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Sem tabu: falar de bem-estar deve ocupar os fóruns de discussão dos altos executivos

*Por Nathália Grizzi Os dados do Ministério da Previdência Social são alarmantes: quase 500 mil afastamentos por saúde mental no Brasil em 2024; crescimento de 134% para esse tipo de afastamento em apenas dois anos; impacto estimado de R$ 3 bilhões na economia por causa desses afastamentos. Diante desses números, a resposta do Governo veio com a modificação da Norma Regulamentadora nº 1, editada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A NR-1 estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho e exige a implantação do GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). A sua modificação mais recente, que entrou em vigor em maio deste ano, obriga as empresas a incluírem em seus gerenciamentos os fatores de riscos psicossociais. Mas, para além do cumprimento da norma, o mais importante para a alta liderança é primeiro quebrar o tabu e falar verdadeiramente sobre bem-estar e saúde mental e, depois, entender como aplicar métodos para implantação de uma cultura de produtividade consciente. Segundo dados de uma pesquisa realizada no Reino Unido com 1.989 empregados em tempo integral, o tempo médio de produtividade desses trabalhadores é de apenas 2h53min por dia. Não é coincidência que o Brasil registre recordes de adoecimento mental no mesmo momento em que dados globais revelam níveis históricos de improdutividade. Ambientes tóxicos geram pseudoprodutividade, que gera sobrecarga, que gera adoecimento, que gera mais custos e menos resultados. É um ciclo vicioso que está custando bilhões às organizações brasileiras. E qual é a origem desse problema e, mais importante do que isso, como resolvê-lo? Embora o mundo tenha evoluído drasticamente, nossa relação com o trabalho permanece fundamentalmente disfuncional. Criamos organizações que operam como máquinas de estresse, onde a ideia de “estar ocupado” é confundida com “ser produtivo”, recompensando aquelas pessoas que operam dentro dessa lógica. Quantas vezes você se viu obrigado a participar de reuniões improdutivas, a suportar uma sobrecarga constante sem resultados proporcionais ou mesmo diante de comunicações ineficientes, sejam institucionais ou com a liderança direta? Esses são apenas alguns sintomas organizacionais que demonstram a crise da pseudoprodutividade. Como então operar a transformação do paradigma da pseudoprodutividade para um ambiente de produtividade consciente? Primeiro e o mais importante: é fundamental entender que isso passa por uma mudança de cultura organizacional e que, necessariamente, tem que ser abraçada pela liderança, afinal, o exemplo arrasta! Segundo, é preciso ter método. Dentro de um framework de produtividade consciente, pode-se dividir as ações estratégicas em 5 pilares: 1) Redesenho do Tempo; 2) Recuperação Estratégica do Estresse; 3) Redesenho da Forma de Trabalho; 4) Redesenho das Comunicações; e 5) Segurança Psicológica e Pertencimento. Pilar 1 – Redesenho do Tempo. Frases que resumem esse pilar: “quando tudo é urgente, nada é urgente” e “nada realmente grandioso nasce do tempo que sobra”. É preciso implantar métodos para redução de reuniões, fazendo apenas aquelas que sejam realmente necessárias, com pauta clara e para tomada de decisões. Além disso, ferramentas simples como a aplicação da Matriz de Eisenhower e a criação de blocos de trabalho e concentração profunda precisam ser aplicadas no dia a dia para gestão de demandas e maior produtividade. Nesse bloco, também é fundamental usar estrategicamente a inteligência artificial como mecanismo de expansão de inteligência humana e de uso eficiente do tempo. Pilar 2 – Recuperação Estratégica do Estresse. Pausas são fundamentais. Não é bobagem investir em espaços de descompressão, em locais onde as pessoas possam parar, respirar e se conectar com outras pessoas. Pilar 3 – Redesenho da Forma de Trabalho. É urgente acabar com a cultura de super-herói dentro das organizações. Uma pessoa só não pode e não vai dar conta de tudo. As pessoas são diferentes e têm talentos diferentes. Reconhecer essas diferenças e alocar esses talentos estrategicamente em equipes multidisciplinares com objetivos e resultados-chave (OKRs) claros de curto, médio e longo prazo é simples e eficiente. Ter acompanhamentos estratégicos com reuniões focadas em evolução e não em problemas é outro mecanismo poderoso. Pilar 4 – Redesenho das Comunicações. Ter regras claras para comunicações facilita a dinâmica dos blocos de trabalho e concentração profunda. Essas regras incluem, necessariamente, uma clareza sobre prioridades, urgências e os canais de comunicação adequados para cada uma delas. Quando existe clareza estratégica, o “não” desempenha um papel fundamental na absorção de novas demandas e na alocação de tempo. Pilar 5 – Segurança Psicológica e Pertencimento. É preciso criar espaços seguros e de trocas verdadeiras. Isso só se constrói com diálogos e feedbacks radicalmente honestos e respeitosos e com vulnerabilidade, nos quais líderes admitem erros e limitações – seus e dos seus liderados – e fazem disso um material potente para a melhoria contínua da organização. No fim, o recado é simples: é preciso entender que a cultura de bem-estar não é antagonista aos resultados. Ao contrário: ela é a aliada mais poderosa, pois, no final das contas, tudo ainda é sobre pessoas. Sustentabilidade humana garante sustentabilidade e perenidade dos negócios. *Nathália Grizzi é advogada e sócia das áreas especializadas de Martorelli Advogados

