Economia

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Gestão pública eficiente depende de planejamento, tecnologia e qualificação do Estado, diz economista

Edgard Leonardo analisa gargalos em Pernambuco e aponta reformas estruturais para impulsionar desenvolvimento e reduzir desigualdades A busca por uma gestão pública mais eficiente e eficaz passa, necessariamente, pela capacidade do Estado de entregar resultados concretos à população, com uso racional dos recursos disponíveis. Para o economista Edgard Leonardo, esse modelo exige planejamento estratégico, foco em metas e uso intensivo de tecnologia, além de mecanismos de transparência e participação social que aproximem o poder público das demandas reais da sociedade. Na entrevista, o especialista avalia que Pernambuco ainda enfrenta entraves estruturais que limitam o desempenho da administração pública, como burocracia excessiva, desigualdades regionais e fragilidades na capacidade técnica de gestão, sobretudo nos municípios. Ao mesmo tempo, ele aponta caminhos para um salto de qualidade nas próximas décadas, com investimentos em infraestrutura, transformação digital e fortalecimento institucional como pilares para um novo ciclo de desenvolvimento no estado. Quando falamos de uma gestão pública eficaz e eficiente, de forma concreta, o que seria? Uma gestão pública eficaz e eficiente concretiza-se na capacidade do Estado de entregar bens e serviços de qualidade à população, utilizando de forma racional os recursos públicos disponíveis e alcançando os objetivos previamente definidos. Trata-se de um conceito ancorado no princípio da eficiência, incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro por meio do artigo 37 da Constituição Federal, especialmente após a Emenda Constitucional nº 19/1998. Do ponto de vista analítico, distingue-se eficácia de eficiência. A eficácia refere-se ao grau de alcance das metas e objetivos das políticas públicas, enquanto a eficiência diz respeito à relação entre os resultados obtidos e os recursos empregados, ou seja, à capacidade de produzir mais e melhores resultados com menor custo relativo. Essa distinção é amplamente discutida na literatura de administração pública e foi reforçada pelas reformas inspiradas na chamada Nova Gestão Pública, que introduziu uma orientação mais clara para resultados, mensuração de desempenho e accountability. Na prática, uma gestão pública eficaz e eficiente se materializa por meio de três pilares principais. O primeiro é o planejamento estratégico associado à gestão por resultados, com definição clara de metas, monitoramento contínuo por indicadores e avaliação sistemática de impacto. O segundo é a otimização de recursos, que envolve o uso intensivo de tecnologias, digitalização de processos e aprimoramento dos mecanismos de controle e gestão fiscal. O terceiro é a transparência aliada à participação social, garantindo prestação de contas e alinhamento das políticas às reais necessidades da população. Experiências recentes no Brasil demonstram que esses elementos são viáveis e produzem resultados concretos quando implementados de forma integrada, evidenciando que a eficiência na gestão pública não é um ideal abstrato, mas um atributo alcançável mediante capacidade institucional e governança adequada. Quais os principais gargalos que enfrentamos na gestão pública aqui em Pernambuco atualmente? Os gargalos da gestão pública em Pernambuco refletem, em grande medida, desafios estruturais do federalismo brasileiro, combinados com especificidades regionais. Entre os principais entraves, destacam-se a burocracia excessiva, limitações de infraestrutura, desigualdades territoriais e fragilidades na capacitação técnica de gestores, especialmente no nível municipal. A burocracia administrativa ainda representa um obstáculo significativo à eficiência estatal. Procedimentos complexos e excessivamente formais, particularmente nas áreas de compras públicas e execução orçamentária, reduzem a agilidade da ação governamental e podem elevar custos. Embora a burocracia tenha função de controle e legalidade, sua rigidez, quando não acompanhada de modernização, compromete a capacidade de resposta do Estado. No campo estrutural, persistem limitações importantes de infraestrutura logística e produtiva. A baixa integração multimodal, gargalos no transporte e a lentidão na implementação de projetos estratégicos dificultam o escoamento da produção e reduzem a competitividade regional. Além disso, há forte concentração econômica em áreas específicas, como a Região Metropolitana do Recife e polos dinâmicos como Petrolina, enquanto grande parte do interior permanece dependente de transferências governamentais. Outro ponto crítico é a capacidade institucional dos entes subnacionais, especialmente das pequenas prefeituras. Muitos municípios enfrentam dificuldades na elaboração, execução e monitoramento de políticas públicas, em razão de limitações técnicas e gerenciais. Indicadores de gestão municipal apontam fragilidades recorrentes em áreas como planejamento, gestão fiscal e captação de recursos. Assim, os gargalos não se restringem à escassez de recursos, mas envolvem sobretudo desafios de governança, coordenação federativa e desenvolvimento de capacidades estatais. Quais reformas estruturais Pernambuco precisa enfrentar para dar um salto de qualidade na gestão pública nas próximas décadas? Para promover um salto qualitativo na gestão pública nas próximas décadas, Pernambuco precisa avançar em um conjunto de reformas estruturais interdependentes, que articulem modernização do Estado, desenvolvimento econômico e redução de desigualdades regionais. A primeira dimensão refere-se à infraestrutura logística e digital. A conclusão de projetos estratégicos de transporte, aliada à ampliação da conectividade digital e à universalização de serviços essenciais como saneamento, é fundamental para reduzir custos sistêmicos e ampliar a competitividade da economia estadual. Infraestrutura, nesse sentido, não é apenas um vetor econômico, mas também um elemento central de inclusão social. A segunda dimensão envolve a melhoria do ambiente de negócios, com foco na desburocratização e simplificação regulatória. A digitalização de serviços públicos, a modernização dos processos licitatórios e a redução de entraves administrativos são medidas que aumentam a produtividade, atraem investimentos e fortalecem a transparência. Pernambuco já dispõe de um ecossistema relevante de inovação, que pode ser melhor explorado como indutor de transformação do setor público. A terceira dimensão diz respeito à diversificação e interiorização do desenvolvimento econômico. O turismo, por exemplo, possui grande potencial, mas ainda é concentrado em áreas específicas do litoral. A estruturação de arranjos produtivos locais no interior, especialmente nos setores agroindustrial e logístico, pode reduzir assimetrias regionais e promover maior dinamismo econômico.Por fim, é fundamental avançar na qualificação da gestão pública, com investimento contínuo na formação de gestores, fortalecimento de carreiras técnicas e institucionalização de práticas de gestão por desempenho. Sem capacidade estatal qualificada, reformas estruturais tendem a perder efetividade. Que exemplos nacionais ou internacionais de gestão pública poderiam inspirar um novo ciclo de desenvolvimento para Pernambuco e quais seriam os primeiros passos para essa mudança? A experiência internacional e nacional oferece referências importantes para a construção de um

