Uso prolongado de celulares, tablets e videogames durante o recesso pode afetar o desenvolvimento infantil, o sono e a adaptação ao retorno das aulas
Com o aumento do tempo livre durante as férias escolares, cresce também o período de exposição de crianças e adolescentes às telas. Celulares, tablets e videogames costumam ocupar boa parte da rotina nesse período, substituindo brincadeiras, atividades ao ar livre e momentos de convivência familiar. Especialistas alertam que o excesso pode trazer impactos para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social, além de dificultar a retomada da rotina escolar no segundo semestre.
Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil mostram que 95% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet. Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que pais e responsáveis estabeleçam limites para o uso de dispositivos eletrônicos, especialmente durante as férias, quando o tempo de exposição tende a aumentar.
Segundo o diretor do Grupo CIB de Educação, André Pontes, o período de recesso deve ser aproveitado para ampliar as experiências das crianças. “As férias devem ser um período de descobertas, convivência e fortalecimento dos vínculos familiares. Quando a criança passa boa parte do dia diante de uma tela, ela deixa de vivenciar experiências essenciais para desenvolver criatividade, autonomia, comunicação e habilidades sociais”, afirma.
Além dos reflexos no desenvolvimento emocional, o uso excessivo de telas pode comprometer a concentração, alterar o sono, reduzir a prática de atividades físicas e tornar mais difícil o retorno às aulas. Para André Pontes, o caminho está no equilíbrio. “A tecnologia faz parte da realidade das novas gerações e pode ser uma aliada da aprendizagem quando utilizada de forma consciente. O problema surge quando ela ocupa o espaço das brincadeiras, da leitura, das atividades ao ar livre e do convívio com outras crianças”, explica.
O educador orienta que as famílias organizem uma rotina diversificada durante as férias, incluindo jogos, esportes, oficinas, passeios culturais, contato com a natureza e momentos de interação entre pais e filhos. Segundo ele, essas vivências fortalecem competências como criatividade, cooperação, autonomia e inteligência emocional. “O brincar continua sendo uma das formas mais completas de aprendizagem. É durante as brincadeiras que a criança aprende a compartilhar, negociar, criar estratégias, lidar com frustrações e desenvolver sua autonomia. Nenhuma tela substitui essas experiências”, conclui André Pontes.