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“A literatura é a arte do incômodo”. Ney Anderson lança Apocalipse Todo Dia

Novo livro do autor pernambucano retrata fissuras emocionais e sociais do Recife contemporâneo e já recebeu elogios de grandes nomes da literatura brasileira O escritor pernambucano Ney Anderson apresenta ao público Apocalipse Todo Dia (Editora Patuá), uma antologia de contos curtos que mergulha nas tensões invisíveis — e sempre à espreita — da vida urbana. Ambientada principalmente em um Recife caótico, solar e brutal, a obra revela personagens marcados por traumas, fé, desejo e violência cotidiana. Após o lançamento na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o autor prepara sessão especial em Olinda, na Casa Estação da Luz, amanhã, dia 29 de agosto, às 19h. Com apresentação de Marcelino Freire, que define os textos como “contos curtinhos repletos de assassinatos, almas penadas e vizinhos suspeitos”, o livro reafirma a força literária de Anderson. O autor radicaliza o estilo que já havia mostrado em O Espetáculo da Ausência, também da Patuá, apostando em narrativas enxutas, tensas e carregadas de silêncios. “Tudo é matar ou morrer”, resume Freire. “Ney pinta e borda. Sem dó. Com graça (e desgraça).” A recepção crítica confirma o impacto da obra. Para Ana Paula Maia, trata-se de “um memorial para se lembrar de que o amor é eterno”. Raimundo Carrero enxerga “um amadurecimento radical de estilo”, enquanto Paulo Scott considera o livro “uma obra que merece ser relida, aplaudida, que nos prende e pede revisitas”. Santiago Nazarian destaca o humor ácido do autor; Marcela Dantés vê “uma notável coleção de personagens com aquilo que têm de mais humano”; já Tito Leite afirma que Anderson “abre os pulmões de uma Recife, e quem respira são os leitores”. Mais do que cenário, Recife é quase um personagem da coletânea, com suas ruas históricas, casarões em ruínas e dramas urbanos. Mas os contos ultrapassam fronteiras e poderiam se passar em qualquer capital brasileira. Violento, intenso e visceral, Apocalipse Todo Dia é um retrato fragmentado do presente — uma arqueologia emocional que expõe as contradições do nosso cotidiano. CONFIRA ABAIXO NOSSA CONVERSA COM O AUTOR “A literatura é a arte do incômodo” O que te inspirou a escrever “Apocalipse todo dia”? O meu trabalho é muito focado na observação diária do cotidiano. Gosto de anotar ideias, frases, situações que eu vejo no dia a dia, diálogos etc. Mas sempre com a cabeça do autor. O que me interessa é tentar captar algo ficcional por trás das coisas reais. Explico. Eu não copio a realidade e transponho para os meus contos. Não. Não sou um cronista no termo técnico da palavra. Ou um repórter escrevendo matérias. É outro universo. Quando eu observo alguma situação interessante, tento fabular algo maior, um drama, uma história que sirva à literatura. Algo que não existe nessa “realidade” que observo. Isso a partir das coisas mais simples, do corriqueiro, do que ninguém parece ver. Eu gosto de determinados climas e sensações. Agora, a minha criação não é cem por cento assim. Necessariamente, sinto a necessidade de estar sempre escrevendo, criando, pensando, tentando resolver questões. E vem tudo junto. “Apocalipse Todo Dia” nasceu dessa forma. Eu quis escrever um livro com contos curtos e cortantes, alguns chocantes. Não apenas para assustar ou causar repulsa, mas para fazer o leitor sair do lugar comum, tirá-lo da zona de conforto. Nesse sentido, Apocalipse Todo Dia é feito dos assombros cotidianos. Muito deles podem até passar despercebidos, pois quase sempre a urgência dos dias é tão frenética, que parece nos envolver numa espécie de armadura. A impressão é que ninguém se choca com mais nada, tudo caminha com uma certa normalidade, mesmo quando alguma coisa grotesca acontece. O exemplo clássico é a morte de alguém num estabelecimento, onde as pessoas nem ligam e seguem a soa rotina com tranquilidade, quase passando por cima do corpo da pessoa estendida esperando o carro do IML.   Quando está no seu momento criativo ou na edição do material, você pensa nos efeitos que ele vai ter nos leitores? O primeiro leitor que tento agradar sou eu mesmo. Se não prestar para mim, não vai prestar para mais ninguém. Eu sou a primeira pessoa que precisa ficar satisfeita com o texto que acabou de ser escrito. Embora, para o texto ficar pronto mesmo, demora bastante. Às vezes dias, semanas, meses e até anos. Pode ser o menor dos contos. Agora, eu sempre faço um exercício após a conclusão. Ler determinado texto para pessoas com gostos variados. Faço isso para ver a reação delas. Dos leitores/ouvintes beta. Se a pessoa ouve e não esboça nenhuma reação, o objetivo não foi atingido. Agora, se eu conseguir incomodá-los de alguma forma, aí, sim, consegui o que queria. Não um incômodo gratuito, mas aquele que faz o leitor parar para refletir sobre tantas camadas que existem nas entrelinhas dos contos. O sorriso nervoso. A literatura é a arte do incômodo. Não um simples passatempo. No entanto, mesmo com certos temas aparentemente pesados, existe um “divertimento” na leitura. Pois o leitor compreende que está lendo uma história de ficção. Todo leitor buscar se entreter. Ele procura, no final das contas, um livro bem escrito e que prenda a sua atenção.  Você disse que o Recife é esse lugar onde suas obras são ambientadas e é quase um personagem do texto. Mas a cidade é feita por muitas. Como é a sua relação com o Recife e qual é a cidade que você convive, te inspira e está presente nas suas obras? A minha lupa vai sempre para os dramas humanos. Dessa rotina estafante que as pessoas e os personagens precisam conviver diariamente. Gosto das coisas inconclusas, das lutas, da sobrevivência. Não a cidade cartão-postal das propagandas turísticas. Eu sou um ficcionista que pensa o Recife, de fato, como uma personagem dentro das histórias. Os seus becos, as suas figuras sombrias, as conversas nas mesas de bar, os ônibus lotados, a euforia do carnaval etc. Os meus textos mostram esses pedacinhos do Recife que se complementam como um enorme quebra-cabeça. Tem até, aqui e ali, algo mais solar, claro. Porque o

