bem estar

Desgaste no quadril está entre as principais queixas nos consultórios ortopédicos

Entre os problemas que afetam a qualidade de vida causados pela doença, o desgaste no quadril está entre os mais frequentes. O Dr. Marco Aurélio Neves, ortopedista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, comenta que esta é uma das principais queixas dos pacientes, devido à dor e impacto na realização de atividades diárias. O que é Artrose A artrose causa degeneração das cartilagens, sendo mais comum em pessoas com idade acima de 45 anos. “Embora também possa acontecer com os jovens, a doença tende a aparecer e aumentar com o avanço da idade e acomete as articulações em geral, sendo mais evidente no quadril por ser uma base de sustentação do corpo e dos movimentos das pernas”, revela o especialista. Ele explica que, quando há desgaste na cartilagem do quadril, os principais movimentos que fazemos com as pernas e com a coluna se restringem aos poucos. Os ossos do fêmur e da bacia começam a raspar. “Muitos pacientes contam que sentem esse atrito e, muitas vezes, um estalo a cada passo”, comenta. Sintomas O especialista recomenda procurar um ortopedista diante de sinais como estes: Dor no quadril, que piora ao andar ou ao passar muito tempo sentado; Mancar ao andar; Formigamento ou dormência nas pernas; Dor que percorre a perna na parte interna, do quadril até o joelho; Queimação na batata da perna; Mais dificuldade de movimentar a perna ao acordar; Sensação de ter osso raspando ao se movimentar; Dificuldade de calçar os sapatos ou levantar uma cadeira, por exemplo. Quanto mais a doença se agrava, mais restritos se tornam os movimentos, é aí que começam as dores e limitações. Dr. Neves conta que o paciente passa a ter dificuldade para andar, ficar de pé por muito tempo e realizar atividades simples do dia-a-dia, como calçar os sapatos ou dirigir. Nesses casos, o procedimento mais indicado é a Artroplastia Total do Quadril (ATQ), cirurgia de colocação de prótese. “Como não é uma cirurgia de urgência, nós avaliamos e indicamos para o paciente que tem desgaste avançado ou cuja dor esteja causando um impacto muito grande na sua vida”, explica o médico. Como funciona a ATQ A cirurgia consiste na substituição da articulação afetada por uma prótese. Realizada no Brasil desde a década de 60, atualmente a técnica sofreu atualizações importantes que impactam na recuperação dos pacientes. O ortopedista explica o que mudou: “ao invés de manipular os nervos e músculos, o médico apenas afasta o intervalo entre dois músculos na frente do quadril, para chegar no quadril e colocar a prótese”. Isso é possível porque a incisão é feita na parte da frente do quadril, e não ao lado ou atrás, como era realizando antes. Além disso, a técnica é feita com a ajuda de uma mesa cirúrgica especialmente desenvolvida para esse tipo de procedimento. Dessa forma, a operação tende a ser menos agressiva, com recuperação mais rápida e menos dolorosa, reduzindo também os riscos de complicações inerentes à cirurgia. “Pouco tempo após fazer a colocação da prótese, o paciente já consegue ficar de pé”, frisa. Além de reduzir o tempo de internação, que passa a ser de somente um dia, o número de medicamentos administrados também diminui. Dr. Neves ainda ressalta que o processo de reabilitação é menor, fazendo com que o paciente retorne às suas atividades normais rapidamente.

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Identificada nova assinatura genética para o prognóstico de alguns tipos de câncer de mama

