Especialista orienta empreendedores sobre separação das contas, planejamento e uso do crédito para fortalecer a gestão financeira
Empreender é o segundo maior sonho dos brasileiros, atrás apenas da conquista da casa própria, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Apesar do crescimento dos microempreendedores individuais (MEIs), a organização financeira ainda é um dos principais desafios para a consolidação dos pequenos negócios. Dados do Sebrae mostram que seis em cada dez empreendedores têm uma gestão financeira limitada e 61% utilizam a conta pessoal para realizar pagamentos da empresa.
Separação das contas é o primeiro passo
Para o gerente de negócios e especialista em investimentos da Sicredi Recife, Thiago Azevedo, a distinção entre as finanças pessoais e as da empresa é fundamental para melhorar a gestão e reduzir riscos. “Entender o fluxo financeiro com clareza evita a quebra do empreendimento e também serve de auxílio para decisões mais coerentes. Isso só é possível, inicialmente, a partir da divisão de contas entre o que é pessoal e o que é dinheiro da organização”, destaca. Segundo o levantamento, no Nordeste, 67% das pequenas empresas ainda operam sem essa separação, o que compromete a estabilidade financeira dos negócios.
Planejamento para investir
O especialista afirma que a busca por crédito deve considerar as necessidades de cada empresa e ser acompanhada por planejamento financeiro, controle do fluxo de caixa e previsibilidade. “A primeira etapa é separar uma parte do resultado todos os meses para criar constância e garantir que o investimento seja mantido. Junto disso, é importante manter esse recurso em aplicações com liquidez e baixo risco, porque o foco não é maximizar retorno, e sim estar pronto para utilizar o dinheiro no momento certo do negócio”, aponta Thiago. Ele também recomenda definir previamente a finalidade dos recursos, seja para capital de giro, reformas ou outros investimentos, evitando utilizar esse valor nas despesas do dia a dia da empresa.
Crédito para impulsionar o crescimento
Além da organização financeira, os empreendedores podem recorrer a linhas de crédito voltadas para pessoas jurídicas e microempreendedores para apoiar a expansão dos negócios. “Saber o que se está guardando é fundamental para evitar resgates aleatórios e melhorar a tomada de decisão. Também é preciso acompanhar minimamente o caixa e o crescimento desse recurso. Saber quanto já acumulou e quanto falta para atingir o objetivo traz mais segurança. E, talvez o mais importante, é não misturar esse valor com o giro da empresa”. Segundo Thiago Azevedo, na Sicredi Recife, as modalidades de crédito para empresas são estruturadas de acordo com o perfil e o fluxo financeiro de cada associado.


