Economia

Ricardo Essinger fiepe

“O Brasil precisa recolocar o setor industrial na sua estratégia de desenvolvimento”

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), Ricardo Essinger, compartilha sua avaliação sobre o desempenho do setor industrial no primeiro semestre de 2023. Embora o cenário apresente indicadores ainda fracos, há uma expectativa positiva para o futuro, impulsionada pelos avanços do Arcabouço Fiscal e da Reforma da Previdência. Essinger também destaca a importância de fortalecer a indústria nacional e regional, bem como a necessidade de investimentos em infraestrutura, com a expectativa do aguardado Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Confira abaixo a avaliação na íntegra. Qual a avaliação da FIEPE acerca do desempenho no primeiro semestre? Há algum dado setorial relevante no semestre? O cenário do setor industrial pernambucano, de modo geral, está com certo nível de positividade quanto a expectativa. No ambiente interno, a análise dos Indicadores Industriais e a Sondagem Industrial de Pernambuco sugerem uma atividade industrial ainda fraca ao longo do primeiro trimestre de 2023. O último resultado da Produção Industrial de Pernambuco recuou 5,5% na margem e ficou no 13º lugar dentre as 14 federações pesquisas. O Índice de Confiança dos Empresários das Indústria de Pernambuco – ICEI continua acima dos 50 pontos (resultado junho 54,6 p.p.), porém abaixo da média histórica 55,72 p.p. Normalmente, os meses de junho sempre elevam a confiança do empresário pernambucano por conta das festividades juninas. A atividade produtiva, segundo o resultado da Sondagem Industrial de maio, ficou em 43,2 p.p., bem abaixo dos 50 pontos, resultado sendo impactado pelo desempenho das empresas de pequeno porte (40,8 p.p.). A média do ano (janeiro a maio) do índice do volume de produtividade se encontra em torno de 48,1 pontos percentuais. Como o setor avalia o avanço de pautas econômicas nacionais, a exemplo do Arcabouço Fiscal e da Reforma da Previdência? Entendo que o arcabouço fiscal pode permitir que o Banco Central flexibilize a sua política rígida de juros altos. O arcabouço fiscal é um tema relevante para alinhar as expectativas dos agentes econômicos brasileiros e pernambucanos, pois pode promover estabilidade e previsibilidade na condução da economia. É importante fortalecer a indústria nacional e regional, especialmente, diante das dificuldades vividas durante a pandemia. Vimos que é fundamental reduzir a dependência de bens importados e ter uma indústria nacional sólida. O Brasil precisa recolocar o setor industrial na sua estratégia de desenvolvimento. É quase impossível alcançar níveis elevados de desenvolvimento econômico e social sem uma indústria forte. A nossa missão é representar e defender os interesses de todos os industriais brasileiros e pernambucanos, do pequeno ao grande. A valorização do real e a queda da inflação contribuíram para o setor industrial neste semestre? A inflação, medida pelo IPCA, foi de 4,7% no acumulado de 12 meses encerrados em março de 2023, o que significa continuidade do processo de desaceleração iniciado, ainda, no segundo semestre do ano passado. Essa desaceleração é espelho das desonerações tributárias sobre combustíveis, energia elétrica e telefonia, que agem de maneira temporária, mas, principalmente dos efeitos da política monetária restritiva, que impacta a atividade econômica e os preços de maneira mais permanente. De acordo com a projeção do boletim Focus mostra, a inflação de 2023 ainda sofrerá impacto pelo avanço dos preços administrados, sobretudo dos combustíveis, uma vez que a redução desse produto em 2022 se deu pela redução do ICMS, que deverá voltar no decorrer de 2023, no entanto, entre os preços livres, poderá ter uma desinflação na categoria de alimentos, que foi o que mais pesou em 2022 e dos bens industriais, que deverá compensar parcialmente inflação de serviços ainda elevada. Ainda não foi anunciado o novo PAC, qual a expectativa da indústria, especialmente no segmento da construção, sobre esse programa? O Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, foi um programa de investimentos em infraestrutura e projetos sociais com o objetivo de impulsionar o crescimento econômico do país e reduzir as desigualdades regionais. E como englobou diversas áreas, como saneamento básico, habitação, transporte, energia, recursos hídricos, entre outras, trará impacto benéfico para o setor industrial. Um conjunto de declarações que anima o setor e todos os demais setores que têm na Infraestrutura um fator essencial para o desenvolvimento de suas atividades. O tema Infraestrutura é convergente com nossa Política Industrial de Pernambuco, é importante frisar, que os convênios de repasse de recursos federais à entes subnacionais avaliem as reais condições de estados e municípios. Da mesma forma, o Novo PAC deve incluir não só as “grandes obras”, em sua maioria de infraestrutura logística, como o trecho Salgueiro/Suape da Transnordestina. O país carece, e muito, de Infraestrutura Social, aí compreendidas as obras de Saneamento, Hospitais, Unidades Básicas de Saúde, Habitação, Escolas, Resíduos Sólidos, Iluminação Pública, entre outras. Em resumo, há condições de o país dar um salto com o Novo PAC, respondendo a uma forte pressão de demandas em quase todas as áreas produtivas. Porém, é fundamental que ele venha alicerçado em um conjunto de medidas que lhe deem sustentação. Qual a expectativa da indústria pernambucana para 2023? Quais as agendas prioritárias no segundo semestre no País e no Estado? Estudo realizado pela FIEPE, o ICEI aponta o índice de Expectativas dos empresários acima dos 50 pontos, o que sinaliza otimismo por parte dos empresários. Esse índice eleva a confiança do empresário industrial de Pernambuco, visto que tem permanecido acima dos 50 pontos. Contudo, abaixo da média histórica que é de 57,91 p.p. O recorte por porte temos um resultado Grande empresas (59,4), média empresas (57,3) e pequenas empresas (57,9) revelando que o otimismo dos empresários pernambucanos para os próximos seis meses está mais intenso. A Reforma Tributária contidas na PEC no 45/2019, na PEC no 110/2019 e no substitutivo da PEC no 45/2019, recém aprovada na Câmara dos Deputados, acarretará redução na complexidade e ineficiência do sistema tributário brasileiro, além da pesada carga sobre o setor industrial, que é um dos maiores entrave ao desenvolvimento industrial no país, contribuindo com a baixa competitividade das empresas nacionais frente às de países com sistemas tributários mais racionais.

