Volume destinado a pessoas físicas alcançou recorde em julho, enquanto inadimplência caiu para 0,94%
O crédito habitacional destinado a pessoas físicas em Pernambuco alcançou R$ 35,4 bilhões em julho de 2026, maior valor da série histórica do Banco Central. O volume representa crescimento de 18% em relação aos R$ 30 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, segundo maior avanço percentual do Nordeste. Ao mesmo tempo, a inadimplência das operações recuou para 0,94%, também a menor marca da série.
Demanda resiste aos juros
O resultado ocorre em um cenário de juros elevados, que aumentam o custo dos financiamentos para as famílias. Para Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, a característica de longo prazo do mercado ajuda a explicar o desempenho. “O crédito imobiliário tem uma característica diferente de outras modalidades porque está diretamente ligado a uma necessidade de longo prazo das famílias. Mesmo em cenários de juros mais elevados, existe uma demanda que permanece, seja para aquisição da moradia, seja para substituição ou ampliação do imóvel”, explica.
Financiamentos avançam em Pernambuco
Os financiamentos imobiliários realizados com recursos da poupança movimentaram R$ 1,7 bilhão em Pernambuco no primeiro semestre de 2026, alta de 15,9% na comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com a Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança. Ao mesmo tempo, outras fontes vêm ampliando sua participação no financiamento habitacional. “Nos últimos anos, a estrutura de funding do crédito imobiliário passou por uma diversificação. Além da poupança, recursos do FGTS e instrumentos como LCIs e CRIs passaram a ter uma participação importante. Isso amplia as possibilidades de captação e permite que o mercado continue atendendo à demanda por financiamento”, afirma Figueiredo.
Crédito impulsiona mercado imobiliário
Para o sócio da Eco Construtora, Carlos Feitosa, o acesso ao financiamento tem impacto direto sobre as vendas do setor. “O financiamento transforma a demanda reprimida em venda concreta ao diluir o valor do imóvel em parcelas compatíveis com a renda, permitindo que o cliente que hoje aluga possa se tornar proprietário. Em um mercado que ainda enfrenta um déficit habitacional elevado, o financiamento é uma ponte entre o desejo pelo imóvel próprio e a realidade financeira do brasileiro”, afirma Feitosa.
Cooperativas ampliam carteira
O avanço também aparece nas operações das cooperativas de crédito. Em Pernambuco, a carteira imobiliária do Sicredi cresceu 65% em 12 meses e chegou a R$ 6,3 milhões em julho de 2026. A instituição permite financiar até 90% do valor de imóveis residenciais, com prazos de até 35 anos, e projeta multiplicar por mais de dez vezes sua carteira de crédito imobiliário até 2029.

