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Criatividade que gera renda: Por que apostar na economia que nasce na cultura?

Terra de uma vasta riqueza cultural e artística, Pernambuco ostenta grande potencial para ampliar os benefícios da indústria criativa. O setor é democrático ao distribuir renda para os criativos e a cadeia de fornecedores, mas ainda enfrenta desafios como a informalidade. *Por Rafael Dantas Pernambuco reúne uma das cenas culturais criativas mais vibrantes do País e não faltam símbolos dessa potência. Do cinema premiado de O Agente Secreto à grandiosidade da Fenearte, passando pela energia das festas populares, como o Carnaval e o São João, o Estado constrói seus próprios troféus com câmeras, barro e a inventividade que atravessa gerações. Se por muito tempo essa produção foi tratada como periférica, hoje ela ganha novo patamar. No desenho do próximo ciclo de desenvolvimento, a economia criativa desponta como um dos pilares estratégicos para as próximas décadas, segundo as discussões do projeto Pernambuco em Perspectiva. As linguagens da economia criativa de Pernambuco são muitas e se espalham por praticamente todo o território. O Agreste, por exemplo, abriga uma potente produção ligada à confecção e à moda. O Recife é solo fértil da indústria audiovisual. A Zona da Mata Norte é berço de manifestações culturais, como o maracatu. O artesanato, como se vê nos corredores da Fenearte, está presente em praticamente todas as cidades. E ainda nem falamos da música, das artes plásticas, da literatura e de tantas outras expressões. Nas discussões sobre o novo ciclo de desenvolvimento de Pernambuco, a economista Tânia Bacelar, sócia da consultoria econômica Ceplan, destaca que a economia criativa deve ser um dos pilares da economia do Estado. Entre outros aspectos, ela ressalta que o setor distribui renda de forma muito democrática, beneficiando uma vasta cadeia de fornecedores, e potencializa outros setores, como o turismo. “É um tipo de atividade que mobiliza muita gente. Então, para um país como o nosso, que tem um problema de desemprego, de subemprego grande, a economia criativa cai como uma luva”, resume a economista. A produção cultural tem essa marca: ela é generosa do ponto de vista da criação de oportunidade de inserção para o processo produtivo.” BARREIRA DA FORMALIZAÇÃO Para incentivar esse setor tão popular e potente no desenvolvimento social, o Brasil e Pernambuco já têm políticas públicas em andamento há décadas. Os editais de cultura, a promoção de feiras e a capacitação desses produtores não é mais uma novidade. No entanto, há uma série de entraves que impede um melhor aproveitamento desse potencial. Muitos produtores de cultura de Nazaré da Mata, por exemplo, conhecidos pela tradição do maracatu passam por imensas dificuldades. A beleza da manifestação, tão presente nas peças publicitárias do turismo e do lazer do Nordeste, ofusca uma realidade dura vivida por vários dos grupos que mantêm essa herança com muito sentimento, mas poucos recursos. “A Mata Norte é um dos maiores celeiros de economia criativa. Mas muitos vivem com cachês muito abaixo do que outras áreas culturais conseguem. Falta apoio também para que esses grupos consigam acessar os editais e transformar suas ideias em projetos”, avalia o jornalista e produtor cultural Salatiel Cícero. Ele aponta um fator que é presente na maioria das linguagens desse setor em Pernambuco. “O artista faz arte. Ele não quer saber da burocracia.” A distância entre a produção criativa e o acesso à linguagem dos editais de cultura é grande. Daí a pensar em modelos de negócios que dependam menos do poder público e sejam mais sustentáveis, há uma corrida ainda maior. Um diagnóstico que aponta para uma primeira urgência, segundo Tânia Bacelar: o enfrentamento da informalidade. “Esse é um segmento produtivo importante, mas que ainda enfrenta muita dificuldade de organização. A gente vive numa sociedade que requer formalidades. A economia criativa é uma atividade muito rica e poderosa, mas muito informal”, avalia a economista. Uma realidade que impõe um esforço das políticas públicas para simplificação dos processos, no que for possível, e capacitação ou o desenvolvimento de estruturas de apoio que contribuam para vencer essa barreira.  Tânia aponta o estímulo à formação de cooperativas como um caminho possível para avançar na formalização dessas atividades. Ela também observa que, diante da resistência de mestres mais antigos em criar um CNPJ ou elaborar projetos, incentivar as gerações mais jovens das famílias ligadas à produção cultural pode ser uma estratégia eficaz para transformar essa realidade. FALTA DE DADOS É UM DESAFIO DA ECONOMIA CRIATIVA Outro problema no horizonte é a falta de dados. Espalhada por diferentes regiões e linguagens, a economia criativa ainda carece de informações mais precisas sobre o tamanho da produção e seus fluxos. Sem esse mapeamento, produtores enfrentam mais dificuldade para acessar mercados e o poder público encontra limites para planejar ações de desenvolvimento para o setor. Pernambuco já deu um passo importante no mapeamento da economia criativa. Um dos marcos foi a realização do Estudo da Cadeia Produtiva do Artesanato, demandado pela Adepe (Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco) ao Laboratório O Imaginário, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). O levantamento ouviu quase 900 pessoas em 89 municípios, identificou as singularidades de cada região de desenvolvimento e apontou diretrizes para fortalecer os trabalhadores, ampliar mercados, qualificar produtos e valorizar os territórios. Mesmo com esse passo inicial, Camila Bandeira, diretora de economia criativa da Adepe, reconhece que há uma dificuldade de encontrar dados do setor. Diante da potencialidade e da forte demanda que vem dos produtores, o próximo estudo a ser encomendado pela agência será no setor audiovisual. “A gente ainda tem muita dificuldade de ter dados mais consolidados sobre a economia criativa. Cada território tem suas potências e suas fragilidades. O próximo passo é justamente fazer um estudo voltado para o audiovisual, porque é um setor que tem crescido muito e que a gente ainda precisa entender melhor”, afirmou Camila. Esse segmento, inclusive, tem um grau muito maior de formalização e de capacidade de elaboração de projetos. Uma realidade que difere muito da maioria das demais linguagens da economia criativa.  Em relação à economia criativa da cultura afro-brasileira da Mata Norte, Salatiel Cícero lançou a plataforma digital Casa do

