Arquivos Artigos - Página 14 De 19 - Revista Algomais - A Revista De Pernambuco

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As letras nômades de Davino Sena

*Paulo Caldas Ler Viagens do Conselheiro, crônicas de Davino Ribeiro de Sena é viajar com ele. Descobrir encantos em costumes bizarros gestados em culturas exóticas, tornar-se um britânico de cotidiano fleumático vestindo hobby de chambre e acariciando bichanos de estimação, sacolejar suado num tuk tuks no esquisito Sri Lanka. Cumprindo os desígnios da rosa dos ventos, entre aromas e brisas, sob sóis que se põem e se impõem, estrelas guias reluzentes e fugidias, o conselheiro mantém mãos dadas à cultura: música, literatura, filosofia... Empedernido leitor, foi sociólogo e antropólogo desde Riade, em 2010, primeiro porto do périplo que fez valer seu talento ao ritmo das correntezas por Londres, Colombo, Recife, São Paulo, Gravatá, New York, do frio natalino de Salt Lake City às areias molhadas Wadduwa ou nos admiráveis atóis das Maldivas. A narrativa leve, liberta de rigores academicistas, incita o leitor que de passaporte enriste vara fronteiras impeditivas, seguindo destino nômade do autor, um diplomata pernambucano escrevendo para o mundo. Davino Ribeiro Sena carrega na mochila participações literárias e escritos editados: Em 1991, Castelos de areia vence o prêmio nacional de poesia organizado pela Fundação Nestlé de Cultura, em São Paulo e abre as cortinas para Pescador de nuvens; em seguida O jaguar no deserto; Vidro e ferro Três Martes, Com Elizabeth Hazin; Lego & Davinovich; Expedição, O lento aprendizado do rapaz que amava ondas e estrelas e, em 2011, O rei das Ilhas. O livro pode ser adquirido pelo whats app (11)99133-3203 ou por email beatrizsenaart@gmail.com *Paulo Caldas é Escritor

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Pensamentos sobre quando envelhecer