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Tecnologia deixa de ser apoio e vira estratégia central no serviço público

Presidente da ATI-PE, Fred Vasconcelos destaca avanços em conectividade, saúde digital e serviços integrados, além do potencial de Pernambuco na economia de dados e inovação A transformação digital deixou de ser um elemento secundário para se tornar peça-chave na gestão pública. Na avaliação de Fred Vasconcelos, presidente da Agência Estadual de Tecnologia da Informação de Pernambuco (ATI-PE), o uso intensivo de tecnologia não apenas amplia a eficiência administrativa, como redefine a relação entre o Estado e o cidadão, facilitando o acesso a serviços e tornando o governo mais transparente e responsivo. À frente da ATI-PE, Vasconcelos aposta em projetos estruturantes que vão desde a reformulação da infraestrutura de conectividade do Estado até iniciativas de inovação em áreas sensíveis, como a saúde. Em entrevista, ele detalha as prioridades da gestão, aponta tendências para o futuro, como a atração de data centers de inteligência artificial, e destaca o papel estratégico da tecnologia no desenvolvimento econômico e social de Pernambuco. Em linhas gerais, quais são as principais contribuições do uso crescente de tecnologia e inovação na gestão pública? De que forma esses avanços têm impactado a relação entre o poder público e a população, além de promover melhorias nos serviços e nos processos administrativos? Antes de mais nada, é importante dizer que a tecnologia, em algum momento do passado — e o setor público não é diferente —, já foi encarada como supérflua. No caso do setor público, quando as contas apertavam, era na tecnologia da informação, na agência de tecnologia da informação e em outras iniciativas tecnológicas que havia cortes. No entanto, hoje os cidadãos e a sociedade não vivem mais sem o uso da internet, da tecnologia e da inteligência artificial. Portanto, é muito difícil dissociar o uso intensivo das tecnologias — as mais diversas — pelas pessoas e pelos governos, se querem atender melhor a população. Nesse sentido, a tecnologia tem um papel preponderante no setor público, pois ela é habilitadora, permitindo que as pessoas tenham ao seu alcance os mais diversos e complexos serviços que o governo pode ofertar. Considerando a atuação da ATI Pernambuco, quais são os principais programas ou ações que têm norteado a atual gestão? Se possível, poderia destacar até três iniciativas prioritárias. Eu venho da iniciativa privada, então fui escolhido a dedo pela governadora Raquel Lyra para tocar um projeto em que a ATI se posiciona centralmente na estratégia de governo. Aliás, não existe estratégia, seja ela no setor público ou no privado, sem o uso intensivo de tecnologia. A governadora me pediu que eu avaliasse principalmente e contratasse a nova rede de telecomunicação e conectividade de Pernambuco. Nós temos o PE Conectado II, que já estava em final de contrato, então nós remodelamos essa rede. Hoje estamos licitando uma rede que, sob qualquer aspecto, antes de mais nada, é uma rede de segurança que tem telecomunicação; ela não é mais uma rede de conectividade que, por acaso, tem segurança. Isso porque, hoje em dia, os níveis de ataque que o Estado sofre são enormes, e boa parte desses ataques ocorre de dentro da própria rede. Então, é necessário que a gente tenha uma rede de segurança que tenha inserida a telecomunicação. E a gente corrigiu erros históricos dos projetos de telemática do Estado — embora os PEs Conectados tenham sido exemplo para o Brasil inteiro. A maior parte dos estados copiou o que Pernambuco fez e vai copiar novamente com a Rede PE Ultradigital, que é essa nova rede que está sendo licitada agora. Ela corrige erros como a estagnação de velocidade, que não podia ser aumentada. Agora, as velocidades são incrementadas automaticamente ano a ano. A gente parte de uma velocidade média 25 vezes maior que a que Pernambuco tem hoje. Além disso, partimos de um custo por megabyte equivalente a um quarto do valor pago em 2017, quando o PE Conectado II foi licitado pela última vez. Também partimos de uma rede de segurança com equipamentos importantes para garantir a proteção dos dados do Estado. E, por fim, ampliamos significativamente o número de equipamentos: Pernambuco hoje conta com cerca de três mil, distribuídos em diversos prédios, e vamos partir para um total de 12 mil equipamentos, aumentando a resiliência da rede. Naturalmente, teremos uma rede que chegará a quase o dobro de links. Isso significa dizer que cada prédio atendido pelo governo — cerca de três mil — terá dois links entrando por rotas diferentes, aumentando assim a resiliência e diminuindo as interrupções de serviço que hoje afetam escolas, hospitais etc., tornando a rede muito mais robusta e próxima do ideal de infalibilidade. Essa foi uma das prioridades. Qual a outra prioridade? A segunda foi atuar na transformação digital da saúde. A saúde é uma área com muitas oportunidades de melhoria por meio da tecnologia, em projetos como o que estamos lançando agora, chamado Colo de Mãe, que atende às mulheres em período pré-natal. Nós identificamos essas mães, buscamos oferecer atendimento e acompanhamento durante todo o período, usando a tecnologia como meio de chegar a essas pessoas e atendê-las nos mais diversos locais e rincões do nosso Estado. A telemedicina é outra ferramenta que vem para ajudar a reduzir as filas das UPAs, não é? Assim, é possível reduzir significativamente as filas nas UPAs. O que a gente quer é diminuir a fila de exames, a fila de hospitais, melhorar a qualidade do serviço e usar a tecnologia para vistoriar a estrutura hospitalar, além de viabilizar a entrega de medicamentos mediante prescrição. Tudo isso representa oportunidades na área da saúde, dentro das diretrizes estabelecidas pela governadora Raquel Lyra. Além disso, a ATI atua de forma transversal. Por exemplo, nós temos a Copa do Mundo Feminina de Futebol da FIFA, que vai ocorrer em 2027 aqui em Pernambuco, tendo a Arena Pernambuco como sede. A Arena precisa passar por um processo de requalificação para atender tecnologicamente tanto os equipamentos das áreas-meio — como catracas, telões etc. — quanto os equipamentos dedicados aos próprios espectadores, como o acesso à internet. A Arena é