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A revolução silenciosa do microcrédito no campo em Pernambuco

Pequenos financiamentos somaram mais de R$ 1 bilhão em 2025 e transformaram a vida de agricultores familiares no Estado e no Nordeste. O crédito impulsiona a produção e fortalece economias locais *Por Rafael Dantas Produtora rural no Sítio Brabo, distrito de Custódia, no Sertão do Pajeú, Josefa Barros, 50 anos, cria cabras leiteiras, juntamente com a família, e transforma a produção em queijo, requeijão, iogurte e doce de leite. Apesar de viver do campo há muitos anos, a dificuldade de pagar a conta de luz para mover toda a atividade estava desanimando a todos. Ela pensava até em “voltar para a vida do candeeiro”. Um pequeno aporte de crédito, no entanto, transformou a vida da família. A tecnologia da energia solar chegou à propriedade, aliviou as despesas e abriu um novo horizonte. “Foi uma transformação para nossas vidas”, celebra Josefa. “Depois disso deu para a gente se organizar e comer melhor. Antes não estava dando.” Com as placas solares instaladas e a conta de energia praticamente reduzida às taxas do sistema, o financiamento da implantação da energia solar passou a caber no orçamento da família. A economia, que chega perto de R$ 1 mil por mês, trouxe alívio imediato e abriu espaço para novos planos de investimento na criação de animais e na produção de derivados do leite. A história de Josefa não está isolada. Apenas no ano passado, foram mais de 87 mil contratos de microcrédito rural firmados apenas pelo BNB (Banco do Nordeste do Brasil). A instituição federal é responsável atualmente por 94% dos financiamentos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) na região, segundo dados do Banco Central. Longe dos holofotes dos grandes anúncios empresariais ou de megaempreendimentos públicos, o avanço do microcrédito rural representa uma revolução silenciosa que está acontecendo no campo. Em Pernambuco, os desembolsos desse tipo de financiamento realizados apenas pelo BNB para pequenos produtores já ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão. Nos últimos cinco anos, o volume de recursos contratados cresceu 222%. Esses financiamentos, operados com baixos valores (até R$ 12 mil para homens e R$ 15 mil para mulheres) e juros reduzidos, têm viabilizado mudanças concretas na vida das famílias agricultoras. O dinheiro é usado em diferentes frentes, como a compra de equipamentos para beneficiar a produção, para a instalação de estruturas de captação de água, incentivo à práticas agroecológicas, entre outras melhorias na propriedade.  No Sítio Brabo, os efeitos da chegada da energia solar ultrapassaram rapidamente os limites da propriedade de Josefa. A eletricidade passou a alimentar equipamentos como pasteurizador, iogurteira e tachos usados na produção de derivados de leite e transformou a pequena agroindústria familiar em um ponto de beneficiamento para outras produtoras da Associação de Mulheres da comunidade. Com mais estrutura, o leite de várias criadoras passou a ser processado ali, ampliando a produção coletiva e abrindo novas oportunidades de renda para as famílias da região, como a venda para o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). O novo cenário também incentivou outros investimentos. Animada com os resultados, a família contratou um segundo microcrédito para ampliar o rebanho caprino e reforçar a infraestrutura da propriedade, incluindo melhorias no acesso à água e na irrigação para garantir alimento aos animais, mesmo nos períodos mais secos. Os planos não param por aí. Quando quitarem os financiamentos atuais, Josefa pretende investir em novos equipamentos, como uma desnatadeira e uma prensa adequada para a produção de queijos de cabra. A ideia é diversificar ainda mais os produtos e ganhar escala.  EFEITOS NO CAMPO Quando uma política pública impacta a vida de um agricultor, toda a família é beneficiada e os efeitos transbordam para os seus vizinhos. Quando são milhares de pequenas histórias florescendo na terra conhecida pelas restrições hídricas, muitas sementes são lançadas nesse solo fértil de resiliência da Caatinga. Na avaliação de Caetano De Carli, superintendente federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Pernambuco e professor da Ufape (Universidade Federal do Agreste de Pernambuco), a explosão de microcrédito rural nos últimos anos tem sido fundamental para fortalecer a agricultura familiar. Entre os frutos dessa política pública, ele destaca o aumento da produção de alimentos, a contribuição no controle da inflação e mesmo a estruturação dessas atividades. “A gente nunca teve um volume de recursos tão grande sendo aplicado na agricultura familiar, especialmente no Nordeste”, exaltou Caetano. “Essa política pública tem sido certamente a principal responsável pelos avanços que a gente teve na produção de alimentos dos agricultores familiares aqui em Pernambuco e em todo o Nordeste. Com certeza está sendo responsável por segurar o preço dos alimentos.” O impacto do crédito também aparece quando se observa a economia das pequenas cidades do interior. Na avaliação do economista Paulo Guimarães, da consultoria econômica Ceplan, a agricultura familiar já deixou de ser apenas uma atividade de combate à pobreza e passou a desempenhar papel relevante no desenvolvimento local. Em municípios com até 20 mil habitantes, a maioria no Sertão, Agreste e Zona da Mata, a produção familiar pode responder por entre 30% e 40% da renda total. “A agricultura familiar já há algum tempo deixou de ser apenas uma atividade de subsistência e se tornou um importante segmento econômico”, afirmou. Esse dinheiro, explica o economista, tende a permanecer dentro do próprio município. “Grande parte dessa renda circula localmente porque os próprios produtores e suas famílias consomem produtos e serviços da região, mercados, farmácias, oficinas, prestadores de serviço.” Esse movimento cria um efeito multiplicador que vai além da propriedade rural. Contribui para desenvolver as cidades e fixar a população no campo. NOVAS GERAÇÕES NA PRODUÇÃO FAMILIAR No Sítio Conceição, na zona rural de Cachoeirinha, no Agreste pernambucano, a rotina da família de Miguel Pereira da Silva, 57 anos, sempre girou em torno do gado e do milho. Por muitos anos, a produção se manteve pequena, suficiente para tocar a propriedade, mas sem grandes sobras para investir. Ao lado do filho, José Miguel da Silva, 30 anos, e com acesso ao microcrédito, muita coisa começou a mudar. Com o financiamento, eles conseguiram