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Ministra Luciana Santos afirma que atual taxa de juros é inaceitável

(Da Agência Brasil) A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou nessa segunda-feira que a atual taxa de juros do Banco Central é inaceitável e que não há justificativa para sua manutenção pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A ministra fez essas declarações durante palestra na Universidade Federal do Rio de Janeiro.   Luciana Santos destacou a importância de se praticar juros competitivos, citando como exemplo a redução para 2% da Taxa Referencial para empréstimos concedidos pela Finep, com recursos do FNDCT, Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.    Em entrevista a jornalistas ao final da palestra, a ministra afirmou que está em tratativas com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para tentar aumentar os patamares da parte não reembolsável do FNDCT e os recursos discricionários do Ministério.   Luciana Santos também comentou sobre os rumores de trocas em ministérios e negou qualquer interlocução sobre impacto no Ministério da Ciência e Tecnologia.   A ministra ressaltou que o PCdoB é um aliado histórico do Partido dos Trabalhadores, e que a legenda tem uma contribuição efetiva a dar nesse momento de retomada do país.  

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Balança comercial registra superávit recorde no período até julho

(Da Agência Brasil) A balança comercial – diferença entre exportações e importações – fechou julho com superávit de S$ 9,035 bilhões. O resultado é o melhor para meses de julho e representa alta de 68,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com o resultado de julho, a balança comercial encerrou os sete primeiros meses do ano com superávit acumulado de US$ 54,1 bilhões, resultado recorde para o período desde o início da série histórica, em 1989. Em relação ao resultado mensal, o recorde ocorreu apesar de tanto as exportações como as importações terem caído em julho. A safra recorde de grãos pesou nas exportações. O volume de mercadorias embarcadas subiu 26,7% em julho na comparação com o mesmo mês de 2022, enquanto o preço médio caiu 18,7%. Apesar da desvalorização das commodities, o governo prevê saldo positivo recorde de US$ 84,7 bilhões. As previsões são mais otimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 66 bilhões de dólares neste ano.

