Cultura e história

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CASACOR Pernambuco 2023 abre nesta sexta-feira (22)

A edição deste ano acontece mais uma vez no Chanteclair, com 28 ambientes, entre eles uma loja design exclusiva da mostra (Foto: Alison Matias) A edição de 2023 da CASACOR Pernambuco inaugura suas portas nesta sexta-feira, dia 22, às 14h, no Edf. Chanteclair, situado no Bairro do Recife. Sob o tema “Corpo e Morada”, a mostra propõe uma reflexão sobre a casa como uma extensão do corpo humano. O evento permanecerá aberto até 5 de novembro, apresentando 28 ambientes que ocupam o térreo e o mezanino do edifício, com quartos, salas, cozinhas, lofts, estúdios e uma série de operações gastronômicas e comerciais. Além disso, a CASACOR PE 2023 oferecerá uma área externa chamada Praça Recentro, onde serão realizados shows e eventos culturais abertos ao público todas as quintas-feiras até o final da mostra. A CASACOR PE 2023 destaca o trabalho de jovens talentos e consagrados profissionais da arquitetura e do design brasileiros, escolhidos pela curadoria da mostra, que busca representar diversos estilos, perspectivas e experiências. Nesta edição, a CASACOR, em colaboração com a Lightsource e o especialista em iluminação Carlos Fortes, proporciona uma iluminação especial para a fachada do Chanteclair, deixando uma marca duradoura na cidade. Antes da abertura oficial, na quinta-feira (21), está previsto um evento de pré-estreia para convidados, patrocinadores e fornecedores, com entretenimento fornecido por Lala K e Patusco. A ocasião contará com a presença de autoridades políticas, incluindo a governadora Raquel Lyra, o prefeito do Recife, João Campos, secretários, empresários e membros da classe artística. Serviço: 36ª CASACOR Pernambuco Data: de 22 de setembro a 5 de novembro de 2023 Local: Edf. Chanteclair – Av. Marquês de Olinda, 286, Recife Antigo Horário: de terça a sábado, das 14h às 22h (bilheteria até 21h); domingos e feriados, das 12h às 20h. Operações de café, restaurante, bar, lojas e galerias abrirão a partir das 12h, de terça a domingo. Ingressos: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia para estudantes, professores, PCD e pessoas com 60 anos ou mais mediante documento). Crianças até 12 anos não pagam. Apresentação de documento comprobatório é obrigatória.

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“Uma das coisas que literatura faz é criar laços”