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Paulo Camara presidente do Banco do Nordeste Foto Fernando Cavalcante fotor 2026030944235

Paulo Câmara retorna à presidência do Banco do Nordeste

O economista Paulo Câmara foi reconduzido à presidência do Banco do Nordeste, após indicação do Ministério da Fazenda referendada pelo Conselho de Administração da instituição nesta quinta-feira (5). Ele volta ao cargo que ocupou entre março de 2023 e outubro de 2025, período em que conduziu uma expansão das contratações de crédito e ampliou a participação dos financiamentos destinados a micro e pequenos empreendedores. O ex-governador de Pernambuco afirmou que a prioridade será ampliar o crédito e apoiar o desenvolvimento econômico da região. Brasil pode ter até 54 GW em novas grandes cargas elétricas até 2038 Durante painel da ExpoRenováveis 2026 sobre o futuro do setor energético, Rafael Mello, consultor técnico na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), afirmou que o Brasil vive um momento paradoxal no sistema elétrico: há excesso de energia em determinados horários e escassez em outros, fenômeno associado à rápida expansão das fontes renováveis. Segundo o especialista, projetos de data centers e produção de hidrogênio verde já somam pedidos que podem alcançar até 54 GW de nova demanda elétrica até 2038, volume expressivo diante da carga atual do país, de cerca de 104 GW. Para lidar com essa transformação, o planejamento energético prevê 6,6 GW de sistemas de armazenamento em baterias até 2035, além da ampliação da infraestrutura de transmissão e da atração de grandes consumidores industriais capazes de aproveitar a abundância de energia limpa no país. Nordeste concentra R$ 60 bilhões em expansão da transmissão elétrica O Nordeste deverá concentrar uma parte relevante dos investimentos em infraestrutura elétrica previstos no planejamento nacional. De acordo com Rafael Mello, estudos recentes recomendam mais de R$ 60 bilhões em novos projetos de transmissão, incluindo 15 mil quilômetros de linhas e 16 subestações, muitos deles com foco na região para escoar a crescente produção de energia renovável. As obras, já licitadas ou em fase de implantação, devem entrar em operação entre 2028 e 2033. Outro projeto estratégico é uma nova interligação entre Nordeste e Sudeste, estimada em R$ 26,5 bilhões, que ampliará a capacidade de transporte de energia gerada principalmente por parques eólicos e solares instalados na região. Grupo Luck cresce 14,2% na alta temporada e executa quase 100 mil serviços no Nordeste O Grupo Luck registrou crescimento de 14,2% no faturamento durante a alta temporada 2025/2026, entre o fim de dezembro e o fim de janeiro, período em que executou 98.932 serviços turísticos no Nordeste. O volume inclui transfers aeroportuários, passeios e operações logísticas em destinos como Recife, Salvador, Maceió, Natal, Aracaju e João Pessoa, além de Fernando de Noronha. O número representa alta de 6,3% no volume de operações, refletindo o aquecimento do turismo de verão na região. Entre os destinos operados pela empresa, o destaque foi a marca Atalaia Noronha, cuja demanda cresceu 25%, impulsionada pela procura por transfers e experiências personalizadas na ilha. Dislub Equador amplia rede de conveniência no Recife O Grupo Dislub Equador inaugura neste sábado (7), em sistema de soft open, a 26ª unidade da rede de lojas de conveniência Convém. A nova operação funciona no Posto Internacional Dislub, no bairro da Benfica, no Recife, e integra a estratégia de expansão da companhia no segmento de serviços e varejo associado ao abastecimento. Atualmente, a rede soma 25 lojas em funcionamento, sendo 16 em Pernambuco. A expectativa do grupo é chegar a 50 unidades até o final de 2026, com expansão nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Usina do Seguro aposta em novos formatos de franquia para acelerar expansão A Usina do Seguro chega à Expo Franquias Nordeste, que acontece de 19 a 21 de março no Recife Expo Center, apresentando uma estratégia de expansão baseada em quatro modelos de franquia. A novidade são os formatos Light e Inside, voltados para corretores que já atuam no mercado e desejam operar em regime de colaboração com a marca. A empresa também mantém os modelos Home e Smart, destinados a operações totalmente integradas ao sistema da franqueadora. A marca projeta um novo ciclo de crescimento da rede, com a expansão para novos estados em 2026. Robson Menezes inaugura unidade do seu escritório em São Paulo O advogado pernambucano Robson Menezes inaugurou uma nova filial do seu escritório em São Paulo. A capital paulista torna-se a segunda filial da banca, que já possui atuação nacional e estrutura física no Recife e em Maceió. A unidade paulista mantém as frentes estratégicas do escritório, com atuação nas áreas bancária, autismo e saúde, reforçando o posicionamento especializado que marca a trajetória da banca. BNDES aprova R$ 3,5 bilhões para indústria de Pernambuco desde 2023 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou R$ 3,5 bilhões em financiamentos para a indústria de Pernambuco desde 2023, dentro do Plano Mais Produção (P+P), instrumento de crédito da política industrial Nova Indústria Brasil. A maior parte dos recursos foi direcionada à modernização industrial e aumento da produtividade, que concentrou R$ 3,19 bilhões, seguida por inovação (R$ 263,7 milhões) e exportações (R$ 7,9 milhões). Do total liberado no Estado, 36,2% foram destinados a micro, pequenas e médias empresas, somando R$ 1,25 bilhão. No Nordeste, as aprovações do plano já alcançam R$ 24,5 bilhões. Crédito do BNB para indústria de Pernambuco cresce 196% em janeiro As contratações de crédito da indústria pernambucana junto ao Banco do Nordeste somaram mais de R$ 39 milhões em janeiro de 2026, alta de 196% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os recursos financiam principalmente implantação, expansão, modernização e reforma de empreendimentos industriais. Em 2025, o banco já havia registrado R$ 607 milhões em financiamentos à indústria em Pernambuco, crescimento de 16% sobre 2024, impulsionado pelas taxas mais competitivas do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste).

