Cultura e história

Qual o melhor poema de manuel bandeira?

Adepto do verso livre, do lirismo e da irreverência, Manuel Bandeira foi escritor, professor, crítico e historiador literário e talvez seja aquele que melhor cantou o Recife. Neste mês, quando se completa 50 anos de sua morte (13/10/1968), memória e obra do poeta mantêm-se vivas através de seus poemas, prosas e antologias. Seu estilo coloquial e elegante arrebatou a admiração e os corações em todo o País, em especial dos pernambucanos. Por isso, perguntamos a quatro deles qual o poema preferido do poeta modernista. Confira a seguir: “Conheci a poesia de Bandeira nas estantes de casas de amigos dos meus pais. Lá em casa também havia uma coletânea de poemas dele. Foi a primeira vez que li alguém que falava de lugares que eu conhecia. A poesia dele, pra mim, tem jeito de azulejo. Uma coisa meio colonial, casa antiga. Estante de madeira escura. Não como algo aristocrático. Parece que é algo que um amigo escreveu. É impossível de profanar porque não é sagrado”, relata Juliano Holanda, cantor e compositor recifense. Bandeira é uma das inspirações de Juliano, e lhe possibilitou conhecer outros autores, como Carlos Pena Filho, João Cabral de Melo Neto e Celina de Holanda. “Escrevo, mas nunca me considerei um poeta. Poeta é Manuel Bandeira, que faz as coisas parecem simples. Até mesmo quando de fato são”, complementa o compositor. Já o arquiteto e sócio da TGI Francisco Cunha ressalta a relação do poeta com o Recife. Ele considera Manuel Bandeira o maior poeta do Brasil, e o que conseguiu melhor cantar a história do Recife. “A qualidade da obra literária dele é revelada na capacidade que teve de evocar o Recife e de retratar uma característica muito peculiar da capital pernambucana que é essa beleza e a densidade histórica que a cidade tem. Acho que ele é um poeta do Recife e, portanto, tem uma importância muito grande para preservação da nossa memória e da memória da cidade”, declara. A poesia de Bandeira cativa também os leitores mais jovens, como Emília Prado, de 20 anos. A estudante de jornalismo começou a gostar e ler obras do poeta quando conheceu a história do modernismo e da Semana de Arte Moderna de 1922, que reuniu os artistas modernistas brasileiros que buscavam abolir a estética perfeccionista dos textos do Século 19. Bandeira causou escândalo com a poesia Os Sapos, lançada no evento e na qual defendia o verso livre e ridicularizava o apego à métrica dos parnasianos. “Eu gosto de imaginar os poetas escrevendo determinado poema e pensando no que os outros pensariam. Será que sentiam medo? Mas acho que Bandeira não tava nem aí, porque ele tava sendo ele, não tinha muita noção do tamanho do movimento que tava participando”, supõe Emília.   A estudante ainda destaca a importância da relevância de toda a sua obra. “Todo escritor que deixa clássicos merece um alto respeito. Bandeira escreveu Pasárgada! Esse poema é tão honesto que aposto que ele não imaginava a proporção que suas palavras tomariam. Era o seu lugar conhecido, familiar, mas para tantos, ainda hoje, é o lugar ideal muitas vezes inalcançável”. Sua frase predileta do escritor é Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. Trata-se de um verso de Poética, outro poema apresentado na Semana de 22. MELANCOLIA “Bandeira da Minha Vida Inteira”, exalta o escritor Marcelino Freire parafraseando o livro Estrela da Vida Inteira, publicado em 1965 e que reúne poesias completas do pernambucano. “Manuel Bandeira foi o primeiro poeta que eu li”, conta Marcelino, que nasceu em Sertânia, e por duas vezes, foi vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura. “Eu devia ter uns 10 anos e já morava no Recife. Bandeira pegou na minha mão e não largou mais. Tive contato com a poesia melancólica dele e fui ficando um menino doente, febril. Eu queria a tuberculose do Manuel. Eu fiquei com vontade de morar em Pasárgada”, recorda. Quando pequeno, Marcelino sentia-se orgulhoso pelo fato de o poeta também ser pernambucano. “Eu me lembro de ter pedido a uma professora para me levar até a casa do avô do Bandeira, ali na Rua da União. Foi uma emoção saber que naquela casa Manuel havia ficado à janela, observando os mascates passarem. Manuel é muito o Recife. As pontes, as águas, a saudade. Era um poeta que sentia tremenda saudade da infância, que fazia uma poesia que comunicava. Simples, diretamente lírica”, elogia. “Durante um tempo, repito, eu quis ficar doente, pensava que iria morrer cedo, que meu destino teria a mesma sorte do que a do Manuel. Ele morreu velho, mas eu digo da sorte que a maldição dos poemas nos traz. Bandeira me contaminou com a sua poesia. É uma referência constante que eu trago no peito, assim, de tudo o que escrevo”. *Por Laís Arcanjo

