Marco Nanini e Guilherme Weber apresentam “Fim de Partida” no Teatro Luiz Mendonça
Foto: Fernando Young

Sob os impactos da Segunda Guerra Mundial, Samuel Beckett (1906-1989) escreveu “Fim de Partida” nos anos 1950. Nesse cenário pós-apocalíptico, ele apresenta os personagens Hamm e Clov, símbolos de um mundo em ruínas físicas e emocionais. Mais de sete décadas depois, a peça ainda se mantém atual, o que motivou esta nova montagem. As quatro únicas apresentações no Recife acontecem nos dias 23, 24, 25 e 26 de julho de 2026, no Teatro Luiz Mendonça. Os ingressos já estão à venda neste link.

Em cena, Hamm (Marco Nanini) e Clov (Guilherme Weber) possuem uma trágica dependência física e emocional, em um vínculo atravessado pela violência e pela crueldade cotidiana, em uma tragicomédia ácida e melancólica. Presos em um espaço claustrofóbico, ambos enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve.

“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, explica Marco Nanini, que já pensava em encenar algum texto do autor irlandês quando aceitou de pronto a provocação de Guilherme Weber, responsável pela sugestão para atuarem juntos em “Fim de Partida”.

Nanini e Weber já estiveram nas montagens célebres de “Os Solitários” (2002) e “A Morte do Caixeiro Viajante” (2004). Logo, reuniram Helena Ignez, atriz marcante do cinema brasileiro, com quem Nanini contracenou no início da carreira, e Ary França, com quem dividiu o palco no premiado “O Burguês Ridículo” (1996).

Fim de Partida Credito Annelize Tozetto

Rodrigo Portella foi convidado para assumir a direção da peça e chega em um momento profissional marcado pela consagração de espetáculos recentes, como “Tom na Fazenda”, “Ficções”, “Um Ensaio sobre a Cegueira” (Grupo Galpão) e “Ray”. Ele divide o texto de “Fim de Partida” em três fluxos:

“O primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas, numa segunda camada, a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas”, pontua Rodrigo Portella.

O diretor chama a atenção para uma terceira chave de leitura: a do metateatro. Evidenciada pela cenografia de Daniela Thomas, que coloca uma espécie de palco dentro do palco, em uma pequena caixa cênica retangular, a característica de metalinguagem proposta pelo texto se estabelece.

A equipe criativa do espetáculo reúne ainda parceiros recorrentes na trajetória de Nanini, como a cenógrafa Daniela Thomas, o iluminador Beto Bruel e o figurinista Antonio Guedes, além do produtor Fernando Libonati, responsável pela produção artística de seus espetáculos nas últimas três décadas.

SERVIÇO:

[Teatro] Fim de Partida Local: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu (Av. Boa Viagem, s/n, no bairro de Boa Viagem)

Datas e horários:

23, 24 e 25 de julho (quinta, sexta e sábado), às 20h 26 de julho (domingo), às 19h

Classificação indicativa: 16 anos

Ingressos:

Plateia Premium: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia-entrada)

Plateia: R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia-entrada)

Vendas: www.teatroluizmendonca.byinti.com/#/event/fim-de-partida

Deixe seu comentário

Assine nossa Newsletter

No ononno ono ononononono ononono onononononononononnon