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Epidemia sobre duas rodas: acidentes com motos disparam em Pernambuco

Com 37.736 envolvidos só em 2025, avanço da frota, precarização do transporte público e expansão dos aplicativos transformam os sinistros sobre duas rodas em crise de saúde pública e desafio econômico no Estado. *Por Rafael Dantas Nos últimos cinco anos, o número de vítimas de acidentes com motocicletas no Estado cresceu 37,5%. Somente em 2025, 37.736 condutores e passageiros se envolveram em ocorrências desse tipo. Além de provocar milhares de internações, muitas delas com necessidade de cirurgias e longos períodos de reabilitação, esses sinistros pressionam o sistema de saúde e resultam em um elevado número de óbitos. No ano passado, mais de duas pessoas morreram por dia em decorrência de acidentes com motos. Os dados revelam um quadro que se aproxima de uma epidemia sobre duas rodas que, como um vírus, dá sinais claros de disseminação. Um dos acidentados nesse período foi Eduardo Francisco, 26 anos. Preparador de máquinas, ele faz uma renda extra com corrida de aplicativo. Quando se aproximava de sua residência, em Dois Irmãos, um carro entrou na avenida sem olhar para o trânsito. Ele ainda fez uma manobra para evitar, mas não conseguiu. “Tentei desviar, mas o veículo avançou muito e pegou na minha perna. Eu voei no chão na hora.” Na pista quente, ele recebeu apoio de outros motoqueiros e foi socorrido. A lesão grave no tornozelo o afastou da atividade laboral por um longo tempo. Foram seis meses de recuperação e oito cirurgias. Um quadro que o deixou com muito medo das sequelas. “A pior coisa do mundo para mim seria perder minhas pernas”. O risco de ficar paraplégico também o atormentou, mas não se confirmou. Ao chegar em casa, outra dor foi ver sua moto destruída. Eduardo sentia o incômodo nas pernas, a frustração do dano material e as dificuldades de depender do auxílio do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). O período de atraso bagunçou as contas durante um tempo. Passadas as dores e o trauma emocional, ele voltou às pistas. Eduardo gosta de pilotar moto, por ser mais prático. O carro é usado para as saídas com a família. Mas, nesse retorno, o comportamento mudou. “Hoje meu cuidado não é mais 100%, é 200%, 500%. A gente dirige por quem está ao redor e não só por si”. Os prejuízos financeiros para ele, para o Estado e a quantidade de procedimentos de saúde necessários nessa história não são uma exceção. Na verdade, 21% desses acidentes, em média, resultam em internações. Na ocasião, o recifense tinha o plano de saúde da empresa e não precisou do atendimento do SUS, que é o principal destino das vítimas. UMA EPIDEMIA QUE CUSTA CARO Quem viveu a pandemia da Covid-19 viu como o Estado teve que despender de investimentos de forma rápida. Hospitais de campanha, aquisição de novos equipamentos, crescimento das equipes médicas, vacinas… A dinâmica com a crise dos acidentes de moto é diferente, mas também muito dispendiosa. Além de ser um drama de saúde pública, por lotar hospitais, a epidemia dos acidentes envolvendo motocicletas é também um grande desafio econômico. Tanto para as famílias, que perdem suas rendas, como para o poder público, que em muitos casos precisa arcar com benefícios de forma permanente de pessoas que não conseguirão mais trabalhar pelas sequelas dos acidentes. O problema não é apenas pernambucano, mas nacional. De acordo com o pesquisador Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, coordenador de estudos urbanos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cerca de 60% das internações de atendimentos com sinistros de trânsito estão associadas a vítimas com sinistros de motocicleta. “Então, tornou-se realmente um grande flagelo para o sistema de saúde pública no Brasil. Obviamente, isso impacta bastante os custos do SUS”, enfatizou. Na origem do problema, há outros fatores de ordem econômica. O crescimento do número de motos na frota pernambucana e brasileira é compatível com um período peculiar de inflação do preço dos carros e do combustível, além de coincidir também com uma grave crise do financiamento do transporte público.  Em outras palavras, para fugir dos ônibus e metrôs, o passageiro migra para o transporte individual. Como a compra de um carro, com todos os seus custos de manutenção não é compatível com a renda, a moto se torna uma alternativa real para uma parcela significativa da sociedade.  “Ao mesmo tempo que o número de mortes cresceu vertiginosamente, houve um crescimento proporcional da frota de motocicletas. Isso vem desde que houve um grande aumento de produção, dos incentivos e do crédito para aquisição de motos. Hoje, em torno de 28% da frota de veículos no Brasil são de motocicletas. Esse grande crescimento aconteceu justamente nas regiões mais pobres do Brasil”, afirmou o pesquisador. Não é por acaso que a frota de motos superou a de carros pela primeira vez em 2025, em Pernambuco. Em dados de janeiro deste ano, o Estado possui 1,6 milhão de veículos sobre duas rodas, enquanto tem 1,5 milhão de carros de passeio. A cada 6 pernambucanos, um possui moto. A inversão de prioridades acerca do transporte está na raiz também desse problema, como denuncia Bernardo Braga, Coordenador Técnico do Urbana-PE. “O transporte individual motorizado em geral, e as motos em particular, vêm recebendo incentivos há décadas, inclusive em detrimento do transporte público. É uma lógica anacrônica e inversa ao consenso técnico e acadêmico atual, mas que ainda persiste e continua causando danos às cidades e aos seus habitantes. Sem prioridade, o transporte público perdeu atratividade e parte dos passageiros migrou para modos menos seguros, como as motos”. Ele alerta que a frota de motos atualmente em Pernambuco é 48 vezes maior do que era em 1991, aumento muito superior à média nacional. ERA DOS APLICATIVOS DE ENTREGA AMPLIOU O PROBLEMA  Além de ser uma alternativa de deslocamento mais rápida para o trabalho ou para os estudos, na era dos aplicativos de entrega e de transporte, a moto virou também renda. Seja para quem está desempregado ou para quem precisa de um complemento para pagar as contas.  Antes dessa fase dos aplicativos, Rômulo