Flávia Suassuna, nova integrante da Academia Pernambucana de Letras fala da sua produção literária e conta como seu tio Ariano Suassuna contribuiu para tornar-se escritora. Ela também é professora e analisa o impacto da internet no ensino e afirma que a ficção pode ajudar a reduzir a polarização atual. É comum os alunos de Flávia Suassuna se encantarem com a maneira como ela oferece os conteúdos das suas aulas de História da Literatura. Prova disso é que esta entrevista, que ela concedeu a Cláudia Santos no café de uma livraria no Recife, foi interrompida por uma ex-estudante que não se conteve para abraçar e fazer elogios à antiga mestra. Talvez esse talento se deva à maneira envolvente como Flávia conversa e que pode ter origem no DNA que compartilha com o tio Ariano Suassuna. Além da prosa boa — que pode ser constatada nesta entrevista — a professora também herdou do tio o ofício de escritora e seu trabalho foi reconhecido ao ser recentemente eleita para integrar a Academia Pernambucana de Letras. Nesta conversa, ela fala da sua trajetória pedagógica e literária, da relação com Ariano, do impacto da internet no aprendizado das crianças e na polarização ideológica que, para ela, pode ser revertida com a leitura de romances. Ao se identificar com os personagens, muitas vezes, o leitor, segundo Flávia, desfaz preconceitos e amplia seus conhecimentos. Parafraseando Contardo Calligaris, ela assegura: “a literatura, a ficção, tem uma mágica complementar porque ensina também a identificação como ser humano”. Como surgiu seu interesse pela literatura? Quando eu era muito pequena, as pessoas me perguntavam: o que você vai ser quando crescer? Eu dizia que queria ser mãe e escritora. Não entendia por que todo mundo achava graça da resposta, eu estava falando sério. Talvez tenha organizado isso na minha cabeça a partir da existência de tio Ariano, que era escritor, porque uma menina de 5 anos provavelmente não saiba o que seja um escritor. E como era Ariano como tio? Ele foi perfeito comigo. Um dia papai disse a tio Ariano: tem uma pessoa lá em casa que gosta desses livros que você gosta. Tio Ariano ficou todo entusiasmado e começou a me mandar livros no Natal, no aniversário. Quando fiz 11 anos, ele me deu As Minas do Rei Salomão, um livro de aventura que eu amei. Depois passou a me dar livros que tinham a ver com a minha idade. Foi um orientador perfeito das minhas leituras. O que acho lindo de tio Ariano é que ele é uma pessoa muito forte, muito incisiva, mas nunca me orientou para eu ser armorial, por exemplo. Ele deixou que eu seguisse meu caminho. Perto de morrer, ele disse: “as pessoas vêm me perguntar o que é que eu sou de Flávia. Aí eu digo que eu sou tio e todo mundo diz que você é uma professora muito adorável. E eu fico muito orgulhoso”. Vê que coisa bonitinha! Uma das coisas que literatura faz é isso: criar laços. É você contar e discutir a história de Capitu, ver como cada geração enxerga essa a história, trazer o filme de Capitu, trazer uma adaptação do livro Dom Casmurro. Tudo isso vai criando laços entre as pessoas de uma sociedade. Esse é um dos motivos por que existe essa história da criação de uma identidade nacional com aqueles livros. Nunca conheci um russo, mas eu amo os russos por causa de Tolstói. É nesse sentido que a literatura cria esses laços de identidade e fraternidade mais amplos. Li um artigo do psicanalista Contardo Calligaris, em que ele diz que quando leu O Caçador de Pipas se identificou com o narrador, apesar de o romance se passar num espaço político, social, ideológico totalmente diferente do dele. Calligaris disse também que num documentário sobre o Afeganistão, você aprende muito, mas você aprende a diferença, as particularidades do país. Já a literatura, a ficção, tem uma mágica complementar porque ensina também a identificação como ser humano. Você percebe que uma pessoa que mora no Afeganistão é tão humana quanto você. E a história é muito linda, fala de um menino de 8 anos que viu um amigo sendo violentado e correu. Esse artigo de Contardo Calligaris me bateu muito porque eu pensei a mesma coisa que ele: se eu tivesse 8 anos e visse uma amiga sendo violentada, eu acho que eu correria… Como você decidiu atuar como escritora e professora? Isso foram os desastres da vida porque eu queria ser mãe. Tive três filhos, mas fui abandonada pelo pai deles e precisei sustentá- los. Eu tinha o curso de Letras e me tornei professora por uma necessidade básica de sobrevivência. Acho, inclusive, que ser professora dificulta um pouco ser escritora, porque a gente tem muita coisa para fazer em casa, mas não tinha outro jeito. Somos pagos pela hora dada, mas quando chegamos na sala de aula, já gastamos um tempão preparando a aula, corrigindo trabalhos. Você começou sua carreira como escritora ao lançar Jogo de trevas (1980), que foi o primeiro romance a ser publicado por uma mulher em Pernambuco. Como foi essa produção? Eu ainda era solteira. Esse romance foi publicado pelas Edições Pirata em 1980. Eu tinha um professor maravilhoso chamado José Rodrigues de Paiva e eu fiz uma proposta indecente a ele. Eu disse: se eu lhe der o meu romance pronto, você perdoa o meu último trabalho? Porque eu não conseguia conciliar o trabalho e fazer o romance. Ele aceitou. Dei os originais do meu romance, e ele me deu uma nota, me livrei do trabalho dele e consegui terminar esse livro. Depois participei do concurso literário para marcar os 450 anos do Recife, instituído por Jarbas Vasconcelos, que era prefeito. Eu ganhei e esse foi meu segundo romance chamado Remissão ao Silêncio. Comecei com prosa que exige uma disciplina. Para fazer esse segundo romance, eu saía da minha casa, ia para a casa da minha mãe toda quarta-feira de tarde, deixava meus filhos para poder escrever. Depois passei

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Festival FALA! destaca o papel do jornalismo de causas