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Se tem asa, pra que quer casa? (Por Joca Souza Leão)

Tudo começou com um mistério. Apareceram umas setas, como que desenhadas, no balcão do meu terraço. Em sequência, uma após a outra. “Que danado é isso?” Como nunca acreditei em disco voador, talvez tivesse chegado a hora de começar a acreditar. Pedi a Lurdes para lavar com mangueira e escovão. Dia seguinte, tavam as setas lá. Como já disse, desenhadas. Brancas. “Tão de sacanagem comigo”, pensei. Mas quem? E, sobretudo, como o sacana chega até aqui, ao 11º andar, desenha as setas e se manda? E por que setas que não indicam nem levam a lugar algum? Até que, passados três dias, Lurdes desvendou o mistério. “Seu João Augusto, venha ver uma coisa aqui.” Fui. E vi. Dois urubus solenemente pousados no balcão do meu terraço. E as setas? Simples. Os bichos cagavam e caminhavam sobre a merda. Impressionante. As pegadas secas ficavam como setas desenhadas. É isso. Um urubu pousou na sorte de Augusto dos Anjos. E dois urubus deram de pousar no meu terraço. Quanto à sorte, poeta, continuo sem ter do que me queixar. Mas, o que esses bichos têm de bonitos voando num céu azul, planando, peneirando, lá no alto, têm de feios vistos de perto. Cabeças-pretas. Assim são chamados os nossos urubus, brasileiros. Eita bichinho feio danado! Onde não tem pena, é enrugado. E, como a gente sabe o que eles comem, não há boa vontade ecológica que lhes empreste simpatia. Além de feios, nojentos. Lurdes disse que, no interior, a família dela botava uma bandeira na cumeeira da casa pros bichos não pousarem. Fez uma bandeira com um lençol velho, cabo de vassoura, e fincou num jarro, no terraço. Mas os bichos voltaram. Acho que passaram a usar a bandeira como os pilotos usam biruta de aeroporto, para saber a direção do vento. Andei lendo sobre urubus. Macho e fêmea têm uma convivência solidária. E as mesmas, mesmíssimas funções em relação ao casal e à prole. Voam sempre juntos e são monogâmicos. Ou seja, meus indesejáveis visitantes são casados até que a morte os separe. Amém! Mas longe do meu terraço, né? Tanto telhado com sombra e água fresca (de caixa sem tampa) por aí, tanta torre de igreja, tanta antena de TV, tanta árvore, tanto poste e luminária, tanto mausoléu grande e alto logo ali, em Santo Amaro, tanto esqueleto de edifício por todo canto! E eles aqui, no meu terraço. O que fazer, caro leitor? Alguma ideia? Eu, sinceramente, não sei. Machucá-los, claro, tá fora de questão. Espantar, a gente espanta. Joga água, bate palma, panela, grita xôôôôôô urubu, mas não resolve. Eles vão no susto. Mas voltam. Se urubu do interior já é malandro, urbano, então, nem se fala. Só me resta invocar São Jackson do Pandeiro: Urubu tem asa Pra que urubu quer casa? Ai, ai, ai Pra que urubu quer casa?