*Por Elizete Maria Viana Maciel Diante da nossa atualidade, o mundo tem novas razões, sentidos e modo de se viver. Fico pensando através da minha janela, onde vejo o mar e reflito... onde quero estar quando envelhecer, ou melhor, como eu quero envelhecer? Uma onda bate em meus pensamentos, como a onda do mar bate nas pedras, e desejo poder imaginar como envelhecer. Digo eu, pois não posso dizer você, digo eu, unicamente por se eu quem escolho como eu vou envelhecer, quando envelhecer. Minhas memórias seguem no meu passado, pois agora penso com maior clareza quando eu era criança e jovem, naquele momento nem pensava nisso, nem imaginava o que queria ser, quanto mais, como eu vou envelhecer. Mas agora, o momento é outro e outras questões atuais nos fazem refletir no modo de como escolhemos... como envelhecer. O mundo vive um novo modelo de envelhecimento, novas buscas e aprendizados, a famosa neuroplasticidade, que me permite aprender coisas novas e querer mais aprendizagem, poder mudar, me adaptar, a partir de novas experiências. Ufa! Lá vamos nós entrar em contato com a tecnologia, deixando os papeis de carta guardados na gaveta, pois ainda pretendo usar, o correio não passa mais por aqui (neste momento), mais vai passar. Os fios dos meus cabelos se embranquecem, começo a reconhecer um novo rosto, enquanto uma nova camada de tinta, retoma o seu lugar, tomando mais água, andando de pés descalços pela areia e deixando as ondas molhar, sinto uma sensação de liberdade, de novas cores, o vento desarruma o meu cabelo e fico sem poder arrumar, mas agora o que mais quero é deixar o cabelo desarrumado, é sentir o vento e a água salgada, é me libertar, de minha próprias amarras, dos meus nós. Essa pandemia me fez isolar, parar o que nunca parei (trabalho), tirar férias (forçadas) e aprender a ter novos modos de contato. Meu envelhecimento foi alterado, mudanças se fazem necessárias, o meu canto, minha casa, se transformou em meu único espaço de transitar....verbo transitivo direto e indireto que remete a passar ou andar ao longo, mudar de lugar, situação e condição. Neste espaço, minha casa, penso como vou envelhecer, quando ela, a “velhice”, chegar. Já sinalizei que ela será muito bem vinda, terei tempo para fazer outras coisas, como plantar, passear mais com minha cadela, olhar as borboletas que fazem os seus voos rasantes e sem medo, os pássaros que aparecem em busca de alimento, ler mais livros diferenciados, fazer novos projetos, escrever o tão sonhado livro, que permanece em minha memória. Fiz escolhas, entre elas: manter minha família e amigos, criar novos vínculos, parar para escrever (olhando o mar da minha janela), deixar o meu envelhecer vir com calma, tranquilo, em um constate diálogo do que podemos fazer juntos. Pois à minha parte, cabe cuidar de mim, da minha pele, meu pensamento, minhas palavras e ações. À parte do envelhecimento é chegar. Cuidar dos meus sonhos, desejos, medos, conflitos, passagem, amores.... amores.... vem do amor, deste amor que preciso ter comigo, do meu legado, da sensação de prazer mágico e indescritível, da unificação corpo e alma. Quando eu envelhecer quero poder ler este escrito novamente e sorrir. Ver o quanto o tempo passou, o quanto o tempo soprou para que eu pudesse escolher sobre o meu envelhecimento. Agora passo para você que neste momento pode estar lendo estas linhas e se imaginando ou se transportando para quando você envelhecer.... pode ter a certeza que foi escrito em uma manhã de terça-feira, não importa qual a terça-feira. O importante é que foi um dia de terça-feira, poderia ser qualquer dia da semana, qualquer hora, mas foi neste dia e nesta hora, pois para escrever é preciso se conectar, deixar o vento trazer as notícias, deixar você se transportar em seus pensamentos, deixando a onda do mar bater, indo e vindo. E assim é o envelhecer, não importa quando, o que importa é como você quer fazer, como você quer envelhecer, quais os caminhos escolhidos, as mudanças, as sensações, saber o momento em que você fez a escolha da liberdade, a escolha de ser feliz, com pequenas coisas, com coisas que você nem imagina que poderia passar ou até mesmo vivenciar, e passar a se redescobrir, sinalizar novos caminhos, novas cores, novos projetos, porque envelhecer é mudar, para se tornar alguém melhor do que antes, melhor para você. Obs: Faltavam 15 dias para eu completar 54 anos *Elizete Maria Viana Maciel é psicóloga clínica, especialista em Neuropsicologia e Gerontologia

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Número de parlamentares no Brasil deveria ser reduzido?