De 21 a 23 de setembro deste ano, o Centro Cultural Cais do Sertão, em Recife, será o palco da quarta edição do FALA! – Festival de Comunicação, Culturas e Jornalismo de Causas, um evento gratuito que abordará o futuro do jornalismo e sua relevância na sociedade brasileira. O festival, idealizado pelo Instituto FALA!, pretende explorar as diversas formas de arte e cultura, conectando-as ao jornalismo independente e à comunicação popular, com foco nas múltiplas linguagens do cotidiano, incluindo slam, literatura, teatro, música, artes visuais e cinema. Os organizadores destacam que o objetivo do Festival FALA! é criar um espaço para reflexões sobre o papel do jornalismo independente e da comunicação popular como instrumentos de promoção de uma democracia plena. Além disso, busca-se discutir a importância da cultura, identidade e diversas formas de expressão artística no jornalismo. Durante os três dias de programação, haverá oficinas, performances artísticas, mesas de debate e rodas de conversa abordando temas como a relação entre jornalismo e poesia, comunicação e ancestralidade, educação midiática para combate ao discurso de ódio, território como meio e mensagem da comunicação, jornalismo de causas e a cobertura de políticas, economia e justiça. “O Festival FALA! tem se tornado cada vez mais uma referência para comunicadores de causas. É um espaço seguro onde se abarca a pluralidade e a responsabilidade social, além do compromisso com a democracia. São diversas vozes que ecoam e se unem em prol da comunicação, da cultura e do jornalismo de causas, em busca de um impacto positivo na sociedade”, afirma Rosenildo Ferreira, fundador do site de notícias 1 Papo Reto e correalizador do Festival FALA!. O Festival FALA! também apresentará ao público os trabalhos de reportagem e produção audiovisual de quatro coletivos de comunicação de Salvador e região metropolitana, selecionados por meio de um edital anunciado na edição anterior, em 2022. Os conteúdos serão gravados e disponibilizados posteriormente no canal do YouTube do Instituto FALA!. Programação do Festival FALA! – 2023 Quinta-feira, 21 de setembro: Sexta-feira, 22 de setembro: Sábado, 23 de setembro:

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Dia do Frevo: entenda por que duas datas homenageiam o Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

O Dia Nacional do Frevo é celebrado nesta quinta-feira (14). Em Pernambuco, o dia 9 de fevereiro também homenageia o ritmo, que é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2012. Em 9 de fevereiro de 1907, segundo explica o historiador Luiz Santos, o frevo foi citado pela primeira vez pela imprensa, sendo o registro feito no antigo “Jornal Pequeno”, do Recife. O descobridor dessa publicação foi o historiador Evandro Avelar, há 30 anos. O dia 9 também marca o momento em que o frevo recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no ano de 2007, cem anos depois desse primeiro registro da palavra “frevo”. Já o dia 14 de setembro tem relação com o aniversário do jornalista Osvaldo da Silva Almeida, um grande defensor e propagador do frevo.   “Osvaldo Almeida foi um cronista importante na primeira metade do século 20. Ele alimentava os jornais da cidade com várias notícias sobre carnaval, falava muito sobre os clubes, divulgava o trabalho desses clubes no carnaval do Recife”. Luiz Santos, historiador. Celebração com encontro entre Homem da Meia- Noite e Cariri Olindense  Para celebrar a data, dois gigantes desfilam pelas ruas do Bairro do Recife, nesta quinta-feira (14).  A partir das 19h, o Homem da Meia-Noite e o Cariri Olindense vão desfilar ao redor do Paço do Frevo ao som de orquestras de frevo. A festa marca também o início das comemorações de dez anos do Paço do Frevo, que fará aniversário em 2024. A abertura da noite fica por conta do Bloco da Saudade, com a Orquestra do Maestro Bozó.  Acompanhado da Orquestra do Maestro Carlos, o calunga do Clube Carnavalesco de Alegoria e Crítica O Homem da Meia-Noite virá em desfile pela Rua do Bom Jesus. Ao mesmo tempo, pela Rua da Guia, embalada pela Orquestra do Maestro Oséas. No fim dos cortejos simultâneos, os dois gigantes se encontrarão em frente ao Paço do Frevo, quando as orquestras também se juntarão. Ao longo do dia, o Centro de Referência em Salvaguarda do Frevo, que fica no museu, está com programação especial e entrada gratuita para todos os públicos, funcionando em horário ampliado, das 10h às 21h.  O equipamento cultural receberá o público com Doses de Frevo, que são visitas mediadas abordando aspectos históricos e curiosidades sobre o 14 de setembro, às 10h e às 14h.  A programação traz ainda aulas curtas para todo mundo aprender os passos básicos e o ritmo essencial do Frevo. As Vivências em Música ocorrem pela manhã, às 10h30, 11h20, 12h e 12h40. Já as Vivências em Dança serão à tarde, às 14h30, 15h20, 16h e 16h30. 

