Projeto com adolescentes transforma vivências em cartilha coletiva

Lançada como produto final do projeto “Soft Skills – Caminhos para criação de si”, iniciativa financiada por meio do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), através da Prefeitura do Recife, a cartilha “Criativa – caminhos em arteterapia” é resultado de 12 encontros com adolescentes da Escola Técnica Estadual Porto Digital (ETE Porto Digital), O projeto resulta em uma publicação construída coletivamente, que registra vivências, reflexões e atravessamentos de um processo formativo voltado ao desenvolvimento humano, emocional e social.

A cartilha está disponível gratuitamente para acesso em link na bio do Instagram da Criativa (@criativa_arteterapia) e também foi distribuída para os alunos da ETE Porto Digital.

Idealizada por Hugo Dubeux e Gardênia Fontes, a “Criativa – Caminhos em arteterapia” articula arte, cultura, cuidado e educação em projetos que compreendem a criação artística como uma tecnologia humana de elaboração da experiência, fortalecimento do trabalho em grupo e transformação social.

“O projeto propôs um tempo de pausa e escuta para adolescentes que já vivem muitas pressões. Através da arteterapia e da criação artística, foi possível fortalecer autonomia, comunicação e convivência em grupo, colocando o cuidado emocional no centro do processo formativo”, afirma Hugo Dubeux.

No projeto “Soft Skills – Caminhos para criação de si”, essa perspectiva se materializou na formação de um grupo arteterapêutico com adolescentes, propondo um percurso vivencial centrado no desenvolvimento de habilidades emocionais, relacionais, criativas e comunicacionais, competências essas fundamentais para a vida pessoal, social e profissional. Por meio de práticas arteterapêuticas, jogos teatrais, artes visuais, escrita e práticas de expressão criativa.

A cartilha lançada é o registro sensível desse percurso. Escrita a partir da experiência vivida pelos próprios adolescentes, a publicação traduz, em palavras e imagens, reflexões sobre comunicação, criatividade, empatia, escuta, trabalho coletivo e autoconhecimento. Ao longo do material, os jovens refletem sobre “as máscaras que nos moldam”, sobre a importância de perceber o humano como um ser emocional e sobre a criação de espaços de abrigo e confiança mútua, onde fragilidade não é fraqueza e ser ouvido transforma a experiência de existir.

“Essa cartilha guarda memórias, atravessamentos e descobertas que aconteceram no grupo. Ela materializa um percurso de escuta, afeto e criação coletiva, e convida outras pessoas a refletirem sobre suas próprias máscaras, emoções e formas de se relacionar com o mundo”, enfatiza Gardênia Fontes.

Como estratégia central de acessibilidade e permanência, o projeto concedeu 12 bolsas no valor total de R$ 500,00 para cada adolescente participante, destinadas exclusivamente a apoiar a continuidade no percurso formativo. As bolsas funcionaram como um reconhecimento concreto do tempo, do envolvimento e das realidades socioeconômicas desses jovens, garantindo condições mais justas de participação em um contexto marcado por pressões escolares, exigências precoces do mercado de trabalho e desafios familiares.

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