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Quando a tecnologia entra na gestão: avanço digital impulsiona serviços públicos

Mesmo com desafios na gestão, indicadores mostram evolução em serviços digitais, inovação e uso de tecnologia para melhorar a relação com o cidadão *Por Rafael Dantas Mesmo com muitos indicadores críticos na área de gestão pública, tanto Pernambuco, como o Recife, registram bons resultados em indicadores como a oferta de serviços digitais e transparência, que tem forte relação também com a adoção de novas tecnologias na máquina pública. Diferente do ranking geral de competitividade, Pernambuco é o 8º Estado do País no índice da ABEP-TIC (Associação Brasileira de Entidades Estaduais e Públicas de Tecnologia da Informação e Comunicaçã), quando se trata de oferta de serviços públicos digitais. No ranking da CLP – Liderança Pública, o Estado aparece também com a 8ª colocação no indicador de Informação e Comunicação. Em 2025, o Governo do Estado alcançou o Selo Diamante em transparência pública, promovido pela Atricon (Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil), com 95,69% de conformidade, firmando-se entre os mais transparentes do País. O avanço recente da tecnologia na gestão pública reflete uma mudança de percepção sobre o papel da área nos governos. Se antes os investimentos em tecnologia eram vistos como acessórios e frequentemente os primeiros a sofrer cortes, hoje passaram a ocupar posição central nas estratégias de melhoria dos serviços públicos e na relação com a população. Para o presidente da ATI-PE (Agência Estadual de Tecnologia da Informação), Fred Vasconcelos, a tecnologia deixou de ser um suporte e passou a atuar como elemento estruturante da ação governamental. “A tecnologia tem um papel preponderante no setor público, pois ela é habilitadora, permitindo que as pessoas tenham ao seu alcance os mais diversos e complexos serviços que o governo pode ofertar”, afirmou. O gestor afirmou que a ATI tem avançado na infraestrutura digital do Estado, com a implantação de uma nova rede de conectividade mais robusta, além de ampliar o uso de soluções tecnológicas em áreas estratégicas como saúde e gestão pública. Também ganham destaque nesse movimento os projetos como a expansão da telemedicina, o monitoramento digital de serviços e a criação da plataforma integrada PE.GOV, que reúne, em um único ambiente, os serviços estaduais ao cidadão.  O Recife se destaca também em rankings de transparência, como no ITGP 2025, da Transparência Internacional, no qual ocupa a segunda posição no Brasil. Também foi eleito o melhor do País no uso de tecnologia para atendimento à população no Anciti Awards 2023, além de ganhar projeção nacional ao conquistar o primeiro e o terceiro lugares no Concurso de Inovação da ENAP 2025. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Recife, Rafael Cunha, considera que a principal expressão da nossa transformação digital é o Conecta Recife. A plataforma oferece mais de 800 serviços disponíveis. “O Conecta Recife representa uma mudança estrutural na forma como o poder público se organiza e se relaciona com o cidadão. Internamente, ele promove integração de sistemas, padronização de processos e redução significativa da burocracia, facilitando o trabalho do servidor e aumentando a produtividade da administração”. Ele destacou ainda as inovações do ClarIA (IA da rede de saúde para identificar, de forma preventiva, mulheres em situação de risco de violência) e o Super Visão (plataforma que utiliza processamento de imagens e sensores urbanos para fortalecer a fiscalização inteligente da cidade). Para o cidadão, o gestor avalia que o impacto é ainda mais perceptível. “O Conecta não apenas centraliza serviços, mas começa a evoluir para um modelo proativo, em que o próprio sistema consegue antecipar demandas e entregar valor antes mesmo da solicitação formal. Isso significa menos filas, menos deslocamentos e uma experiência muito mais simples, acessível e eficiente”. O poder municipal vem estruturando sua agenda de transformação digital a partir da Política Municipal de Inteligência Artificial, que deve orientar os próximos avanços na gestão. No curto prazo, a estratégia está centrada na ampliação da digitalização e integração de serviços, no uso intensivo de dados para a tomada de decisão e na incorporação da inteligência artificial tanto nos processos internos quanto na relação com o cidadão. Olhando para o futuro, Rafael aponta que a tendência à hiperpersonalização dos serviços. Nesse modelo, o Estado deixaria de ser apenas reativo e passaria a atuar de forma proativa, antecipando demandas da sociedade. *Rafael Dantas é repórter da Revista Algomais e assina as colunas Pernambuco Antigamente e Gente & Negócios (rafael@algomais.com | rafaeldantas.jornalista@gmail.com)