Maria Fernanda Ziegler –  Pesquisadores identificaram uma assinatura genética com valor prognóstico capaz de prever a sobrevida de pacientes com certos tipos de câncer de mama. A descoberta leva também a uma melhor compreensão sobre os mecanismos moleculares de um processo de vascularização conhecido como angiogênese patológica, essencial para o desenvolvimento de diversas doenças. A pesquisa, publicada na revista PLOS Genetics, combinou estudo sobre genes envolvidos na retinopatia patológica – lesões oculares que também servem como modelo para o estudo de angiogênese – e dados da expressão gênica (transcritoma) de bancos de dados públicos sobre o câncer de mama. Realizado por pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) em colaboração com o Instituto de Pesquisa do Câncer de Ontário (OICR, da sigla em inglês), no Canadá, o estudo contou com apoio da FAPESP . “Identificamos um conjunto de genes cuja expressão no câncer de mama se correlaciona com o grau de vascularização (angiogênese) patológica do tumor. Trata-se, portanto, de uma assinatura gênica para a angiogênese que é prognóstica e mais robusta que as assinaturas identificadas anteriormente, dada a correlação existente entre a angiogênese e os tumores de modo geral”, disse Ricardo Giordano , professor do IQ-USP e autor do estudo. No estudo, os pesquisadores brasileiros identificaram 153 genes alterados entre retinas normais e retinas patológicas em camundongos. A partir dessa lista foram identificados 149 genes humanos equivalentes. O resultado foi utilizado como base da pesquisa sobre a assinatura gênica, com a parceria do grupo canadense. Para isso o grupo utilizou um banco de dados com informações de pacientes com câncer de mama. Desse total, 11 genes-chave envolvidos na angiogênese patológica foram os que tiveram o melhor desempenho para uma assinatura de prognóstico. Câncer de mama e retinopatia têm em comum o processo de angiogênese. “O fato de essas duas doenças compartilharem esse processo e de a angiogênese ser fundamental para desenvolvimento de cânceres nos levou a tentar fazer a ponte entre retinopatia e câncer de mama”, disse João Carlos Setubal , coordenador do Programa Interunidades de Pós-Graduação em Bioinformática da USP, também autor do artigo. Segundo os pesquisadores, o motivo de o estudo ter sido feito especificamente com câncer de mama está na disponibilidade de dados dessa doença. “Precisávamos ter acesso a dados públicos em vasta quantidade, pois existe muita variação de pessoa para pessoa. E justamente para câncer de mama havia um conjunto de dados disponível para nosso estudo, com informações de 2 mil pacientes”, disse Setubal. De acordo com Setubal, para detectar a assinatura foi necessário realizar um sofisticado processamento computacional dos dados gerados em laboratório, uma área conhecida como bioinformática. O trabalho foi desenvolvido em parceria com os pesquisadores canadenses do OICR. O aluno de doutorado Rodrigo Guarischi de Sousa , também autor do estudo, criou o programa que testou os 149 genes humanos como possíveis componentes da assinatura para pacientes com câncer. Essa parte do estudo foi realizada por meio de bolsa estágio de pesquisa no exterior apoiado pela FAPESP, sob a coordenação de Paul C. Boutros, no OICR. Atualmente Boutros é pesquisador no Departamento de Genética Humana na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), e Guarischi de Sousa se formou e trabalha na empresa Dasa, em São Paulo. A partir dessa assinatura os pesquisadores pretendem encontrar aplicações, sobretudo em terapias contra o câncer de mama. “Nosso objetivo agora é dar continuação ao estudo da angiogênese no câncer. Estamos interessados em identificar genes nessa lista que possam ser alvo para o desenvolvimento de novas drogas ou reaproveitamento de drogas existentes”, disse Giordano. Da retinopatia ao câncer de mama A descoberta da assinatura de prognóstico para o câncer de mama é fruto de um longo estudo que teve início em 2010, por meio de uma bolsa de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), quando Giordano iniciou os estudos sobre transcriptoma (dados referentes a genes expressos) e proteoma (proteínas) da retina angiogênica. “Como resultado desse estudo, implantamos no laboratório um modelo em camundongos para o estudo de retinopatia. O modelo em camundongos é importante, pois é difícil estudar a formação de vasos sanguíneos fora de tecidos vivos. Portanto, só com este modelo é possível induzir e estudar em laboratório uma retinopatia, modulando o nível de oxigênio, e fazer estudos referentes à angiogênese”, disse Giordano. Com base em amostras dos camundongos, os pesquisadores puderam investigar as diferenças entre a formação de vasos em condições fisiológicas (que ocorrem normalmente) e em condições patológicas. “Verificamos quais genes eram expressos pelas células endoteliais (que cobrem os vasos sanguíneos) nas duas condições, sempre procurando por aqueles genes que são mais expressos numa condição em relação à outra ou vice-versa”, disse Giordano. Um elemento essencial no experimento foi a variação de oxigênio nas câmaras onde estavam os camundongos recém-nascidos. Nas câmaras com 75% de oxigênio os camundongos tiveram retinopatia, ao passo que no ar ambiente (20% de oxigênio) a retina se desenvolveu normalmente. A descoberta dos mecanismos que permitem às células detectarem a presença de oxigênio foi o tema do prêmio Nobel de Medicina de 2019, que agraciou os pesquisadores William G. Kaelin Jr., Peter J. Ratcliffe e Gregg L. Semenza. Assinatura de prognóstico referente a genes expressos É importante ressaltar que a assinatura gênica para a angiogênese poderá ter uma possível aplicação clínica muito diferente daquela do gene marcador BRCA1. O gene – assim como o BRCA2 – ficou conhecido mundialmente em 2013, quando a atriz norte-americana Angelina Jolie se submeteu a duas mastectomias após ter descoberto, a partir de um exame, mutações específicas neste gene, indicando que teria risco de 87% de desenvolver câncer de mama. “O BRCA1 é um gene do genoma. Uma mulher com mutações nesse gene tem maior risco de desenvolver a doença, porém ela não necessariamente vai desenvolver câncer de mama. Portanto a presença do gene com mutações serve para ajudar a prever o aparecimento da doença. A assinatura do nosso estudo se mostrou promissora para prever o desenvolvimento da doença depois que ela de fato apareceu”, disse Setubal. O

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Verão – Especialista alerta sobre cuidados com os olhos com as crianças na estação