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SANTOS MARTIRES DO RIO GRANDE DO NORTE

Santos mártires imolados pelos holandeses no Rio Grande do Norte em 1945

*Por Leonardo Dantas Silva Quando das Guerras com a Holanda (1630-1654), se transportou para o Nordeste do Brasil, os propósitos da Guerra Religiosa, que grassava em Flandres e nos Países Baixos, entre católicos, calvinistas e luteranos desde a segunda metade do Século 16. Em 16 de julho de 1645, na localidade de Cunhaú, no hoje município de Canguaretama, no Rio Grande do Norte, uma tropa holandesa de 200 homens, comandados pelo alemão Jacob Rabi, juntamente com um grande número de índios tapuias e potiguares, dizimaram 69 habitantes locais que assistiam à missa dominical na igrejinha de Nossa Senhora das Candeias. Matança semelhante veio se repetir, dias depois, no povoado próximo, Uruaçu. Ali também foram dizimados Mateus Moreira e dezenas de outros homens; repetindo os índios os mesmos atos de antropofagia de Cunhaú devorando, ainda vivos, os corpos de suas vítimas, retirando deles os olhos, a língua, o pênis e outras partes. Por causa de tais atrocidades, os portugueses passaram a fio de espada cerca de 200 outros índios que lutaram ao lado dos holandeses, quando da Batalha de Casa Forte (Recife), em 17 de agosto de 1645. Esses fatos motivaram um longo processo de canonização por parte da Igreja Católica, concluído recentemente pelo Papa Francisco, em solenidade acontecida no domingo 15 de outubro do ano de 2017, quando declarou santos os 30 Mártires de Cunhaú e Uruaçu, massacrados no Rio Grande do Norte em 16 de julho de 1645. A cerimônia de canonização foi presidida pelo Papa Francisco e contou com 450 concelebrantes, assistida por aproximadamente 50 mil pessoas, que lotavam a Praça de São Pedro em Roma. Na ocasião, o Papa Francisco declarou santos os mártires potiguares, após o pedido oficial durante a cerimônia celebrada pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da congregação da Causa dos Santos. “Que estes que agora são santos indiquem a todos nós o verdadeiro caminho do amor e da intercessão junto ao Senhor para um mundo mais justo”, declarou o Papa Francisco, em sua homilia. Por causa desses episódios, a história nos relata o sentimento de abandono que veio a tomar conta dos habitantes de Pernambuco que, em outubro de 1645, resolveram redigir um longo manifesto narrando o clima de terror que estavam vivendo sob o domínio holandês. Manifesto dos cidadãos de Pernambuco publicado para sua defesa sobre a tomada de armas contra a Companhia das Índias Ocidentais, dirigido a todos os príncipes cristãos e particularmente aos Senhores Estados dos Países Baixos Unidos. Numa das versões do documento, escrito em espanhol, como se depreende da cópia original, pertencente ao Instituto Ricardo Brennand do Recife, são descritas algumas das atrocidades perpetradas pelos holandeses e índios antropófagos, seus aliados, que a eles eram entregues, para alimentação, os corpos das vítimas dos seus soldados. “Sendo bem servidos pelos selvagens tapuias a quem animavam [os holandeses] como a tigres e lobos sangrentos, que diante dos seus olhos comiam os corpos mortos daqueles que haviam matado, feito tão abominável que nem os antigos tiranos cometeram tal crueldade. Nas praças onde paravam para repousar e comer os que os recebiam amigavelmente em suas casas eram mortos e como recompensa da sua cortesia e pagamento pela comida que aqueles cristãos haviam dado a cristãos, davam-se seus corpos como comida para os selvagens.” No ano seguinte (1646), o embaixador Francisco de Souza Coutinho, de posse de cópia desse manifesto, bem como dos relatórios de funcionários da Companhia, descontentes com o clima de terror insuflado pelo Governo do Recife, fez publicar uma série de panfletos, traduzidos para o holandês, denunciando a triste situação em que viviam os habitantes de Pernambuco. “Não há infâmia tão grande nem descortesia que não tenham usado contra as mulheres; depois de terem abusado delas desonestamente, e as filhas aos olhos dos pais e as mulheres casadas na presença de seus maridos as davam como regalo aos selvagens, que depois de satisfazerem seus intentos bestiais, as matavam e comiam. É verdade que não era a maior crueldade matá-las, porque depois da infâmia de desonrá-las e violá-las, elas mesmas prefeririam a própria morte por acharem- -se privadas de sua honra. Os ouvidos humanos têm horror de escutar tais coisas, mas os da Companhia tiveram olhos para vê-las e permitir tais crueldades, não apenas a um, mas a muitas de nossas pequenas crianças arrancaram os selvagens dos seios de suas mães. Assados e guisados como prato muito delicado. Comum entre eles um provérbio que dizia que os holandeses vieram ao Brasil para castigar os pecados dos portugueses, no que também concordamos e confessamos diante de Deus que bem merecemos tal castigo por nossos pecados, mas que tenham conosco segundo sua grande misericórdia e como um pai benigno que após haver castigado seus filhos lança o açoite ao fogo. Nossa perdição não foi apenas termos caído nas mãos de senhores cruéis e que tinham ódio mortal contra a nação [portuguesa], mas também extremamente apegados ao dinheiro; e passada toda a fúria sangrenta dedicaram-se com afinco a tomar-nos nossos bens justa ou injustamente.” Esses panfletos eram impressos em oficinas apócrifas e distribuídos nas ruas, de modo a levantar a opinião pública contra os dirigentes da Companhia das Índias Ocidentais, com sede em Amsterdã. Esta, por sua vez, incomodada com tamanho noticiário, veio à forra [levar a efeito uma vingança; desforrar-se, vingar-se], denunciando, pela imprensa, a deslealdade de Portugal e a duplicidade de D. João IV ao apoiar, de forma escusa, o movimento separatista de Pernambuco.