*Por Maurício Costa Romão A Itália acaba de aprovar (21/set/2020), via referendo, a redução do número de cadeiras no Parlamento em 1/3, a partir das próximas eleições de 2023. Dessa forma, o número de senadores diminui de 315 para 200 e o de deputados de 630 para 400. Assim como aconteceu quando o então recém-eleito presidente francês Emmanuel Macron propôs a redução também de 1/3 no número de parlamentares no país (de 577 deputados para 385 e de 348 senadores para 232), como parte das reformas que intentava levar a cabo no seu mandato, a decisão do povo italiano encontrou imediato eco na população brasileira que passou a almejar medida semelhante por aqui. Não sem razão. A crise do coronavírus se superpõe um notório desencanto da população com o “establishment”, principalmente com a classe política e com o Legislativo. Na verdade, o assunto vem sendo tratado no Congresso Nacional já há algum tempo. Com efeito, pelo menos quatro Propostas de Emenda Constitucional (PEC) têm tramitado recentemente, objetivando reduzir o quantum de parlamentares. Todavia, relativamente à sua dimensão territorial e populacional, o número de deputados federais do Brasil está de bom tamanho, do ponto de vista quantitativo. De fato, numa comparação com dez países democráticos importantes o deputado brasileiro só perde para o congênere dos Estados Unidos em termos do contingente populacional que representa (vide tabela abaixo). Com efeito, enquanto cada deputado americano representa 762 mil habitantes, o parlamentar brasileiro é responsável por uma média de 415 mil representados. Em compensação, a média brasileira é maior do que a dos demais países selecionados e do que a de muitos outros no mundo contemporâneo. Em cotejo com a Itália, por exemplo, depois do referendo, a relação população/deputado naquele país aumentou de 96 mil para 151 mil. Pelos padrões de “eficiência” do parlamentar brasileiro, todavia, a Itália só precisaria ter 186 parlamentares, ao invés de 400. Enfim, o número de deputados federais no Brasil, contrario sensu, é adequado à dimensão continental e populacional do país. O que realmente destoa de muitas nações é o aspecto financeiro, quando se observa o salário e as vantagens que o deputado brasileiro recebe. A tabela seguinte desfila os benefícios recebidos pelos deputados federais no Brasil. Note-se, de início, que o custo total de um deputado é 5,5 vezes maior do que seu salário, por conta dos auxílios complementares que lhe são pagos. No todo, cada deputado recebe cerca de R$ 183,9 mil por mês, o que equivale a R$ 2,2 milhões por ano. Somados os 513 parlamentares, o custo anual chega a mais de R$ 1,1 bilhão. Estudos relativamente recentes (The Economist, ONU, Transparência Brasil, entre outros) mostram que os salários e vantagens do parlamentar brasileiro (juntando deputado federal e senador) estão entre os maiores do mundo, muito acima dos de congressistas de países ricos. À guisa de exemplo: vigorasse a PEC 106 (tramitação arquivada) a diminuição proposta no número de deputados federais (128) reduziria os gastos com parlamentares em R$ 282,5 milhões/ano. Registre-se, por oportuno, que o número de deputados estaduais é função do quantitativo de deputados federais. Com a diminuição destes, os Legislativos das unidades da federação sofreriam redução proporcional, com menos despesas para o erário. A partir de dados brutos coletados com muita dificuldade pela Transparência Brasil junto às nada transparentes Assembléias Legislativas*, é possível compor a seguinte configuração de valores. Considerando os salários dos deputados estaduais (até 75% do salário do deputado federal) acrescidos dos benefícios (verba indenizatória, verba de gabinete, etc.), um parlamentar estadual recebe, em média, R$ 141.367,00 por mês, cerca de R$ 1,7 milhão por ano. Como o total de deputados estaduais é de 1059, nos 26 estados e mais Distrito Federal, tem-se que a despesa mensal com os legisladores das unidades da federação é da ordem de R$ 149,7 milhões. Em 12 meses o gasto chega a R$1,8 bilhão. Pela aludida PEC 106 os deputados estaduais se reduziriam a 794, gerando uma economia anual para o país de R$ 449,5 milhões. A tabela abaixo sintetiza os gastos do erário público com salários e benefícios dos parlamentares federais e estaduais no Brasil. Note-se que a PEC 106 traria uma economia anual da ordem de R$ 732,0 milhões. Naturalmente que a importância do Legislativo como instituição imprescindível do Estado Democrático de Direito não pode ser avaliada e medida apenas por meros demonstrativos e comparativos de custos financeiros. Muito menos ainda se deve atrelar o mérito da atividade parlamentar somente à mensuração de despesas que o exercício do mister congressual acarreta aos cofres públicos. Num e noutro caso, há que se ter outros parâmetros que levem em conta a relevância do Poder Legislativo e a importância das funções e atribuições de seus membros. Entretanto, os injustificáveis excessos financeiros concedidos aos parlamentares e os vultosos gastos administrativos praticados no Congresso Nacional (e também, com raras exceções, nos Legislativos estaduais e municipais) chamam a atenção da sociedade, que passa a atribuir mais importância ao custo de manutenção dessas instituições e de seus legisladores do que ao seu papel representativo no regime democrático. ---------------------------------------------------------- Maurício Costa Romão, é Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. mauricio-romao@uol.com.br *"Estados e municípios mais pobres gastam mais em verbas e auxílios parlamentares”. Juliana Sakai & Bianca Berti. Transparência Brasil, 2015.

