Surf pernambucano em destaque no cenário nacional

Embalados no espírito do esporte olímpico, conversamos na edição desta semana da Algomais com o diretor executivo da Federação Pernambucana de Surf (Fepesurf) Geraldo Cavalcanti. Ele traça o cenário atual da modalidade no Estado, que apesar de ser estreante em Jogos Olímpicos tem uma longa história em Pernambuco.

Qual o cenário atual da modalidade em Pernambuco?

O cenário atual da modalidade em Pernambuco é o seguinte: Pernambuco nos últimos quatro anos, de 2018 a 2021, abriu todos as categorias do Circuito Brasileiro da Confederação Brasileira de Surf. Abrimos profissional e amador. Fizemos seis etapas do circuito estadual, começando em Noronha, passando por seis praias diferentes. Fomos o Estado que mais produziu em 2018. Em 2019 trouxemos o mundial para Fernando de Noronha. Fizemos quatro eventos nacionais profissionais, master e diversos outros. Mandamos equipes para as etapas de Circuito Brasileiro e na Paraíba, por exemplo, Pernambuco foi a equipe mais completa, ganhando uma uma categoria e ficando em quarto na outra. Em 2020, em plena pandemia, Pernambuco foi o único estado do país único que fez cinco etapas do circuito estadual em dois meses, em novembro e dezembro, além do mundial em Fernando de Noronha, que foi antes da Pandemia. Em 2021 a gente já larga com a primeira do estadual e também lançando cinco etapas do circuito. A gente teve excelentes atletas aqui que fizeram história, no cenário internacional, são inúmeros, inclusive no circuito internacional e temos uma nova geração em destaque. Esse é cenário do surfe pernambucano atualmente, um dos mais ativos do país. Isso é uma realidade.

Para o surf, qual a importância de ter entrado nas Olimpíadas e ter estreado com medalha de ouro?

Isso é um trabalho que começou em 1992, pelo Fernando Aguiar e presidente da Isa, International Surf Social. Realmente foi um batalhador. Na verdade, as Olimpíadas hoje precisam mais do surf e do skate do que o surf e o skate precisam dos Jogos Olímpicos. Os Jogos Olímpicos estavam ficando jogos para velho. Ninguém se interessava em assistir. O surf e o skate vieram para quebrar essa barreira e botar a juventude para assistir, entendeu? A participação nos Jogos Olímpicos foi um sucesso absurdo. Na primeira edição, com essa medalha de ouro do Brasil, a gente abre mais ainda um cenário porque esses atletas que estão se destacando no Brasil estão na WSL, que é uma entidade privada. A maioria deles hoje mora fora do país ou passam muito pouco tempo no Brasil. A gente precisa pegar todo esse esse trabalho feito individualmente por cada um deles, acho que o mérito é de Ítalo, de Medina, de Mineirinho, de Filipinho, dos atletas que realmente estão fazendo um trabalho. Lógico que antes a gente deu esse suporte, eles começaram nos eventos amadores que a gente já fazia há trinta, vinte e dez anos e tiveram a oportunidade de ter exatamente um berço ali. Mas a gente precisa transformar isso também para a realidade dentro do País, que está muito aquém do que os atletas estão conseguindo fora. Para isso a gente está aí para entrar com um novo projeto com a Confederação Brasileira de Surf. Acredito que até outubro a gente está com um grupo fortíssimo que vem dar uma cara nova ao cenário de surfe brasileiro. A gente espera muito por isso.

 

Qual a importância social do surfe para Pernambuco?

Qualquer esporte tem ama inclusão social fortíssima. Em vez de deixar um garoto desses entrar nas drogas e aí é mil vezes mais caro e mais difícil de tirar, o esporte tem essa esse fator importante da inclusão social. E o surfe é muito além, porque precisa de um bom tempo para treinamento, é um contato direto com a natureza. Existe em praticamente em todas as praias onda a modalidade é autorizadas escolas de surfe, clubes, fabricantes de prancha, que sempre direcionam os jovens para o melhor caminho.  Fora isso há também a questão da geração de emprego. Através das escolas de surfe muitas famílias hoje se seguram, vivem com os filhos dando aulas de surfe nas localidades, nas comunidades que tem a prática de surfe. Isso é socialmente um benefício principalmente esse momento de um crescimento enorme, pós os campeonatos de Medina, de Mineirinho e de Ítalo. E agora mais ainda com a medalha olímpica de Ítalo.

 

Como acontece a formação e o incentivo a novos praticantes na modalidade?

O incentivo à prática do esporte se dá através das escolas de surf, de eventos de surfe de associações, da federação e eventos nacionais. E a gente tem feito isso há quarenta e dois anos aqui em Pernambuco. Somos o único estado do Brasil que teve os problemas de ataque tubarão desde 1992, que foi impedido. Um dos maiores crescimentos de gerações de jovens no esporte era Boa Viagem, dos meninos que desciam ali do prédio pra surfar. Então, isso a gente  perdeu, desses jovens com prancha surfando, um celeiro de campeões há mais de vinte anos. Isso foi um baque, mas a gente conseguiu fazer de Pernambuco um celeiro de grandes eventos e transformar cada fato negativo em um positivo. Conseguimos fazer com que isso fosse para as escolas. O surfe em Pernambuco cresceu absurdamente e vem crescendo com a abertura da Ponte do Paiva. A gente teve uma melhoria enorme, pois vários jovens ali vão de bicicleta surfar numa área que não era proibida, mas não era de fácil acesso. Então tudo isso ajudou para o crescimento. Agora o que pode ser ajudado mais ainda são políticas públicas, com o circuito estadual passando por todas as praias hoje autorizadas a prática de surf, vendo naquelas comunidades os atletas que começam a se destacar desde as categorias sub12, sub-14, sub-16.

 

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