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Stellantis inicia exportações para o Oriente Médio a partir de Pernambuco

Primeiras unidades serão embarcadas ainda em 2025 pelo Porto de Suape, reforçando a presença global da companhia e ampliando o impacto econômico do polo automotivo de Goiana. A Stellantis anunciou o início das exportações do Jeep Commander para o Oriente Médio, ampliando a presença da montadora em mercados estratégicos como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Catar, Kuwait e Bahrein. Até o fim de 2025, mais de 500 unidades devem ser enviadas pelo Porto de Suape (PE), consolidando o protagonismo do polo automotivo de Goiana no cenário internacional. O modelo, que já soma 7.958 unidades exportadas para 14 países da América Latina, foi totalmente desenvolvido e fabricado no Brasil, sendo o primeiro SUV de sete lugares da Jeep produzido no país. Desde seu lançamento em 2021, o Commander acumula mais de 70 mil unidades vendidas no mercado nacional e ocupa a liderança em seu segmento. “A ampliação das exportações do Jeep Commander para o Oriente Médio comprova a força do produto desenvolvido no Brasil e sua competitividade em mercados altamente competitivos. O modelo simboliza a capacidade de inovação e de desenvolvimento tecnológico da engenharia nacional da Stellantis, que segue na vanguarda do setor automotivo, conectando sofisticação, versatilidade e tecnologia a diferentes públicos ao redor do mundo”, afirma Matias Merino, vice-presidente de Supply Chain para a América do Sul. Além de reforçar a imagem do Brasil como produtor de veículos de alto padrão, as exportações também ampliam os resultados econômicos de Pernambuco. O Hub de Veículos do Porto de Suape movimentou mais de 80 mil veículos em 2024, sendo 77% fabricados em Goiana, e já ultrapassou 39 mil unidades exportadas somente no primeiro semestre de 2025. Esses números consolidam o papel estratégico do estado no comércio internacional e a relevância da Stellantis na indústria automotiva sul-americana.

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FIEPE firma cooperação para impulsionar investimentos sustentáveis na Caatinga

Parceria com Instituto Amazônia+21 busca transformar o bioma em polo de desenvolvimento socioambiental e econômico A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) deu mais um passo em sua agenda de sustentabilidade ao firmar um acordo com o Instituto Amazônia+21 para atrair investimentos de impacto socioambiental na Caatinga. A iniciativa, assinada pelos presidentes Bruno Veloso (FIEPE) e Marcelo Thomé (Instituto Amazônia+21), pretende mobilizar recursos comerciais e filantrópicos para viabilizar soluções sustentáveis em um bioma que ocupa 84% do território pernambucano e 11% do país. Durante o lançamento da Facility Investimentos Sustentáveis, Veloso ressaltou a importância estratégica da iniciativa. “Esse trabalho identifica grandes projetos com vários parceiros. Vamos aprofundar e dar prosseguimento a essa atuação, que vai desenvolver diversos projetos estruturadores para o nosso estado. A Caatinga representa 11% do território nacional e 84% do território de Pernambuco. O que discutirmos é uma oportunidade de pensar em novos caminhos. Nossa gestão tem como um dos pilares a governança social, ambiental e corporativa, e iremos assumir o compromisso de ajudar a transformar boas ideias em ações concretas, com impacto real para quem vive e empreende em uma região com tanto potencial de desenvolvimento”, afirmou. Para Thomé, a criação de um fundo catalítico voltado à Caatinga é um instrumento essencial para garantir segurança jurídica e atrair capital em larga escala. “A gente precisa não só conservar o bioma Caatinga, como também restaurar. Quanto mais ativos naturais tivermos, mais negócios e inclusão econômica. É um ciclo de prosperidade virtuoso a partir da mobilização inteligente e orientada do capital, primeiro numa etapa filantrópica, para originar os projetos e, na sequência, trazendo veículos comerciais e recursos em volume para que esses bons projetos virem negócios”, destacou. A relevância do acordo foi reforçada por lideranças do setor produtivo e ambiental. “Na Caatinga habitam em torno de 30 milhões de pessoas e é um território de grandes possibilidades. Essa forma de financiamento vai poder transformar toda essa potencialidade em negócio, emprego e melhoria de qualidade de vida”, avaliou Anísio Coelho, presidente do Contema/FIEPE. Já o secretário estadual de Meio Ambiente, Daniel Coelho, destacou que “desenvolvimento é termos solução sustentável, que a gente precisa caminhar de mãos dadas com economia e meio ambiente”. O evento contou ainda com a participação de representantes do Ibama, CPRH e dirigentes regionais da FIEPE, que ressaltaram a urgência de políticas conjuntas para garantir desenvolvimento econômico sem comprometer a preservação ambiental.