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Stellantis faz recorde de market share na América do Sul no semestre e apresenta o Bio-Hybrid

A Stellantis registrou uma receita líquida na sua operação global de £ 98,4 bilhões no primeiro semestre. O desempenho representa um crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2022. A empresa teve 14,4% de margem de lucro operacional no período. O presidente da Stellantis na América do Sul, Antonio Filosa, apresentou um balanço do primeiro semestre da empresa, com alguns dados também do continente. Na América do Sul, a Stellantis registrou uma participação de mercado de 23,7%. No Brasil, o market share do grupo é de 32,3%. A empresa lidera também na Argentina, com 31,2%. Na região se destacam ainda os mercados do Uruguai (24,5) e do Chile (12,1%). O grupo vendeu 411 mil unidades na América do Sul, onde tem uma liderança consolidada. Filosa destacou que entre 2021 e 2025 a Stellantis registrou 43 lançamentos em suas 8 marcas, sendo 17 SUVs, 9 carros de passeio, 9 vans e 8 picapes. “Estamos crescendo todos os meses na América do Sul, o que nos levou a marca histórica de 23,7% de market share no continente. Somos a região de maior market share de todas as regiões da Stellantis, o que é claramente um orgulho para o time, que consegue chegar a resultados históricos e robustos”. Ele ressaltou também que as marcas do grupo avançam na Colômbia. Em relação aos carros elétricos, a empresa globalmente teve um crescimento de 24% em relação ao ano anterior. No evento, que aconteceu no parque industrial de Betim, em Minas Gerais, os executivos do grupo apresentaram a estratégia de transição para atingir a meta de descarbonização e apresentaram o Bio-Hybrid. Trata-se da tecnologia de motopropulsão híbrida, que combina energia térmica flex e eletrificação em três plataformas correntes da empresa, oferecendo soluções acessíveis para uma transição mais sustentável na mobilidade. Essas distintas alternativas híbridas poderão ser adotadas de forma flexível em diversos produtos e marcas do grupo. As metas são de reduzir as emissões em 50% até 2030 e atingir net zero (neutralidade de carbono) emissões até 2038. O etanol terá um papel importante nessa transição (Leia mais na reportagem Descarbonização: etanol na transição energética) . “O Bio-Hybrid faz parte da rota tecnológica da mobilidade acessível e sustentável adotada pela Stellantis. Queremos potencializar as virtudes do etanol, como combustível renovável, cujo ciclo de produção absorve a maior parte de suas emissões, combinando a propulsão à base do biocombustível com sistemas elétricos”, declarou Antonio Filosa. STELLANTIS NO BRASIL Sobre os números no Brasil, o grupo Stellantis tem o modelo mais vendido no País (Fiat Strada) e lidera no segmento SUV também, com a Jeep, que tem a frota produzida em Goiana. Nos destaques do semestre foi o anúncio do Rampage, que cresceu 336% de vendas. “O Brasil representa 60% do mercaso sulamericano. Então, a maioria das nossas deciões são feitas para o mercado brasileiro”, destacou Filosa. No pacote de novidades de 2023 do grupo, Filosa apresentou os 6 novos veículos já lançados, incluindo o Rampage – produzido em Goiana – e fez segredo sobre a imagem do novo Fiat Strada Turbo, que será apresentado ao mercado ainda neste ano. Para dar suporte às novas demandas de veículos híbridos, a empresa deve anunciar um novo plano de investimentos, mas não tem data ainda para isso. Filosa ressaltou que atualmente a empresa está em meio a um cliclo de investimentos (2018 – 2025) de R$ 16 bilhões (95% no Brasil, sendo metade em Minas Gerais e metade em Pernambuco). “Até 2025 os investimentos já estão previstos, para frente é muito mais dinheiro. De 2026 em diante estamos negociando investimentos com nossos acionistas. Até agora tivemos um bom debate para uma quantia de investimentos muito maior que R$ 16 bilhões. Mas não podemos falar nem quando, nem quanto”, declarou o presidente da Stellantis na América do Sul. O último grande investimento na fábrica de Goiana foi para a nova linha da Rampage. PERSPECTIVAS DO GOVERNO LULA “Os dados dos últimos meses são melhores que o mesmo período do ano passado, com bons resultados. O que precisamos observar é como a economia se desenvolve para os próximos anos. Entendemos que a taxa de juros deve começar a cair. O setor imobiliário e as vendas de carro se beneficiam. Somos otimistas em relação a isso. Caindo a taxa de juros, porque a inflação está controlada, entendemos que aumenta o consumo. Tudo começa a se encaixar tendo uma lógica de crescimento para todos”, afirma Filosa. As dúvidas do executivo são nas tensões globais, mas as expectativas com o Brasil são otimistas. FUTURO DA STELLANTIS “O principal objetivo que temos a partir de 2030 e para frente é a redução de emissões de CO2. O problema é a excessiva emissão de CO2 na atmosfera. Nosso objetivo é até 2030 chegar a cortar em 50% do que era medido em 2019 e a até 2038 entregar zero. Segundo objetivo, para sustentar o primeiro é acelerar as vendas de carros elétricos. Nós queremos até 2030 queremos chegar a 100% das vendas na União Europeia, a 50% das vendas nos Estados Unidos e a 20% das vendas no Brasil. E o outro é ser líder de experiências positivas de nosso consumidor, seja em qualidade de produto, seja em qualidade dos serviços, onde queremos ser número 1”, projetou Filosa. “Já somos financeiramente muito robustos, mas nós queremos crescer e até duplicar a receita líquida em 2030 a receita que tínhamos até 2019. Queremos impulsionar a rentabilidade na América do Sul, pois isso gera mais caixa para investir em espaços e em competências de desenvolvimento de tecnologias de produtos na região”. O grupo pretende acelerar o lançamento de novos produtos para consolidar a liderança no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, além de crescer nos demais países. Entre os pilares para o crescimento da empresa no futuro, Filosa destacou a nacionalização do desenvolvimento de componentes e de fornecedores, a descentralização da indústria em todas as regiões do País, além da descarbonização.