Muito sol, mar, piscina. A combinação é perfeita, muito mais quando se fala na estação mais quente do ano. Apesar da diversão, é importante ficar alerta aos sinais que os olhos dão nesta época. Alergias e irritações oculares são incômodos bastante comuns, que podem ser evitados caso alguns cuidados sejam redobrados. Na lista, o primeiro item que muitos lembram são os óculos escuros. Mais que um acessório, os óculos escuros são um artigo de proteção. “É importante avaliar a qualidade, a durabilidade, mas o fundamental é que as lentes tenham proteção ultravioleta (UV), prevenindo assim os danos causados pela radiação solar. Etiquetas costumam indicar as certificações oficiais, como a da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”, indica a médica oftalmologista Aline Barros, do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE). Essa proteção é importante, pois a exposição excessiva ao sol pode colaborar para o aparecimento de doenças como tumores da superfície ocular, a catarata e a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Também nessa estação aumentam as alergias e irritações oculares. Uma das maiores incidências de conjuntivite, por exemplo, ocorre no verão. “A exposição intensa ao sol, a água da piscina e locais aglomerados são fatores que contribuem para a disseminação do vírus”, explica Aline. Para evitar o contágio, a indicação é higienizar sempre as mãos, lavar bem o rosto para retirar resíduos das piscinas e evitar compartilhar toalhas de banho. A inflamação dura geralmente entre uma e duas semanas e é preciso consultar um médico oftalmologista para o correto diagnóstico e a prescrição de colírios. “Às vezes, as crianças têm uma tendência maior a alergias e apresentam sintomas, principalmente se forem sensíveis ao cloro ou à agua salgada, por exemplo. O ideal é ensinar primeiro que não se deve abrir os olhos embaixo d’água e, se o adulto perceber que, mesmo que a criança não abra, ela fica com o olho vermelho, a indicação é lavar com água gelada”, esclarece a médica.. Confira outras dicas: – Não utilize lentes de contato durante o banho de mar ou piscina; – Para abrir os olhos embaixo d’água, use óculos de natação; – Chapéus e bonés ajudam a diminuir a incidência dos raios solares no olho; – Lembre-se de ingerir água.

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Calçado do verão: uso prolongado de rasteirinha pode causar fascite plantar

O verão está chegando e, com ele, o vestuário fica mais leve, despojado e confortável. Para as mulheres, a rasteirinha é o calçado eleito para dar o toque final à composição do look. Mas o que parece sinônimo de conforto, se usado em excesso, pode causar transtorno futuro, com o desenvolvimento da fascite plantar. O problema é um processo inflamatório ou degenerativo que afeta a fáscia plantar, membrana de tecido conjuntivo fibroso e pouco elástico, que recobre a musculatura da sola do pé, desde o osso calcâneo, e que garante o formato do calcanhar, até a base dos dedos dos pés. A fáscia plantar auxilia a manter a curvatura do pé firme, graças à sua capacidade de amortecer e distribuir o impacto. “Se for caminhar muito, o ideal é utilizar calçados que protejam o pé. Com a rasteirinha, você joga o peso todo em cima do calcanhar, sem nenhuma proteção”, explica o presidente da ABTPé (Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé). “Como não protegem a região, também aumentam o risco de dedos quebrados, torções, bolhas e arranhões”, acrescenta. O especialista esclarece que os melhores sapatos – quando se planeja fazer longas caminhadas durante o dia – são aqueles que dão apoio ao calcanhar, não comprimem os dedos e têm cadarços ou tiras que segurem o calçado no lugar. “Uma alternativa é usar sapatilha com sola um pouco mais grossa e também com um salto pequeno, de uns dois centímetros, para aliviar a pressão no calcanhar e na coluna”, pontua. Sintomas Dor intensa debaixo do pé, perto do calcanhar, é o principal sinal da fascite plantar. Geralmente, a dor é mais intensa pela manhã, mas alivia durante o dia com o caminhar. “Mas isso não impede que a dor apareça em qualquer ponto da fáscia, depois de longos períodos em pé, após subir escadas ou até mesmo depois de ter repousado um pouco”, fala o Dr. Marco Tulio. Inchaço e vermelhidão são outros sinais que podem aparecer. Tratamento A recuperação da fascite plantar costuma ser lenta. O tratamento pode ser realizado por meio de medicamentos antiinflamatórios e analgésicos, uso de palmilhas especificamente moldadas e fisioterapia diária, que pode ser realizada em casa, desde que haja orientação médica. A intervenção cirúrgica não é comumente indicada e ocorre apenas quando os tratamentos não trazem melhora aos pacientes. Existem algumas opções cirúrgicas que consistem em alongar a fáscia plantar ou a musculatura da panturrilha. O Dr. Marco Tulio ressalta a importância de procurar um especialista que possa dar a melhor orientação. “Dessa forma, será possível entender as causas reais da dor e o paciente receberá um diagnóstico correto, para iniciar um tratamento adequado”, conclui.