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Peça Senhora de Engenho Entre a Cruz e a Torá vai até dia 10

O espetáculo Senhora de Engenho Entre a Cruz e a Torá se despede do seu público em 2018, nos dias 9 e 10 de novembro, sexta-feira e sábado, às 19h, no Casarão de Maria Amazonas na Avenida Belmino Correia, s/n, centro, Camaragibe-PE. A peça tem o apoio cultural da Prefeitura de Camaragibe, Fundação de Cultura de Camaragibe, Visão Digital em Segurança e Pelos Pet/ Curso de Tosa e Banho.”. O texto é baseado na história real, quase lendária, da portuguesa Branca Dias, e da sua luta para se manter fiel a sua fé judaica, enfrentando tanto a Santa Inquisição em Portugal, o que lhe rendeu uma passagem pelo cárcere, quanto o preconceito e a intolerância. Fugida de Portugal encontra abrigo em Pernambuco, no Brasil colônia, em 1550. Em meio a conflitos familiares, Branca Dias torna-se a primeira mulher a dar aulas, assume o comando do Engenho Camaragibe. “Senhora de Engenho” participou de vários projetos e já viajou para o Chile, Rio de Janeiro, Caicó/Rio Grande do Norte e Interiores de Pernambuco. Participou do VIII Festival Internacional de Teatro do Chile, Janeiro de Grandes Espetáculos/Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco, I Festival de Teatro Hermilo Borba Filho/ Palmares-PE, Todos Verão Teatro, Festival de Teatro de Igarassu, Festival de Teatro de Olinda e o Festival de Teatro do Sertão do Pajeú, entre outros. Serviço: Peça: Senhora de Engenho Entre a Cruz e a Torá Local: Casarão de Maria Amazonas, Av: Dr. Belmino Correia, s/n, Centro, Camaragibe-PE. Data: 09 e 10 de novembro, sexta-feira e sábado Horário: 19h. Duração: 80 min Ingresso: Inteira:R$ 30 e meia:R$ 15 Informações: 81: 99536-4746

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O escritor mineiro Sérgio Rodrigues discute a representação do futebol na literatura

O escritor, jornalista e crítico literário Sérgio Rodrigues, ganhador do 12º Grande Prêmio Portugal Telecom de Literatura, em 2014, é o entrevistado do episódio A Literatura de Chuteira, da série Super Libris, que o SescTV exibe no dia 29/10, segunda-feira, às 21h. Com direção de José Roberto Torero, o escritor comenta sobre a presença do futebol na literatura, tendo um espaço maior nas crônicas. (Assista também em sesctv.sescsp.org.br/aovivo.) Nascido em Muriaé – MG, em 1962, e radicado no Rio de Janeiro desde 1980, Sérgio já trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como: Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, O Globo e TV Globo. Passou por editorias de cultura, cotidiano, linguística e esportes. Esta última lhe deu bagagem para escrever O Drible, romance vencedor do 12º Grande Prêmio Portugal Telecom de Literatura, em 2014, nas categorias Romance e Grande Prêmio. Além de publicada no Brasil e em Portugal, obra ganhou edições na Espanha, na França, na Dinamarca e nos Estados Unidos. Sérgio conta que este livro foi bem aceito tanto pela crítica literária, quanto pela crônica esportiva. Segundo o escritor, historicamente, há poucos romances com a temática esporte, não apenas no Brasil, mas por todo o mundo. “O esporte te dá uma narrativa muito pronta, muito fechada e autossuficiente, pois já tem heróis, vilões, dramas, comédias e tragédias”, revela e explica que é difícil tecnicamente chegar com mentirinhas e misturar ao mundo do esporte. Porém, Sérgio diz que o futebol aparece com frequência nas crônicas brasileiras, inclusive na chamada alta literatura, representada por nomes como do teatrólogo, jornalista, romancista e cronista Nelson Rodrigues (1912 – 1980) e do jornalista e poeta Paulo Mendes Campos (1922 – 1991). O escritor – que também é autor, dentre outros, dos romances Flowerville (2006) e Elza, a Garota (2009), da coletânea de contos Sobrescritos (2010) e do almanaque Viva a Língua Brasileira (2016) – discute a presença do futebol na poesia, em obras de autores como Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987) e João Cabral de Melo Neto (1920 – 1999); e, ainda, articula sobre o preconceito, por parte do mercado editorial, de acreditar que livro de futebol não costuma vender. “Eu acho que talvez seja mais uma questão de encontrar o tom para falar”, esclarece. Além da entrevista, Sérgio Rodrigues participa dos quadros Pé de Página, onde mostra seu ambiente de trabalho e revela como e porque escreve; e Primeira Impressão, no qual indica o livro O Negro no Futebol Brasileiro (1964), de Mario Filho. O episódio traz, ainda, os quadros: Orelhas, que apresenta a biografia do do escritor José Lins do Rego, que dedicou parte de sua obra a crônicas esportivas; Prefácio, com a colunista Cristiane Tavares, que sugere o livro A Bola e o Goleiro (1984), de Jorge Amado, com ilustrações de Kiko Farkas; e Quarta Capa, com os youtubers Kalebe e Juliana, que recomendam a leitura de O Drible, de Sérgio Rodrigues. O quadro Epígrafe também é contemplado no episódio. Nele, a atriz, diretora e dramaturga Graça Berman comenta sobre a montagem do espetáculo Nossa Vila é uma Bola, adaptado de textos dos autores Armando Nogueira, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Marighella, Dom Paulo Evaristo Arns, Eduardo Galeano, José Roberto Torero, Juca Kfouri, Roberto Avalone, Paulo Mendes Campos, Plínio Marcos, Paulo Roberto Falcão e Luís Fernando Veríssimo. SERVIÇO: Série: Super Libris Episódio: A Literatura de Chuteiras Estreia: 29/10, segunda-feira, às 21h Reapresentações: 30/10, terça, às 9h e às 17h; 31/10, quarta, às 13h30; 2/11, sexta, às 9h30 e 17h30; 4/11, domingo, às 6h; e 5/11, segunda, às 16h. Classificação indicativa: Livre Direção geral: José Roberto Torero Produção: Padaria de Textos Duração: 28’