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Doce potencial do mel de Pernambuco: apicultura avança entre inovação e conservação ambiental

Da Caatinga aos manguezais, a apicultura cresce, investe em diversificação de produtos e fortalece a renda no interior do Estado *Por Rafael Dantas Quando começou a atividade de apicultor, com apenas 10 colmeias no Sertão do Araripe, em Ouricuri, Petrônio Pereira ainda não imaginava que o trabalho com as abelhas estaria no eixo de sua vida produtiva e ambiental. Hoje, à frente da Fazenda Doce Mel e na presidência da Associação Mel do Sertão do Araripe, ele comanda uma operação que reúne cerca de 600 colmeias, produz até 16 toneladas por ano e associa apicultura, reflorestamento e identidade territorial. “A renda do apicultor vem das flores, e só existem flores se houver árvores”, afirmou, para explicar por que parte da produção é revertida ao plantio de novas mudas da Caatinga. Petrônio não cresceu sozinho nesse segmento. A atividade do mel em Pernambuco apresentou avanço expressivo nos últimos anos. Em uma década, a produção dos apicultores locais passou de 385,6 toneladas em 2015 para 1,61 mil toneladas em 2024, conforme a Pesquisa da Pecuária Municipal, do IBGE. Embora os dados indiquem crescimento consistente, parte da produção não aparece nas estatísticas por causa da informalidade e da comercialização via outros estados. A área de atuação do apicultor, o Araripe, é hoje o principal polo da produção de mel em Pernambuco. Embora o Sertão concentre os municípios com maiores volumes produtivos, 98 cidades em todo o Estado registraram alguma produção, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal. Isso evidencia a ampla disseminação da atividade pelo território pernambucano. Dentro desse cenário, destacam-se especialmente os municípios de Araripina, Trindade, Exu e Bodocó. Mesmo com a expansão do setor e sua expressiva capilaridade geográfica, Pernambuco figura apenas na 10ª posição no ranking nacional e na 5ª colocação no Nordeste. No panorama regional, a liderança é do Piauí, que superou a marca de 8,6 mil toneladas de mel. Pesquisadores avaliam que parte da produção pernambucana segue para outros estados sem identificação de origem e a preços baixos. Além do crescimento da produção, a apicultura local vem se consolidando com maior articulação entre produtores, fortalecimento institucional e mobilização em torno do reconhecimento por indicação geográfica. A diversificação do portfólio, com novas embalagens e produtos derivados, tem ampliado o valor do mel in natura. Nesse processo, instituições como o Banco do Nordeste, o Sebrae, a Adepe, a Codevasf, o ITCBio, o Sistema OCB-PE, o Cetene e as universidades locais têm atuado de forma integrada para impulsionar a cadeia produtiva e ampliar sua competitividade. O MEL DA CAATINGA Nesse contexto de fortalecimento da cadeia da apicultura e da meliponicultura (quando a produção acontece com o manejo de abelhas sem ferrão) estadual, ganha destaque o mel da Caatinga. Com origem em um bioma exclusivo, esse produto se distingue por ter uma singularidade sensorial e maior valor comercial. O mel produzido pelas abelhas na Caatinga se difere dos méis de laranja ou eucalipto, produzidos em diferentes partes do País e do mundo. Marcos Morais destaca que o néctar vem de plantas como aroeira, algaroba e cipó-uva, conferindo ao produto uma identidade geográfica específica. “Não somos um dos maiores produtores do Brasil, mas nossa produção está principalmente na Caatinga, um bioma muito rico e melífero. É um mel único, porque vem de plantas que só existem aqui e produzem compostos químicos que conferem ao mel propriedades biológicas muito interessantes”, afirmou o professor Marcos Morais, do Departamento de Genética da UFPE. De acordo com o docente, pesquisas acadêmicas têm confirmado que esse mel apresenta uma composição química diferenciada, com altas concentrações de compostos fenólicos e flavonoides, que contribuem para efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios mais altos que nos méis comuns. Isso amplia o potencial do produto, que passa a ser valorizado também por seus benefícios à saúde. Outra característica do mel da região é ser produzido longe dos grandes centros urbanos e das áreas de monocultura. Isso contribui para uma menor incidência de contaminação química, como dos agrotóxicos ou de poluentes mais associados à indústria. “Esse mel ainda está longe dos centros de monocultura, soja ou milho. Então, com isso, a gente tem uma produção de mais qualidade”, afirma. Segundo a gestora estadual de projetos do Agronegócio do Sebrae-PE, Jussara Leite, a apicultura é hoje uma das cadeias priorizadas pela instituição em Pernambuco por reunir impacto econômico, social e ambiental, sobretudo no semiárido. Ela destaca que o Estado apresenta condições naturais favoráveis à produção, como alta luminosidade, temperaturas elevadas e uma flora apícola diversificada, especialmente na Caatinga. “A gente percebe que cada região de Pernambuco tem um mel diferente, com sabor próprio, em função da florada, do solo e de outros fatores locais”, afirma. Segundo Jussara, esse potencial ainda depende de avanços na organização dos produtores, na formalização e no acesso ao mercado para se traduzir em maior valorização do produto. RECONHECIMENTO DO MEL PERNAMBUCANO Há um esforço em diversas frentes para reconhecer a produção de mel pernambucana, incluindo o selo de Indicação Geográfica (IG). “Isso é um reconhecimento na forma de um registro que é concedido pelo Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) a uma região geográfica que se tornou conhecida por apresentar vínculos relativos à qualidade e às características da produção”, esclareceu a gestora do projeto de Indicação Geográfica no Sebrae Pernambuco, Roberta Andrade. Ela avalia que o reconhecimento do mel do Sertão do Araripe será estratégico principalmente por garantir proteção ao nome e à origem do produto. Segundo Roberta, hoje existe um problema recorrente de uso indevido da denominação da região por produtores de fora do território, o que fragiliza a identidade e a reputação construídas pelos apicultores locais. Além da proteção, ela destaca que a Indicação Geográfica contribui para organizar o setor e elevar o valor do produto no mercado. O processo envolve a criação de uma associação de produtores, a definição de regras de produção, como a dirigida por Petrônio, e a comprovação da notoriedade do mel da região, fortalecendo a confiança do consumidor. Para ela, a IG não é uma conquista individual, mas coletiva. “A indicação geográfica é uma