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Ler para dizer: a semente da palavra nas mãos das crianças

*Por Matheus Lopes de Abreu Há algo de profundamente humano na palavra que nasce do encontro entre olhos e letras. Sempre que observo uma criança lendo, percebo que não é apenas um código que se decifra: é o mundo que se expande, é o pensamento que se organiza, é a língua que encontra seu ritmo dentro de nós. A leitura, para a infância, não é luxo nem ornamento; é a raiz silenciosa de toda expressão oral e escrita consistente. Como educador há alguns anos, sei que um bom texto – seja ele dito ou escrito – não se constrói no improviso. Ele é fruto de um repertório, de um estoque íntimo de palavras, imagens, ritmos e sentidos que a leitura oferece. Sem esse repertório, a criança se vê restrita a um vocabulário limitado, a uma estrutura de pensamento engessada, a um horizonte estreito. Com esse repertório, a criança descobre-se autora e narradora de si mesma. Ler é sempre um encontro: um livro fechado é apenas um objeto à espera de vida. A ciência da linguagem confirma o que a experiência em sala de aula já nos ensina: ler desenvolve a consciência fonológica, amplia o vocabulário, fortalece a compreensão sintática e afia a capacidade de argumentar. É no contato frequente com narrativas, poemas, reportagens, crônicas, ensaios e outros gêneros textuais que a criança internaliza modelos discursivos, compreende diferentes pontos de vista e aprende a articular ideias com coesão e coerência. Mas há também o que não cabe nos relatórios e nas tabelas. Ler é ouvir vozes que atravessam séculos e geografias, é encontrar-se em personagens, é sentir a vitalidade da língua percorrendo o pensamento e a imaginação. Uma criança que lê não apenas escreve melhor: ela fala melhor, pergunta melhor, escuta melhor. Por isso, na educação, acredito ser imprescindível oferecer livros como quem oferece caminhos. Qual caminho você escolheria para o seu filho? É papel da escola – e compromisso de todos que a integram – cultivar espaços de leitura que sejam, ao mesmo tempo, livres e cuidadosamente orientados, de modo que a criança possa explorar o prazer de ler e, simultaneamente, aprender a técnica de escrever e argumentar. Se quisermos formar escritores e oradores capazes, precisamos primeiro formar leitores atentos e apaixonados. Porque só quem bebe na fonte da leitura é capaz de devolver ao mundo palavras que alimentam, que convencem, que encantam e que fertilizam o terreno para uma comunicação viva. Portanto, é preciso olharmos para a leitura como uma espécie de semente: invisível no início, mas destinada a florescer em cada texto que a criança ousar criar – seja no papel ou no sopro da sua própria voz. *Matheus Lopes de Abreu é produtor cultural e coordenador pedagógico da rede Maple Bear Global School

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Governo Federal se reúne com sindicato para discutir futuro do Metrô do Recife