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Mostra Play The Movie completa 12 edições no Recife

Apresentada pelo Ministério da Cultura e Instituto Conceição Moura, a Mostra Play The Movie chega a sua 12ª edição no Recife com sessões nos dias 02, 03 e 04 de novembro no Cinema do Museu da Fundação Joaquim Nabuco em Casa Forte. As sessões possuem entrada com preços simbólicos a R$ 2,00 e apresentam dois documentários inéditos na cidade e um clássico do rock progressivo. Além da programação em Casa Forte, a Mostra traz ummcine-concerto especial no espaço cultural Jambo Azul com a presença de Juvenil Silva e convidados em um musical ao vivo. O show acontece simultaneamente à projeção do filme “Superpina”, de Jean Santos, no dia 2 de novembro às 23h. Filmes – A programação da Play The Movie neste ano tem início na sexta (2/nov) às 20h com a exibição do documentário “Dona Onete – Flor de Lua” que mostra a trajetória da cantora paraense. Com o histórico de um relacionamento abusivo, ela teve que se libertar de algumas amarras antes de começar a cantar. Através de uma série de entrevistas e o registro de um de seus shows, Dona Onete conta a sua história e esbanja carisma e talento. No sábado (3), às 14h, a Mostra apresenta “Vinil Poeira e Groove”, um documentário que investiga e enumera diversas iniciativas individuais e coletivas relacionadas à cultura dos discos de vinil. Foi pensando no fortalecimento da cultural do vinil, que o diretor Diego Casanova decidiu mapear e entender o que acontece por de trás desse cenário. Foram quatro anos de pesquisa e gravações com mais de 30 entrevistados, muita poeira e uma trilha sonora original repleta de grooves compostos pelos próprios entrevistados. A Mostra Play The Movie 2018 se encerra com a exibição do clássico musical de Alan Parker, “Pink Floyd – The Wall”. Baseado no álbum “The Wall”, o longa mescla passagens em animação, segmentos musicais e cenas de delírio e fantasia de um superstar do rock vivido por Bob Geldof que enlouquece lentamente em um quarto de hotel. O filme acompanha o cantor desde sua juventude, mostrando como ele se escondeu do mundo exterior. A sessão de encerramento ocorre na matinê do domingo (4) às 10h30. Evento – Não importa o gênero musical apresentado na tela ou a história que é contada. Integrando a programação do festival No Ar Coquetel Molotov, a Mostra Play The Movie está aberta a todos os apreciadores de música e os amantes da sétima arte que dificilmente tem a chance de ver estas obras em tela grande. A primeira etapa do evento ocorreu neste ano na cidade de Belo Jardim com sessões de clipes e longas metragens, além de uma apresentação do grupo Transe no Cine Teatro Cultura.