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Pernambuco em Perspectiva: Gestão pública eficaz é essencial para um projeto de futuro do Estado

Especialistas defendem que, além de ter transparência, gerir bem os recursos e ter capacidade de execução, os gestores públicos devem promover o planejamento de longo azo, numa visão que extrapole os quatro anos de seus mandatos. *Por Rafael Dantas Os desafios para o Estado nas próximas décadas passam tanto pela superação de problemas históricos ainda não resolvidos quanto pelo enfrentamento de novos cenários impostos ao planeta, como os efeitos extremos das mudanças climáticas e o avanço do narcotráfico. Nesse contexto, um dos pilares apontados pelo projeto Pernambuco em Perspectiva para enfrentar problemas e desenhar um novo ciclo de desenvolvimento é a gestão pública eficaz. O diagnóstico, elaborado pelo núcleo técnico da pesquisa, indica que, associada à ciência, tecnologia e inovação e ao empreendedorismo dinâmico, a máquina pública terá maior capacidade de resolver os diversos problemas contemporâneos. Esse, porém, segue como um gargalo importante, tanto em nível local quanto nacional. “O modelo de desenvolvimento com ciência, tecnologia e inovação alimenta uma gestão pública eficaz de modo a que se possa ter uma infraestrutura adequada, uma educação de alta qualidade e uma sustentabilidade ambiental e climática”, afirmou o consultor Francisco Cunha ao longo dos seminários do projeto. Ele ressaltou ainda que é no esforço articulado entre a sociedade, o governo e a academia que é possível construir um planejamento com consistência. É desse esforço, que tem a máquina pública como pilar de articulação, que nascem planos, programas e projetos capazes de dar musculatura e capacidade de execução às demandas da sociedade e aos desafios contemporâneos. No entanto, a ineficácia da gestão pública brasileira é um problema conhecido e mensurado: o ICI (Índice de Capacidade Institucional), da Fundação Dom Cabral, indicou, em 2023, que as perdas decorrentes dessa ineficiência chegam a cerca de 20% do PIB nacional. Além desse problema nacional, estudos comparados entre os Estados brasileiros apontam que Pernambuco está longe da liderança. No Ranking da Competitividade do CLP – Centro de Liderança Pública, Pernambuco está apenas na 19ª colocação. Quando observada especificamente a eficiência da máquina pública, o Estado fica em 15º lugar. Esse estudo não mede apenas o Poder Executivo, mas também o Legislativo, o Judiciário, além de indicadores como transparência, oferta de serviços digitais e equidade de gênero.  “O pilar de Eficiência da Máquina Pública avalia aspectos como qualidade da gestão fiscal, transparência e a capacidade administrativa do Estado. Pernambuco já deu sinais positivos ao avançar em Solidez Fiscal, o que é um requisito relevante para ganhos de eficiência. O principal desafio agora é transformar esse ajuste fiscal em melhoria na qualidade do gasto e na entrega de serviços públicos, consolidando uma gestão mais ágil e orientada a resultados”, afirmou Wesley Barcelos, analista de relações governamentais e competitividade do CLP. “Pernambuco avançou em Solidez Fiscal, o que é um requisito relevante para ganhos de eficiência. O principal desafio agora é transformar esse ajuste fiscal em melhoria na qualidade do gasto e na entrega de serviços públicos.” Wesley Barcelos OS GARGALOS LOCAIS Muitos dos gargalos que afetam a gestão pública em Pernambuco, na análise do economista e coordenador geral de pós-graduação da UNIT-PE, Edgard Leonardo, refletem desafios nacionais, com alguns elementos específicos da região. “Entre os principais entraves, destacam-se a burocracia excessiva, limitações de infraestrutura, desigualdades territoriais e fragilidades na capacitação técnica de gestores, especialmente no nível municipal”, apontou. Fora do núcleo de grandes municípios, como os da Região Metropolitana do Recife e polos do interior, como Caruaru e Petrolina, e de algumas prefeituras de menor porte que conseguiram avançar na gestão, a maior parte dos entes municipais ainda depende de transferências governamentais para se viabilizar. No último ranking municipal do CLP, por exemplo, no indicador de funcionamento da máquina pública, a liderança é do Recife, seguido por Serra Talhada e Caruaru. Conceitualmente, o CLP – Liderança Pública considera que uma máquina pública eficiente e eficaz deve operar com transparência, custo adequado e um corpo de servidores qualificados, capaz de identificar oportunidades e resolver problemas. Nesse sentido, o pilar mede tanto os custos de transação quanto a capacidade do município de identificar e corrigir seus próprios entraves. “Entre os principais entraves, destacam-se a burocracia excessiva, limitações de infraestrutura, desigualdades territoriais e fragilidades na capacitação técnica de gestores, especialmente no nível municipal”. Edgard Leonardo A capacidade institucional dos entes subnacionais é apontada como outro ponto crítico pelo economista, especialmente das pequenas prefeituras. “Muitos municípios enfrentam dificuldades na elaboração, execução e monitoramento de políticas públicas, em razão de limitações técnicas e gerenciais. Indicadores de gestão municipal apontam fragilidades recorrentes em áreas como planejamento, gestão fiscal e captação de recursos. Assim, os gargalos não se restringem à escassez de recursos, mas envolvem sobretudo desafios de governança, coordenação federativa e desenvolvimento de capacidades estatais”. Antes mesmo de considerar a eficiência dos gastos ou a capacidade de execução das obrigações governamentais, o maior problema não é técnico, mas estrutural, na análise do consultor e sócio da TGI, Fábio Menezes. Ele considera que sem a formulação de uma visão estratégica de futuro, as discussões sobre os investimentos e a operação da máquina pública ficam limitadas a temas isolados, como a execução de obras específicas ou decisões pontuais. Em outras palavras, falta um projeto de estado e a definição do que se quer construir no longo prazo. “Sem um projeto de futuro, boas ideias não sobrevivem a um mandato. A principal marca de uma gestão eficaz é a capacidade de formular um projeto de futuro envolvendo a sociedade. A discussão não é se o Estado gasta muito ou pouco, é com o que e com que resultado ele gasta”, explica Fábio Menezes. O resultado desse gargalo estrutural é a continuidade de mandatos que formam uma colcha de retalhos na construção do Estado. “Gestão pública eficiente é farol alto e farol baixo: visão de futuro e capacidade de execução ao mesmo tempo.” PERNAMBUCO TEM CASES DE INSPIRAÇÃO Apesar da crítica ampla, algumas agendas pernambucanas que conseguiram sair de uma lógica de governo, do horizonte de um mandato e de um grupo político, para uma lógica de Estado