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Atividade econômica do Brasil cresceu 2,5% em 2025, aponta Banco Central

Indicador do BC mostra avanço puxado pela agropecuária e estabilidade no fim do ano A atividade econômica brasileira registrou crescimento em 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 2,5% no ano passado em relação a 2024. O desempenho foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que avançou 13,1%, enquanto a indústria cresceu 1,5% e o setor de serviços teve alta de 2,1%. Desconsiderando a agropecuária, o indicador apresentou aumento de 1,8% no período. Resultado de dezembroEm dezembro de 2025, o IBC-Br recuou 0,2% na comparação com novembro, considerando os dados dessazonalizados. Na comparação com dezembro de 2024, houve crescimento de 3,1%, sem ajuste sazonal. Já no trimestre encerrado em dezembro, em relação ao trimestre finalizado em setembro, o índice apresentou alta de 0,4%, sinalizando desaceleração no ritmo da atividade econômica. Relação com a política monetáriaO IBC-Br é utilizado como instrumento para acompanhar a evolução da economia e reúne informações dos setores de indústria, comércio, serviços e agropecuária, além do volume de impostos. O indicador auxilia o Comitê de Política Monetária (Copom) nas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano. A Selic é o principal mecanismo do BC para controlar a inflação, cuja meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Inflação e jurosEm janeiro, o aumento das tarifas de energia elétrica e dos preços da gasolina levou a inflação oficial a fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,44% em 2025, dentro do intervalo de tolerância da meta. Com a moderação do crescimento econômico e o recuo da inflação para a meta, o Copom manteve a Selic pela quinta vez consecutiva, no fim de janeiro, e informou que iniciará a redução dos juros na próxima reunião, em março, sem indicar a magnitude do corte. Diferença entre IBC-Br e PIBO IBC-Br é divulgado mensalmente e utiliza metodologia diferente da aplicada ao Produto Interno Bruto (PIB), calculado oficialmente pelo IBGE. Segundo o Banco Central, o índice “contribui para a elaboração de estratégia da política monetária” do país, mas “não é exatamente uma prévia do PIB.” O PIB mede a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país. No terceiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 0,1%, resultado considerado de estabilidade. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está prevista para 3 de março.

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Carnaval do Recife reúne mais de 3,7 milhões de foliões e movimenta R$ 2,8 bilhões

Festa contou com 50 polos, mais de três mil atrações e alcançou 99% de aprovação do público, segundo balanço da Prefeitura Balanço geral da festaO Carnaval do Recife 2026 reuniu mais de 3,7 milhões de pessoas em seis dias de programação e injetou R$ 2,8 bilhões na economia local, segundo dados divulgados pela Prefeitura. A festa contou com 50 polos espalhados pela cidade, mais de três mil atrações e gerou cerca de 60 mil empregos temporários. Mais de 10 mil servidores municipais atuaram na organização do evento, que alcançou 99% de aprovação entre os foliões. Recordes de público e economiaDurante coletiva realizada na Quarta-feira de Cinzas (18), o prefeito João Campos apresentou o balanço oficial do Carnaval, acompanhado do vice-prefeito Victor Marques e de secretários municipais. “O Carnaval do Recife nunca decepciona, mas sempre surpreende. Tivemos recorde de público, recorde de movimentação econômica, recorde de ocupação hoteleira. Foram 3,7 milhões de foliões ao longo dos dias de festa e mais de R$ 2,8 bilhões injetados na economia”, afirmou. Segundo o prefeito, pesquisas apontaram que 99% dos foliões aprovaram a festa e mais de 98% pretendem retornar no próximo ano. Turismo e ocupação hoteleiraA rede hoteleira do Recife registrou 97% de ocupação durante o período carnavalesco. O Aeroporto Internacional do Recife contabilizou mais de 150 voos extras e um total estimado de 502.205 passageiros, considerando embarques e desembarques no pré-Carnaval, Carnaval e pós-Carnaval. A estadia média dos visitantes foi de 5,15 dias, e cerca de 51% dos turistas participaram do Carnaval do Recife pela primeira vez, indicando renovação do público e ampliação do alcance turístico da festa. Cultura popular e atraçõesAs manifestações culturais pernambucanas representaram 98% das mais de três mil atrações do Carnaval. Mais de 250 blocos, troças, bois, caboclinhos, afoxés e maracatus participaram dos cortejos. O evento também contou com o Circuito Leda Alves da Cultura Popular e com o maior palco já montado no Marco Zero, com 70 metros de largura e 18,5 metros de altura. Artistas e agremiações tradicionais desfilaram por diversos polos, reforçando o protagonismo da cultura popular no Carnaval do Recife.

