*Por Daniel Torres
O novo ramal que se projeta estudar para o projeto da Ferrovia Transnordestina indica uma ligação de Juazeiro-BA, passando por Petrolina até Juazeiro do Norte-CE. Esse novo corredor será muito importante quando for implantado. Só o Vale do São Francisco movimenta em média cerca de US$ 480 milhões em manga e uva. O Vale do São Francisco necessita dessa ligação férrea. Anteriormente, foi pensado esse ramal ligando a região ao traçado principal da ferrovia, mas não se sabe por qual razão ele foi excluído.
PROJEÇÃO DO TRAÇADO
Para atender a demanda de cargas do Vale do São Francisco, o ramal ligaria Petrolina à Salgueiro. Só que tem um detalhe técnico que impossibilita essa ligação direta para Salgueiro: questão de topografia. Em certos lugares existem pontos muito altos que para transpô-los seriam necessários grandes investimentos. Para desviar dessa região, anteriormente foi analisado um outro traçado via o distrito de Urimamã, Santa Maria da Boa Vista, indo em direção ao município de Parnamirim-PE.

ARARIPE POLO DE PRODUÇÃO DE CALCÁRIO
Nós da ADESA (Agência de Desenvolvimento Econômico e Social do Araripe) pretendemos sugerir à INFRA S/A que analise a possibilidade de beneficiar um polo de produção mineral existente na região do Araripe, cuja exploração apresenta grande potencial de crescimento. Trata-se do grande potencial de calcário calcítico existente no distrito de Jacaré, em Ouricuri-PE. Este novo traçado que sugerimos sairia de Juazeiro-BA, passando por Petrolina, até Lagoa Grande, onde poderia ter um terminal de cargas em direção ao futuro Porto Seco no município de Trindade-PE, beneficiando diretamente esse novo polo mineral de calcário. Isso possibilitaria, futuramente, a instalação de uma unidade de produção de cimento na região, propriamente no distrito do Jacaré.
COMPARATIVO DAS DISTÂNCIAS ENTRE PETROLINA E SALGUEIRO E O ARARIPE
Do ponto de vista econômico, o trecho do Ramal da Fruticultura ligando Petrolina ao Porto Seco de Trindade mostra-se mais viável. O traçado seguiria margeando a BR-122 e parte da PE-630, com extensão de 237 quilômetros, inferior aos 250 quilômetros do ramal entre Petrolina e Salgueiro. Além da menor distância, a proposta evita as dificuldades de engenharia impostas pela topografia do trecho direto entre Petrolina e Salgueiro, o que pode reduzir os custos de implantação da ferrovia.
*Daniel Torres Araripe é CEO da ADESA – Agência de Desenvolvimento Econômico e Social do Araripe


