*Por Manu Siqueira
Em 2027, completo 50 anos. Meio século. Às vezes nem acredito. Como passa rápido, não é? Assim como os 40 anos, os 50 têm pra mim, uma simbologia de movimento, de mudança, de inquietude. Provavelmente já vivi mais da metade da minha vida e o que eu quero fazer, a partir de agora, é viver ainda mais intensamente cada momento ao lado de quem eu amo e correr atrás de realizar sonhos, sejam eles quais forem.
Este ano, fui assistir à peça estrelada por Claudia Raia, que aborda a menopausa. Em determinado momento, a atriz provoca as mulheres que estão chegando aos 50: “O que vocês pretendem fazer nos próximos 50 anos?”, indaga à plateia.

A pergunta parece simples, mas não é. Afinal, o que queremos viver daqui para frente? Queremos voltar a ser estudantes? Viajar mais? Apostar em um novo amor? Mudar de cidade? Aprender algo completamente diferente? Largar o emprego chato? Que experiências ainda queremos ter? E, principalmente, o que muda dentro de nós quando percebemos que o tempo vivido ainda não foi suficiente para a gente realizar tudo o que a gente ainda deseja?
Talvez seja justamente essa percepção que faça tantas mulheres olharem para a própria vida e decidirem mudar a rota. Algumas encerram relacionamentos e descobrem, na maturidade, novas possibilidades. Outras percebem que a carreira que construíram durante décadas já não faz mais sentido algum. E há aquelas que simplesmente entendem que chegou a hora de experimentar uma versão diferente de si mesmas. Se você é uma delas, então, quem venha essa nova mulher!
Foi pensando nisso que resolvi contar, nesta coluna, histórias de mulheres que tiveram coragem de fazer uma transição de carreira. Mulheres que, em vez de enxergarem a idade como um ponto final, decidiram tratá-la como ponto de partida. Espero que se inspirem.
MILA MOURA

Depois de uma trajetória na Polícia Federal, Mila decidiu mudar de carreira e se tornou empresária, hoje à frente do Grupo W, movimento voltado à conexão e ao fortalecimento de mulheres no mundo corporativo. A mudança exigiu coragem para deixar uma identidade profissional construída ao longo de anos e assumir novos desafios.

Mas ela não começou do zero. Levou para a nova carreira aprendizados como disciplina, liderança, capacidade de decisão e resiliência. Sua história mostra que mudar de profissão depois dos 40 também pode ser uma forma de transformar tudo o que já aprendemos em um novo caminho. Desta vez, com mais propósito e realização.
IARA SALES
Outra história inspiradora é a de Iara Sales, que escolheu cursar Terapia Ocupacional depois de sofrer um AVC aos 16 anos e trabalhou por cerca de 13 anos na área. Após a maternidade e uma depressão pós-parto, mudou de carreira e passou mais de dez anos na Justiça Federal.

Depois de ser diagnosticada com câncer, no ano passado, decidiu novamente mudar de rota. Voltou à Terapia Ocupacional, agora voltada para mulheres que passaram pelo tratamento oncológico, e também se tornou empreendedora, palestrante e criadora de conteúdo. Criou ainda a Vitrine Recomeço, projeto que apoia mulheres que estão reconstruindo suas vidas. A sua trajetória de superação mostra que o propósito pode ser descoberto aos poucos, entre mudanças, desafios e recomeços.
LUISA REIS
Outra história é a de Luisa Reis, que se formou em Direito e trabalhou por sete anos no Ministério da Fazenda, mas nunca abandonou o desejo de encontrar uma profissão que realmente lhe trouxesse prazer. Depois da maternidade e de uma experiência difícil com uma empresa de moda infantil, percebeu que a escrita era outra paixão e criou um perfil sobre filmes e séries.
Ao buscar uma forma de transformar seus interesses em profissão, uniu sua formação em Direito ao universo dos casamentos e descobriu a celebração social. A pandemia e o agravamento da doença da mãe adiaram os planos, mas também acabaram aproximando Luisa definitivamente desse novo caminho.

Em 2021, após perder a mãe, ela voltou a Brasília determinada a recomeçar. No mesmo ano, celebrou seus primeiros casamentos e chegou a 12 cerimônias. Desde então, sua carreira cresceu e ela encontrou uma profissão que une prazer, reconhecimento, retorno financeiro e, principalmente, propósito.
Perceber que ainda podemos mudar de ideia é, certamente, uma das grandes descobertas que a maturidade nos proporciona. Que uma escolha feita aos 20 não precisa determinar quem seremos aos 40, 50 ou 60. Que podemos experimentar, errar, voltar, aprender e começar tudo de novo.

E se na peça, Claudia Raia nos pergunta o que queremos fazer nos próximos 50 anos, talvez a resposta não precise estar pronta. Pode ser justamente essa pergunta que faltava para começarmos a procurar a resposta. Mas eu acho que já sei. E você?
Manu Siqueira é jornalista