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Indústria de Pernambuco fecha 2025 em queda, apesar de reação em dezembro

Produção industrial recua 3,8% no acumulado do ano, segundo a PIM Regional do IBGE Desempenho anual da indústriaA produção industrial de Pernambuco encerrou 2025 com retração acumulada de 3,8% em relação a 2024, conforme a Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional), divulgada pelo IBGE. O resultado ficou abaixo da retração observada na média da região Nordeste, indicando um desempenho mais fraco da indústria pernambucana ao longo do ano. Resultado de dezembroNa passagem de novembro para dezembro, a produção industrial do estado registrou crescimento de 0,8%. Na comparação com dezembro de 2024, houve alta de 1,5%, configurando uma recuperação pontual no último mês do ano, embora insuficiente para reverter o resultado negativo acumulado de 2025. Setores com maior crescimentoEntre as atividades industriais, os principais destaques positivos no acumulado do ano foram a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com crescimento de 7%, e a fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que avançou 6,6%. Esses segmentos, associados a cadeias produtivas mais complexas, contribuíram para atenuar a queda da indústria geral no estado. Segmentos em retraçãoNo sentido oposto, os piores desempenhos foram registrados na fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores, que teve queda de 69%, e na fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com recuo de 15,8%. Já a fabricação de produtos alimentícios apresentou diminuição de 1,4%, enquanto a de bebidas recuou 0,4% no acumulado do ano. ServiçoA Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional) é divulgada mensalmente pelo IBGE e acompanha o desempenho das indústrias extrativas e de transformação em 17 estados e no Nordeste. A próxima divulgação está prevista para 13 de março.

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Carnaval deve movimentar R$ 10,8 bilhões em Pernambuco

Estudo da Fecomércio-PE projeta impacto direto de R$ 141,8 milhões em mercadorias durante os quatro dias de festa, mesmo com retração no consumo O Carnaval deve impulsionar a economia de Pernambuco em fevereiro de 2026, com movimentação estimada em R$ 10,79 bilhões na circulação de mercadorias, segundo levantamento do Hub de Dados do Comércio da Fecomércio-PE. Apesar da relevância da festa para o comércio, o valor representa retração de 1,3% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo um cenário macroeconômico mais restritivo ao consumo das famílias. Arrecadação e comportamento sazonal A projeção também indica arrecadação aproximada de R$ 2,2 bilhões em ICMS ao longo de fevereiro de 2026, com dados deflacionados a preços de dezembro de 2025. A análise da série histórica entre 2013 e 2026 mostra tendência de crescimento real da arrecadação, marcada por oscilações sazonais e maior volatilidade a partir de 2020, associada aos efeitos econômicos da pandemia. Os meses de Carnaval, em geral, apresentam desempenho igual ou superior à média mensal, enquanto o período pós-folia tende a registrar acomodação da atividade. Impacto direto do Carnaval Para este ano, a estimativa é de que o Carnaval acrescente cerca de R$ 141,8 milhões exclusivamente em mercadorias durante os quatro dias de festa. Esse montante corresponde a 1,3% da movimentação total prevista para fevereiro e é 1,6% superior ao registrado no Carnaval de 2025, considerando intervalo de confiança de 95%, entre R$ 119,1 milhões e R$ 164,5 milhões. Avaliação da Fecomércio-PE Para o presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Pernambuco, Bernardo Peixoto, os números confirmam a importância do período para a economia estadual. “O Carnaval de Pernambuco mantém relevância para o setor terciário. No comércio de mercadorias, o período representa uma perspectiva de reforço de caixa e de efetivação de vendas. De forma complementar, os segmentos de serviços e turismo registram aumento de demanda durante as festividades. Trata-se de um período de oportunidades para o setor.” Já o economista Rafael Lima, do Hub de Dados do Comércio da Fecomércio-PE, destaca: “As projeções de arrecadação do ICMS indicam uma movimentação econômica otimista durante o Carnaval, com expectativa de que o consumo associado exclusivamente ao período supere em 1,6% o resultado observado no ano anterior. A ampliação dessas oportunidades do setor terciário está associada principalmente à capacidade dos empresários de planejar e executar estratégias direcionadas ao aproveitamento desse aumento temporário da demanda.”

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Para onde caminham as ferrovias do Nordeste?

