Evento ocupa Olinda, Aliança e Condado entre 10 e 15 de março com shows, cortejos, oficinas e exposições que destacam a cultura afro-indígena, homenageiam mestres da tradição popular e reforçam a conexão cultural entre Pernambuco, Brasil e África.
Entre os dias 10 e 15 de março, Pernambuco recebe uma grande celebração da cultura popular com a realização do 18º Festival Canavial – Celebração das Matas e Quilombos. A programação acontece nas cidades de Olinda, Aliança e Condado e reúne apresentações musicais, cortejos, oficinas, exposições e encontros culturais que destacam as tradições afro-indígenas e populares do Nordeste. Nesta edição, o evento também integra oficialmente as comemorações pelos 491 anos de Olinda, ampliando o diálogo entre tradição, território e memória cultural.
Com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Cultural, o festival reafirma seu papel como um dos mais consistentes encontros dedicados às culturas populares da região. Ao longo de seis dias, artistas, mestres da cultura e grupos tradicionais ocupam ruas, praças, centros culturais e pontos de cultura, promovendo um intercâmbio entre expressões artísticas ancestrais e produções contemporâneas.
O ponto alto da programação em Olinda ocorre no dia 12 de março, quando a cidade se transforma em palco de uma grande celebração cultural na Praça do Carmo e em ruas do sítio histórico. Entre as atrações confirmadas estão apresentações de Elba Ramalho, Quinteto Violado, Sambadeiras, Orquestra do Avesso e Coco das Artes. A programação inclui ainda cortejos do Cariri Olindense e do grupo Bata-Kossô, que reforçam o diálogo entre manifestações tradicionais e linguagens artísticas contemporâneas.
Nos dias seguintes, o festival segue com apresentações de artistas e grupos de projeção nacional e internacional. Entre os destaques estão a Velha Guarda do Salgueiro, com participação de Sapoty da Mangueira e da pernambucana Rainha Marivalda, além da cantora Graça Onasilê, ligada ao bloco afro Ilê Ayê. O público também poderá acompanhar o show do grupo Afonjah, com participação da cantora moçambicana Saquia Rachide, além das apresentações de Isaar e Dina Braga.
A presença de artistas internacionais reforça um dos conceitos centrais do Festival Canavial: a conexão cultural entre Brasil e África. Essa proposta se expressa tanto na música quanto na valorização das raízes afro-atlânticas que marcam diversas manifestações culturais brasileiras. O Afoxé Oxum Pandá, Mestre Matinho e os Mestres do Coco de Pernambuco também integram a programação.
Na Zona da Mata Norte, a cidade de Aliança — reconhecida como berço do Maracatu Rural — recebe parte importante das atividades do festival. Em parceria com a prefeitura do município, a programação ocupa o Ponto de Cultura Estrela de Ouro, um dos espaços simbólicos da tradição do maracatu na região. No local, o público poderá acompanhar apresentações de Cavalo Marinho, Mamulengo, Torés indígenas, Ciranda, Frevo e o tradicional Encontro dos Maracatus, reunindo os grupos Estrela de Ouro, Pavão Misterioso e Leão Mimoso.
A programação em Aliança também conta com apresentações de artistas como MC Tocha, Elisa Mel, Tribo Indígena Tabajaras, Toré Kariri Xocó, Orquestra de Frevo Mestre Ferreirinha e Cavalo Marinho Mestre Batista. A diversidade das atrações evidencia a pluralidade cultural da Zona da Mata e a força das tradições que nascem e se desenvolvem nesse território.
Nesta edição, o Festival Canavial presta homenagem a quatro importantes referências da cultura popular nordestina: Mestra Jucedi, Rainha Marivalda, Mestre Matinho e o grupo Bata-Kossô. As homenagens reconhecem trajetórias dedicadas à preservação e transmissão de saberes ancestrais que atravessam gerações e continuam a inspirar novas expressões culturais.
O tema “Celebração das Matas e Quilombos” sintetiza o espírito do festival em 2026. As matas simbolizam os territórios onde se originam rituais, cantos e manifestações populares, funcionando como espaços de proteção, memória e criação coletiva. Já os quilombos representam a organização comunitária e a luta histórica por liberdade, além de se consolidarem como centros ativos de produção cultural, espiritual e política.
A presença de grupos quilombolas e representantes de povos originários na programação reforça esse compromisso. Suas expressões artísticas, rituais e narrativas ganham destaque nas atividades do festival, ampliando o reconhecimento de seus saberes e reafirmando a cultura como instrumento de preservação da memória e afirmação identitária.
Além das apresentações artísticas, o festival investe em atividades de formação e reflexão. A programação inclui oficinas de Moda Preta Autoral, Maracatu Rural, Cavalo Marinho, Cultura Indígena, Tambores de Rei e Frevo, realizadas nas três cidades-sede: Olinda, Condado e Aliança. As atividades buscam fortalecer a transmissão de saberes tradicionais e estimular o contato direto entre mestres da cultura e novos públicos.
O Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, também recebe o Abayomi – Encontro das Mulheres Negras da Cultura Popular. O espaço promove rodas de conversa e debates sobre cultura, território, ancestralidade e políticas públicas, destacando o protagonismo feminino nas tradições afro-brasileiras e ampliando a dimensão política e formativa do festival.
A 18ª edição do Festival Canavial também amplia sua programação para o campo das artes visuais, com três mini-exposições que dialogam diretamente com o tema do evento. No Ponto de Cultura Estrela de Ouro, em Aliança, a exposição “Maracatu Rural – A Magia dos Canaviais” apresenta registros fotográficos que evidenciam a força estética e simbólica do maracatu rural e sua profunda relação com o território da Zona da Mata Norte.
No Mercado Eufrásio Barbosa, a mostra “PEBA – A Celebração das Matas e Quilombos” reúne fotógrafas que registram diferentes olhares sobre tradição, identidade e resistência, destacando o protagonismo feminino na construção da memória cultural. Já a fotógrafa Renata Mesquita apresenta uma exposição inspirada em sua experiência no continente africano, estabelecendo pontes visuais entre África e Brasil e reforçando os laços históricos da diáspora afro-atlântica.