Reuniões em Brasília, protestos e audiências públicas questionam a promessa de Lula de manter sistema fora do programa de desestatização Os metroviários de Pernambuco devem se reunir hoje (20) com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. O encontro foi articulado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Recife. Na ocasião, a categoria realizou uma paralisação de 24h em protesto contra a privatização do sistema. Até hoje pela manhã, a reunião não estava confirmada na agenda oficial do ministério, que informou à Algomais que “As tratativas para realização dessa agenda estão em curso”. A assessoria de imprensa da Presidência da República confirmou que foi deliberado que o MGI receberia o Sindicato dos Metroviários e que a própria Secretaria Geral também participaria da reunião. Durante o ato em Brasília Teimosa, o presidente chegou a levantar uma camisa do movimento, mas a sua presença não foi confirmada nas articulações que o movimento tem feito em Brasília. O Sindicato dos Metroviários anunciou que fará reunião também com o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Até o momento o ministério ainda não respondeu à Revista Algomais. A temperatura das manifestações dos trabalhadores subiu após uma matéria da CNN informar que o próprio presidente Lula viria ao Recife em setembro para fazer um anúncio da concessão. Diferente do que foi publicado na reportagem, a assessoria de imprensa da Presidência da República negou a previsão da agenda para a capital pernambucana em setembro. CONTEXTO DO CONFLITO A transferência para o Governo do Estado e na sequência para a iniciativa privada é uma defesa da governadora Raquel Lyra. No entanto, o movimento de resistência à privatização tem reforçado a mensagem de que o presidente Lula se comprometeu durante a campanha de 2022 em retirar a empresa do Programa Nacional de Desestatização (PND), criado pelo Governo Bolsonaro. Além da cobrança da palavra do presidente, a argumentação do movimento é também de alertar para os resultados da concessão do Metrô de Belo Horizonte. Com menos de três anos de privatização do serviço, a passagem disparou e já é de R$ 5,80. A pretendida expansão do sistema também não aconteceu. O sistema vive uma crise sem precedentes desde que entrou no PND. Com investimentos e recursos para custeio escassos, houve uma redução da frota de trens, queda na velocidade da operação e uma diminuição significativa de usuários. Além disso, o sistema passou a fechar aos domingos, a exemplo do que acontece também no Metrô de BH. ARTICULAÇÃO POLÍTICA LOCAL NA CÂMARA E NA ALEPE Após a paralisação dos Metroviários durante à visita presidencial, lideranças políticas locais intensificaram mensagens de crítica ao projeto de concessão, desenhado pelo Governo Bolsonaro, mas que segue em curso no Governo Lula. A vereadora Liana Cirne (PT) protocolou o Requerimento nº 7327/2025 na Câmara Municipal do Recife, manifestando oposição à proposta de concessão do Metrô do Recife à iniciativa privada. O documento faz um apelo ao presidente Lula, à governadora Raquel Lyra e a ministros do governo federal, defendendo que a gestão do sistema permaneça pública, com investimentos diretos para modernização e ampliação. Na justificativa, a parlamentar alerta para riscos já observados em outras concessões, como aumento de tarifas, redução de linhas pouco lucrativas e perda de transparência. Para Cirne, o metrô é um patrimônio público estratégico, fundamental para trabalhadores e estudantes em situação de vulnerabilidade, e deve ser mantido sob controle estatal para garantir tarifas acessíveis e integração metropolitana. Na Alepe, acontece hoje uma audiência pública, convocada pelo deputado Waldemar Borges, Presidente da Comissão de Administração Pública, solicitada pelo Deputado João Paulo com a finalidade de discutir “a tarifa zero, a evasão de receitas e o surf ou morcegamento nos transportes metropolitanos no Recife”. O encontro será mais um palco de debate do sistema, que deverá ter em breve uma audiência pública exclusiva para discussão dos rumos do Metrô do Recife. DEPUTADO FEDERAL CRITICA PRIVATIZAÇÃO Em recente entrevista, logo após as manifestações, o deputado Carlos Veras, único representante do PT-PE na Câmara Federal, realizou duras críticas ao processo de concessão ao sistema. Antes da paralisação, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), a deputada estadual Dani Portela (PSOL-PE) e a vereadora do Recife Cida Pedrosa (PCdoB-PE) foram algumas das vozes no parlamento contrárias ao projeto de privatização. A defesa dessa ala, alinhada ao discurso sindical, é que sejam realizados os investimentos de recuperação do sistema, como aconteceu na primeira gestão do Presidente Lula, no início dos anos 2000. Na época, os trens foram reformados, aconteceu a ampliação do percurso, com inauguração da Linha Sul e o quadro operacional foi reforçado com um concurso público. Anos depois, foram comprados ainda os VLTs, que aposentaram as locomotivas movidas a diesel, e os novos trens elétricos da companhia espanhola CAF. PARCERIA COM OS URBANITÁRIOS Uma das novidades recentes da articulação é uma parceria com o movimento dos urbanitários, que também resistem à privatização da Compesa pelo Governo do Estado de Pernambuco. Tanto no caso da privatização dos sistemas sobre trilhos como das companhias de abastecimento tem históricos de concessões fracassadas, marcadas por redução da oferta de serviços, aumento de tarifas e ampla dificuldade de regulação do poder público. A manutenção de ambos os projetos desconsidera as discussões técnicas e as experiências recentes. No próprio de Pernambuco, a falência da malha ferroviária, que fazia o transporte de cargas, aconteceu pouco tempo após a privatização em 1999. O novo projeto da Transnordestina, que nasceu em 2006, também entregue à iniciativa privada, completa 19 anos sem transportar um quilo de carga no Estado que tem o maior porto do Nordeste e um robusto parque industrial. A Algomais já discutiu ambos os projetos nas reportagens especiais O desafio para ofertar água e tratamento de esgoto em Pernambuco e Qual a saída para o Metrô do Recife?. AÇÃO NAS REDES E NAS RUAS O historiador e influenciador Jones Manoel, que possui 1,3 milhão de seguidores no Instagram e mais de 545 mil inscritos no YouTube, tem reforçado as críticas ao processo de privatização do Metrô

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Hemobrás inaugura maior fábrica de hemoderivados da América Latina em Pernambuco

