Data celebrada em 24 de abril destaca crescimento do consumo de carne, impacto no agronegócio e sofisticação do setor na capital pernambucana
Celebrado em 24 de abril, o Dia do Churrasco consolidou-se como mais do que uma tradição cultural no Brasil: tornou-se um importante motor econômico. O país ocupa a terceira posição no consumo global de carne bovina, com média de 24,6 kg per capita ao ano, atrás apenas de Estados Unidos e Argentina. O hábito segue em expansão, com cerca de 29 milhões de brasileiros realizando churrascos semanalmente, segundo a Kantar, enquanto 33% dos lares adotam o preparo em festas de fim de ano.
O avanço do consumo também é impulsionado pela maior frequência de compra de proteínas, que chega a quatro vezes por mês — uma a mais que em 2023. A carne bovina lidera as preferências, presente em 60% das ocasiões, seguida por aves e linguiças. Em períodos específicos, como a Copa do Mundo FIFA e as celebrações de fim de ano, a demanda pode crescer até 56%, evidenciando o peso do churrasco no comportamento de consumo do brasileiro.

Esse cenário sustenta uma cadeia produtiva relevante dentro do agronegócio. A pecuária representa 32% dos 1,7 milhão de profissionais do setor no país, com destaque para a diversidade de canais de compra. O pequeno varejo lidera em volume, com 30,2%, seguido pelos supermercados, com 20,7%. Já os açougues, embora tenham menor participação, registram o maior ticket médio por compra, indicando um consumidor disposto a investir em qualidade.
No Recife, o churrasco ganhou novos contornos e ultrapassou o ambiente doméstico, consolidando-se como um segmento gastronômico em ascensão. O público local passou a valorizar cortes premium, técnicas como parrilla e processos como o dry aged, além de experiências completas que envolvem harmonizações com vinho. Nesse contexto, o Pobre Juan se destaca como uma das principais referências, com proposta inspirada na tradição argentina e foco em cortes selecionados como bife de chorizo, ojo del bife e bife ancho, além da clássica picanha.

A casa aposta em carnes de origem controlada e curadoria rigorosa, incluindo cortes do Uruguai e o Wagyu importado de Kagoshima, no Japão, além de uma carta com centenas de rótulos, com destaque para vinhos de Mendoza. O movimento reflete uma transformação mais ampla: o churrasco brasileiro evolui de prática tradicional para experiência gastronômica sofisticada, mantendo sua essência de convivência, mas ampliando seu papel como negócio relevante dentro da economia.