Novos trilhos avançam no Brasil, mas mantém a região na periferia logística *Por Rafael Dantas Enquanto o Brasil vive uma nova “corrida ferroviária”, o Nordeste corre o risco de continuar fora dos principais trilhos do desenvolvimento, apesar de voltar a receber projetos bilionários. Além da Transnordestina, três empreendimentos estratégicos estão em andamento: a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, no sul da Bahia, uma extensão que conectará o Maranhão ao Pará e a ligação entre Eliseu Martins (PI) e a Ferrovia Norte-Sul, ainda em estudo de viabilidade. Apesar desses investimentos, especialistas alertam que a porção oriental da região (que engloba Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte), segue alijada desse novo ciclo da infraestrutura ferroviária e que o volume de conexões permanece muito inferior ao previsto para o Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O resultado pode ser a manutenção ou o aprofundamento da posição periférica do Nordeste na logística nacional nos próximos anos. O mapa da carteira de projetos do Ministério dos Transportes, que prevê oito leilões, deixa evidente que o maior montante dos R$ 600 bilhões previstos para serem injetados seguem concentrados nas regiões que já possuem mais linhas férreas. “Quando a gente olha o mapa das ferrovias do Brasil, fica muito claro que o Nordeste não é prioridade nos investimentos”, constata a economista Tânia Bacelar. A especialista em desenvolvimento regional observa, contudo, que essa configuração tem uma explicação objetiva: os investimentos seguem a lógica produtiva dos grãos e dos minérios, mais concentrados em outras regiões do País. A ausência dessas cargas no Nordeste, que hoje iriam apenas para o Porto de Pecém, restringem novos investimentos em trilhos na região. A região detém apenas 8% dessas cargas. Tânia Bacelar afirma que o Nordeste Oriental não é prioridade nos investimentos de implantação de ferrovias no Brasil porque a maior parte desses projetos são destinados ao transporte de grãos e minérios, cargas que são minoritárias na região, correspondendo a apenas 8% do total da produção dessas commodities no País. A configuração disposta atualmente, com uma nova ligação ao sul da região (Ilhéus) e outra, ao norte, em São Luís, ligando-se ao Oeste, expõe um problema para os estados mais orientais e, consecutivamente, mais distantes das fronteiras agrícolas do Matopiba.“Eu diria que os dois extremos do Nordeste terão, a médio prazo, uma articulação importante com esses eixos ferroviários que estão sendo remodelados. O ‘miolão’ da região é que está em discussão, e é onde se localiza a Transnordestina, que sofreu uma mudança recente de trajetória importante a favor do Ceará e em prejuízo de Pernambuco”, analisa Tânia Bacelar. Confira a entrevista com Tânia Bacelar sobre o cenário das ferrovias RISCO DE APROFUNDAR AS DESIGUALDADES REGIONAIS Mesmo com a concretização dos grandes investimentos em curso – o que já seria um grande desafio – o planejamento em andamento não atende ainda a necessidade da região, segundo o engenheiro civil Maurício Pina. Especialista em transporte e membro do comitê tecnológico permanente do CREA-PE (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco), ele alerta que a lógica adotada – que privilegia aportes no Sul, Sudeste e Centro-Oeste – amplia as desigualdades entre as regiões e mesmo dentro do Nordeste. Ele é um dos grandes críticos das mudanças do projeto original da Transnordestina. “No momento em que se olha apenas o aspecto estritamente econômico [para decidir investir em infraestrutura], tornamos as regiões ricas em ainda mais ricas e as regiões pobres em mais pobres. Aumentamos assim a desigualdade entre as regiões do País. Se o interesse é desenvolver o Nordeste é preciso construir a ferrovia, o desenvolvimento vem depois”, defendeu Maurício Pina. “Se olhar apenas o aspecto econômico [para decidir investir em infraestrutura], aumentamos assim a desigualdade entre as regiões do País. Se o interesse é desenvolver o Nordeste é preciso construir a ferrovia, o desenvolvimento vem depois”. Maurício Pina Seguindo na mesma direção, o economista Werson Kaval alerta que “se essa carteira se concretizar como está desenhada, o Brasil aprofunda um verdadeiro apartheid logístico”. O avanço da malha ferroviária do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que concentram a maior parte dos investimentos do País, consolida corredores logísticos integrados entre áreas produtivas e portos exportadores. Kaval aponta para o fato de que “essas regiões passam a operar com custos logísticos significativamente menores, maior previsibilidade operacional e maior atratividade para investimentos industriais e agroexportadores”. O Nordeste, por sua vez, permanece com uma malha ferroviária fragmentada, com projetos pontuais e baixa densidade de rede, o que limita seu potencial de inserção em cadeias produtivas de maior valor agregado. FERROVIAS NO CENTRO DA DISCUSSÃO DO NORDESTE Existe, entretanto, a esperança de que essas desvantagens sofridas pelos estados nordestinos possam ser aplacadas com novas iniciativas da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste). O superintendente Francisco Alexandre afirma que a estratégia da autarquia está alinhada ao PRDNE (Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste), que trata a logística como núcleo central do desenvolvimento. “O PRDNE estabelece, no eixo de Infraestrutura Econômica e Urbana, um programa específico de Integração Logística Regional, voltado a ampliar os investimentos em ferrovias, rodovias, portos e aeroportos, com o objetivo de reduzir os custos de transporte e aumentar a competitividade do Nordeste”, explica. Francisco Alexandre afirma que Sudene tem planos de construir um sistema logístico integrado no Nordeste, capaz de conectar o interior ao litoral. “Isso inclui a modernização da malha existente e a implantação de novas conexões ferroviárias.” Segundo ele, essa diretriz passa justamente pela superação do déficit histórico de infraestrutura da região e pela integração entre áreas produtivas e os portos. “A lógica é construir um sistema logístico integrado, capaz de conectar o interior ao litoral e permitir que a produção regional chegue aos mercados nacionais e internacionais em condições mais competitivas”, afirma. “Isso inclui tanto a modernização da malha existente quanto a implantação de novas conexões ferroviárias.” O superintendente acrescenta que há estudos em curso para ampliar essa articulação. Ele destaca ainda que a agenda envolve também o transporte de passageiros: “Existe uma discussão para incluir trechos de passageiros nos próximos leilões ferroviários, como Recife-João Pessoa e

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