Estudo da Confederação Nacional de Municípios mostra que 80% dos gestores pernambucanos que identificam o problema avaliam sua intensidade como alta ou média; saúde é a área mais afetada
A circulação de drogas é apontada como um problema por 84% dos municípios pernambucanos que participaram de levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Dos 43 municípios de Pernambuco ouvidos, 36 responderam que enfrentam o problema, cinco disseram que não e dois não responderam. Entre os 36 que identificaram essa realidade, 36% classificaram o nível do problema como alto e 44% como médio. Outros 17% consideraram baixo e 3% não responderam. A pesquisa foi realizada entre 29 de outubro de 2025 e 18 de fevereiro de 2026.
Saúde e assistência social entre as áreas mais afetadas
Entre os municípios pernambucanos que relataram problemas com a circulação de drogas, 81% apontaram impactos na saúde. Assistência social e segurança pública aparecem em seguida, ambas citadas por 78%, enquanto a educação foi mencionada por 69%. Como a pergunta permitia múltiplas respostas, um mesmo município podia indicar mais de uma área afetada. No conjunto do País, o estudo também identifica saúde e assistência social como as áreas mais atingidas pela circulação de drogas.
95% não têm Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas
Apesar da dimensão do problema, a estrutura institucional dedicada ao tema ainda é restrita entre os municípios pernambucanos pesquisados. Dos 43 participantes, 41, ou 95%, informaram não possuir Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad). Apenas um declarou ter conselho ativo e outro, conselho inativo. A situação se repete no planejamento: 35 municípios, equivalentes a 81% dos respondentes de Pernambuco, não possuem Plano Municipal de Políticas sobre Drogas. Sete informaram que o documento estava em elaboração e apenas um declarou possuir plano vigente e atualizado. No estudo, a CNM destaca conselhos, planos e fundos como instrumentos de gestão e governança da política sobre drogas.
Recursos municipais bancam ações
O financiamento também depende principalmente dos cofres locais. Em Pernambuco, 84% dos municípios pesquisados afirmaram utilizar recursos próprios na política sobre drogas. Parcerias com organizações da sociedade civil foram mencionadas por 16%, emendas parlamentares por 12% e transferências estaduais por 9%. O Fundo Nacional Antidrogas (Funad) foi citado por 5%. Além disso, 42 dos 43 municípios pernambucanos participantes, ou 98%, disseram não possuir Fundo Municipal de Políticas sobre Drogas. No panorama nacional, a CNM aponta que a implementação dessas iniciativas depende majoritariamente dos próprios municípios.
Prevenção lidera ações em Pernambuco
Mesmo diante das limitações de estrutura e financiamento, os municípios pernambucanos desenvolvem iniciativas na área. As ações de prevenção, como campanhas educativas, oficinas e palestras, foram citadas por 88% dos respondentes, seguidas pelas atividades de assistência social, com 81%, e pela atenção e cuidado em saúde, com 79%. Reinserção social foi apontada por 56% e fiscalização ou repressão em articulação com a segurança pública, por 47%. Apenas um dos 43 municípios informou não desenvolver ações. O estudo da CNM teve participação de 1.567 municípios brasileiros, correspondentes a 28% do total do País.