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Paulista receberá investimento de R$ 250 milhões no setor imobiliário

Novo habitacional terá 2.200 unidades e promete gerar 200 empregos (Foto: Armando Fuentes) O município de Paulista receberá um investimento de R$ 250 milhões no setor imobiliário. A GRS Incorporações será responsável por construir 2.200 unidades habitacionais da faixa dois do programa Minha Casa, Minha Vida. O empreendimento deve gerar 200 empregos diretos e 300 indiretos. O habitacional foi apresentado em visita de trabalho pelos representantes da empresa aos dirigentes da gestão municipal, destacando a relevância dessa empreitada para o desenvolvimento da cidade e a criação de oportunidades de trabalho para a população local. RETORNO DA EMPRESA AO MUNICÍPIO O CEO da GRS, Rafael Sousa, destacou a importância da iniciativa para a economia local e as motivações para voltar para Paulista quase 15 anos depois. “Pelo reflexo positivo que Paulista está tendo hoje no cenário econômico e pela sua importância no financiamento habitacional, em Pernambuco, voltamos novamente à cidade.  Estivemos aqui em 2009 e 2010 na primeira faixa do Minha Casa, Minha Vida e agora com a efetivação da segunda faixa vamos construir unidades que saem do prédio caixão e entregam fachadas elaboradas e acabamento final de qualidade”. Ao todo, são 12 hectares que serão desmembrados e loteados. DESENVOLVIMENTO URBANO A empresa promete fazer entregas também no desenvolvimento urbano da cidade, investindo em infraestruturas como acessos viários e praças. A diretora comercial do empreendimento, Izabella Sousa destacou também a possibilidade de fazer aportes sociais nas áreas de educação e saúde. “Estimamos a construção de estruturas que atendam aos moradores e aos habitantes adjacentes. Outra observação é que aproveitamos toda a mão de obra local disponível para a realização de nossas construções e dos serviços que oferecemos em consequência do desenvolvimento de nossas áreas”.