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Distribuidora americana de “Retratos Fantasmas” mira o Oscar

“Retratos Fantasmas,” dirigido e escrito por Kleber Mendonça Filho e produzido por Emilie Lesclaux, conquistou um lugar de destaque ao entrar na short list da Academia Brasileira de Cinema como um dos seis filmes selecionados para representar o Brasil no Oscar 2024. Com um histórico impressionante de mais de 30 festivais internacionais e sua estreia na Seleção Oficial do Festival de Cannes, o filme chamou a atenção da distribuidora americana Grasshopper, que se uniu à experiente Cinetic Marketing para promover seu lançamento nos Estados Unidos. A Cinetic Marketing, conhecida por suas campanhas bem-sucedidas na temporada de premiações e no Oscar, tem um histórico impressionante com 18 vitórias em diversas categorias, incluindo Filme Estrangeiro, Animação e Documentário na cerimônia da Academia em 2023. “Retratos Fantasmas” está prestes a encantar o público nos Estados Unidos após sua participação no Festival de Cinema de Nova York (NYFF), onde faz parte da prestigiada seleção Main Slate. Antes disso, o filme será exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), um evento renomado que lança as principais apostas da temporada de premiações. O filme está na categoria Wavelengths, que destaca obras que desafiam as convenções cinematográficas, expandindo os horizontes da arte cinematográfica. Em sua jornada internacional, o filme já está em sua terceira semana de exibição simultânea no Brasil e em Portugal, acumulando sucesso de público. Além disso, “Retratos Fantasmas” está prestes a estrear comercialmente nos cinemas da Espanha em 27 de outubro e na França em 1º de novembro, demonstrando seu apelo global. Com 55 cópias em exibição no Brasil, o documentário está prestes a alcançar a marca de 40 mil espectadores, consolidando-se como o documentário brasileiro mais assistido dos últimos cinco anos.

