Um espaço chamado Passargada

No Recife, a importância do poeta é tamanha que a casa onde ele morou dos 6 aos 10 anos virou um oásis da literatura de Pernambuco. Fundado no centenário de Manuel Bandeira, em 19 de abril de 1986, o Espaço Pasárgada ressignifica a antiga casa do poeta como centro de preservação e difusão literária. Reconhecido como museu pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), desde 2011, e vinculado à Fundarpe, o lugar é o único no Brasil dedicado ao autor. Instalado em um sobrado neoclássico do Século 19, onde Bandeira viveu parte da infância, o espaço articula memória, acervo e ações culturais, evidenciando a relação do poeta com o Recife e promovendo atividades artísticas, educativas e literárias abertas ao público.

Prestes a completar um ano à frente do espaço, a bibliotecária Juliana Albuquerque busca atualizar o museu e propor novas ações. “Nós somos o único equipamento cultural do Estado destinado, de alguma forma, para a literatura. Eu tento fazer dele um marco, até porque, apesar de a casa ser tombada, o que traz a importância dela? É a questão da memória do poeta Manuel Bandeira”, disse.

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O equipamento cultural, instalado na Rua da União, 263, funciona como um centro de vivência e produção literária desde abril de 2009. Ele conta com um sala de estudos literários, uma biblioteca pequena de literatura pernambucana, um auditório e um jardim para receber os visitantes. Atualmente, o espaço recebe o projeto Jovens em Ação da Secretaria Executiva de Política Antidrogas do Governo do Estado, iniciativa que reúne 50 jovens de 18 a 29 anos em situação de vulnerabilidade social. “Também aprendem sobre Manuel Bandeira, sobre poesia, vivenciam o que está no museu”, relata Juliana.

Ela explica que o público do espaço tem sido bem variado. Hoje ele funciona de segunda a sexta, de 9h às 17h. O espaço realiza durante o ano a Semana Manuel Bandeira, no aniversário do poeta em abril, o Cartografias Juninas, no São João, e o Festival do Amor, também em junho, mês dos namorados, além do Bacanal do Bandeira, bloco carnavalesco da casa que homenageia o poeta, criado em 2012, misturando frevo, literatura e poesia pelas ruas do Centro do Recife.

Manuel Bandeira na corrida dos gigantes

Na verdade, para o autor que produziu livros com títulos como Carnaval, a folia de Momo lhe é muito familiar. Por isso, qualquer transeunte desavisado que estiver passando pela Rua da União não estranhe ao se deparar com a figura de Manuel Bandeira na janela de entrada do espaço. O boneco gigante foi uma ideia de Juliana para interagir com o público e trazer curiosidade de quem passa por ali.

“Eu sou uma brincante, eu amo o Carnaval. Eu herdei esse boneco que já estava lá”, conta, acrescentando que decidiu colocar o boneco na janela do casarão. “O pessoal começou a se assustar, foi ‘dando rock’ esse boneco na janela. Suscita a curiosidade de quem passa e também quebra um pouco a coisa do espaço ser um pouco mais sisudo”

Segundo a gestora, desde que colocou o boneco na janela, ele se tornou assunto dos passantes e motivo de risadas. Com a proximidade do bloco Bacanal do Bandeira, teve a ideia de contratar alguém para carregar o boneco na brincadeira deste ano. “E como é que se chama alguém para carregar um boneco? Eu nunca tinha pensado nisso. Cheguei na recepção da Fundarpe com essa dúvida, aí o recepcionista de lá, Júlio César se voluntariou. Foi só o tempo de eu sair de lá, subir as escadas, ir para minha sala e pensar: “E se esse boneco corresse na corrida dos bonecos gigantes de Olinda?”

Voltou na recepção para falar com Júlio e ele prontamente topou o desafio. “Ele me falou que o sonho dele era carregar o boneco e correr com ele”. Júlio correu e ficou em terceiro lugar na brincadeira. A premiação pelo desempenho na corrida foi inteira para o carregador e o boneco voltou com a medalha de bronze para os seus afazeres no Espaço Pasárgada, enquanto se prepara para a edição 2027 da corrida.

Segundo Juliana, sua ideia é tornar o espaço e a literatura cada vez mais próximos das pessoas. “Uma das primeiras coisas que eu sempre digo quando eu vou fazer alguma abertura é que é preciso tentar dessacralizar a literatura”, defende Juliana.

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