Chega a Pernambuco narrativa fictícia permeada de fatos verídicos da trajetória do artista que popularizou personagem Vera Verão
De 25 de junho a 4 de julho, A Caixa Cultural Recife apresenta o espetáculo Jorge pra sempre Verão, que constrói uma narrativa ficcional inspirada em episódios reais da vida do artista Jorge Laffond (1952-2003). A peça celebra sua trajetória para além da personagem Vera Verão, que o tornou conhecido nacionalmente. Os ingressos custam entre R$ 15 e R$ 30, cujas vendas serão realizadas a partir do dia 19/06/2026 no site da Caixa Cultural.
O espetáculo chega pela primeira vez a Pernambuco, após temporadas de destaque em importantes centros culturais do país. Dirigida por Rodrigo França, a montagem encenada por Alexandre Mitre, Aline Mohamad e Aretha Sadick parte de experiências individuais do artista para refletir sobre questões mais amplas relacionadas a racismo, homofobia, pertencimento e memória.
A temporada contará com sessões acessíveis em Libras aos sábados e dois encontros especiais entre artistas e público após as apresentações dos dias 26 de junho e 3 de julho. O objetivo é ampliar o diálogo sobre memória, representatividade, arte e diversidade a partir dos temas abordados pelo espetáculo.
A ideia do texto nasceu de uma carta escrita por Aline Mohamad ao primo falecido precocemente aos 51 anos. O que começou como um exercício íntimo de elaboração afetiva, virou sua primeira obra teatral, escrita em parceria com Diego do Subúrbio. “Um dia, ao voltar de uma festa onde me vi atraída por uma travesti, escrevi uma carta. Nela, um pedido de desculpas, uma redenção, uma luz nos diversos vínculos que eu tenho com meu primo Jorge Laffond. Enviei-a para alguns amigos e, ao acordar, li as respostas: você tem uma linda peça nas mãos. E assim percebi que a única forma de eu encontrar com meu primo seria através da arte”, relembra a autora.
Para o diretor Rodrigo França, a montagem promove uma reparação histórica ao resgatar a humanidade e a complexidade de um artista frequentemente reduzido a estereótipos. “Estamos humanizando um dos maiores artistas deste país. Jorge Laffond passou por grandes dilemas na história da televisão brasileira e retrata o que é o país em relação à população negra e LGBTQIAPN+”, afirma.
“Estamos falando de um homem negro retinto, afeminado, com mais de dois metros de altura e vestido de mulher na televisão brasileira. Nele havia mais do que talento; havia estratégia, inteligência e coragem”, observa Rodrigo França. Ao recuperar sua trajetória, o espetáculo propõe uma reflexão sobre os mecanismos de exclusão ainda presentes na sociedade brasileira, mas sem abrir mão da esperança. França diz que o teatro também deve ser um espaço de cura.