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Parque de Dois Irmãos promove atividades educativas

Aos poucos o mês de dezembro está indo embora, mas as atividades do Parque Estadual de Dois Irmãos, na Zona Norte do Recife, não param. No próximo final de semana (14 e 15/12), tem atividades para todas as idades, das 9h às 16h, promovidas pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas). Quem for ao Zoo, além vivenciar as atividades realizadas pelos veterinário do parque, pode descobrir muitas curiosidades sobre os animais. No sábado (14), o público pode conferir a exposição de esqueletos de animais (osteotecnia), atividades de educação ambiental com o projeto Preguiça de Garganta Marrom, condicionamento com hipopótamo, e enriquecimentos com as Emas, Emu, Araras e Papagaios. Haverá ainda a exposição Mundo dos Répteis, que traz curiosidades sobre 25 serpentes de 14 espécies, 2 lagartos e uma cobra-de-duas-cabeças. Realizada no Centro Vasconcelos Sobrinho de Educação Ambiental do Parque de Dois Irmãos, a atividade é uma parceria com o Serpentário Mata Sul. Já no domingo (15), a grade de programação envolve, afora as exposições e ações educativas, enriquecimentos com Ursos, onça-preta e Leão. Acompanhada por biólogos e veterinários do Parque de Dois Irmãos, a ação tem como objetivo de gerar bem-estar aos animais estimulando o comportamento deles como se estivessem na natureza. Às 1430, também vai rolar Falcoaria, que são demonstrações de práticas com aves de rapina. Fotos: Lu Rocha / Semas-PE Confira a programação completa: PROGRAMAÇÃO DO FIM DE SEMANA E DOMINGO NO ZOO Sábado (14/12) 9h às 17h30- Exposição de Osteotecnia (Prédio ao lado do Museu) 9h às 12h- De 13h ás 16h- Ação de Educação Ambiental com o Projeto Preguiça de Garganta Marrom (alameda dos primatas) 9h às 17h- Exposição de Serpentes (Museu) 10h- Condicionamento com Hipopótamo (Recinto do hipopótamo) 10h30- Enriquecimento com Emas e Emu (Recinto dos Emas e Emus) 15h- Enriquecimento com as Araras e Papagaios (Recinto das araras e papagaios) Domingo (15/12) 9h ás 17- Exposição de Osteotecnia (Ao lado do Museu) 9 às 12h- De 13 às 16h- Ação de Educação Ambiental com o Projeto Preguiça de Garganta Marrom (alameda dos primatas) 9h às 17h- Exposição de Serpentes (Museu) 10h- Condicionamento com Hipopótamo (Recinto do Hipopótamo) 10h30- Enriquecimento com Ursos (Recinto dos Ursos) 14h30- Falcoaria (Bosque do Pau Brasil) 15h30- Enriquecimento com a onça-preta e leão (Recinto da onça e do leão) Onde: Parque Dois Irmãos, Praça Farias Neves, s/n, Dois Irmãos, Recife – PE. Ingressos: Preço único de R$ 2,00 por pessoa – gratuito para visitantes com mais de 60 anos, crianças até 1 metro de altura e pessoas com deficiência com seus acompanhantes. Exposição “Mundo dos Répteis” Horário: 9 às 16h Local: Centro de Educação Ambiental Vasconcelos Sobrinho do Parque Estadual de Dois Irmãos, na Praça Farias Neves, s/n – Dois Irmãos, Recife – PE Ingressos: R$ 3,00 (vendidos na entrada da exposição, separadamente do ingresso do Parque*). Visitantes com mais de 60 anos, crianças até um metro de altura e pessoas com deficiência e seus acompanhantes não pagam.

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Brasil tem o maior sistema público de transplantes do mundo

O Brasil é referência mundial na área de transplantes e apresenta o maior sistema público de transplantes do mundo. Cerca de 96% dos procedimentos realizados em todo o país são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Estatisticamente, o país é considerado o segundo maior transplantador do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Por meio do SUS, os pacientes recebem assistência integral e gratuita, desde os exames preparatórios, procedimento cirúrgico, acompanhamento e medicamentos pós-transplante. Ainda assim, o assunto merece atenção, em 2018, aproximadamente 40 mil pessoas estavam na fila de espera por um órgão, segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Cristiano Caveião, doutor em enfermagem e coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Gerontologia do Centro Universitário Internacional Uninter, explica que o transplante de órgãos é um procedimento cirúrgico para a retirada de um órgão (pulmão, rim, coração, pâncreas, fígado) ou tecido (ossos, córnea, medula óssea) de uma pessoa que está doente e substituição por outro órgão ou tecido normal de um doador vivo ou morto. “Em grande parte das situações, a doação de órgãos é a única expectativa de vida ou até mesmo a oportunidade de um recomeço para as pessoas que precisam da doação”, comenta Caveião. O transplante de órgãos só pode ocorrer se tiver a doação, por isso é importante a conscientização da população, com o objetivo de reduzir a fila de espera e dar oportunidades de salvar vidas. O biomédico, doutor em química e biotecnologia e coordenador do Curso de Biomedicina da Uninter, Benisio Ferreira da Silva Filho esclarece as principais dúvidas em relação ao procedimento. Como funciona a doação pelo doador cadáver? Essa doação ocorre após a confirmação da morte encefálica, que é a perda total e irreversível das funções cerebrais, e após a parada cardiorrespiratória. A doação pode ser realizada somente com autorização do familiar, conforme previsto na legislação. O diagnóstico de morte encefálica é realizado pelo médico especialista em neurologia, com capacitação específica. Por que doar órgãos? E que órgãos podem ser doados? A doação de órgãos pode salvar várias vidas. Podem ser doados os seguintes órgãos: pulmões, coração, pâncreas, fígado, rins, intestino, vasos sanguíneos, pele, ossos e tendões. Assim, um único doador poderá salvar muitas vidas. Os doadores com parada cardiorrespiratória podem doar somente tecidos, como por exemplo: córnea, vasos, pele, tendões e ossos. E o doador vivo, o que pode doar? Considera-se doador vivo qualquer pessoa juridicamente capaz, que atenda todos os preceitos legais, e com condições plenas de saúde. Podem doar pela lei parentes de até quarto grau e cônjuges; no caso de não parentes, somente com autorização judicial. O doador vivo pode doar rins, parte do fígado, parte do pulmão e parte da medula óssea. Quem recebe os órgãos ou tecidos doados? Após a confirmação da doação, a Central de Transplantes do Estado é comunicada por meio do registro de lista de espera e seleciona os doadores compatíveis.