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Desigualdade: mulheres negras ganham 48% do salário dos homens brancos

(Com informações da Agência Brasil) De acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), no primeiro trimestre de 2023, a remuneração média das mulheres negras no Brasil era de R$ 1.948, o que representa apenas 48% do salário médio recebido pelos homens brancos. Além disso, as mulheres negras ganham 62% do que as mulheres brancas recebem e 80% do que os homens negros ganham. A pesquisa também revelou que, apesar do aumento do número de mulheres negras na população em idade ativa e da ampliação da escolaridade, a desigualdade persiste. Entre o primeiro trimestre de 2012 e o de 2023, a população em idade para trabalhar no Brasil cresceu 13,4%, mas entre as mulheres negras esse crescimento foi de 24,5%, quase igual ao registrado para homens negros (22,3%). No entanto, o percentual de mulheres brancas e homens brancos nessa faixa etária teve um aumento bem menor, de apenas 1,9% e 2,8%, respectivamente. Apesar do aumento na participação de mulheres negras que chegaram ao ensino superior e concluíram o curso, que dobrou de 6% em 2012 para 12% em 2023, isso não foi suficiente para melhorar outros indicadores no mercado de trabalho para esse grupo. Apenas pouco mais da metade das mulheres negras com idade para trabalhar (14 anos ou mais) estavam empregadas ou buscando uma atividade remunerada no primeiro trimestre de 2023. Além disso, o desemprego entre as mulheres negras continua sendo maior do que a média nacional. As mulheres negras empregadas estão concentradas em funções que oferecem remunerações mais baixas e que são mais associadas à informalidade, como trabalhadoras dos serviços, vendedoras ou ocupações elementares. A pesquisadora Janaína Feijó ressalta que múltiplos fatores, incluindo preconceitos e falta de oportunidades de capacitação, contribuem para essa realidade. A informalidade também é comum entre as mães solos negras, que muitas vezes não têm uma rede de apoio financeira ou de cuidados para suas crianças pequenas.

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Mercado reduz previsão da inflação de 4,9% para 4,84% este ano

(Da Agência Brasil) A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – caiu de 4,9% para 4,84% neste ano. A estimativa está no Boletim Focus, pesquisa divulgada semanalmente, em Brasília, pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Para 2024, a projeção da inflação ficou em 3,89%. Para 2025 e 2026, as previsões são de 3,5% para os dois anos. A estimativa para este ano está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3,25% para 2023, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,75% e o superior 4,75%. Segundo o BC, no último Relatório de Inflação, a chance de a inflação oficial superar o teto da meta em 2023 é de 61%. A projeção do mercado para a inflação de 2024 também está acima do centro da meta prevista, fixada em 3%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Em junho, houve deflação no país, ou seja, um recuo nos preços na comparação com maio. O IPCA ficou negativo em 0,08%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o quarto mês seguido em que a inflação perdeu força. Em maio, o IPCA foi de 0,23%. No ano, o índice soma 2,87% e, nos últimos 12 meses, 3,16%, abaixo dos 3,94% observados nos 12 meses imediatamente anteriores e seguindo a tendência de queda apresentada desde junho de 2022, quando o índice estava em 11,89%. Juros básicos Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa está nesse nível desde agosto do ano passado e é a maior desde janeiro de 2017, quando também estava nesse patamar. Em março de 2021, o BC iniciou um ciclo de aperto monetário, em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis. Nessa semana, dias 1º e 2 de agosto, o Copom realiza a quinta reunião do ano para definir a Selic e, com a inflação em queda, o mercado espera uma redução de, pelo menos, 0,25 ponto percentual, para 13,5% ao ano. Para os analistas financeiros ouvidos na pesquisa Focus, a expectativa é de que os juros básicos encerrem o ano em 12% ao ano. Para o fim de 2024, a estimativa é de que a taxa básica caia para 9,25% ao ano. Já para o fim de 2025 e de 2026, a previsão é de Selic em 8,75% ao ano e 8,5% ao ano, respectivamente. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica. PIB e câmbio A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano ficou em 2,24%, mesma do boletim da semana passada. Para 2024, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – é de crescimento de 1,3%. Para 2025 e 2026, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 1,9% e 1,97%, respectivamente. A previsão para a cotação do dólar está em R$ 4,91 para o fim deste ano. Para o fim de 2024, a previsão é de que a moeda americana fique em R$ 5,00.