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Olinda: do retorno da agitação cultural aos desafios na segurança

*Por Rafael Dantas Entre ladeiras, bares e ateliês, Olinda é o recanto de muitos artistas, foliões e amantes da cultura. Para além dos dias festivos do Carnaval, a vida cultural da cidade tem seus encantos, mas divide opiniões. A percepção de quem vive a cena olindense é de que as expressões culturais brotam quase que espontaneamente das suas esquinas. Todo esse potencial, no entanto, carece de maior organização e comunicação. Além disso, há um fantasma que tem assombrado moradores e turistas: a segurança. Quem vive Olinda há mais tempo registra o fechamento de muitos ateliês e espaços de cultura que marcavam a vida da cidade. Alguns mestres das artes plásticas faleceram, como Tereza Costa Rêgo, outros deixaram o município. Um dos lugares que ficou na lembrança dos moradores, por exemplo, foi a Casa do Cachorro Preto. Mas novos points da música e demais manifestações artísticas também surgiram, como a Casa Criatura e a Casa Estação da Luz. Nesse novo ciclo, também houve a revitalização do Mercado Eufrásio Barbosa e de bares com forte programação musical. Novas veias por onde pulsa essa economia criativa local. NOVOS ESPAÇOS A Casa Estação da Luz tem sido um empreendimento de destaque ao longo dos últimos cinco anos, embora tenha oficialmente aberto suas portas como centro de cultura há três, devido às restrições da pandemia. A ideia original foi concebida por Alceu Valença e sua mulher Yanê Montenegro, que embora passem a maior parte do tempo no Rio de Janeiro, são proprietários do espaço. Natália Reis foi convidada a se tornar sócia e gestora do projeto que transformou a casa em um centro cultural. “Desde a abertura pós-pandemia em 2021, a Casa Estação da Luz tem trabalhado para cumprir sua visão cultural, abrangendo diversas áreas como artes plásticas, dança, música, literatura e culinária. Hoje estamos operando em quase 100% do que a gente pode fazer na casa”, afirmou a gestora. Do movimento cultural sonhado para o espaço, ela diz que só não aconteceu ainda o teatro. Em breve acontecerá também a abertura de uma exposição permanente de Alceu Valença. “Um dos nossos objetivos é que num futuro próximo a casa abrigue a exposição permanente que conta a trajetória e poética de Alceu Valença. Um ponto cultural e turístico, pois Alceu é uma atração turística da cidade”, afirmou o curador Bruno Albertim. Na dinâmica atual da casa, ele destaca duas preocupações: a maior visibilidade de novos artistas e a preservação das raízes olindenses. “Um dos eixos curatoriais que tenho tentado imprimir é reinserir atores e autores de uma prática artística que eram relegados ao segundo plano, sem acesso aos mecanismos de produção de hegemonia e poder, ao coração de Olinda. Outro aspecto é que a casa trabalha muito a memória artística da cidade, dentro de um panorama da arte modernista brasileira, da exposição do modernismo tardio que se manifestou na cidade” Outro novo endereço da cultura olindense é a Casa Criatura. Idealizado por Isac Filho. O projeto completou quatro anos de existência, dois dos quais no atual espaço, situado no Sítio Histórico de Olinda. Concebida na pandemia, a casa começou a ganhar vida em 2021 na Rua do Amparo, mas cresceu substancialmente desde então, agora ocupando um espaço dez vezes maior. Isac e sua companheira Juliana, ambos arquitetos, tiveram a visão de revitalizar o patrimônio e construir um ambiente de criação e inovação em Olinda. A casa funciona como um centro de trabalho colaborativo durante a semana e se transforma em uma galeria de arte gratuita nos fins de semana, com exposições, shows e eventos culturais que valorizam a diversidade e a pluralidade de usos. Isac enfatiza que há um esforço para unir artistas consolidados com iniciantes, homens e mulheres, buscando sempre a diversidade e valores que reflitam o espírito do espaço cultural. Ele projeta que a Casa Criatura se consolide como um centro de arte, influenciando positivamente a cultura e a economia criativa em Olinda e na região. O idealizador da casa lembra que o projeto não se limita a suas instalações, mas abraça o entorno urbano, ativando espaços menos explorados. Um exemplo foi a ideia de criar em Olinda um “Beco do Batman”, uma referência a um local em São Paulo que ganhou uma nova vida a partir de uma intervenção urbana com muita arte e criatividade. A percepção de Isac sobre a cultura de Olinda é repleta de entusiasmo e um senso de missão. Ele descreve o momento pós- -pandêmico como uma oportunidade de reconexão local. “Eu vejo como um momento de estruturação. Mais bandas se desenvolvendo, mais orquestras se destacando. Não destacaria só música mas, também, os movimentos voltados à arte. Vejo mais efervescentes as artes visuais, um número crescente de grafites, exposições e colabs surgindo. Aqui tem uma mistura do grafite, da arquitetura, da fabricação digital, das figuras a laser. Uma conexão de diversas linguagens. Isso é uma coisa nova. Vejo um momento bom para isso”. Isac acredita que Olinda possui um potencial criativo poderoso, capaz de atrair artistas e criativos de diversas áreas, a partir do fomento de uma política cultural local que consolide a cidade como um polo de criatividade e inovação. BOEMIA OLINDENSE Morador e também trabalhador de Olinda, Márcio Valença aprecia a cena que se constrói nos bares da cidade. Tanto novos endereços, como alguns já tradicionais abrigam a diversidade musical local. “Gosto de desfrutar a boemia da cidade. Frequento bares, principalmente à noite, numa cidade que acontece após às 18h, quando escurece”, afirma Márcio, ressaltando que os vestígios do período carnavalesco são interessantes para os moradores e visitantes. “São blocos fora de época, orquestras passando, um boneco gigante perdido. São resquícios do Carnaval que vivem durante o ano”. Como um bom boêmio, ele lista uma série de espaços tradicionais, como o Bar do Peneira, a Bodega do Veio, o Recanto do Ingá, entre outros por onde ele caminha. “Existem bares mais novos, como o Bar do Amparo e o Fogo de Oca, que são a cara de Olinda, antenados com a cultura da cidade. Ainda