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Simpósio discute principais avanços na cirurgia metabólica e bariátrica robótica

Recife sedia, no dia 13 de dezembro, o II Simpósio de Cirurgia Metabólica, Bariátrica e Robótica de Pernambuco, no Hotel Luzeiros. Os principais nomes da especialidade no Brasil irão apresentar e debater os avanços no tratamento da obesidade e da cirurgia robótica. Entre os convidados para discutir os temas, estão os cirurgiões Marco Aurélio Santo e Alexandre Elias (SP), Caetano Marchesini (PR), Áureo Ludovico de Paula (GO), Álvaro Albano (BA) e Eduardo Pachú (PB). O evento é realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Capítulo Pernambuco, com apoio da Rede D’Or São Luiz e do Hospital Esperança Recife, que está próximo de atingir a marca de 1.000 cirurgias robóticas em cinco especialistas. A cirurgia metabólica bariátrica robótica é a segunda especialidade mais procurada, perdendo apenas para a urológica. As outras especialidades são cirurgias colorretais, torácicas e ginecológicas. A programação está dividida em cinco miniconferências e três módulos de discussão. Nas miniconferências, serão abordados os temas “Como se preparar frente à transformação digital na Medicina e na Cirurgia”, “Bases fisiopatológicas da cirurgia metabólica”, “Alterações do metabolismo ósseo e muscular no paciente obeso”, “Câncer e DRGE no Sleeve”, “Como migrar para a cirurgia robótica de maneira segura”, “O que avançamos com a cirurgia robótica?” Pela manhã, será realizado o módulo “Cirurgia Metabólica”, coordenado pelo dr. Marco Aurélio Santo (SP) e dr. Áureo Ludovico de Paula (GO), com moderação de dr. Guilherme da Conti (PE) e dr. Marconi Meira (PE). Dentro do módulo, serão abordados os temas “Como a cirurgia age no sistema metabólico”, “Resultados da cirurgia a longo prazo”, “Indicações além do IMC. Podemos considerar?” e “Quando associar o tratamento medicamentoso”. À tarde, serão apresentados dois módulos de debates. O primeiro abordará “Perda de Peso – O que fazer”, coordenado pelo dr. André Teixeira (EUA) e dr. Marco Aurélio Santo (GO) e moderado pelo dr. Joaquim Branco (PE). Nesse módulo, serão apresentados os temas “Devemos procurar sempre a perda de peso?”, “Quando e como associar tratamento medicamentoso para auxiliar e resgatar a perda de peso pós-operatória?”, “Quando operar e o que fazer no reganho?” e “O que esperar da cirurgia no reganho de peso?”. No almoço, serão discutidas técnicas e dúvidas com os especialistas sobre o dia a dia dos procedimentos bariátricos. A programação se encerra com o módulo “Aspectos cirúrgicos e endoscópicos”, coordenado pelo dr. André Teixeira (EUA) e dr. Eduardo Pachú (PB), com moderação de dr. Felipe Rolim (PE). Esse módulo trará os temas “Uso de antibióticos na cirurgia bariátrica”, “Tratamento endoscópico de fístula gástrica”, “Alternativas endoscópicas no tratamento do reganho de peso”, “A cirurgia bariátrica e o fígado”, “DRGE pós-sleeve: como prevenir e tratar”. “O evento deste ano está ainda melhor. Contaremos com mais palestrantes, com mesas com assuntos atuais, abordando assuntos de interesse comum, como tendências inovadoras de abordagem e tratamento. Será uma oportunidade para discutirmos vários aspectos da cirurgia metabólica e bariátrica robótica, em um encontro de excelência, contando com a presença dos melhores profissionais do País. Além da troca de experiência e conhecimento entre os profissionais presentes, quem também se beneficia com o evento são os pacientes, que irão receber a terapêutica desenvolvida por esses profissionais”, avalia o presidente da SBCBM – Capítulo Pernambuco, Flávio Kremer. A cirurgia robótica permite intervenções menos invasivas, com menor risco de hemorragias e infecções, menor dor pós-operatória e a possibilidade de uma recuperação mais rápida e o retorno mais cedo às atividades cotidianas e ao trabalho. “A cirurgia robótica tem contribuído bastante nos resultados da cirurgia bariátrica. Ela não só agrega muita tecnologia, como também aumenta a segurança do procedimento. O médico tem uma visão diferenciada, com movimentos mais precisos, e uma possibilidade de realizar suturas e movimentos de maneira muito mais precisa e adequada do que na videolaparacospia, que também é um procedimento seguro. Mas, sem dúvidas, a cirurgia robótica agregou tecnologia e segurança ao procedimento”, afirma o cirurgião bariátrico Álvaro Ferraz, da equipe de cirurgia robótica do Hospital Esperança Recife e coordenador científico do Simpósio. Entre as principais doenças ligadas à obesidade, estão problemas cardíacos, diabetes, colesterol alto, depressão, câncer e dermatites, além de incontinência urinária, apneia do sono e disfunção hormonal e erétil (nos homens), refluxo gástrico e doenças articulares. “Os pacientes, quando têm indicação de tratamento cirúrgico para a obesidade, são aqueles que apresentam a doença em grau moderado ou grave, ou seja, são aqueles pacientes que têm o índice de massa corpórea (IMC) acima de 35, associado ou não a outras doenças. Para esses pacientes, o tratamento cirúrgico é o mais recomendado”, acrescenta o cirurgião Álvaro Ferraz. Serviço II Simpósio de Cirurgia Metabólica, Bariátrica e Robótica de Pernambuco Data; 13 de dezembro, das 8h às 17h45 Local: Hotel Luzeiros (R. Barão de Santo Ângelo, 100 – Pina) Informações: http://www.sbcbmeventos.org.br/simposiopernambuco/

