Encontro promovido pela Revista Algomais e pela Rede Gestão reuniu 145 representantes da sociedade pernambucana para discutir prioridades para o futuro do Estado
*Por Rafael Dantas | Fotos: Tom Cabral
O Projeto Pernambuco em Perspectiva, promovido pela Revista Algomais e pela Rede Gestão, reuniu nesta semana 145 representantes de diversos segmentos da sociedade pernambucana para discutir propostas para um novo ciclo de desenvolvimento do Estado. Empresários, professores, técnicos, gestores públicos, consultores, jornalistas e lideranças de diferentes áreas participaram das discussões no Riomar Recife, que tiveram como foco a construção coletiva de estratégias de longo prazo para Pernambuco. O projeto conta com apoio do Banco do Nordeste (BNB) e do Governo do Brasil.
A programação foi aberta por Francisco Cunha, que apresentou uma síntese das discussões já realizadas ao longo do projeto e destacou a importância da participação da sociedade na formulação de políticas permanentes de desenvolvimento. Segundo ele, a proposta é criar mecanismos que permitam transformar as contribuições construídas coletivamente em diretrizes contínuas de planejamento para o Estado.

Durante o encontro, Francisco Cunha apresentou pela primeira vez a proposta de criação do Sistema Pernambucano de Planejamento Estratégico (SPPE). Elaborada pelo grupo técnico que coordena o Pernambuco em Perspectiva, a iniciativa defende a instituição do sistema por meio de uma lei estadual a ser encaminhada no início do próximo governo. A proposta prevê uma Secretaria Executiva de Planejamento Estratégico (SEPE), formada por técnicos do Governo do Estado, responsável pela elaboração e monitoramento de um planejamento estratégico permanente e de longo prazo.
O modelo apresentado propõe ainda a criação de conselhos regionais em todas as regiões de desenvolvimento de Pernambuco, além de um Conselho Pernambucano de Planejamento Estratégico (CPPE). A estrutura contempla representações regionais no Sertão, Agreste, Zona da Mata e Região Metropolitana, com participação do poder público, da academia, do setor produtivo e da sociedade civil organizada.
PARTICIPAÇÃO SOCIAL

Após a apresentação inicial, os participantes foram divididos em grupos temáticos para discutir prioridades para o redesenho do modelo de desenvolvimento de Pernambuco. Entre os temas mais recorrentes estiveram a conclusão da Transnordestina, investimentos em infraestrutura logística, energia e saneamento, fortalecimento da educação básica e profissionalizante, melhoria da gestão pública, segurança pública, redução das desigualdades e estímulo à ciência, tecnologia e inovação.
A infraestrutura foi o eixo mais recorrente, com destaque para a conclusão da ferrovia Transnordestina, ampliação dos modais logísticos, investimentos em saneamento, energia e mobilidade metropolitana. Um dos grupos defendeu ainda a implantação de plataformas multimodais, com uma proposta de inclusão de uma delas na Mata Sul de Pernambuco, e a retomada de trens de passageiros.

A educação também apareceu como prioridade transversal. Os participantes defenderam investimentos na educação básica, técnica e profissionalizante, alinhados às vocações econômicas das diferentes regiões pernambucanas. Houve ainda propostas de um pacto permanente pela empregabilidade e de integração entre ensino infantil, básico e superior.
Outro tema recorrente foi a necessidade de fortalecer a capacidade de gestão do Estado. Os grupos sugeriram um novo modelo de governança envolvendo sociedade, governo e academia, além da adoção de políticas permanentes de planejamento estratégico e modernização da administração pública.
As discussões também apontaram preocupações sociais e ambientais. Redução das desigualdades, justiça climática, segurança pública e fortalecimento dos consórcios municipais estiveram entre as propostas apresentadas pelos participantes. A sugestão da criação de um selo de responsabilidade socioambiental, vinculado a linhas de crédito, para reconhecer as iniciativas que preservam e promovem a regeneração do meio ambiente esteve entre as propostas destacadas.

Ciência, tecnologia, inovação e economia criativa foram apontadas como áreas capazes de impulsionar novas cadeias produtivas e ampliar a competitividade pernambucana, especialmente diante das oportunidades ligadas à transição energética.
As propostas construídas coletivamente deverão subsidiar um conjunto de diretrizes estratégicas para orientar o futuro ciclo de desenvolvimento pernambucano. Ainda no segundo semestre, será publicado um livro sobre o projeto, condensando as discussões dos encontros.
Mais informações no site: pernambuco.algomais.com
