Capitanias hereditárias também na política? (por Rainier Michael)

Durante o período eleitoral, verificamos que descendentes de políticos têm-se posicionado como opção para o eleitorado que busca a continuidade de determinados valores e/ou ideologias, principalmente, como forma de se beneficiar da “leitura” que acaba se atribuindo ao “nome” da família, ou seja, à ideia de legado e estabilidade.

Pessoalmente participo de grupos de discussão de empresas familiares, no Brasil e exterior, e acredito que podemos fazer algumas analogias com a política, especialmente no que diz respeito à frase “herdeiro não é necessariamente  sucessor”.

A verdade é muito clara e apresenta que, mesmo sendo herdeiro de um legado político, o candidato não é necessariamente um sucessor político natural. É importante que o eleitor compreenda essa diferença para tomar sua decisão responsável no período eleitoral.

Isso porque, se não tivermos uma visão crítica ou mesmo profissional dentro das linhas de uma governança pública e compliance das qualidades do que é necessário para ser um “bom candidato”, não mudaremos este país.

Será que, em pleno século XXI, faz sentido aceitar apenas um “nome” e um “empurrãozinho” político para eleger alguém?  É cabível esse tipo de postura numa democracia moderna?

Se a governança e a sucessão em empresas familiares já evoluíram, qual a razão de ainda esta situação subsistir na política? Não existe uma resposta pronta para essa pergunta, mas precisamos refletir bastante para que cada país ache sua solução, evitando “jabuticabas” políticas.

Na dúvida, podemos utilizar o que o ativista de direitos humanos Natan Sharansky intitula de Town square test, ou, em uma tradução livre para o português, Teste da praça central. Em seu livro The Case for Democracy, publicado em 2004, Sharansky explica: “Se uma pessoa não pode andar na praça central de uma cidade e falar suas posições pessoais sem ser preso ou sofrer agressão física, então esta pessoa está vivendo em uma sociedade do medo, em uma sociedade que não é livre”.

Para podermos andar com tranquilidade na praça central da nossa democracia, é preciso que aprendamos a distinguir o que é herança do que é, de fato, capacidade de ser sucessor político. Sem isso, o medo sempre vai estar presente, mesmo que não o identifiquemos de imediato.

*Por Rainier Michael, presidente do Instituto de Pesquisas Estratégicas em relações Internacionais e Diplomacia (Iperid), cônsul da Eslovênia e superintendente da Lockton, empresa integrante da Rede Gestão (rainier@goldensterno.com.br)

(Artigo publicado na coluna da Rede Gestão, da Revista Algomais, de Agosto)

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