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Lar do Nenen precisa de doações

O Lar do Nenen, organização não governamental que acolhe crianças de 0 a 3 anos em situação de abandono ou risco, está realizando uma campanha para arrecadar recursos financeiros para custear as despesas da casa. “Neste final de ano, a necessidade maior é o pagamento do 13º salário dos funcionários, além de outros itens necessários para a manutenção da casa, como alimentos, produtos de limpeza e higiene”, destaca a presidente Tuti Moury Fernandes. As doações financeiras podem ser realizadas no Banco do Brasil Ag: 1833-3 CC: 29.348-2. A instituição fica na Rua Menezes Drummond, 284, Madalena. Os interessados também podem ajudar doando leite, fraldas, material de higiene pessoal e limpeza. O Lar do Nenen sobrevive de doações, possui 22 funcionários e cerca de 40 voluntários. O Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) cede uma profissional em pediatria uma vez por semana para avaliar a saúde das crianças. Na instituição, as crianças recebem toda a assistência necessária ao cuidado dos bebês, como higiene, alimentação, puericultura (cuidados do desenvolvimento infantil), acompanhamento psicossocial e recreação. Mais informações através dos fones (81) 3227-2762 e 3228-0123.

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Quero Impactar do Recife recebe R$ 3 milhões do Itaú