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“Workshop de criatividade com interpretação artística” foca em aprimoramento ato criativo pelo multiartista Carlos Vasconcelos sábado (27)

Workshop propõe o exercício da criatividade através da criação de arte com pintura sobre papel, através de diversos estímulos (como músicas, textos literários e vídeos), em metodologia desenvolvida pelo multiartista Carlos Vasconcelos, no “Workshop de criatividade com interpretação artística”, a ser realizado neste sábado (dia 27), no Centro Cultural de Criação, Rua dos Medicis, 30 | 406, na Boa Vista. Estimular o ato criativo é o foco da iniciativa que tem como objetivo o estímulo do potencial criativo de estudantes e profissionais, que precisam expandir a capacidade criativa com novos olhares e de novas perspectivas para soluções do dia a dia. “A intenção é que os participantes possam explorar novas possibilidades de desenvolvimento criativo, pois experimentos e pesquisas são coisas fundamentais na evolução do processo artísticos. Mas, muitas vezes, a primeira ideia é a melhor solução, afinal, ela enfatiza um conceito que está já inserido em nossa mente”, diz Carlos, que vem envolvendo essa metodologia em cursos pelo Nordeste. Neste workshop, ele utilizará com a pintura sobre papel como ferramenta principal para o desenvolvimento artístico dos participantes, que trabalharão esses experimentos e pesquisas sobre os mais diversos temas das suas vivências diárias, sem uma sequência preestabelecida. “O roteiro será conduzido conforme as respostas do grupo, com o objetivo de estimular o seu potencial criativo independente da questão da inspiração, que é um conceito lúdico que permeia a visão do artista desde o início dos tempos”, comenta Vasconcelos. Por isso, ao longo de um dia inteiro de atividades práticas, as pessoas envolvidas no workshop irão entregar-se à formação de conceitos de forma, estilo e composição e organização espacial, além da criação de um catálogo de cores, química e percepção da cor. Perspectivas que o multiartista acredita ajudar na concepção de um novo olhar criativo e uma mentalidade ágil na produção da arte e de ideias nos diferentes campos de trabalho que se usam da arte como matriz. Ao longo do dia serão realizadas atividades práticas em que as pessoas envolvidas no workshop irão entregar-se à formação de conceitos de forma, estilo e composição e organização espacial, além de criação de um catálogo de cores, química e percepção da cor, por exemplo. Para participação no curso, não é necessária experiência anterior com arte, pois o “Workshop de criatividade com interpretação artística” é voltados a todos que trabalham, amam ou tem interesse em expandir o ato criativo, exercitando a criação de arte. As inscrições custam 220,00 e podem ser realizada pelo Sympla: https://www.sympla.com.br/workshop-de-criacao__382797.

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Inscrições para Fenearte 2019 encerram-se dia 31/10

Seguem abertas, até o dia 31 de outubro, as inscrições para Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), edição 2019. O evento será realizada entre 3 a 14 de julho no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda. Os artesãos interessados devem fazer o cadastro através do site www.fenearte.pe.gov.br. A lista completa dos expositores selecionados será divulgada em novembro. Para realizar a inscrição é necessário preencher todas as informações solicitadas no sistema e anexar fotos dos produtos que serão avaliados pela curadoria do evento. As inscrições são válidas para todo o Brasil para os seguintes setores da feira: estados, internacional, prefeituras, associações, redes solidárias, Sebraes, Individual Pernambuco e indígena. Em sua última edição, a Fenearte recebeu mais de três mil inscrições. Dúvida podem ser esclarecidas pelo telefone (81) 3181.3454, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, ou pelo e-mail fenearte@centrodeartesanato.pe.gov.br.