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74% dos consumidores não sabem o quanto pagam de imposto embutido nas compras, mostra levantamento da CNDL/SPC Brasil

48% dos micro e pequenos empresários desconhecem o quanto do seu faturamento vai para pagamento de impostos. Reforma tributária deve gerar empregos e baratear produtos, avaliam entrevistados. CNDL e CDL Jovem promovem ‘Dia Livre de Impostos’ no próximo dia 30. O consumidor brasileiro sabe que paga muito imposto e se incomoda com isso, mas pouco reflete sobre o peso que essa taxação elevada representa no seu consumo do dia a dia. Um levantamento inédito feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que 74% dos consumidores brasileiros não têm o hábito de procurar saber o quanto pagam de imposto ao adquirir um bem ou contratar um serviço. Apenas 26% das pessoas ouvidas reconhecem ir atrás desse tipo de informação na nota fiscal ou em outros meios. Embora essa não seja uma tarefa comum na rotina dos brasileiros, descobrir o valor dos tributos sobre produtos do dia a dia é algo que está ao alcance da população. Desde 2013 uma lei federal estipula que os estabelecimentos devem informar na nota fiscal o valor aproximado dos tributos que incidem no preço final de um produto. Na opinião de 93% dos consumidores consultados, a tributação é um fator que contribui para que alguns produtos tenham um preço elevado no mercado. “Em grande parte dos países desenvolvidos a maior parte da carga tributária recai sobre a renda e o patrimônio, que é um modelo mais justo. No Brasil, temos um modelo perverso em que a taxação é maior sobre consumo, não importando se aquele cliente faz parte de uma classe mais baixa ou elevada. Trata-se de uma política tributária injusta, pois penaliza quem ganha menos e dificulta a população de perceber o quanto ela, de fato, paga de imposto”, alerta o coordenador nacional da CDL Jovem, Lucas Pitta. Apenas 22% dos micro e pequenos empresários sabem percentual de imposto em transações comerciais O levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra que o desconhecimento sobre o peso da carga tributária não é exclusividade dos consumidores. A multiplicidade de tributos e a complexidade do sistema tributário brasileiro dificulta até mesmo os empresários de saberem o quanto se paga de imposto. Levantamento feito com micro e pequenos empresários que atuam no comércio e serviços mostra que apenas 22% garantem saber exatamente o percentual de imposto cobrado nas transações comerciais feitas na sua empresa. Pouco menos de um terço (32%) disse saber um valor aproximado, enquanto 41% não souberam responder. A maioria dos empresários também não sabe qual é a fatia do faturamento que vai para o pagamento dos impostos: somente 14% conhecem valor exato contra 31% que sabem de maneira aproximada e 48% que nem mesmo tem ideia. Para o coordenador nacional da CDL Jovem, Lucas Pitta, não é só o peso dos impostos que suscita questionamentos, mas também a complexidade do sistema, que é confuso e pouco transparente. “O sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos do mundo e uma reforma do modelo de taxação é importante para simplificar esse quadro para os empresários, algo que também melhoraria a vida dos consumidores”, explica Pitta. 90% dos micro e pequenos empresários consideram injusto sistema tributário do país. Para 95% dos consumidores, há pouca transparência Em cada dez micro e pequenos empresários que atuam nos ramos do comércio e serviços, nove (90%) consideram o sistema tributário brasileiro injusto. Exemplo dessa insatisfação é que 65% consideram importante que haja uma reforma tributária no país. Pelo lado dos consumidores, o descontentamento é semelhante: Quase a totalidade (95%) dos entrevistados concordam que o sistema tributário no Brasil deveria ser mais transparente. Além disso, é disseminada a percepção de que o brasileiro paga muito imposto, mas tem pouco retorno na forma de serviços públicos de qualidade, algo compartilhado por 95% dos consumidores. Na opinião dos empresários, o principal impacto da reforma tributária seria a geração de mais empregos (68%). Outras vantagens seria liberar recursos das empresas para investimentos (56%) e o incentivo a abertura de novos negócios no país (56%), assim como o combate à sonegação (56%). Na avaliação dos consumidores, a principal vantagem da reforma tributária seria o barateamento de produtos e serviços (55%) e a promoção da justiça social, ao estipular que pessoas de mais alta renda paguem, proporcionalmente, mais impostos (26%). A diminuição da carga excessiva de tributos (66%) deveria ser o aspecto principal de uma eventual reforma tributária, segundo os empresários ouvidos. A unificação de diferentes tributos e o fim da cumulatividade, ou seja, o pagamento de imposto sobre imposto também são outros pontos levantados, ambos mencionados por 57%. Também se destacaram a simplificação e desburocratização do atual regime (58%), a redução da tributação sobre folha de pagamento (55%) e a revisão da tributação com alíquotas diferenciadas entre os setores da economia (51%). “O nosso modelo de arrecadação é um entrave para o desenvolvimento do país. Há um excesso de tributos, de regimes de exceção e de burocracia, que resulta em ume enorme insegurança jurídica para empreender. As empresas de menor porte e os consumidores são os que mais sofrem com essa complexidade. É importante a mobilização da sociedade civil para colocar esse tema como prioridade para as autoridades”, afirma o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), José César da Costa. CNDL e CDL Jovem promovem ‘Dia Livre de Impostos’ com descontos de até 70% Para conscientizar a população sobre a alta carga de impostos e apoiar a simplificação tributária no Brasil, a CNDL e a CDL Jovem promovem na próxima quinta, dia 30, a 13ª edição do Dia Livre de Impostos (DLI). Durante um dia, lojistas de 18 Estados e do DF irão comercializar seus produtos e serviços sem repassar o valor da tributação no preço final para os clientes. Em alguns casos, os descontos podem chegar a 70% do valor final do produto. Os segmentos participantes são os mais variados: supermercados, drogarias, shoppings centers, padarias, restaurantes, postos de gasolina e até concessionárias de veículos. Para conhecer os participantes acesse a página