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Rafael Cunha

Recife aposta em serviços digitais e inteligência artificial para transformar a gestão pública

Com mais de 800 serviços integrados, iniciativas como Conecta Recife, Super Visão e ClarIA sinalizam a transição para um modelo mais proativo, orientado por dados e centrado no cidadão A transformação digital tem reposicionado a gestão pública do Recife como referência em eficiência e inovação, com iniciativas que integram tecnologia, dados e foco no cidadão. À frente da Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, Rafael Cunha destaca o avanço de plataformas como o Conecta Recife — que já reúne mais de 800 serviços — e o uso crescente de soluções baseadas em inteligência artificial, como o Super Visão e o ClarIA. O movimento, segundo ele, não apenas reduz burocracia e custos operacionais, mas inaugura um novo modelo de gestão mais proativo, capaz de antecipar demandas e oferecer serviços personalizados à população. No caso do Recife, quais as principais iniciativas ou projetos da sua secretaria que são exemplos concretos de melhoria na eficiência administrativa e na entrega de serviços à população? No Recife, a principal expressão da nossa transformação digital é o Conecta Recife, que hoje se consolida como a maior política pública digital da cidade. Com mais de 800 serviços disponíveis, ele vai muito além de uma simples carta de serviços digital. O Conecta Recife representa uma mudança estrutural na forma como o poder público se organiza e se relaciona com o cidadão. Internamente, ele promove integração de sistemas, padronização de processos e redução significativa da burocracia, facilitando o trabalho do servidor e aumentando a produtividade da administração. Ao digitalizar fluxos, eliminar redundâncias e organizar dados de forma estruturada, conseguimos reduzir tempo de atendimento, retrabalho e custos operacionais. Para o cidadão, o impacto é ainda mais perceptível. O Conecta não apenas centraliza serviços, mas começa a evoluir para um modelo proativo, em que o próprio sistema consegue antecipar demandas e entregar valor antes mesmo da solicitação formal. Isso significa menos filas, menos deslocamentos e uma experiência muito mais simples, acessível e eficiente. Complementando esse ecossistema, temos iniciativas como o Super Visão, que utiliza processamento de imagens e sensores urbanos para fortalecer a fiscalização inteligente da cidade, ampliando a capacidade de monitoramento e tornando as ações mais rápidas e baseadas em dados. E também a ClarIA, que aplica inteligência artificial na rede de saúde para identificar, de forma preventiva, mulheres em situação de risco de violência. A ferramenta analisa padrões nos dados clínicos e pode apontar sinais com até 90 dias de antecedência em relação a uma possível agressão grave, permitindo uma atuação antecipada da rede de proteção. Isso representa uma verdadeira virada de chave no uso da tecnologia para políticas públicas sensíveis. Essas iniciativas, juntas, mostram que a tecnologia no Recife não é apenas um vetor de eficiência administrativa, mas um instrumento real de transformação da relação entre Estado e sociedade, com mais inteligência, mais cuidado e mais capacidade de entrega. O que está pensado ou planejado aqui na PCR sobre transformação tecnológica na gestão para os próximos anos? Estamos vivendo um momento muito importante com a estruturação da Política Municipal de Inteligência Artificial do Recife, que está prestes a ser formalizada pelo Executivo. Essa política consolida uma visão clara: a tecnologia deixa de ser apenas um instrumento de apoio e passa a ser um pilar estratégico da gestão pública e do desenvolvimento da cidade. No curto prazo, isso significa avançar em três frentes principais: Mais do que uma agenda interna, essa política posiciona o Recife como um ecossistema de inovação, envolvendo governo, academia, setor produtivo e sociedade. É uma diretriz que olha não só para a administração pública, mas para o futuro da cidade como um todo. Olhando para o futuro, sobre as tendências, como a gestão pública deve ser qualificada ou transformada pela inovação e pelo uso de novas tecnologias? A grande tendência é a hiperpersonalização dos serviços públicos, baseada no entendimento profundo da jornada do cidadão. Estamos caminhando para um modelo em que o poder público deixa de ser apenas reativo e passa a ser proativo, capaz de antecipar necessidades, ofertar serviços de forma personalizada e reduzir barreiras de acesso, principalmente para quem mais precisa. Nesse contexto, a tecnologia tem um papel fundamental. Não como fim, e sim bem utilizada como meio. As cidades que vão se destacar são aquelas que conseguirem usar a tecnologia para humanizar a gestão pública. Isso significa aproximar o Estado das pessoas, antecipar direitos, simplificar processos e gerar comodidade real no dia a dia. A inovação deixa de ser apenas eficiência e passa a ser também cuidado. No futuro, excelência na gestão pública será sinônimo de conhecer profundamente o cidadão e entregar valor antes mesmo que ele precise pedir.

