Levantamento revela preocupação com o ritmo de aprendizagem das crianças, apesar dos avanços registrados nos indicadores educacionais de Pernambuco.
Garantir que todas as crianças aprendam a ler e escrever na idade certa é uma das principais prioridades para a educação em Pernambuco, segundo 51% da população. A demanda aparece em segundo lugar na pesquisa “O que a população pensa sobre a educação | 2026”, atrás apenas da melhoria dos salários e das condições de trabalho dos professores, apontada por 53% dos entrevistados. O levantamento foi realizado pelo Instituto IDEIA, a pedido da Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos pela Educação.
Confiança na capacidade de aprendizagem
A pesquisa mostra que 74% dos pernambucanos acreditam ser possível alfabetizar todas as crianças, independentemente de sua condição socioeconômica ou raça. Os resultados também indicam que a população associa a alfabetização a habilidades que vão além da leitura de palavras e da escrita de frases simples. Para 46% dos entrevistados, uma criança que ainda apresenta dificuldades para compreender textos não pode ser considerada alfabetizada, mesmo que consiga ler e escrever frases básicas. Outros 28% concordam que essas habilidades já são suficientes.
Ritmo de aprendizagem preocupa
Apesar da confiança na capacidade de aprendizagem das crianças, a avaliação sobre a situação atual da educação é menos positiva. Apenas 26% dos pernambucanos consideram que os estudantes estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado, enquanto 44% discordam dessa percepção. O resultado revela uma diferença entre as expectativas da população e sua avaliação sobre o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita nas escolas.
Indicadores mostram avanços em Pernambuco
Os dados oficiais do Indicador Criança Alfabetizada (ICA), entretanto, apontam uma evolução nos resultados do estado. O percentual de crianças alfabetizadas no 2º ano do Ensino Fundamental passou de 59%, em 2023, para 66%, em 2025, superando a meta estabelecida para o período. Para Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, os resultados reforçam a necessidade de manter a alfabetização entre as prioridades das políticas públicas. “Essa confiança da população de Pernambuco na capacidade de aprendizagem das crianças reforça a importância de manter a alfabetização no centro das políticas educacionais, com ações capazes de garantir não apenas o domínio da leitura e da escrita, mas também a compreensão necessária para que cada criança continue aprendendo e amplie suas oportunidades ao longo da vida”, afirma Felipe Proto.
Pesquisa ouviu 800 pernambucanos
O levantamento entrevistou 800 moradores de Pernambuco com 16 anos ou mais, entre os dias 1º e 6 de junho de 2026. A pesquisa apresenta nível de confiança de 95% e margem de erro máxima estimada de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. O estudo integra uma iniciativa de seis organizações ligadas à educação e reúne percepções da população sobre as prioridades e os desafios do ensino no Brasil.