Unidade de R$ 1,9 bilhão vai fortalecer o SUS, gerar milhares de empregos e reduzir dependência externa na produção de medicamentos essenciais. Na foto, o Presidente Lula durante visita e inauguração da nova planta de produção de medicamentos hemoderivados da Hemobrás, em Goiana (PE). Foto: Ricardo Stuckert / PR A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) inaugurou, nesta quinta-feira (14), em Goiana (PE), a nova Fábrica de Hemoderivados, considerada a maior da América Latina. Com investimento de mais de R$ 1,9 bilhão, a unidade vai atender milhões de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) com medicamentos utilizados no tratamento de hemofilia, infecções e doenças raras, queimaduras graves e em pacientes de terapia intensiva. A operação também deve gerar 2 mil empregos diretos e 8 mil indiretos, impulsionando a economia local e o Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a importância estratégica do empreendimento para a soberania nacional. “Um país soberano, ele tem que cuidar de três coisas: da educação, de garantir alimento para todo mundo, porque a segurança alimentar é uma coisa primordial. E, ao mesmo tempo, a gente garantir a questão da saúde. Isso aqui chama-se soberania nacional. A Hemobrás veio para ficar e vai ser a maior fábrica da América Latina. E veio para mostrar que o Brasil é soberano”. Lula também destacou que a qualidade da mão de obra da empresa está entre as melhores do mundo, associando o desenvolvimento econômico ao investimento em educação e qualificação profissional. Segundo a presidenta da Hemobrás, Ana Paula Menezes, a produção nacional de hemoderivados representa não apenas um avanço tecnológico, mas um compromisso com a cidadania. “Aqui no Brasil o plasma que vem da doação voluntária, altruísta, do nosso povo tem que voltar como medicamento para o nosso povo”. A nova estrutura permitirá fracionar até 500 mil litros de plasma por ano em um prazo de quatro anos, garantindo maior segurança sanitária, reduzindo a dependência de importações e assegurando que o insumo colhido nos hemocentros públicos seja transformado em medicamentos no próprio país. A expansão da Hemobrás inclui a fabricação nacional de produtos estratégicos, como a albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação VIII e IX. Em 2024, a estatal entregou um recorde de 552 mil frascos de hemoderivados e 870 milhões de Unidades Internacionais de medicamentos recombinantes. Com os novos blocos de fracionamento e envase em operação, a expectativa é ampliar gradualmente o volume de produção e incorporar novos medicamentos ao portfólio, fortalecendo o SUS e colocando o Brasil na rota de referência internacional em biotecnologia aplicada à saúde.

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Governo lança Plano Brasil Soberano para enfrentar sobretaxas dos EUA

Medida provisória prevê R$ 30 bilhões em crédito, incentivos fiscais e proteção ao emprego para empresas exportadoras brasileiras O governo federal publicou nesta quarta-feira (13), em edição extra do Diário Oficial da União, a Medida Provisória que institui o Plano Brasil Soberano. A iniciativa reúne ações emergenciais para apoiar empresas, exportadores e trabalhadores prejudicados pelas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Estruturado em três eixos — fortalecimento do setor produtivo, proteção ao trabalhador e diplomacia comercial — o plano busca reduzir o impacto imediato do chamado “tarifaço” e fortalecer a competitividade do país no longo prazo. Entre as medidas anunciadas está a liberação de R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações para oferecer crédito com taxas acessíveis e ampliar o financiamento às exportações. Pequenas e médias empresas terão acesso facilitado por meio de fundos garantidores, com aportes adicionais que somam R$ 4,5 bilhões distribuídos entre FGCE, FGI e FGO. O governo também criou incentivos fiscais por meio do Novo Reintegra, elevando em até três pontos percentuais a restituição de tributos para empresas afetadas, o que representa impacto estimado de R$ 5 bilhões até dezembro de 2026. No campo tributário, a MP suspende temporariamente o pagamento de impostos para exportadores e autoriza a Receita Federal a adiar por dois meses a cobrança para as empresas mais atingidas. O plano também amplia o regime de drawback, prorrogando prazos para exportação de produtos com insumos beneficiados, sem cobrança de multas ou juros, e flexibiliza compras públicas de alimentos para merenda escolar e hospitais, priorizando produtores e agroindústrias prejudicados pelas tarifas. Para preservar empregos, foi criada a Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego, que atuará no monitoramento, mediação de conflitos e fiscalização de acordos trabalhistas. No âmbito internacional, o governo pretende diversificar mercados e acelerar negociações com blocos e países como União Europeia, EFTA, Emirados Árabes, Canadá, Índia e Vietnã. “Com o Plano Brasil Soberano, o governo federal não está apenas reagindo a uma ameaça imediata: está reconstruindo e fortalecendo o sistema nacional de financiamento e seguro à exportação, para que o país seja mais competitivo e menos vulnerável a esse tipo de medida no futuro”, afirmou o Planalto.

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Universidade de Pernambuco: uma História de compromisso e transformação