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Inflação acelera no Recife e IPCA-15 sobe 0,82% em março

Alta de alimentos e transportes pressiona índice na RMR, que supera média nacional, segundo o IBGE A inflação na Região Metropolitana do Recife registrou aceleração em março de 2026, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançando 0,82%, de acordo com dados do IBGE. O resultado ficou bem acima da média nacional no período, que foi de 0,44%, indicando uma pressão inflacionária mais intensa na região. O principal impacto veio dos grupos com maior peso no orçamento das famílias. Alimentação e bebidas lideraram as altas, com avanço de 1,59%, refletindo aumentos em itens consumidos dentro e fora de casa. Em seguida, transportes subiram 1,50%, puxados pela elevação dos combustíveis em meio a pressões internacionais, além do encarecimento das passagens aéreas. Outros grupos também contribuíram para o avanço do índice, ainda que em menor intensidade. Despesas pessoais tiveram alta de 1,09%, enquanto vestuário subiu 0,61% e saúde e cuidados pessoais avançaram 0,39%. Esses movimentos refletem reajustes em serviços, produtos farmacêuticos, roupas e itens de higiene, além de variações sazonais no varejo. Por outro lado, alguns segmentos ajudaram a conter uma alta ainda maior. Comunicação registrou queda de 0,18%, seguida por habitação (-0,13%), educação (-0,08%) e artigos de residência (-0,06%). Esses recuos estão associados à redução de custos em serviços como telefonia, energia, mensalidades escolares e itens domésticos. No acumulado do primeiro trimestre, o chamado IPCA-E — indicador utilizado como referência para reajustes contratuais e decisões judiciais — avançou 1,83% na RMR, também acima da média nacional, de 1,49%. A próxima divulgação do IPCA-15, referente ao mês de abril, está prevista para o dia 28.

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Recuperação judicial ou extrajudicial? A escolha do instrumento jurídico começa pela compreensão do passivo

*Por Bruno D´Ambrósio Nas últimas semanas, a recuperação extrajudicial voltou ao debate público após alguns casos envolvendo grandes empresas que buscaram reorganizar suas dívidas por esse caminho. Episódios pontuais, no entanto, nem sempre representam o funcionamento real do mercado de reestruturação empresarial no país. Quando se observa o cenário de forma mais ampla, os dados ajudam a colocar essa discussão em perspectiva. Segundo o Indicador de Falências e Recuperação Judicial da Serasa Experian, o Brasil registrou 1.405 pedidos de recuperação judicial em 2023. Em 2024, esse número saltou para 2.273 solicitações, uma alta de aproximadamente 62%. No mesmo período, a recuperação extrajudicial manteve participação bastante reduzida. Foram cerca de 90 pedidos em 2023 e aproximadamente 140 em 2024. Mesmo com crescimento próximo de 55%, trata-se de um volume ainda pequeno quando comparado à recuperação judicial. Os números indicam um movimento relevante. O ambiente econômico tem ampliado a necessidade de reestruturação empresarial e, na prática, a recuperação judicial continua sendo o principal instrumento utilizado pelas empresas para reorganizar passivos e preservar suas operações. A diferença entre esses instrumentos não é apenas jurídica. Ela é estrutural. Na recuperação judicial, a empresa negocia suas dívidas dentro de um processo supervisionado pelo Judiciário. Credores são reunidos em um ambiente único de negociação e a empresa passa a contar com proteção contra execuções e bloqueios enquanto reorganiza suas obrigações. Essa proteção cria condições mínimas para que negociações complexas ocorram sem comprometer a continuidade das operações. A recuperação extrajudicial segue uma lógica diferente. O acordo precisa ser previamente negociado com credores antes de sua homologação judicial. Durante esse processo, os mecanismos de cobrança continuam ativos, o que exige uma situação financeira menos pressionada e um ambiente de negociação mais estável. Na prática do mercado, muitas empresas chegam à mesa de negociação já sob forte pressão de caixa. Nesses casos, a proteção jurídica oferecida pela recuperação judicial tende a ser determinante para preservar a operação e viabilizar uma renegociação coletiva minimamente estruturada. Por essa razão, a recuperação extrajudicial costuma aparecer em contextos mais específicos, geralmente envolvendo empresas de maior porte ou estruturas de dívida mais concentradas. Quando o passivo é pulverizado ou a pressão financeira é mais intensa, a recuperação judicial tende a oferecer um ambiente mais previsível para a reorganização. Por isso, antes de discutir qual instrumento jurídico utilizar, o passo mais importante é compreender a real situação financeira da empresa. O tamanho do passivo, a capacidade de geração de caixa e o perfil dos credores são fatores que definem o caminho mais adequado. Na reestruturação empresarial, o diagnóstico do passivo orienta a escolha do instrumento jurídico, conferindo mais segurança e previsibilidade às decisões. *Bruno D´Ambrósio é especialista em reestruturação empresarial