Primeira vaquinha virtual pública do mundo a viabilizar que o cidadão e empresas destinem parcela do Imposto de Renda a projetos sociais em várias áreas do Recife, o Quero Impactar recebeu nesta quarta-feira (04), R$ 3 milhões doados pelo Banco Itaú. Desse total, R$ 2,4 milhões serão destinados ao Hospital do Idoso do Recife. Os R$ 600 mil restantes vão para o Hospital do Câncer de Pernambuco (HCP) e para o Instituto Materno Infantil de Pernambuco ( Imip ). Hoje também foi lançado o App Quero Impactar e apresentada a nova identidade visual da plataforma, que foi lançada pela Prefeitura do Recife em julho deste ano e atingiu a meta de R$ 5 milhões arrecadados em cinco meses. A Plataforma Quero Impactar visa engajar a sociedade para – junto com o poder público – promover mudanças e otimizar a vida da população através de doação a projetos sociais com impacto direto na vida das pessoas em situação de vulnerabilidade. “Isso pode ser feito por pessoas físicas e jurídicas com um clique no endereço eletrônico www.queroimpactar.com.br ou pelo celular. Juntos somos como abelhas”, falou o procurador geral do município, Rafael Figueiredo, numa referência à nova identidade visual e conceito do Quero Impactar que passa a ter uma abelha – símbolo da cooperação -, na logomarca. O procurador municipal também destacou que a PCR tem implantado projetos de mobilizadores que têm mudado o perfil da cidade na área social, a exemplo do Transforma Recife, do Quero Impactar e Porto Social, que em parceria com a Prefeitura capacita organizações da sociedade civil. Durante a manhã, a equipe do Plataforma também ofereceu um workshop para organizações do Recife, com a finalidade aprimorar os projetos e a captação de recursos. “Estamos realizando essa doação porque acreditamos nesse projeto, contribuindo dessa forma com o município e, especialmente, com as pessoas”, disse o representante do Itaú, Fernando Zivts. Os secretários municipais que respondem pelas áreas dos projetos sociais estavam presentes na solenidade: a secretária de Desenvolvimento Social, Juventude. Políticas Sobre Drogas e Direitos Humanos, Ana Rita Suassuna; de Saúde, Jailson Correia; de Meio Ambiente, José Neves; Executivo de Segurança Urbana, Paulo Moraes; de Esportes, Yane Marques, além do secretário de Finanças, Ricardo Dantas, do comandante da Guarda Muncipal, Marcílio Domingos e, representando as organizações, o gestor do Porto Social, Fábio Silva. Como funciona – A iniciativa consiste em um financiamento coletivo (crowdfuding ou vaquinha virtual) em que o cidadão e empresas poderão doar recursos financeiros por duas modalidades: por parte do Imposto de Renda (IR) e a fundo perdido (sem benefício fiscal) a iniciativas ligadas à cultura, esportes e políticas para crianças, idosos e pessoas com deficiência, sem que o contribuinte tenha qualquer gasto adicional, pois o recurso é parte do que já seria pago no IR. Dessa forma, é resolvido um problema histórico que é a desconfiança por parte do doador frente à ausência de projetos sérios e transparentes aptos a receber apoio. “É importante destacar a inovação da Prefeitura do Recife ao criar a única Vaquinha Virtual do Brasil que é 100% gratuita”, salientou o gestor da plataforma, Alexandre Nápoles, acrescentando que enquanto sites desse tipo ficam com 20% do que é arrecadado, o Quero Impactar não fica com qualquer percentual. Desde julho, a arrecadação do Quero Impactar foi destinada a 14 projetos sociais, beneficiando 11 entidades a exemplo do Lar Paulo de Tarso, Imip, Hospital do Câncer, Instituto Fé e Alegria, entre outras organizações sociais. Quero Impactar – A plataforma web de financiamento coletivo (crowdfuding ou vaquinha virtual) foi desenvolvida pela Prefeitura do Recife, por meio da Procuradoria Geral do Município (PGM), com a parceria da o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (Comdica), o Conselho Municipal da Pessoa Idosa (Comdi), a Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer (Seturel) e a Fundação de Cultura da Cidade do Recife. É originada da necessidade de se criar uma solução inovadora no financiamento dos projetos sociais na cidade do Recife, que lançou a primeira vaquinha virtual pública do Brasil, inovando justamente no fato de utilizar a tecnologia do financiamento coletivo aliada às leis de incentivo fiscais, federal ou estadual. Qualquer pessoa física ou jurídica no Brasil poderá doar para projetos de Recife. É só acessar o site www.queroimpactar.com.br conferir os projetos e doar. A plataforma “Quero Impactar” tem ainda como objetivos específicos: dar ampla visibilidade aos projetos sociais na cidade; sensibilizar e incentivar doações a esses projetos; facilitar o processo de doação, sendo online e totalmente transparente e gerar feedbacks aos doadores sobre as etapas do projeto social que foi impactado. Outro diferencial é que o Quero Impactar oferta apoio a quem insere projetos na plataforma, através do auxílio gratuito na captação de recursos e no desenvolvimento dos projetos. Também são realizados atendimentos pessoais e coletivos, além de oficinas técnicas, com o intuito de tirar dúvidas e ampliar a captação de recursos. Para obter benefícios fiscais, podem ser doados até 6% do imposto de renda das pessoas físicas que fizer a declaração completa. Desse percentual, 6% podem ir para qualquer uma das áreas de Cultura, Esporte, As pessoas Jurídicas podem deduzir até 1% do imposto de renda, no caso de empresas que são tributadas por lucro real. Se as doações das pessoas físicas forem realizadas dentro do ano de referência (até 31/12), elas poderão descontar até 6% do imposto devido na declaração. Essa declaração deve ser feita no modelo completo. No caso Doações realizadas entre os dias 01/01 a 30/04, as pessoas físicas podem descontar até 3% do imposto de renda devido na declaração (modelo completo). Vale observar que quem tem imposto a restituir também pode fazer a doação e ainda se beneficiar com o aumento do valor da restituição. O contribuinte receberá a restituição acrescida de igual porcentagem doada, corrigida pela taxa básica de juros (Selic). Há diversas modalidades de financiamento coletivo no mundo. Elas já são responsáveis por movimentar mais de US$ 65 bilhões, anualmente, na economia mundial, segundo pesquisa de 2014 da Crowdfunding PR, Social Media & Marketing Campaigns. Este mercado vem

Quero Impactar do Recife recebe R$ 3 milhões do Itaú Read More »

Análise genética de vetor da doença de Chagas pode levar a novas estratégias de prevenção