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Nordeste teve a maior alta no PIB no comparativo entre regiões

A 4intelligence, empresa especializada em ciência da decisão, divulgou estimativas que apontam o Nordeste como a região com a maior alta no PIB no primeiro trimestre de 2023, registrando um crescimento de 5%. Esse resultado foi alcançado após um recuo de 1,4% no trimestre anterior. O setor agropecuário foi o principal impulsionador dessa escalada, apresentando um aumento de 11,3% nas atividades do segmento. Além disso, os serviços tiveram um desempenho positivo, com crescimento de 2,5%, e a atividade industrial também se recuperou, com um salto de 1,6%, após uma queda de 1,9% no trimestre anterior. A perspectiva é de que, até o fim do ano, o PIB geral do Nordeste tenha um aumento de 1,1%.

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Descarbonização: etanol na transição energética

*Por Rafael Dantas A eletrificação da frota de veículos é uma tendência sem volta em um mundo que luta contra as emissões de carbono. No entanto, a disponibilidade brasileira de etanol e a estrutura socioeconômica do País apontam para uma transição de descarbonização híbrida. O modelo a ser adotado pela indústria automobilística do País tem impacto direto em Pernambuco, visto que o Estado possui tanto uma montadora, em Goiana, como uma das gigantes do fornecimento de baterias, em Belo Jardim, além de ter também tradição no setor sucroenergético, fornecedor de etanol. Diante da pressão global pela descarbonização da mobilidade brasileira, as expectativas do mercado são do aumento da produção de veículos elétricos alimentados a bateria (BEV) e ao etanol. Além dessa aposta de migração para o carro 100% elétrico mais lenta e gradual, a expectativa das empresas do setor e da sociedade civil organizada é de que essa virada comece pelos ônibus. “O Brasil passará por um processo de eletrificação gradual dos seus automóveis. Isso não tem a ver com modismo, mas bastante a ver com a legislação. Ela é também, em muitos casos, indutora de inovação. Tira as pessoas e empresas de uma situação de acomodação para que busquem a inovação”, afirmou Luiz Mello, diretor de baterias industriais, BESS, Lítio e Rede de Serviços da Moura. Apesar das definições serem internas, a agenda de transição é internacional, diante do aquecimento global, com suas previsões catastróficas. “Até 2050 precisamos alcançar a meta de atingir o equivalente a 10% do que emitimos hoje no planeta de CO2. É urgente a mitigação das emissões”, destaca o vice- -presidente de Compliance de Produto da Stellantis na América do Sul, João Irineu. Ao fazer uma comparação entre o cenário do Brasil e do mundo, ele destaca que o País está melhor posicionado mas defende que todos precisam contribuir nessa agenda climática global. “O setor de energia é responsável por dois terços das emissões de CO2 no mundo para gerar energia e transporte. No Brasil é um quarto, porque temos uma matriz energética favorável nesse aspecto. Mais de 85% da nossa energia é renovável, de baixo carbono”, destacou. Dentro do setor de transporte no Brasil, os caminhões são responsáveis por 45% das emissões de CO2, enquanto que os veículos de passeio e comerciais leves representam 41%. Completam essa lista os ônibus, com contribuição de 11%, e as motos, com 3% de emissões. Os números são de um combinado de estudos do SEEG (Sistema de Emissões de Gases de Efeito Estufa), do Observatório do Clima, do Boston Consulting Group e do Cait, ranking global de emissões do World Resources Institute. “Da frota circulante de 44 milhões de carros, 2 milhões