista para realçar o aspecto atemporal e dançante do gênero
Um dos nomes mais interessantes da novíssima geração de músicos pernambucanos, o cantor e compositor pernambucano Carlos Filhos foge à armadilha da rivalidade entre nostalgia e renovação com o lançamento do álbum Baile Brasileiro 2, ancorado em vasta pesquisa histórica e embalado, pela cadência da conciliação. O álbum está disponível nas plataformas digitais.
O álbum exalta o valor da sonoridade clássica sem desmerecer as transformações comuns a manifestações culturais temperadas com as vivências contemporâneas e, sob recorte autoral, realça o balanço indissociável dos forrós.
“A intenção não é ser inovador, disruptivo e, sim, honesto, sincero em colocar o nosso ponto de vista nessa vivência com o forró, com essa tradição da música, como é feita. Outro ponto foi focar no balanço, ao invés da forma, do arranjo, das convenções. Esse álbum está situado no atual momento da minha carreira, mas apontando para caminhos sonoros a partir dessa minha vivência com forró, minha escrita como compositor, meu lugar de cantor e no fazer musical do meu tempo, de como a música é feita hoje”, explica Carlos, apresentador há três anos do Festival Nacional de Forró de Itaúnas (Fenfit), realizado no Espírito Santo e considerado o maior do mundo.
Baile Brasileiro 2 estende a pesquisa de mais de sete anos do artista sobre o forró e dá novas colorações ao conjunto de composições reunidas na edição de número 1, lançada em 2024. O cantor manteve o nome para realçar a unidade conceitual do projeto, favorecer o reconhecimento do posicionamento em relação ao forró e, assim, facilitar a identificação pelo público. “Eu sinto que o Baile 2 evolui, caminha pra um lugar onde esse diálogo do orgânico e do eletrônico está mais maduro, mais desenvolvido. Teve mais horas de contato entre os músicos, foi um álbum gravado 100% ao vivo”, ele observa.
O álbum tem nove faixas e percorre várias ramificações do forró. Contempla baião, xaxado, xote, toada, aboio, marchinha (arrasta-pé), côco do norte e forró em meio a músicas autorais e releituras de canções pinçadas do manancial forrozeiro brasileiro. O trabalho sob produção executiva da TBC Produções e gravação no estúdio Carranca.
A abertura do álbum fica a cargo de uma toada extraída da faixa de encerramento, Canaã, assinada pelo compositor cearense Humberto Teixeira. Carlos divide a autoria com Luiz Diniz no xote Tempo Mãe, com o sanfoneiro Felipe Costta no baião Fúria das Dunas e inclui no repertório a composição de Juliano Holanda chamada Partilha – única relacionada a uma experiência estritamente afetiva. Complementam a obra a parceria de Anastácia com Dominguinhos em Alegria Pé de Serra e a música Sou Mais Forró, do paraibano Pinto do Acordeon.
A banda é formada por Júnior Teles no comando da zabumba, do pandeiro e do ganzá, a sanfona fica com Felipe Costta, Joana Xebá fica no triângulo e do ganzá, o synth bass com Lucas Dan. As cantoras Isadora Melo e Sônia Cristina compõem o coro de vozes com parte dos instrumentistas. A produção artística é dividida entre Carlos e TomBC, parceiro antigo e nome reconhecido na cena musical pernambucana.
“Tem coisas numa experiência de dançar um forró, de um baile de forró, que o corpo entende antes da razão. Os afetos são ativados muito antes da razão e isso é mediado pelo balanço. Eu quero com esse álbum é que as pessoas dancem”, conclui o cantor.