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TJPE libera venda direta do “Cassino Americano” para a RIO AVE e destrava inventário de João Santos

Decisão do desembargador Gabriel de Oliveira Cavalcanti Filho revoga liminar, valida proposta da Rio Ave Holding e rejeita pedido da Moura Dubeux em meio a disputa envolvendo herdeiros, recuperação judicial e prazo fiscal iminente O desembargador Gabriel de Oliveira Cavalcanti Filho, integrante da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Pernambuco, decidiu nesta quinta-feira autorizar a venda direta do imóvel conhecido como “Cassino Americano” à empresa Rio Ave Holding. Com isso, o magistrado revogou a liminar anteriormente concedida por ele próprio, que havia suspendido a transação após solicitação da construtora Moura Dubeux Engenharia S/A. A venda do terreno do antigo Cassino Americano, localizado no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife, estava em um complexo impasse jurídico envolvendo herdeiros, empresas e múltiplas instâncias do Judiciário. Apesar da disputa em curso, já havia um conjunto relevante de decisões judiciais que favoreciam a concretização da venda para a empresa Rio Ave. Com essa decisão, não há mais nenhuma decisão suspendendo a venda para a empresa. O imóvel, situado na Avenida Boa Viagem, é composto por nove glebas e possui dois principais titulares: cerca de 70% pertencem ao espólio do empresário João Santos, enquanto os outros 30% são da empresa Itapessoca Agroindustrial, integrante do Grupo João Santos e atualmente em recuperação judicial. A decisão de venda do terreno foi impulsionada por um programa de incentivo fiscal do Governo de Pernambuco, que reduziu significativamente o imposto de transmissão causa mortis (ITCMD) devido pelos herdeiros, de cerca de R$ 421 milhões para aproximadamente R$ 96 milhões. A estratégia do grupo majoritário de herdeiros (quatro dos seis troncos familiares) foi alienar o ativo para quitar o tributo, encerrar um inventário que se arrasta desde 2009 e, no caso da Itapessoca, destinar recursos ao pagamento de dívidas no âmbito da recuperação judicial e de acordos tributários. Após um processo de prospecção que reuniu mais de uma dezena de interessados, a proposta considerada mais vantajosa foi a da Rio Ave, formalizada no fim de 2025. A operação, no entanto, dependia de um conjunto de autorizações judiciais, dada a complexidade do caso. Segundo informações obtidas com advogados envolvidos no processo, foram necessárias decisões de três esferas distintas: o juízo do inventário, o juízo da recuperação judicial e a Justiça Federal criminal, além de manifestações favoráveis da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e do Governo de Pernambuco. Em novembro de 2025, o juízo do inventário autorizou a alienação do imóvel, inclusive suprindo a discordância de dois troncos hereditários contrários à venda. Essa decisão foi posteriormente mantida pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. Na esfera da recuperação judicial, também houve autorização para a operação, após avaliação do ativo. Já no âmbito criminal federal, decisões igualmente permitiram o prosseguimento da venda. Apesar desse cenário, o processo sofreu um revés parcial quando, em grau de recurso na recuperação judicial, foi concedido efeito suspensivo exclusivamente sobre a parcela da Itapessoca. Essa decisão não anulou as demais autorizações, mas acabou travando a conclusão do negócio como um todo, já que o terreno é considerado economicamente indivisível. Ao examinar de forma mais detalhada os documentos do processo, o desembargador Gabriel de Oliveira Cavalcanti Filho concluiu que a venda não ocorreu de maneira irregular nem foi conduzida às ocultas. Ao contrário, o Grupo João Santos recorreu à PPK Consultoria, especializada em reestruturação empresarial, para organizar um processo competitivo de prospecção de mercado, conhecido tecnicamente como market sounding, no qual diversas construtoras foram ouvidas, inclusive a própria Moura Dubeux. Embora financeiramente superior, a proposta da Moura Dubeux foi recusada por quatro dos seis herdeiros do imóvel por impor condições consideradas incompatíveis com a urgência da negociação. Entre elas, estavam a realização de auditoria (due diligence) até o fim de março de 2026 e a previsão de desistência sem penalidades, o que, na prática, esvaziava o compromisso firme e transformava a oferta em uma simples opção de compra, sem garantia de concretização. Com base nesse conjunto de elementos, e amparado por ampla jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e de cortes estaduais, que admitem a flexibilização das formalidades de leilão judicial diante de situações de urgência e utilidade comprovadas, o desembargador Gabriel de Oliveira Cavalcanti Filho revogou a liminar que suspendia o negócio e restabeleceu a autorização para a venda direta do “Cassino Americano” à Rio Ave Holding. Na mesma decisão, foi rejeitado também o pleito da Moura Dubeux para que sua proposta fosse reavaliada ou, alternativamente, para a realização de um leilão formal. O magistrado também determinou a comunicação imediata ao juízo de origem, em razão do prazo fiscal que se encerra em cinco dias.