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Hoje tem visita Proscenium! no Teatro de Santa Isabel

O Teatrando!, que oferece, toda semana, sempre às terças, atividades gratuitas e diversificadas, como saraus, oficinas e jogos teatrais, convidando recifenses e visitantes a conhecer melhor o Teatro de Santa Isabel, promove a visita Proscenium!, hoje (23), a partir das 15h. Idealizado pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, o projeto tem a sua programação executada pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão – IDG, com patrocínio do Santander através da Lei Rouanet. Misturando, arte, jogo e mistério, a visita Proscenium! apresenta as instalações e a história de 168 anos do Teatro de Santa Isabel para um público formado por pessoas com mais de 10 anos de idade. Durante a brincadeira, os espectadores viram atores e jogadores, e são provocados a resolver desafios em nome da arte. A visita é conduzida pelo elenco formado pelos atores Alexandre Sampaio, Bruna Luiza Barros, Douglas Duan, Ellis Regina, Kadydja Erlen, Luciana Lemos, Paulo de Pontes e Rafael Dyon. O enredo que conduz os visitantes Santa Isabel adentro é de Analice Croccia, Célio Pontes e Quiercles Santana. A direção geral da visita espetáculo é de Célio Pontes e Quiercles Santana. E a direção musical é de André Freitas. Para participar da visita Proscenium! é necessário realizar inscrição prévia pelo telefone (81) 3355.3323. O acesso é gratuito.

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Som de Madeira é a atração do Circuito Aurora Instrumental nesta quarta-feira (24)

Com uma sonoridade que se debruça sobre as raízes nordestinas, e melodias bem construídas e prazerosas de se ouvir, o Som de Madeira promete encantar o público do circuito Aurora Instrumental, nesta quarta-feira (24). O refinamento sonoro do jazz (e improvisos dedicados), além do baião, frevo, choro e o samba estão presentes no trabalho do grupo, formado pelos músicos experientes Renato Bandeira (violão, guitarra, viola), Augusto Silva (bateria), Hélio Silva (baixo elétrico) e Júlio Cesar (acordeon). O quarteto vai apresentar músicas do seu álbum de estreia, De Ponta Cabeça, além de algumas composições inéditas, às 19h30, no Teatro Arraial Ariano Suassuna. O grupo Som de Madeira, que atendia por Renato Bandeira & Som de Madeira, tem história para contar desde 2002. Além de shows em Pernambuco e no Brasil, a banda participou de jam sessions no festival de Jazz de Montreaux, na Suíça, e também se apresentou na Argentina. O grupo se distanciou por um período, quando os músicos seguiram individualmente suas respectivas carreiras, e decidiram retornar com a banda, em 2015, com o lançamento do disco (e DVD) De Ponta Cabeça, que reúne músicas autorais e algumas homenagens. Com o álbum, trabalho muito sofisticado musical e esteticamente, o Som de Madeira ganhou o Prêmio da Música de Pernambuco, em 2016, na categoria Melhor Álbum Instrumental. Aurora Instrumental: O Circuito Aurora Instrumental é o espaço legítimo da música instrumental no Recife. Aurora é paisagem e geografia da capital pernambucana, e também é o nome da tradicional rua do Centro do Recife, paralela ao Rio Capibaribe, e o endereço do Teatro Arraial Ariano Suassuna, local onde ocorrerão todos os espetáculos musicais da primeira edição do circuito – dividido em duas temporadas. O evento, contemplado pela seleção pública do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), busca se posicionar como importante palco de expressão da diversidade, tradição e renovação da música instrumental e propõe o encontro do público com músicos e grupos instrumentistas de alta qualidade técnica e artística. A segunda temporada de concertos é realizada toda quarta-feira, de 10 de outubro a 12 de dezembro, sempre às 19h30, e com ingressos a preços populares. SERVIÇO: Aurora Instrumental apresenta Som de Madeira Dia: quarta-feira (24/10) Horário: às 19h30 Local: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, nº 457, Boa Vista, Recife – PE) Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). Vendas: Bilheteria do Teatro Arraial (abre 1 hora antes do show) e no https://www.sympla.com.br/aurorainstrumental

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O Recife nos tempos do Zeppelin