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Em defesa da Educação (por Anísio Brasileiro)

A educação é um bem público essencial a qualquer projeto de desenvolvimento inclusivo, soberano e que represente as culturas e a riqueza da diversidade humana. Como parte integrante do sistema educacional de qualquer país, as universidades públicas constituem patrimônio da humanidade. Elas incorporam conhecimentos e saberes acumulados no tempo. No Brasil, somos 63 universidades lideradas pela Andifes que, associadas às estaduais e às comunitárias, respondem pela quase totalidade da produção científica do país. É no sentido de defender esse patrimônio da sociedade que foi criada, no Congresso Nacional, a Frente Parlamentar em Defesa da Universidade Pública. Neste momento dramático em que vive o Brasil, onde cerca de R$ 2 bilhões são cortados pelo Governo Federal do já insuficiente orçamento das Ifes, reafirmamos a necessidade da universidade pública, gratuita, orientada para a excelência na formação e inclusão social de seus estudantes. Defendemos a qualidade da produção científica; a difusão e a troca de conhecimento com impacto na sociedade; a internacionalização comprometida com o exercício da solidariedade entre os povos; a eficiência e eficácia na governança institucional. É urgente, pois, juntos com a Frente Parlamentar, ampliarmos a defesa das políticas públicas para a educação no Brasil. O êxito dessa iniciativa depende de estarmos coesos nessa luta contra cortes orçamentários arbitrários que impossibilitam as universidades de cumprirem seu legítimo papel social. Nossa conclamação às famílias dos estudantes, técnicos e docentes; aos governos em todos os níveis; às empresas públicas e privadas; à classe trabalhadora; aos diversos setores organizados da sociedade civil; ao poder judiciário; ao parlamento; à sociedade como um todo; a todos aqueles que têm consciência da importância da formação qualificada e ética dos jovens para o mundo do trabalho. Sejamos solidários na defesa da educação pública no Brasil. Lutemos pelas universidades. Afinal, a UFPE é nossa e defendê-la é defender o sistema de educação pública, é defender a soberania nacional e os brasileiros. *Anísio Brasileiro, reitor da UFPE (do site da UFPE)

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Apertem os cintos... O cliente sumiu!