são veículos pesados e 42 milhões são veículos leves. Ou seja, 5% da frota é responsável por 56% das emissões”, destacou o diretor da Stellantis. “Todo mundo tem responsabilidade e tem que fazer o dever de casa”. As metas da empresa são, inclusive, mais ousadas do que aquelas assinadas nos compromissos internacionais com o clima. A Stellantis projeta reduzir 50% das emissões catalogadas em 2021 até 2030, quando será feito um novo inventário. Enquanto o mundo tem observado as emissões diretas dos carros (exclusivamente o que sai do escapamento do veículo), há um conjunto de especialistas que têm defendido observar toda a cadeia produtiva do processo de fabricação, desde a extração da natureza ao transporte e matéria-prima dos seus componentes. É um cálculo do poço à roda. Ou seja, nessa conta, o etanol brasileiro possui patamares de emissões bem próximos aos dos identificados em toda a cadeia dos carros elétricos. Daí está a competitividade do setor sucroenergético na pauta de descarbonização. “O CO2 fóssil não é renovável, vai para a atmosfera e acumula. Mas todo CO2 que sai na combustão do motor etanol é capturado pela plantação da cana-de-açúcar da próxima safra. O CO2 que sai da frota que está rodando com etanol ao longo do ano está sendo capturado pela plantação de cana-de-açúcar que está crescendo e que vai gerar o etanol da próxima safra. Ele só não é 100% renovável, mas é baixo carbono porque se usa ainda muita máquina diesel para produzir e distribuir o etanol. Caminhões, colheitadeiras, serviços de irrigação ainda usam diesel. Por isso, o etanol é entre 70% a 80% renovável”, afirmou João Irineu. O presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, afirma que o setor tem avançado em iniciativas para reduzir as suas emissões, bem como tem avançado no desenvolvimento de combustíveis para outros setores. “O setor sucroenergético é pioneiro nessas iniciativas e caminha com avanços no transporte agrícola com o biogás e biometano, também na rota do chamado SAF (sustainable aviation fuel – combustível de aviação sustentável), assim como, no abastecimento verde de combustíveis marítimos. A atividade do setor envolve ciclos de produção sustentáveis, notadamente pela biomassa da cana com seus derivados, que representam cerca de 16% de nossa matriz energética”, afirmou Renato Cunha. Em Pernambuco, a safra que terá início de moagem entre julho e agosto deve resultar em produção e processamento de mais de 14,5 milhões de toneladas de cana e no mínimo um milhão de toneladas de açúcar e em torno de 370 milhões de litros de etanol. Para incentivar o setor, a grande expectativa fica por parte do Renovabio, programa que envolve as distribuidoras de combustíveis e as usinas de etanol e de biodiesel. De acordo com Renato Cunha, o objetivo desse sistema é que as distribuidoras tenham metas de compras de Certificados de Descarbonização para compensação por distribuírem combustíveis fósseis. “Constitui-se em um programa de incentivos aos créditos de carbono, bem consolidado, inclusive com penalidades financeiras para o não cumprimento de metas. Assim, os programas de descarbonização, para terem mais eficiência, necessitam de compromissos bilaterais que não fiquem apenas no voluntarismo das partes”. APOSTA EM CARROS HÍBRIDOS PARA DESCARBONIZAÇÃO Quando colocado na balança todo o processo de produção e uso dos veículos e não apenas os resíduos que saem do escapamento, a contribuição do etanol para a descarbonização dos transportes se aproxima muito do

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Consumo nos Lares encerra primeiro semestre com alta de 2,47%