No seu imaginário, o Recife ainda convive com as imagens da presença do Graf Zeppelin em nossos céus, que se tornou o maior acontecimento do século 20 entre nós. Dentre as novidades dos anos de 1930, famosa pelo aparecimento de novos hábitos e costumes, antecedendo a Segunda Grande Guerra, foi o surgimento do Graf Zeppelin, inaugurando linha direta, bimestral, com a Europa, em 22 de maio de 1930, fazendo a rota Friedrischafen-Sevilha-Rio de Janeiro. Pelo noticiário, registrado no Diario de Pernambuco, do dia 23 de maio, e depoimentos dos que viveram esse tempo, a exemplo do industrial Ricardo Brennand, 91 anos, se tornaram um verdadeiro acontecimento na cidade, as chegadas e partidas do dirigível, que cruzava o Atlântico em 59 horas de viagem. No dia seguinte do seu voo inaugural, assim noticiava o Diario de Pernambuco: Um vivo interesse se desenhava em todos os semblantes entorno desse acontecimento destinado a marcar uma data inesquecível na vida da cidade. […] Às 18 horas e 35 minutos o dirigível foi avistado no Recife e logo entrou a tocar, para divulgar a boa nova, o carrilhão do Diario de Pernambuco, cujos terraços estavam ocupados por famílias do nosso escol social. […] O Diario de Pernambuco, em sua edição do dia seguinte, às 16 horas, era já compacta a multidão de curiosos que se empilhavam nas torres das igrejas e até nos tetos das casas – inclusive nos terraços dos edifícios mais altos: Moinho Recife, Palácio da Justiça, Diario de Pernambuco, Hotel Central, etc. No mais alto da cúpula do Palácio da Justiça, em verdadeiro esporte de equilíbrio, agrupavam-se algumas dezenas de pessoas. O terraço desta folha, já às 17 horas, estava repleto de numerosa e compacta assistência. […] – Chegarei pouco depois do pôr do sol, foi a mensagem do comandante Eckener. […] É ele! É ele! É uma estrela! gritava o povo. Mas a dúvida em breve dissipou-se. Alguns instantes mais e a sombra branca do imenso pássaro aéreo começou a surgir e a crescer. Já eram então visíveis os dois focos de proa e popa marcando o vulto imenso que desfilava dentre as nuvens. Precisamente às dezoito e meia passava o Graf Zeppelin, mais baixo a cerca de 300 metros de altura, sobre a torre da Catedral de Olinda…. E logo começou-se a ouvir o surdo rugido das suas hélices possantes …. Mas pode mencionar-se o emocionante espetáculo da nave imensa a deslizar dentro da noite, sobre a cidade, rumando do norte ao poente, numa grande curva, direto ao Campo do Jiquiá, como se conhecesse o caminho; como uma ave retardatária que torna-se ao pouso, mil vezes demandado. O Zeppelin estava sob o comando do Comandante Hugo Eckener, que, juntamente com o infante Dom Affonso de Espanha, foi saudado pelo então secretário particular do governador Estácio Coimbra, Gilberto de Mello Freyre, após a sua amarração no Campo do Jiquiá (Afogados). Para o menino Ricardo Brennand, que se acostumara a assistir à passagem do Zeppelin da varanda da Casa de Ferro da Usina São João da Várzea, fora a mais importante imagem de sua infância. Um dos detalhes que mais o fascinou foi quando, numa recepção oferecida por sua família à tripulação do dirigível, na mesma Casa de Ferro da Usina São João da Várzea, constatara ele que as mulheres da tripulação do Comandante Hugo Eckener usavam, em vez de saias, “bermudas folgadas até os joelhos” (!) Eram os Tempos do Zepellin, na sua linha regular ligando a Europa ao Brasil e à Argentina, relembrados pelos mais antigos e assim descritos pela verve poética de Ascenso Ferreira: – Apontou! – Parece uma baleia se movendo no mar! – Parece um navio avoando nos ares! – Credo, isso é invento do cão! – Ó coisa bonita danada! – Viva seu Zé Pelin! – Vivôôô! Deutschland über alles! Chopp! Chopp! Chopp! – Atracou! O Graf Zeppelin realizou 63 viagens unindo o Recife à Europa. Seis anos depois do seu primeiro voo, em 1936, o Zeppelin veio a ser substituído por outro dirigível, o Hindenburg, que possuía 804 pés de comprimento; 76 pés menos do que o transatlântico Titanic e 228 pés maior do que um Boeing 747. Este último realizou sete viagens ao Brasil, antes do incêndio que o destruiu, em 1937, ao pousar em Lakehurst, no estado norte-americano de New Jersey, deixando uma imensa saudade, naqueles que viveram os Tempos do Zeppelin.

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