Sempre fui um apaixonado pelo que chamam de ficção cientifica, começando pelas HQs de Flash Gordon, criado por Alex Raymond. Sonhava em viajar em naves interplanetárias para, entre outras coisas, tentar descobrir “o que é que a marciana tem”. O prato do dia, à nossa disposição, são os bichos chamados de avião, que ficam pra lá e pra cá, “se arrastando” sobre as nuvens do céu brasileiro, durante 10, 20, 30 anos: perderam o encanto. Já vivemos em um mundo real que foi antecipado pela ficção, para o bem e para o mal. Uma das diferenças entre a época de Mr. Raymond e o mundo atual é que as coisas acontecem numa velocidade surpreendente. Num piscar de olhos, sem que se perceba, a tal mudança que estava vindo, passou pela nossa frente sem darmos conta e sem poder afirmar se foi um pássaro, um avião ou o superman. A verdade é que grandes transformações estão acontecendo no mundo e o varejo não fica de fora. Mudanças no comportamento, no hábito, na forma de ver e consumir produtos ocorrem a olhos vistos e, pelo que se percebe, o consumidor está pensando e agindo mais rápido do que muita gente gostaria. Aproveito o parágrafo para corrigir o título deste artigo: o cliente não sumiu – o cliente mudou. E vai continuar exercendo o seu direito de provocar mudanças, sem a menor preocupação de ser chamado de volúvel ou infiel. As mudanças vão da aposentadoria do balcão, passando pela transformação na forma de desenvolver (e melhorar) o que alguns chamam de técnicas de vendas. Quem mergulhou de cabeça e quase se afogou nesses processos, terá que fazer novos mergulhos e aproveitar a ocasião para aprender a nadar, seja nado livre, borboleta, peito ou de costas. O cliente está mais exigente, já não é novidade; está mais criterioso, mais informado, mais atento e não gosta (nunca gostou) de ser ludibriado. Esse cliente já dispõe de ferramentas para ver, sentir, comparar e testar o produto – mesmo sem colocá-lo fisicamente nas mãos. Esse mesmo cliente não quer ser tratado como “amigo”, “meu lindo”, “doutor” ou “excelência” – coisas do passado. Comunica-se usando a mesma linguagem utilizada pelos seus, sem a necessidade do “ó, meu” e, muito menos, do “manda ver, cara”. O cliente não sumiu, já corrigi; está aí, à nossa disposição. Precisamos achar a nave adequada para ele chegar ao seu destino, vestido com roupa apropriada para aguentar as turbulências e as chuvas de meteoritos que encontraremos pela frente. Quem quiser exercitar, pode substituir “turbulências” e “chuvas de meteoritos” por carga tributária, pacotes governamentais, crise econômica, concorrência, despreparo, má educação etc. O cliente está vivo e não há dúvida de que quer experimentar o “novo”, não quer alguém atrás do balcão à sua disposição. Quer ter liberdade de escolher e, se tiver dúvida, aí sim, entra em cena aquele que vai auxiliá-lo – presencialmente ou virtualmente. O registro é proposital pela experiência vivida numa loja chamada de livraria. Durante três momentos, funcionária (mal) orientada ofereceu ajuda, mesmo após o cliente (eu) agradecer a “consultoria” na primeira abordagem. O desejo do cliente era o de olhar, ler as orelhas (dos livros) ou ir diretamente à cata do título que estava sob alvo, quando do ingresso naquele espaço. Simples, não? É assim que a banda toca e vai continuar tocando. A cada título, terá que promover toque ou arranjo diferenciado; vai alterar o ritmo e incluir (ou excluir) um novo acorde ou novo instrumento. Sabe por quê? Ninguém aguenta ouvir “vamo pulá” ou “que tiro foi esse?”, de janeiro a janeiro. Oremos. *José Carlos L. Poroca Executivo do segmento shopping centers jcporoca@uol.com.br

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Trabalhar faz bem para o idoso?