*Por Maria do Socorro de Mendonça Cavalcanti – Reitora da Universidade de Pernambuco A Universidade de Pernambuco (UPE) é uma instituição pública, gratuita, autônoma, inovadora e comprometida com a produção e a difusão do conhecimento por meio do ensino, da pesquisa, da extensão e da inovação, integrando diferentes áreas do saber. O seu objetivo é formar profissionais que sejam tecnicamente competentes, reflexivos, críticos e conscientes do seu papel como cidadãos engajados na busca de soluções sustentáveis para os desafios locais e globais, com a possibilidade da construção de uma sociedade justa, equitativa e sustentável. A UPE tem sua origem em 1965, com a Fundação de Ensino Superior de Pernambuco (FESP), a partir da Lei Estadual nº 5.736, que reuniu diferentes escolas isoladas de formação profissional. Em 1991, com a criação da Fundação Universidade de Pernambuco, a UPE foi legalmente instituída e assumiu o desafio de expandir o ensino superior de qualidade para todas as regiões do Estado. Atualmente a instituição é reconhecida pelo seu legado e permanente compromisso com a formação cidadã, a inclusão social e o fortalecimento da ciência e da inovação. Os nossos pilares são a autonomia universitária, a gestão democrática, o pluralismo de ideias e a responsabilidade social, com respeito a diversidade, a promoção da equidade e a valorização do conhecimento como instrumento de transformação. Presença em todo Pernambuco Com uma estrutura multicampi robusta, a UPE está presente em todas as regiões do Estado. São 17 unidades de educação presencial e 16 polos de Educação a Distância (EaD), com a oferta de 65 cursos de graduação, dos quais 60 são presenciais e 5 na modalidade a distância. A universidade também oferece 28 cursos de mestrado, 16 doutorados e 103 pós-graduações lato sensu, incluindo 72 residências. O Complexo Hospitalar da UPE, composto por três grandes hospitais: o Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) e o Pronto Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco – Professor Luiz Tavares (PROCAPE), constitui-se em uma referência na assistência em saúde pública, ensino e pesquisa, com atendimento de pacientes de diferentes Estados do país. Como uma instituição capilarizada, as ações desenvolvidas impactam em mais de 80% dos municípios pernambucanos, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento regional, a inclusão social e a formação de lideranças locais. Os cursos em diferentes campi recebem estudantes de todos os Estados da federação e de outros países, colaborando com a diversidade de conhecimento e culturas na instituição. Ensino, pesquisa, inovação e extensão: pilares de transformação A UPE está distribuída presencialmente nas cidades do Recife, Nazaré da Mata, Caruaru, Garanhuns, Arcoverde, Salgueiro, Petrolina, Serra Talhada, Palmares, Ouricuri e Surubim, além de 16 municípios dos polos de Educação a Distância. Para desempenhar o seu papel, a instituição conta com uma comunidade acadêmica de mais de 1.200 docentes, dos quais mais de 90% são mestres e doutores, mais de 4.700 servidores e mais de 20.000 estudantes, distribuídos nos cursos de graduação e de pós-graduação.  O projeto pedagógico da Universidade de Pernambuco é orientado para a formação integral de profissionais capazes de atuar em contextos complexos e desafiadores, com ênfase na interdisciplinaridade, na flexibilização curricular e na indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão. Nas ações voltadas para a pesquisa, a UPE se destaca com mais de 400 projetos ativos, muitos deles direcionados para soluções locais e regionais, com a promoção da inovação tecnológica, social e o pioneirismo da residência tecnológica. O Instituto de Inovação Tecnológica é um exemplo dessa vocação, com apoio a startups, projetos de propriedade intelectual e parcerias com o setor produtivo. Na extensão universitária, mais de 600 ações anuais aproximam os nossos estudantes e professores da sociedade, em áreas como a saúde, a educação, a cultura, o esporte, o meio ambiente e os direitos humanos. Do mesmo modo, a universidade reconhece os saberes populares, com a concessão do título de Notório Saber em Cultura Popular, através de edital específico. Alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável O cuidado com o meio ambiente e com as pessoas é essencial para o funcionamento das melhores organizações na atualidade, com a demanda de estudos e estratégias para lidar adequadamente com aspectos centrais para a promoção de um desenvolvimento ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente diverso. Desta forma, consciente de seu papel como agente de transformação socioambiental, a UPE adotou a Agenda 2030 da ONU e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em suas ações. Em 2024 se concluiu a elaboração do Plano de Logística Sustentável, com diretrizes para ações de eficiência energética, gestão de água e resíduos, acessibilidade, mobilidade, qualidade de vida e educação ambiental. Para coordenar as iniciativas, com melhorias contínuas dos processos internos e a conscientização da comunidade acadêmica, foi criado o Núcleo de Sustentabilidade para conduzir ações voltadas para a temática na instituição. Desta forma, reafirmamos o nosso papel de integração acadêmica-comunidade, impactando diretamente setores em diversas regiões com ações alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com temas essenciais como arte, cultura, saúde, educação e equidade. Outros temas de impacto, como mudança climática, inovação industrial e redução das desigualdades, também estão presentes em nossas ações, demonstrando o compromisso da UPE com o desenvolvimento sustentável e a justiça social. Gestão democrática e compromisso com a sociedade A UPE é uma universidade que valoriza a gestão participativa e o diálogo com todos os segmentos da sociedade. A sua estrutura colegiada é composta pelo Conselho Universitário, Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão e Conselho Social, garantindo voz ativa aos estudantes, servidores técnicos-administrativos, docentes e representantes da sociedade civil. Em 2023 a universidade deu um importante passo na promoção da equidade, ao eleger a primeira mulher Reitora da História da instituição, reforçando o compromisso com a diversidade e a inclusão. Destaca-se que na UPE as mulheres são 70% da força de trabalho, estão presentes em 64% dos cargos de gestão e são 58% dos estudantes, o que demonstra uma mudança efetiva para a valorização da igualdade de gênero. O Sistema Seriado de Avaliação, um dos processos de ingresso na Universidade de Pernambuco, é

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Transnordestina

TCU, BNB e Ministério dos Transportes desconhecem atrasos de repasse para a Transnordestina