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O rei que só prometia

* Paulo Caldas Tantas vezes contos de fadas, fábulas e outros temas abraçados pela literatura infantil, vestidos de fantasia, se traduzem por exemplos aparentemente tolos, que, contudo sutis, revelam severas críticas à atmosfera do universo adulto. Neste “O rei que tanto dizia, mas não fazia”, Ridete Marçal faz uso da Alegoria, recurso literário no qual o autor compõe uma narrativa para remeter à outra, esta, vestida de realidade . Quem sabe essa história de um rei perdulário, de umpríncipe herdeiro dominado pela teimosia, da princesa malcriada que de tanto vexame se escondeu do mundo, da bruxa, do bobo da corte, onde o servo excedia fidelidade, coisas de uma conhecida república, tendo por cenário um certo planalto da América Latina. A publicação, em policromia e papel couché,tem primoroso projeto gráfico com diagramação de Hugo Elihimas, ilustrações de Bruno Anselmo da Silva, revisão de João Luiz Lins e impressão da Companhia Editora de Pernambuco(CEPE) . *Paulo Caldas é Escritor

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5 fotos da Praça da Independência Antigamente

Em celebração ao dia 7 de setembro, a coluna Pernambuco Antigamente faz um passeio por um dos espaços centrais da cidade do Recife: a Praça da Independência. Uma das centralidades do tradicional Bairro de Santo Antônio é a Praça da Independência. Conhecida como a pracinha do Diário, ela já fazia parte da planta original da Cidade Maurícia. O local já teve no passado outros nomes, como Praça Grande, Praça do Comércio, Praça da Ribeira, Praça do Polé, Praça da União, recebendo o nome atual apenas em 1833. Confira abaixo uma seleção de imagens da Biblioteca do IBGE. Clique nas fotos para ampliar. 1. Vista do Edifício do Diário de Pernambuco, o jornal mais antigo da América Latina. .2. Vista ampla da Praça, com os prédio da Sulacap e a Avenida Guararapes no lado direito. 3. Destaque para a Matriz de Santo Antônio 4. Meios de transporte antigos circulando pelo bairro (no ônibus placa para o bairro da Tamarineira) 5. Vista parcial a partir da praça para a Rua 1º de Março

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