As pessoas estão vivendo mais e trabalhando mais. É cada vez mais comum ver idosos trabalhando. O envelhecimento da população brasileira e a mudança no comportamento dos idosos impactam diretamente no mercado de trabalho e a vida dessas pessoas. Para a saúde dessas pessoas, continuar trabalhando após os 60 anos é uma oportunidade de permanecer ativo em uma fase da vida em que eles tendem a ser vistos como incapazes. "Além de manter o idoso inserido na sociedade, ao permanecer trabalhando, diminuem as chances de depressão, problema cada vez mais comum em pessoas que interrompem as atividades ao se aposentarem, bem como contribui para manter o equilíbrio mental, diminuindo chance de transtornos degenerativos", comenta o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e geriatra no Hospital Jayme da Fonte, Marcelo Cabral, que alerta sobre a necessidade de resguardar os cuidados pertinentes a idade. O percentual de pessoas acima de 60 anos trabalhando tem aumentado, passando de 6,3% em 2012 para 7,8% em 2018, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ainda de acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), a questão financeira é a justificativa de 47% dos idosos para permanecer no mercado de trabalho, no entanto, 48% trabalham porque desejam se sentir produtivos.

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A saída é focar na experiência

Recentemente, estive em duas redes de livrarias, Saraiva e Cultura, para comprar alguns livros. Mesmo sabendo que as duas redes estão em processo de recuperação judicial, tomei um susto em ver as lojas praticamente vazias, tanto de cliente quanto de produtos. Foi o comércio eletrônico o grande causador desse esvaziamento e da recuperação judicial? A resposta é não. A grande causa é e falta de entendimento da mudança de comportamento do consumidor. Não há dúvida de que comprar pela internet é mais prático e até mais barato. Mas também não há dúvida de que as livrarias congelaram no tempo. Continuam vendendo os mesmos produtos e da mesma forma: cliente escolhe o livro, compra, paga e vai embora. Aí está a palavra-chave do problema: a experiência do cliente. Os consumidores buscam experiência de compras cada vez mais personalizadas. Além disso, os especialistas recomendam “menos venda e mais serviços”. Nesse sentido, analisando melhor o caso das livrarias, não basta apenas oferecer livros, é preciso enxergar outras necessidades do novo consumidor. Numa análise rápida e pensando na Geração X, por exemplo, as livrarias podem passar oferecer espaço para café e pequenas refeições ao longo do dia, bem como áreas para coworking para aqueles que buscam um modo de trabalhar diferente do convencional. Nesse espaço de café e coworking, os livros de negócios, marketing, economia etc, deveriam estar em exposição em destaque. Uma associação direta e natural com maiores chances de impacto positivo nas vendas. Para a Geração Y, podem ser oferecidos espaços voltados para games, com foco principal em apresentação e teste de lançamentos. Mais uma vez a experiência deve ser o destaque. Os livros e publicações sobre esses temas, claro, deveriam ser expostos nessa área. Uma nova associação direta e natural de público. Ainda para a Geração Y, podem ser oferecidos venda de acessórios para celular e prestação de serviços de manutenção dos próprios consoles de games. Para todas as gerações, as livrarias podem também criar uma série de eventos de experiência ligados a temas que interessam a esses públicos. Degustação de vinhos e cervejas para a Geração X. Alimentos saudáveis e qualidade de vida para a Geração Y. Exibição de filmes fora de circuito e debates temáticos são alternativas interessantes que devem ser levadas em conta nessa estratégia de oferecer mais experiência ao consumidor. Em outras palavras, com esse mix mais diversificado de produtos e de serviços, as livrarias passam o oferecer um local só para comprar livros, mas também para se divertir, trabalhar e, sobretudo, se encontrar. Algo que a internet não consegue fazer e, mesmo que tenha muitas vantagens em relação ao comércio presencial, nunca vai superar a necessidade humana de se relacionar uns com os outros.