Órgãos públicos negam atrasos nos repasses financeiros para a Transnordestina em meio a polêmica entre Pernambuco e Ceará Em meio ao episódio de disputa entre os estados de Pernambuco e do Ceará acerca da liderança da Sudene, que resultou na queda de Danilo Cabral, uma das alegações para a crise com o superintendente seria um suposto retardo nos repasses para a Transnordestina. Conforme publicamos na coluna, a TLSA informou que “O que está em pauta não é, absolutamente, uma disputa de estados, e sim a necessidade da celeridade na liberação dos recursos, que tem sofrido atrasos sistematicamente“. Na nota, a empresa informou que os referidos atrasos são de “conhecimento de diversos órgãos, dentre eles o Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério dos Transportes, Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, Casa Civil e Banco do Nordeste (BNB).“ Dos cinco citados, apenas o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional e a Casa Civil ainda não nos responderam. Os demais declararam não conhecer esse problema. De forma sucinta, o Banco do Nordeste (BNB) informou que “desconhece qualquer atraso nos desembolsos relativos à Transnordestina”. O Ministério dos Transportes informou que as obras da Transnordestina, sob responsabilidade da concessionária TLSA, já teriam recebido aportes de R$ 10,67 bilhões, segundo a concessionária (Esse montante informado pelo ministério, no entanto, é maior que o informado pela própria Sudene e deve incluir investimentos de outras fontes). Porém, informou que o acompanhamento e monitoramento dos recursos e cronogramas de liberação são atribuições do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Sobre o trecho entre Salgueiro (PE) e Suape, que está sob responsabilidade do Governo Federal, a pasta afirmou que o edital para retomada das obras deverá ser publicado ainda neste semestre. O Tribunal de Contas da União (TCU) esclareceu que não realizou auditoria sobre possíveis atrasos nos repasses da Sudene para a TLSA no contrato de financiamento destinado à construção da Transnordestina. Em 2023, no processo TC 012.179/2016-7, o ministro relator solicitou informações à Sudene sobre a liberação de recursos, tendo a autarquia informado que aprovou, em outubro daquele ano, o pagamento da última parcela do financiamento obtido junto ao FDNE. O tribunal afirma que o valor atualmente discutido refere-se a um novo financiamento complementar, não analisado pelo TCU, que não voltou a se manifestar sobre o tema. Em entrevista concedida à Rádio Folha, ao âncora Jota Batista e à colunista de política da Folha de Pernambuco, Betânia Santana, Danilo Cabral já tinha negado o atraso e informado alguns dos números envolvendo o projeto. “A Sudene foi responsável por retomar a obra. Lá atrás, quando a gente assumiu, a gente liberou R$ 800 milhões. Este ano, a gente já liberou R$ 1 bilhão para a Transnordestina do trecho do Ceará. E tem mais R$ 2,6 bilhões comprometidos do recurso do FDNE.” Esse ressaltou que a inquietação das lideranças cearenses, que gerou a sua derrubada do cargo, aconteceu no momento em que a instituição vinha realizando uma série de seminários em Pernambuco para explicar como está a obra no Estado e mobilizar as forças políticas e empresariais locais. Confira abaixo os posicionamentos enviados para a Algomais. RESPOSTA DO MINISTÉRIO DOS TRANSPORTESAs obras da Transnordestina, ferrovia que liga Eliseu Martins (PI) ao Porto de Pecém (CE) são de responsabilidade da concessionária TLSA. Até o momento, segundo a concessionária, foram aportados R$ 10,67 bilhões no projeto.O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional é a pasta responsável pelo acompanhamento e monitoramentos dos recursos firmados e seus respectivos cronogramas de liberação.O trecho ferroviário entre Salgueiro e Suape, de responsabilidade do Governo Federal, deverá ter a publicação de edital para retomada das obras ainda neste semestre. NOTA DA TCUO acompanhamento dos repasses financeiros do contrato de financiamento assinado entre TLSA e Sudene para construção da Transnordestina não foi objeto de auditoria do TCU. Dessa forma, não existe posicionamento do TCU sobre possíveis atrasos sistemáticos de repasse dos recursos por parte da Sudene. No âmbito do processo TC 012.179/2016-7, em 8/10/2023, o ministro relator, Walton Alencar Rodrigues, determinou que a Sudene informasse o estágio do procedimento que visa à disponibilização de recursos para as obras da “Transnordestina”, indicando a totalidade das exigências previstas em suas normas internas que, eventualmente, não estariam sendo observadas pelas concessionárias ou por outras entidades envolvidas. Em resposta, a Sudene informou que havia aprovado, em 20/10/2023, o pagamento referente à liberação da última parcela do Financiamento obtido pela TLSA junto ao Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Com isso, e considerando que o valor atualmente em tela de R$ 1,4 Bi diz respeito a novo financiamento complementar, não existente quando do mencionado questionamento do relator à Sudene, não houve mais nenhuma ação deste Tribunal sobre esse assunto. Por fim, destaca-se que esse financiamento se refere à construção do trecho cearense da ferrovia Transnordestina. O trecho pernambucano está em estudo no Ministério dos Transportes.  RESPOSTA DO BANCO DO NORDESTEO Banco do Nordeste desconhece qualquer atraso nos desembolsos relativos à Transnordestina.

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