(Agência Brasil) O Consumo nos Lares Brasileiros medido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) encerrou o semestre com alta de 2,47%. Na comparação de junho com o mesmo mês do ano passado, a alta é de 6,96%. Ante maio, o indicador apresentou alta de 0,55%. O resultado contempla os formatos de loja, atacarejo, supermercado convencional, loja de vizinhança, hipermercado, minimercado e e-commerce. Todos os indicadores são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, houve consumo consistente e gradual até o fim do semestre favorecido pelo recuo do desemprego, de reajustes salariais, da consolidação dos programas de transferência de renda. “Para os próximos meses, se mantidas a menor pressão da inflação sobre a cesta de alimentos, o consumo tende a ser crescente, pois há datas importantes que incentivam o consumo como o Dia dos Supermercados, a Black Friday e as festas de fim de ano”, analisou Milan. De acordo com a entidade, o aumento do consumo foi influenciado pelo montante de cerca de R$ 85,4 bilhões em recursos dos programas de transferência de renda do governo federal como o Bolsa Família, o Primeira Infância (a partir de março), o Benefício Variável Familiar (a partir de junho) e os Auxílios Gás pagos em fevereiro (R$ 112,00), abril (R$ 100,00) e junho (R$ 109,00). Além disso, os reajustes do salário-mínimo em janeiro e em maio, os reajustes das bolsas da educação Capes e CNPQ, os reajustes dos servidores civis do Poder Executivo, o resgate do PIS/Pasep, o pagamento dos lotes residuais de Imposto de Renda 2022, a ampliação da isenção do imposto de renda, os pagamentos do 1º e 2º lotes de Restituição do Imposto de Renda, o pagamento de precatórios e a antecipação do 13º de aposentados e pensionistas do INSS também contribuíram para essa elevação. De acordo com os dados da Abras, o valor da cesta de 35 produtos de largo consumo (alimentos, bebidas, carnes, produtos de limpeza, itens de higiene e beleza) registrou queda de 1,75% no semestre. Em junho, todas as regiões pesquisadas registraram deflação nos preços da cesta, que passou de R$ 750,22 em maio para R$ 741,23, um recuo de -1,20%, na média nacional. As carnes foram os principais produtos da cesta com o maior recuo de preços no período. De janeiro a junho, a carne bovina – cortes do traseiro – registrou queda de -8,20% e os cortes do dianteiro (-5,88%), o frango congelado (-5,78%) e o pernil (-2,42%). Em junho, a variação ante maio foram: cortes do traseiro (-2,51%) e o corte dianteiro (-1,30%), o frango congelado (-1,27%) e o pernil (-2,40%). Entre os itens básicos, as maiores quedas no semestre foram óleo de soja (-24,52%), café torrado e moído (-3,42%) e farinha de trigo (-1,10%). Já as altas foram puxadas por farinha de mandioca (+9,53%), leite longa vida (+9,17%), arroz (+6,45%), feijão (+4,78%). Com condições climáticas mais favoráveis, a única alta de preço na cesta de hortifrutis no acumulado do ano foi registrada no tomate (+4,08%). Cebola (-43,47%), batata (-4,47%) apresentaram quedas no período. Na cesta de limpeza, os preços ficaram praticamente estáveis em junho, no entanto, no acumulado do semestre, desinfetantes (+5,16%), sabão em pó (+4,17%), detergente líquido para louças (+2,10%) e água sanitária (+1,77%) puxaram as altas na categoria. Dentre os itens de higiene e beleza destacam-se o aumento de preços: sabonete (+5,28%), creme dental (+5,22%), papel higiênico (+4,42%), xampu (+3,76%). Na análise regional, a maior queda no indicador ocorreu na Região Norte (-2,11%), seguida do Centro-Oeste (-2,09%), Nordeste (-1,51%), Sudeste (-1,17%) e Sul (-0,30% Previsões Segundo a Abras, os 13º dos trabalhadores com carteira assinada, o pagamento de três lotes de restituições do Imposto de Renda 2023 somados à manutenção dos programas de transferência de renda, devem refletir positivamente no consumo das famílias. Além disso, o consumo deve ser incentivado por ofertas de datas como o Dia dos Supermercados (11 de novembro), Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday, Natal e Ano Novo.

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