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O tempo não faz concessão

*Paulo Caldas “Nunca se viu, na história da humanidade, tanta preocupação com a gestão eficaz do tempo. Tanto as empresas e as instituições quanto as pessoas em geral, se debatem com a premência de ter que lidar da forma melhor com ele. O aprendizado pode ser árduo, mas vale a pena, porque, como percebeu Peter Drucker, o pioneiro da gestão moderna, ‘O tempo é o nosso recurso mais escasso’’. Com esta definição, os consultores Cármen Cardoso, Francisco Cunha e Tiago Siqueira apresentam o livro “Quem tem prazo não tem pressa”, escrito pelos três, com a produção da INTG Editora, projeto visual (de fino trato) assinado pela designer Gisela Abad, revisão da Consultexto, impressão e acabamento da Gráfica Santa Marta. O caminhar do texto exibe pedras preciosas lapidadas em expressões de renomados pensadores contemporâneos e de outras eras, encontradas nos campos da lida. Tais assertivas, daqui e de alhures, instrumentalizam o cotidiano de profissionais que gravitam no universo da gestão de negócios sejam corporativos ou intrínsecos ao seu perfil individual. No livro acontece a sublimação do bom senso, pois garante que, uma vez organizado, o tempo não sucumbe à pressa. Assim, são alinhadas as esmeraldas, águas marinhas, topázios e outras garimpadas pelo trio de autores, quando extrai preciosidades do tipo: “Talento é trabalho”, de Millôr Fernandes, ou “O pessimismo é uma doença como qualquer outra” de Aristóteles Onassis. Nas extensas galerias dessa mina, são arrebatadas pepitas de filósofos gregos, ícones da política internacional, gestores de conglomerados empresariais, escritores, jornalistas, poetas, cantores, compositores, sociólogos, religiosos, esportistas consultores, cientistas e outros tantos luminares desta aldeia global. Sem enredo, cenas, cenários ou diálogos, este “Quem tem prazo não tem pressa”, dada a criatividade dos autores e o quilate dos personagens, vai além de um simples breviário do nosso dia a dia. *Paulo Caldas é escritor

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21 lições para o século 21 (por Francisco Cunha)

Esse é o título do mais novo e excelente livro de Yuval Harari, autor do também muito bom Sapiens – Uma Breve História da Humanidade. Harari é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. O 21 Lições é o seu terceiro livro. Entre este último (sobre o presente) e Sapiens, o primeiro (sobre o passado), lançou Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã (sobre o futuro). Todos três muito instigantes e resultado de uma inteligência viva e provocativa. Quem ainda não leu nenhum, sugiro começar pelo mais recente, o 21 Lições, depois, se gostar, pode passar para o Sapiens e, por fim, Homo Deus. Penso tratar-se de uma leitura obrigatória para quem tem interesse pelo tema e preocupação com as tendências de peso relativas a costumes, tecnologia e negócios, neste momento de profundas transformações e, ao mesmo tempo, de tantas informações desencontradas em que vivemos. A primeira frase de Harari no 21 Lições, logo na introdução, é a seguinte: “Num mundo inundado de informações irrelevantes, clareza é poder”. E é justamente isso que ele provê com seus escritos: clareza. Observando o Século 21, enumera as três principais ameaças globais para o futuro no planeta: (1) a sempre presente possibilidade de guerra nuclear com detonadores acessíveis por ditadores de plantão; (2) o aquecimento global com o seu risco associado de colapso ecológico; e (3) a disrupção digital com a dupla revolução da inteligência artificial e da biotecnologia. Em contraposição, enumera as articulações já existentes (uma ecologia, uma economia e uma ciência globais), faltando uma política global capaz de evitar o pior por meio de uma articulação consequente. No que diz respeito especificamente à ameaça da disrupção tecnológica (biotecnologia + inteligência artificial), diz: “A revolução tecnológica pode em breve excluir bilhões de humanos do mercado de trabalho e criar uma nova e enorme classe sem utilidade, levando a convulsões sociais e políticas com as quais nenhuma ideologia existente está preparada para lidar”. Já serão evidências disto o Brexit, a eleição de Trump, as migrações em massa e as recentes manifestações dos coletes amarelos em Paris? Refletir e especular organizadamente sobre o futuro é, de longe, a melhor maneira de se preparar para enfrentar as ameaças e aproveitar as oportunidades que surgem. Harari ajuda muito nisso.

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