Maria Fernanda Ziegler, de Lyon  – A doença de Chagas é considerada um dos maiores problemas de saúde pública na América Latina. Segundo dados da organização sem fins lucrativos Drugs for Neglected Diseases initiative (DNDi), vivem na região cerca de 6 milhões de pessoas infectadas, distribuídas em 21 países. Apenas 10% delas são diagnosticadas e só 1% recebe tratamento. No Brasil, o Ministério da Saúde estima a existência de pelo menos 1 milhão de infectados pelo protozoário Trypanosoma cruzi – causador da doença que, quando se torna crônica, pode levar à morte por insuficiência cardíaca. Mais de 90% dos casos se concentram nas regiões Norte e Nordeste. Com o objetivo de compreender os elementos envolvidos na cadeia de transmissão da doença de Chagas no semiárido brasileiro, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conduziram um estudo de campo no município potiguar de Marcelino Vieira, onde, em 2015, ocorreu um surto possivelmente causado por transmissão oral. Foram três mortes e 18 casos registrados, todos relacionados ao consumo de caldo de cana processado junto com o vetor do protozoário, no caso, o barbeiro (Triatoma brasiliensis), segundo o relato de pacientes. A pesquisa contou com apoio da FAPESP e foi apresentada durante o simpósio FAPESP Week France. “Na região do semiárido brasileiro, sobretudo onde ocorrem os surtos, é preciso ter uma compreensão mais precisa sobre os elementos envolvidos na cadeia ecoepidemiológica, pois o risco de infecção pode estar mudando. Fatores socioeconômicos, comportamentais e climáticos podem exercer influência crucial na biologia das espécies de vetores e de parasitas”, disse Carlos Eduardo de Almeida, professor do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenador do projeto. O percevejo da espécie Triatoma brasiliensis – popularmente conhecido como barbeiro – é o principal vetor da doença de Chagas na região estudada. Em colaboração com cientistas franceses do Centre Nacional de la Recherche Scientifique (CNRS), Almeida tem trabalhado no sequenciamento do genoma e no estudo do transcriptoma (conjunto de genes expressos) de espécimes de T. brasiliensis capturados no local do surto. Por meio da análise de marcadores genéticos do tipo polimorfismo de nucleotídeo único (SNPs, na sigla em inglês), o grupo desenvolve estudos de genética de população para entender os processos de especiação e adaptação nesse grupo de insetos. O trabalho tem sido realizado no âmbito do Programa São Paulo Excellence Chair (SPEC). As análises indicam que os domicílios de Marcelino Vieira foram invadidos por populações silvestres e domésticas de T. brasiliensis, ambas com alta prevalência de infecção pelo T. cruzi. O cenário, segundo Almeida, é propício para a ocorrência de novos surtos. “Esses insetos não nascem infectados pelo parasita. Eles geralmente se contaminam ao picar algum animal e, assim, tornam-se aptos a transmitir a doença para os humanos”, explicou. Dados da pesquisa revelam que 52% dos barbeiros silvestres capturados e 71% dos insetos domésticos estavam infectados pelo protozoário. A alta prevalência da infecção nos espécimes silvestres e a ocorrência de duas linhagens parasitárias diferentes são fatores que, na avaliação do pesquisador, ameaçam os esforços de controle da doença. O estudo mostrou ainda que 68% dos 202 insetos analisados por meio de técnicas moleculares tinham se alimentado do sangue de preás (Galea spixii) e de mocós (Kerodon rupestris). Esse achado aponta os roedores como possíveis reservatórios do T. cruzi – função que anteriormente era atribuída somente aos gambás (Didelphis). Os resultados foram publicados na PLOS Neglected Tropical Diseases . Por meio de trabalhos de modelagem ecológica, os pesquisadores identificaram os ambientes que favorecem a infestação dos roedores nas proximidades das habitações humanas. “Esse conhecimento permite traçar uma estratégia de controle da doença de Chagas semelhante à usada contra a dengue: evitar a formação de criadouros do inseto vetor e dos roedores em reservatórios, como, por exemplo, amontoados de madeira e de tijolos”, disse Almeida. Nova espécie Os cientistas pretendem agora realizar exames sorológicos na população do Rio Grande do Norte para mensurar a real dimensão do surto. No entanto, uma das descobertas da pesquisa pode se tornar um complicador. O grupo encontrou, pela primeira vez na natureza, espécimes de T. brasiliensis infectados por parasitas Trypanosoma rangeli. “Esse protozoário não é patogênico e, portanto, não ameaça a saúde humana. Entretanto, pode causar reações cruzadas e resultados falso-positivos em exames sorológicos para a detecção da doença de Chagas”, disse. O fato, segundo o pesquisador, pode dificultar a avaliação da prevalência da população humana infectada pelo T. cruzi, informação essencial para o desenvolvimento de políticas públicas. O simpósio FAPESP Week France foi realizado entre os dias 21 e 27 de novembro, graças a uma parceria entre a FAPESP e as universidades de Lyon e de Paris, ambas da França. Leia outras notícias sobre o evento em www.fapesp.br/week2019/france. Agência FAPESP

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