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Chamada Nordeste deve efetivar primeiras contratações até junho com R$ 113 bilhões em projetos

Iniciativa coordenada pela Sudene acelera análises e mira geração de emprego, renda e redução das desigualdades na região As primeiras contratações da Chamada Nordeste devem ser efetivadas ainda no primeiro semestre de 2026, segundo instituições financeiras que integram o Comitê Regional de Instituições Financeiras Federais (Coriff). A previsão foi apresentada durante reunião realizada na sede da Sudene, no Recife, que discutiu estratégias para dar maior celeridade à análise dos projetos e ampliar o volume de investimentos na região. De acordo com o superintendente do órgão, Francisco Alexandre, a expectativa é aprovar ao menos um projeto por estado até junho. “A Chamada Nordeste superou expectativas, com uma demanda 11 vezes superior ao volume de recursos inicialmente previsto. Nosso foco agora é transformar esse potencial em investimentos concretos, capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento para toda a Região”, afirmou. Para acelerar o processo, foi definido um modelo de monitoramento contínuo da tramitação das propostas, com metodologia validada pelas instituições financeiras. Ao todo, 189 projetos estratégicos foram selecionados, somando R$ 113 bilhões em investimentos. As iniciativas foram divididas conforme o nível de maturidade: 53 já estão em estágio mais avançado, enquanto outras 146 ainda demandam acompanhamento técnico para evolução. Lançada em maio de 2025, a Chamada Nordeste é considerada a maior mobilização de projetos industriais da região, abrangendo os nove estados. As propostas concentram-se em áreas como transição energética, bioeconomia, hidrogênio verde, data centers verdes e setor automotivo, com foco em inovação, reindustrialização e desenvolvimento sustentável. O governador de Alagoas e presidente do Consórcio Nordeste, Paulo Dantas, destacou o desafio de ampliar o acesso ao crédito: “A iniciativa evidencia o potencial do Nordeste, com projetos consistentes e oportunidades reais de investimento. O desafio, agora, é garantir que o crédito chegue com agilidade aos empreendimentos selecionados”. Além da Chamada Nordeste, o colegiado também avançou em pautas relacionadas ao turismo e à infraestrutura social. O setor turístico, responsável por cerca de 10% do PIB regional, contará com R$ 2,55 bilhões em crédito em 2026, somando recursos do FNE e do Fungetur. Já na área social, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que 394 projetos foram selecionados no Nordeste por meio do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), embora a limitação de capacidade fiscal dos municípios ainda represente um desafio para a contratação dos financiamentos.

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Reforma tributária exige nova cultura de governança nas empresas, aponta Summit no Recife

Evento reúne especialistas para discutir impactos do novo sistema tributário e estratégias de compliance empresarial A segunda edição do II Summit Reforma Tributária será realizada no dia 26 de março, no Novotel Recife Marina, com foco nos desafios e oportunidades trazidos pelo novo modelo tributário brasileiro. Voltado para empresários, executivos e líderes estratégicos, o encontro busca ampliar o debate sobre governança e compliance como elementos centrais para a adaptação das empresas a um ambiente de maior integração de dados, rastreabilidade e fiscalização digital. Mais do que mudanças nas alíquotas, o novo sistema tributário impõe uma transformação estrutural na forma como as organizações lidam com controle, transparência e responsabilidade corporativa. Nesse cenário, a maturidade organizacional e a revisão de processos internos passam a ser determinantes para reduzir riscos e garantir conformidade diante de um ambiente regulatório mais exigente. Idealizador do evento e presidente da Associação Comercial de Pernambuco (ACP), Tiago Carneiro ressalta a necessidade de adaptação estratégica por parte do setor produtivo. “A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de alíquotas. Estamos diante de uma reorganização estrutural que impacta governança, compliance e estratégia empresarial. O risco tributário hoje também é risco reputacional. Compliance não é custo, é blindagem estratégica”, afirma. A programação foi estruturada para ir além da abordagem técnica, priorizando a aplicação prática das mudanças no cotidiano das empresas. O evento reúne especialistas com atuação em áreas como direito tributário, contabilidade, economia e gestão, abordando desde os fundamentos jurídicos da reforma até a identificação de oportunidades e mitigação de riscos no novo cenário fiscal. Com público limitado, o Summit também aposta em um ambiente de networking qualificado, incluindo momentos de interação entre participantes e especialistas. A proposta é que os empresários saiam do encontro com direcionamentos claros para revisar processos, mapear riscos e incorporar a governança tributária como eixo estratégico dos negócios. ServiçoII Summit Reforma TributáriaData: 26 de marçoLocal: Novotel Recife MarinaInformações: Instagram @summitreformatributaria

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