Sulanca digital: Polo de Confecções do Agreste aposta nas vendas on-line para conquistar novos mercados

(Do Sebrae-PE)

As vendas on-line estão ganhando espaço no Polo de Confecções do Agreste pernambucano. Embora a comercialização presencial ainda seja forte no território, empreendedores têm investido em canais digitais para alcançar mercados consumidores em todo país. Esse movimento acompanha a expansão do comércio eletrônico brasileiro: de acordo com a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom), o salto do comércio eletrônico no Brasil de 2020 para 2025 foi de 86%, com o faturamento passando de R$ 126,4 bilhões para mais de R$ 235 bilhões. A previsão para este ano é de faturamento recorde: R$ 259,8 bilhões movimentados por 97 milhões de compradores.

Dados da última edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, divulgada pelo Sebrae em abril, mostram que aproximadamente 73% dos pequenos negócios brasileiros já comercializam produtos e serviços por meio de redes sociais, aplicativos ou da internet. No Polo de Confecções do Agreste, formado por cidades como Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, essa mudança tem ampliado as possibilidades de comercialização para empreendedores que tradicionalmente dependiam das vendas presenciais. Hoje, apenas no Agreste Central e Setentrional, a indústria de confecção do vestuário reúne mais de 9,1 mil empresas formalizadas.

A empreendedora Juliana Bezerra é um exemplo dessa mudança. Sua história com o setor de confecções começou ainda na infância, quando acompanhava o trabalho dos pais. Em 2014, ela fundou a Corpfit, marca de moda fitness que esteve no mercado por 10 anos. Em 2024, nasceu a Celer, uma evolução da Corpfit, com um novo posicionamento e uma proposta voltada para a mulher que busca conforto, movimento e equilíbrio no dia a dia.

No início, as vendas aconteciam principalmente de forma presencial na Feira da Sulanca de Caruaru. Para a empreendedora, esse contato direto com os clientes foi fundamental para o crescimento da marca, permitindo entender as necessidades do mercado e construir relacionamentos duradouros com lojistas e revendedores. A decisão de investir no comércio on-line aconteceu no processo de reposicionamento da marca.

Juliana participou do Caruaru Moda Mundo, programa de qualificação para empresas de confecções desenvolvido pelo Sebrae/PE em parceria com a Prefeitura de Caruaru. “Percebemos que o comportamento do consumidor estava mudando e que o digital oferecia oportunidades de alcançar clientes em todo o Brasil de forma mais eficiente. Optamos por concentrar nossos esforços no e-commerce e nos canais digitais”, comenta a empreendedora.

Atualmente, a empresa realiza atendimentos presenciais para clientes no seu estoque, mas trabalha principalmente com vendas on-line, no atacado e no varejo. “Aproximadamente 90% das vendas da empresa acontecem por meio dos canais digitais, enquanto cerca de 10% são provenientes de atendimentos presenciais”, enfatiza. “Passamos a investir mais em tecnologia, marketing digital, fotografia, produção de conteúdo e experiência do cliente. Também houve uma reorganização dos processos internos para atender à demanda do e-commerce. Mais do que reduzir custos, o objetivo foi aumentar a eficiência e ampliar o alcance da marca para todo o país”.

Segundo Juliana, houve também uma mudança de mentalidade da empresa, que passou a atuar de forma mais estratégica na construção de marca, relacionamento e experiência do cliente. “Acredito que o comércio on-line continuará crescendo e se tornando cada vez mais relevante para as empresas. O consumidor busca praticidade, rapidez e uma experiência de compra mais personalizada. Nos próximos anos, vejo uma integração ainda maior entre tecnologia, redes sociais e e-commerce, tornando o ambiente digital um dos principais canais de crescimento para marcas de moda”, conclui Juliana.


SEBRAE + AMAZON


O crescimento do comércio eletrônico no setor de confecções ganhou força principalmente após a pandemia da Covid-19 e com o aumento da confiança dos consumidores nas compras on-line, os fabricantes precisaram adaptar suas estratégias para acompanhar as novas demandas do mercado. “Foi um divisor de águas que ajudou a desmistificar o consumo eletrônico de moda. Os produtores perceberam essa mudança no comportamento do consumidor e passaram a intensificar seus processos para a comercialização digital”, destaca Gilson Gonçalves, especialista do Sebrae/PE na Indústria de Confecção.


Em um cenário em que cerca de 70% das vendas on-line são realizadas através de marketplace, de acordo com a Amazon, 100 pequenos negócios de confecções do Agreste pernambucano têm a oportunidade de comercializar os seus produtos na plataforma Amazon, uma das maiores empresas do setor no mundo. A iniciativa, firmada em março deste ano, integra o programa Amazon Mentor e oferece mentorias especializadas, suporte logístico e benefícios exclusivos para microempresas e empresas de pequeno porte.

O programa está sendo executado pela Radar Scout, plataforma de inteligência de mercado homologada pela Amazon e integrante da Amazon Service Partner Network (SPN Global). Além de receberem mentorias personalizadas para aprimorarem sua performance e resultados na plataforma, os empreendedores também são beneficiados com isenção de tarifas de venda, frete, armazenagem e coleta gratuitos por meio do serviço Fulfillment by Amazon (FBA). O Sebrae/PE é responsável por arregimentar e formalizar os empreendedores que farão parte da iniciativa.

“As empresas têm que ser do setor de confecção, microempresas ou empresas de pequeno porte. Excepcionalmente, podemos pensar em MEI integrar o projeto. Nesse caso, a gente tem que analisar questões como estrutura e produção do negócio para ver se a empresa consegue um volume de produção em escala para estar na plataforma”, explica Gilson Gonçalves. O Sebrae/PE fica responsável por realizar as consultorias que se façam necessárias, como registro de marca, gestão financeira, formação de preço e marketing.

“Vamos trabalhar em conjunto para acelerar o ingresso das empresas de moda em plataformas digitais de forma mais estruturada. Atualmente, muitas das empresas já comercializam em plataformas, mas não têm a estrutura adequada para trabalhar em comércio eletrônico”, detalha. Ele lembra que cada plataforma tem sua estratégia comercial e suas nuances administrativas.

De acordo com Raphael França, CEO da Radar Scout, o que viabiliza esse projeto em Pernambuco é um movimento estratégico da própria Amazon: a inauguração de um centro de distribuição no estado, em 2025, que marcou também a expansão do modelo FBA (Fulfillment by Amazon) na região. “Com isso, os produtores passaram a ter acesso a uma logística onde a própria Amazon armazena, separa e entrega os produtos para todo o Brasil, com ganhos relevantes de eficiência e redução de custos. É esse novo cenário logístico que torna possível uma iniciativa estruturada como essa, em parceria com o Sebrae”.

O projeto tem prazo de execução até o final deste ano e a expectativa é que sejam credenciadas 100 empresas do segmento de confecções do Agreste, que passam por um acompanhamento completo até a entrada efetiva dos produtos na Amazon e o início das vendas. “Ou seja, não é apenas acesso ao marketplace, mas sim um processo guiado de implantação e crescimento dentro do canal digital”, detalha Raphael.

Empreendedores da região que desejem mais informações de como funciona a parceria do Sebrae/PE com a Amazon podem procurar a sede da entidade em Caruaru, localizada na Avenida Adjar da Silva Casé, 277, no Bairro Indianópolis.

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